SE EU FOSSE VOCÊ… SÓ QUE NÃO!

E por falar em escutar… Rubem Alves nos ensina:

O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “Se eu fosse você”.

A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina.

Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção.”

 

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OS AVÓS NUNCA MORREM, APENAS FICAM INVISÍVEIS!

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“A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração”. Fênix Faustine

Os avós nunca morrem, tornam-se invisíveis e dormem para sempre nas profundezas do nosso coração.

Ainda hoje sentimos a falta deles e daríamos qualquer coisa para voltar a escutar as suas histórias, sentir as suas carícias e aqueles olhares cheios de ternura infinita.

Sabemos que é a lei da vida, enquanto os avós têm o privilégio de nos ver nascer e crescer, nós temos que testemunhar o envelhecimento deles e o adeus deles ao mundo. A perda deles é quase sempre a nossa primeira despedida, e normalmente durante a nossa infância. 

Os avós que participam na infância dos seus netos deixam vestígios da sua alma, legados que irão acompanhá-los durante a vida como sementes de amor eterno para esses dias em que eles se tornam invisíveis.

Hoje em dia é muito comum ver os avôs e as avós envolvidos nas tarefas de criança com os seus netos. Eles são uma rede de apoio inestimável nas famílias atuais. Não obstante, o seu papel não é o mesmo que o de um pai ou de uma mãe, e isso é algo que as crianças percebem desde bem cedo.

O vínculo dos avós com os netos é criado a partir de uma cumplicidade muito mais íntima e profunda, por isso, a sua perda pode ser algo muito delicado na mente de uma criança ou adolescente. Convidamos você a refletir sobre esse tema conosco.

O adeus dos avós: a primeira experiência com a perda

Muitas pessoas têm o privilégio de ter ao seu lado algum dos seus avós até ter chegado à idade adulta. Outros, pelo contrário, tiveram que enfrentar a morte deles ainda na primeira infância, naquela idade em que ainda não se entende a perda de uma forma verdadeiramente real, e onde os adultos, em certas situações, a explicam mal na tentativa de suavizar a morte ou fazer de conta que é algo que não faz sofrer.

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A maioria dos psicopedagogos diz de forma bem clara: devemos dizer sempre a verdade a uma criança. É preciso adaptar a mensagem à sua idade, sobre isso não há dúvidas, mas um erro que muitos pais cometem é evitar, por exemplo, uma última despedida entre a criança e o avô enquanto este está no hospital ou quando fazem uso de metáforas como “o avô está em uma estrela ou a avó está dormindo no céu “. É bom saber:

  • É preciso explicar a morte às crianças de forma simples e sem metáforaspara que elas não criem ideias erradas. Se dissermos a elas que o avô foi embora, o mais provável é a criança perguntar quando é que ele vai voltar.
  • Se explicarmos a morte à criança a partir de uma visão religiosa, é necessárioincidir no fato de que ele “não vai regressar”. Uma criança pequena consegue absorver apenas quantidades limitadas de informação, dessa forma, as explicações devem ser breves e simples.
  • As crianças irão nos fazer muitas perguntas que precisam das melhores e mais pacientes respostas. A perda dos avós na infância ou na adolescência é sempre algo complexo, por isso é necessário atravessar essa luta em família sendo bastante intuitivos perante qualquer necessidade dos nossos filhos.

§  Embora já não estejam entre nós, eles continuam muito presentes

  • Os avós, embora já não estejam entre nós, continuam muito presentes nas nossas vidas, nesses cenários comuns que compartilhamos com a nossa famíliae também nesse legado verbal que oferecemos às novas gerações e aos novos netos e bisnetos que não tiveram a oportunidade de conhecer o avô ou a avó.
  • Os avós seguraram as nossas mãos durante um tempo, enquanto isso nos ensinaram a andar, mas depois, o que seguraram para sempre foram os nossos corações, onde eles descansam eternamente nos oferecendo a sua luz, a sua memória.

É também importante ter em conta que a morte não é um tabu e que as lágrimas dos adultos não têm que ficar ocultas perante o olhar das crianças. Todos sofremos com a perda de um ente querido e é necessário falar sobre isso e desabafar. As crianças vão fazer isso no seu tempo e no momento certo, por isso, temos que facilitar este processo.

A presença deles ainda mora nessas fotografias amareladas que são guardadas nos porta-retratos e não na memória de um celular. O avô está naquela árvore que plantou com as suas próprias mãos, e a avó no vestido que nos costurou e que ainda hoje temos.

Estão no cheiro daqueles doces que habitam a nossa memória emocional. A sua lembrança está também em cada um dos conselhos que nos deram, nas histórias que nos contaram, na forma como amarramos os sapatos e até na covinha do nosso queixo que herdamos deles.

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Os avós não morrem porque ficam gravados nas nossas emoções de um modo mais delicado e profundo do que a simples genética. Eles nos ensinaram a ir um pouco mais devagar e ao ritmo deles, a saborear uma tarde no campo, a descobrir que os bons livros têm um cheiro especial e que existe uma linguagem que vai muito mais além das palavras. É a linguagem de um abraço, de uma carícia, de um sorriso cúmplice e de um passeio no meio da tarde compartilhando silêncios enquanto vemos o pôr do sol. Tudo isso perdurará para sempre, e é aí onde acontece a verdadeira eternidade das pessoas.

No legado afetivo de quem nos ama de verdade e que nos honra ao recordar-nos a cada dia.

Fonte: Valéria Amado (o segredo)

O ASILO DOS MEUS SONHOS!

Déa Januzzi, nos presenteando com mais uma bela crônica, leia:

Um dia, ainda vou construir um asilo para velhos. Mas a primeira medida que vou tomar será achar um outro nome para asilo, que não lembre morredouro, como proclamou Simone Beauvoir, no livro Envelhecer, para definir um lugar onde os velhos são depositados para morrer. Não vou mudar só o nome, mas também a filosofia. Vou pintar as paredes do asilo com as cores do arco-íris, abusar dos amarelos, laranjas e vermelhos. Vou abolir os azulejos brancos, insípidos, frios como lápides. Colocar girassóis nas janelas. Vou plantar grama por toda a parte interna da casa, para que os velhos andem descalços e sintam a relva roçar os pés como cócegas.

No asilo que vou construir haverá quintal, jardins e árvores por todos os lados. As janelas estarão sempre abertas para o vento que vai entrar pelos cômodos, passear pelos cabelos dos idosos, levantar as saias e os chapéus, arejar os corações com o aroma das manhãs. Colocarei uma fonte luminosa em cada corredor. Nada de bingo e orações em excesso. Os idosos da minha comunidade vão pintar sóis ao despertar de cada dia, com os próprios pés, que serão mergulhados em baldes de tinta. O ritual será como um escalda-pés de cores. Vou ungir os velhos com a minha fé num mundo novo. No meu asilo, que definitivamente não terá esse nome, não permitirei capelas por todos os lados, como se os idosos já estivessem à beira da morte. Nada de missa demais, cânticos de qualquer igreja, com honrosa exceção para o canto gregoriano dos monges beneditinos, pois os idosos precisam de bancos ao ar livre e não de sepulcros.

Vou pintar o teto de azul e colocar estrelas fosforescentes, para que eles durmam com os olhos nas constelações. Não haverá escuridão nem gritos depois que as luzes se apagarem, mas o brilho das estrelas do teto, sob o ruído suave e persistente das fontes. Todos os idosos poderão ter um animal de estimação, um pássaro, uma tartaruga, um cão, um gato. Mesmo que de pelúcia. Todos poderão verter lágrimas. O choro será livre, em nome dos filhos que os abandonaram sem deixar endereço. Haverá o dia de chorar pelos filhos que enterraram os pais vivos nos asilos. Neste dia, todos os idosos poderão xingar, gritar, deixar toda a raiva sair para fora, como um mar de ondas revoltas.

Os almoços serão sempre festivos e a comida terá um sabor especial, com temperos suaves. Não dispensarei alho, cebola, manjericão, alecrim, sálvia, salsinha, cebolinha. Com gosto de viver, para que o paladar se torne cada vez mais apurado. Nada de pratos de alumínio ou de plásticos. Os idosos vão comer em pratos que escolherão. Haverá o dia da sobremesa que tem gosto de infância, como ambrosia, arroz doce, bala delícia, brigadeiro, amor em pedaços.

O café da manhã será uma celebração. Amanhecer na velhice é mais do que um privilégio, é festejar mais um dia de vida, mais uma dádiva, que será posta na mesa junto com o café com leite, pães feitos por Magui, no Sítio Sertãozinho, com ervas e boas intenções, além de iogurte, cereais, mel e frutas. O café da manhã vai durar uma eternidade. Será uma espécie de ritual, com músicas da nova era para despertar os sentidos. Depois, haverá aulas de alongamento e todos irão para o jardim, tomar sol e brincar. Haverá até um quarto de brinquedos, pois os velhos se tornam crianças. É a idade do desconhecimento, de falar e de fazer o que tiver vontade. Que o diga dona Conceição, de 75 anos, que vive num asilo da capital. Ela não se desgruda de uma enorme boneca de borracha. Ela só encontrou a paz da velhice, depois que teve uma boneca entre os braços, para cuidar, proteger, ser útil. A boca entreaberta da boneca revela que Conceição não a deixa com fome. Pedacinhos de pão escorregam pela boca da bonequinha.

No meu asilo, que não terá esse nome definitivamente, não será pecado envelhecer, ter rugas e cabelos brancos. Para isso, vou pedir ajuda aos contadores de história, aos Doutores da Alegria, aos Anjos da Dança, aos terapeutas de Alexandria e holísticos, aos tanatologistas, aos psicólogos das oficinas da memória, aos mágicos, palhaços, aos artistas, para que se revezem no ofício de transmutar a vida. No meu asilo, que não terá esse nome definitivamente, os velhos vão poder namorar, casar, separar, porque o sexo não é coisa de jovem. O desejo não envelhece nunca.nem morre. Haverá bangalôs para os casais enamorados, a praça do footing, da pipoca e do algodão-doce e até um parque de diversões, com lago e patos. Haverá saraus de poesia, com declamação de poemas longos, infindáveis.

Os jovens farão de seus braços bengalas para os velhos. Juntos, eles caminharão pelas alamedas, serão companheiros nessa viagem pelo tempo de viver. O passado e o futuro, sem confronto, porque o respeito será traduzido em abraços, rodas de conversas, música, malabarismo e até fogueiras nas noites de inverno, com canjica, quentão e quadrilha. E, quem sabe, um copo de vinho tinto. Haverá óleos essenciais para massagens curativas. Os corpos dos velhos exalarão o doce perfume de sândalo.

Eles poderão rabiscar as paredes. Cada morador dessa comunidade poderá levar para o seu quarto, lembranças de antigas casas: panelas, porta-retratos, quadros, cadeiras de balanços, xícaras de porcelana, cristais, álbuns de fotos, linhas, baús, xales, tudo o que levar ao aconchego, todas as recordações afetivas. Ninguém poderá destituir os mais velhos de seus pertences e recordações. Nessa comunidade, com certeza, eu levaria até a minha mãe, para morar no andar debaixo do meu sótão, bem junto de mim. Quando eu estiver lá em cima, escutarei o barulho da cadeira de balanço a ranger ternura, exalar história e sabedoria por todas as frestas desse asukim que não terá esse nome nem cheiro de solidão.

Esta crônica foi publicada originalmente no jornal Estado de Minas.

SEMPRE É TEMPO!

“Para realizar grandes conquistas, devemos não apenas agir, mas também sonhar; não apenas planejar, mas também acreditar.” Anatole France

Este é o depoimento sincero de minha amiga, Shirley Furlan que é uma empresária, com mais de 50 anos que decidiu buscar um antigo sonho e realizá-lo. Penso que… Sonhar e realizar são nossas vitórias… ir vencendo cada desafio, passo a passo, são nossas grandes aprendizagens na vida. Vivendo e aprendendo.

Sonhar, amar e aprender não tem idade, depende apenas de nossas escolhas, ações e acima de tudo de acreditar em si mesmo. Ter fé, otimismo, cumplicidade e entusiamo… fazem toda a diferença… sonhar e continuar sonhando sempre. Agora basta fazer acontecer! Leia:

Quando se gosta infinitamente de algo tem-se que buscar isto! E foi assim que pensei….depois de uma carreira de mais de 25 anos como empresária na área de eventos corporativos, fundei a primeira agencia de palestrantes do país, por 1996. a Includere(hoje conhecida como Futurus – Palestras e Palestrantes – http://www.Futurus.com.br ), buscar uma nova carreira, uma outra formação parecia loucura.

E realmente muitos disseram que eu estava ficando louca….aos 55 anos entrar novamente na Faculdade e só se formar após cinco anos, parecia mesmo uma loucura.

Mas pensei… se amo tanto fazer tudo isto, se posso me desdobrar procurando uma nova carreira, porque não?

Lá fui eu para um novo vestibular, e não é que passei!

As aulas pra mim já começaram mais tarde, pois entrei depois de um mês do início do ano letivo das aulas. Fui recebida por poucos e excluída pela maioria, já que era diferente, tinha cara de professora e não de aluna…..

Este foi o meu primeiro teste de volta para a Faculdade – eu só pensava no que tinha que enfrentar, já que estava firmemente decidida e fazer o curso. Era meu sonho de adolescente e não conseguia entender porque não tinha feito isto antes. Mas já que estava alí iria enfrentar tudo e todos!

E quem disse que bulling é só para as crianças ou outras situações – o incrível é sofrer bulling na Faculdade só porque você é mais velha – porque tem cara de mãe e não de aluna – porque você talvez tenha um pouco mais de experiência dos que muitos dos que estão ali…..mas enfim o bulling existe mesmo e eu pude comprovar isto ao longo dos 5 anos de curso.

“Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.” Sarah Westphal

Mas isto também serviu para eu me impor, mostrar que independentemente de tudo e de todos podemos concluir o curso e se sair muito melhor que muitos jovens que lá estavam.

E assim aconteceu, passei por diversas adversidades ao longo deste período, aprendi a lidar com as situações que me deixavam constrangida e negligenciada e ao final já havia um respeito velado por mim e por tudo o que fazia e mostrava ao grupo.

A conclusão do curso foi o ápice da realização de mais este sonho, saber que a idade não importa, o tempo não conta, as pessoas que torcem pra que você não tenha força… não importa. O que importa mesmo são as poucas pessoas que ficam ao seu lado, que te “suportam” por este longo período de 5 anos…. Isto sim conta e é por isto que quero compartilhar com todos vocês esta grande experiência.

A vida pra mim recomeçou aos 60 anos….então é verdadeiro quando podemos dizer que sempre é tempo de fazer, de recomeçar, de expandir nossos horizontes.

Convido todos a recomeçar comigo esta grande jornada de ser uma Arquiteta. e acima de tudo lembrar aque enquanto ha vida e esperança, é possivel se dedicar para tranformar sonhos em realidade!

Fonte: https://www.administradores.com.br/mobile/artigos/carreira/sempre-e-tempo/110431/

SEJA VOCÊ O AMOR DA SUA VIDA!

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“Quando você se encontrar, não se perderá em mais ninguém. Seja você o amor da sua vida!”

Vivemos preocupados procurando algo… longe, distante e em outras pessoas… e muitas vezes nos esquecemos do que esta dentro de nós… Janda Barros, nos fala da importância de apreciar a nossa companhia. Leia:

Você é o amor que procura nos outros, você é a sua melhor companhia, você é completo (a)!

Quando a gente descobre que tudo o que precisamos está em nós mesmos, na nossa alma, no nosso coração e no nosso silenciar, paramos de procurar externamente. Esta descoberta vai mudar tudo.

Às vezes, estamos com a cabeça em um turbilhão de emoções, mil coisas para pensar, coração acelerado, que mal olhamos para a nossa essência, pois procuramos fora o amor que sempre esteve dentro de nós.

Entramos e saímos de relações, sem nos permitir olhar verdadeiramente para nós mesmos.

Ficamos focados no ego e na vaidade de ter um alguém e, muitas vezes, a todo custo ou a qualquer custo, ferindo a nossa identidade e o nosso amor-próprio, nossa autoestima.

O quanto você silencia para ouvir a si mesmo, libertando-se do ter que provar algo a alguém?

Muitas vezes, a resposta e o caminho estão dentro de nós, no nosso coração e na calmaria dele.

Silencie o seu coração. Todas as respostas estão dentro de você, seja amoroso (a) consigo.

Quando esquecemos que Deus nos ama, saímos à procura de um “alguém” que preencha nossa necessidade de sermos amados (as). Mas o amor está dentro de nós, a cada novo dia a cada novo despertar do coração.

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Seja bom (boa) com você, seja sua melhor companhia, não tenha medo “da solidão”, ela pode ser sua amiga. Convide a solidão para sair com você, para um café, um jantar, um cinema, ande de mãos dadas com ela, até o seu (sua) “parceiro (a) de vida” chegar.

Seja seu (sua) melhor amigo (a), não tenha medo! O amor vai chegar no tempo e no momento certo, mas, antes disso, você merece ter uma relação de muito amor consigo mesmo (a), você é a única pessoa que pode fazer por você o que espera que outra pessoa faça.

Enquanto isso vá, prepare-se, você só pode dar ao outro aquilo que você já tem, portanto, AME-SE, CUIDE-SE, ACEITE-SE e PERDOE-SE. Seja generoso (a), bondoso (a) e carinhoso (a) com você. O amor-próprio nos permite ter tempo para sorrir, para nos ouvir, abraçar, e para nos perdoar, de todas as coisas que fizemos no passado.

Você é o amor que procura nos outros, você é a sua melhor companhia, você é completo (a). O seu companheiro (a) vai/pode chegar… mas enquanto isso: seja você o amor da sua vida!

Fonte: Resiliência Mag

O TEMPO, FEROZ AMIGO!

 

LYA 1Lya Luftfala de um tema ao qual ela está sempre recorrendo: a passagem implacável do tempo e a “implicância” – quem sabe, medo – que demonstramos ter de palavras como envelhecimento, velho, velhice e outras derivadas. Leiam:

É uma das esquisitices do nosso tempo que na época em que mais tempo vivemos haja tanta dificuldade em relação ao que se convencionou chamar velhice. Palavras significam emoções e conceitos, portanto também preconceitos. Por isso, quero falar de minha implicância com a implicância que temos com os vocábulos – e a realidade – velho, velhice.
E, como gosto de historinhas, algumas, como esta, reais, lembro um episódio com Tônia Carrero, ainda uma linda mulher aos oitenta anos. E certa vez alguém lhe perguntou: “Tônia, chegando aos oitenta, como você lida com a velhice?”. Todos gelaram, mas ela, em pé no meio da sala, possivelmente com um cálice de champanhe na mão, respondeu sem hesitar: “Ora, eu acho ótimo. Porque a alternativa seria a morte”.
E todos acharam maravilhosa aquela presença de espírito, e aquele pensamento. Naturalmente, nem ela, nem ninguém gostaria de envelhecer com as doenças, perdas e fragilidades que tantas vezes nos acompanham quando o número de anos cresce assustadoramente. Mas que, pelo menos, não sejamos velhos chatos e sombrios, eternamente reclamando de tudo e de todos.
Quando não pudermos mais realizar negócios, viajar a países distantes ou dar caminhadas, poderemos ainda exercer afetos, agregar pessoas, ler bons livros, observar a humanidade que nos cerca, eventualmente lhe dar abrigo e colo. Para isso, não é necessário ser jovem, belo, com carnes firmes e pele de seda… ou ágil, mas ainda lúcido. Viver deveria ser poder celebrar sempre mais um dia: o nosso, e dos que amamos. E, em momentos de dor indizível, redobrar sem espalhafato, com delicadeza, o amor de que somos capazes. Nesta crônica, publicada recentemente no jornal Zero Hora, a escritora gaúcha Lya Luft fala de um tema ao qual ela está sempre recorrendo: a passagem implacável do tempo e a “implicância” – quem sabe, medo – que demonstramos ter de palavras como envelhecimento, velho, velhice e outras derivadas. Num tempo em que o número de pessoas com mais de 60 anos explode no Brasil – e só tende a aumentar – Lya chama a atenção para a nossa luta vã contra a realidade.”

 

CANSEI!

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“Eu não tenho muito, mas tenho paz.” Wandy Luz

Chega uma hora que damos um basta! Cansamos de tantas coisas desnecessárias… nos tornamos mais leves. Livres! Acontece uma liberdade interna que os faz tão bem… Gosto de como Wandy Luz coloca isto, leia:

Cansei de tentar entender quem está ao meu lado, quem está contra mim ou quem está em cima do muro por medo de se posicionar.

Decidi me livrar de tudo e todos que tiravam minha paz

Tornei-me indiferente a opiniões alheias, e pouco me importo com críticas destrutivas, principalmente vindas de pessoas hipócritas, demagogas, que vivem de mentiras.

Não preciso provar nada a ninguém, não preciso ser aceita ou agradar a todos. A minha consciência está tranquila, porque sou exatamente o que quero ser.

Lealdade para mim não é simplesmente uma palavra, é um estilo de vida, uma regra.

A minha vida mudou quando eu simplesmente deixei de me importar com tudo que não é de fato importante. Eu não mudei por causa de um amor, ou uma desilusão, não… eu não mudo por você nem por influência de ninguém.

Eu mudei porque percebi que a vida era curta demais para condicionar a minha felicidade a pessoas e acontecimentos externos. Eu finalmente entendi que a única pessoa capaz de transformar solidão em companhia, tristeza em alegria, dor em amor, era, e sempre foi, eu mesma.

Eu aprendi a viver um dia de cada vez, às vezes com muita sensatez, às vezes fazendo tudo errado, porque eu tenho muitos defeitos para ser perfeita, mas sou muito abençoada para ser ingrata.

E foi errando que eu aprendi lições maravilhosas sobre a vida, sobre as pessoas, sobre o amor, sobre a dor, e o mais importante, sobre mim, sobre quem eu sou de verdade.

Eu não tenho muito, mas tenho paz. Eu não sou melhor do que ninguém, mas sou bem melhor do que ontem.

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“Cansei. Cansei de pedir desculpa por quem eu sou. Cansei de ouvir de todo mundo como é que se trabalha, se ama, se permanece, se constrói, cansei.” Coringa

Fonte: Resiliência Mag

SER VELHO É LINDO!

“Envelhecer ainda é a única maneira que se descobriu de viver muito tempo”. Charles Saint-Beuve

Gosto muito deste olhar sobre o envelhecer! Mirian Goldenberg compartilha aqui os resultados de sua pesquisa sobre como os homens e mulheres envelhecem, e a velhice é algo belo, ser velho é lindo! Mirian é Professora Titular do Departamento de Antropologia Cultural e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Doutora em Antropologia Social pelo Programa de Pós Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Colunista de jornal e autora de vários livros. Assistam ao vídeo:

Lindo pensar que estamos caminhando pra um aprendizado de vida, perfeita! E você já pensou sobre isso?

 

QUER ENVELHECER BEM? EVITE ESTES SETE ERROS.

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“Envelhecer ainda é a única maneira que se descobriu de viver muito tempo”. Charles Saint-Beuve

Achei interessante compartilhar este Post da Huffington, Sempre gosto de ler sobre como envelhecer bem, o que fazer e o que evitar…sempre é bom saber, não é mesmo? Este é um deles rsrsrs. Leiam:

Quando o assunto é a vida após os 50 anos, não há escapatória: há os que estão envelhecendo e os que estão envelhecendo bem. Estamos falando daqueles sortudos que, como um vinho, parecem melhores a cada ano que passa, enquanto outros vão aprendendo por tentativa e erro.

Coragem, alunos da escola da vida. Essas pessoas não estão envelhecendo melhor, mas sim de um modo mais inteligente. O segredo não está necessariamente no que elas estão fazendo: está no que deixam de fazer. Com a expectativa de vida aumentando em todo o mundo, essa é a época ideal para cuidar da nossa aparência e nosso bem-estar. Listamos algumas das coisas que essas admiráveis pessoas maduras estão evitando. Confira a lista:

1. Usar muita maquiagem. À medida que o tempo passa, você pode se sentir tentada a abusar da maquiagem para parecer mais jovial. Porém, não há nada de bonito em uma base carregada ou em cílios pesados de rímel.

A maquiagem deve realçar sua beleza natural, não escondê-la. Mireille Guiliano, autora de “Os Segredos das Mulheres Francesas”, ressalta a importância de uma maquiagem leve e natural. “Pare de tentar se vestir como sua filha ou com suas roupas de antigamente… Pegue leve na maquiagem. À medida que envelhecemos, o excesso de maquiagem nos deixa com aparência pior. Pense três vezes antes de chamar atenção para suas rugas”, recomenda a autora à Parade Magazine.

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2. Não consuma tanto sal!  A pressão alta é um dos muitos problemas que podem surgir com a idade. Na verdade, cerca de dois terços dos americanos acima de 60 anos sofrem desse mal, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde dos EUA. Uma dieta rica em sódio é um gatilho. Como um envelhecimento saudável não depende apenas de fatores externos, devemos cuidar bem do nosso interior também. A hipertensão pode levar a graves consequências como ataques cardíacos, derrames e queda do funcionamento cognitivo. Portanto, não coloque sal demais nas suas refeições e passe longe de qualquer coisa com mais de 20% da dose diária recomendada de sódio.

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3. Negatividade. “Mantenho distância de pessoas, coisas e lugares negativos”.Me mantenho positiva e grata pelo que tenho”, contou a centenária Daisy McFadden à revista Forbes. Se o testemunho de Daisy parece pouco, saiba que inúmeros estudos já provaram que pessoas positivas tem menor tendência a sofrer perdas neurológicas e suas vidas são mais felizes. O Huffington Post publicou um artigo sobre uma pesquisa de 2011, que revelou que idosos felizes têm um risco de morte 35% menor do que os infelizes. Pessoas otimistas também sofrem risco menor de desenvolver problemas coronários, de acordo com uma pesquisa de Harvard. Portanto, alegre-se! Um rosto tranquilo ganha menos rugas.

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4. Assistir muita TV. Passar tempo demais no sofá é um mau hábito em qualquer idade, mas isso fica mais sério quando você envelhece. Você não só desperdiça um tempo precioso como também pode abreviar sua vida. Um estudo australiano revelou que cada hora passada diante da TV após os 25 anos reduz a expectativa de vida do indivíduo em 22 minutos. Como se isso não bastasse, assistir TV deixa você vulnerável a outros perigos do envelhecimento, como sedentarismo e isolamento social.

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5. Muita exposição ao sol. Em algum grau, não há como evitar as rugas e linhas de expressão que chegam com a idade. Porém, se você toma muito sol sem proteção, isso pode estar prejudicando seriamente sua pele. Estudos mostram que o uso de protetor solar pode evitar rugas, manchas e perda de firmeza e elasticidade. Como já sabemos, prevenir é o melhor remédio. Portanto, é melhor usar protetor solar hoje do que correr atrás de cremes anti-idade no futuro.

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6. Stress. A vida sempre vai trazer stress, seja por causa da sua família, do trabalho ou das finanças. É algo inevitável e pode vir acompanhado de problemas como insônia, depressão e doenças cardíacas. Alguns estudos sugerem que o stress pode deixar sua aparência 10 anos mais velhas. Contudo, as pessoas que estão envelhecendo bem aprenderam a gerenciar seu stress. Seja através de meditação, exercícios ou apenas alguns minutos diários longe da tecnologia e da sua mesa de trabalho, aprender a domar seu stress é algo muito positivo para o seu interior e exterior.

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7. Cometer exageros. É claro que você aproveitar a vida e enfiar o pé na jaca de vez em quando, mas ter moderação é fundamental para um envelhecimento saudável. Não importa se o seu vício é o álcool, alimentos gordurosos, doces ou refrigerantes: o consumo exagerado deles pode ter consequências ruins. Níveis aumentados de insulina e leptina (hormônios que controlam o açúcar no sangue e a armazenagem de gordura) são responsáveis por doenças graves como diabetes, obesidade e colesterol alto. Uma dieta rica em gorduras e açúcares e uma vida sedentária podem causar estragos. Uma dieta desequilibrada também aumenta a quantidade de radicais livres no seu corpo, o que pode danificar seu DNA e acelerar seu envelhecimento.

Concordo com tudo isso e você?

A ARTE DE SER AVÓ!

“Ser avó é retornar a infância, em viagem de primeira classe”. Jane Leal

Não tem coisa melhor do que ser uma vovó coruja… Tenho dois netinhos muito lindos já: João Pedro e Eva… mas acaba de chegar mais um… o príncipe Noah… outro netinho muito amado, uma benção!

Netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. É, como dizem os ingleses, um ato de Deus. Sem te passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade. E não se trata de um filho apenas suposto, como o filho adotado: o neto é realmente o sangue do seu sangue, filho de seu filho é mais filho que o filho mesmo… se é que isso é possível. Gosto do que a Rachel de Queiroz descreve sobre o que é ser avó:

Quarenta anos, quarenta e cinco, (cinquenta… sessenta, setenta, oitenta… não importa!) Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem as suas alegrias, as suas compensações – todos dizem isso embora você, pessoalmente, ainda não as tenha descoberto – mas acredita.

Todavia, obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade. Não de amores nem de paixões mas de saber que a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade.

Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas que hoje são os filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento a prestações, você não encontra de modo nenhum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres – não são mais aqueles que você recorda. Cresceram… amadureceram…

E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis – nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino seu que lhe é “devolvido”. E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo e decepção se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.

Sim, tenho certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as chatices e mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis. Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos.

No entanto – no entanto! – nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe… rsrsrs. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe do garoto. Não importa que ela, hipocritamente, ensine o menino a lhe dar beijos e a lhe chamar de “vovozinha”, e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo. Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante dos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe de comer, dá-lhe banho, veste-o. Embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.

Já a avó, não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, “não ralha nunca” ou muito pouco. Deixa se lambuzar de pirulitos. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso nos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer bolinhos e chocolate, tomar café! Ah! Pode mexer no armário de louça, fazer trem com as cadeiras da sala, destruir revistas, derramar o copo d’a água , acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser – e até fingir que está discando o telefone… enfim pode quase tudo! Riscar a parede com o lápis dizendo que foi sem querer – e ser acreditado! Fazer má-criação aos gritos e, em vez de apanhar, ir para os braços da avó, e de lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna. Clique aqui para ler mais.

Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém, esses prazeres não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós, com os seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto!

E quando você vai embalar o menino e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz: “Vó!”, seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.

E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe o castiga, e ele olha para você, sabendo que se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade…

Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menininho – involuntariamente! – bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beiço pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque “ninguém” se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, Vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague… (O brasileiro perplexo, 1964. – Rachel de Queiroz)

Uma boa reflexão né?