MENINO…

Menino, vem pra dentro, olha o sereno! Vai lavar essa mão. Já escovou os dentes? Toma a benção a seu pai. Já pra cama! Onde aprendeu isso menino? – coisa mais feia. Toma modos. Hoje você fica sem sobremesa. Onde é que você estava? Agora chega, menino, tenha santa paciência. De quem você gosta mais, do papai ou da mamãe? Isso, assim que eu gosto: menino educado, obediente. Está vendo? É só a gente falar. Desce daí, menino! Me prega cada susto…para com isso! Joga isso fora. Uma boa surra dava jeito nisso. Que é que você andou arranjando? Quem te ensinou esses modos? Passe pra dentro. Isso não é gente para ficar andando com você. Avise seu pai que o jantar tá na mesa. Você prometeu, tem de cumprir. Que é que você vai ser quando crescer? Não, chega: você já repetiu duas vezes. Por que você está quieto aí? Alguma coisa está tramando… não anda descalço, já disse! – vai calçar o sapato. Já tomou remédio? Tem de comer tudo, você tá virando um palito. Quantas vezes já te disse para não mexer aqui? Esse barulho, menino! – teu pai tá dormindo. Para com essa correria dentro de casa, vai brincar lá fora. Você vai acabar caindo daí. Pede licença a seu pai primeiro. Isso é maneira de responder à sua irmã? Se não fizer, fica de castigo. Segura o garfo direito. Põe a camisa pra dentro da calça. Fica perguntando, tudo você quer saber! Isso é conversa de gente grande. Depois eu te dou. Depois eu deixo. Depois eu te levo. Depois eu conto. Agora não, depois! Deixa seu pai descansar – ele está cansado, trabalhou o dia todo. Você precisa ser muito bonzinho com ele, meu filho. Ele gosta tanto de você. Tudo que ele faz é para seu bem. Olha aí, vestiu essa roupa agorinha mesmo, já está toda suja. Fez seus deveres? Você vai chegar atrasado. Chora não filhinho, mamãe está aqui com você. Nosso Senhor não vai deixar doer mais. Quando você for grande, você também vai poder. Já disse que não, e não, e não! Ah, é assim? – pois você vai ver só quando seu pai chegar. Não fale de boca cheia. Junta a comida no meio do prato. Por causa disso é preciso gritar? Seja homem. Você ainda é muito pequeno pra saber essas coisas. Mamãe tem muito orgulho de você. Cale essa boca! Você precisa cortar esse cabelo. Sorvete não pode, você tá resfriado. Não sei como você tem coragem de fazer assim com sua mãe. Se você comer agora, depois não janta. Assim você se machuca. Deixa de fita. Um menino desse tamanho, que é que os outros hão de dizer? Você queria que fizessem o mesmo com você? Continua assim que eu te dou umas palmadas. Pensa que a gente tem dinheiro pra jogar fora? Toma juízo menino! Ganhou agora mesmo e já acabou de quebrar. Que é que você vai querer no dia de seus anos? Agora não, depois, tenho mais o que fazer. Não fica triste não, depois mamãe te dá outro. Você teve saudades de mim? Vou contar só mais uma, tá na hora de dormir. Vem que a mamãe te leva pra caminha. Mamãe te ama, viu! Dá um beijo aqui. Dorme com Deus meu filho! Meninos hoje e amanhã, sempre serão assim como Fernando Sabino conta. E sempre será assim… Mãe é mãe… menino é menino!

Veja também:

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7 LIÇÕES DE UMA MULHER DE MAIS DE 100 ANOS PARA VOCÊ PRATICAR EM 2020.

Sempre gostei de conhecer dicas pra envelhecer bem. Geralmente a maioria delas fala sobre bom humor, cuidados com a saúde (bons hábitos alimentação, movimentar-se…) e aprender entre outros. Isto sempre me faz refletir que temos mais tempo de vida hoje, e precisamos usar muito bem. Esta entrevista eu achei bem interessante. Leia:

Dê uma boa olhada na foto abaixo. Somos eu e Eugênia Fischer, avó de uma grande amiga, que, desde que comecei a escrever o Ageless, me dizia: “Você precisa conhecer minha avó”. O retrato foi feito no nosso encontro para um café na última semana (mostrei mais fotos e vídeos com ela no meu Instagram, me siga lá: @silviaruizmanga). #eugeniafischer #silviaruizmanga

Posso dizer que foi uma das entrevistas mais emocionantes que já fiz. Por que? Porque a Eugênia tem nada menos do que 103 anos e é uma das mulheres mais inspiradoras que eu conheci. E depois do nosso papo o significado de Ageless, sem idade, ganhou ainda mais sentido para mim. Eugênia é a prova viva de que idade não é limite para nada. #ageless

Ela nasceu em Buenos Aires e se mudou para o sul do Brasil ainda criança. Como a maior parte das mulheres de sua época, casou cedo, teve três filhos, era dona de casa, nunca precisou trabalhar. Mas diferente também das mulheres do seu tempo, Eugênia não se acomodou com essa vida. Dentro dela havia uma mulher cheia de opinião e com necessidade de independência. Depois dos 50 anos ela achou que era hora de sair da gaiola. A primeira providência foi terminar um casamento que não a fazia feliz. E o começo da fase mais feliz da vida dela foi justamente aí, depois dos 50!

Pratique o otimismo:

A querida dona Eugênia me deu algumas lições de vida que vão me acompanhar em 2020 e para sempre:

“Saber envelhecer é uma arte. Eu sei envelhecer. Eu recebo tudo da maneira que tenho que receber. E mesmo as situações mais difíceis eu consigo superar. Porque eu sou otimista! “

A vida nem sempre foi tranquila, Eugênia perdeu muitas pessoas queridas ao longo da jornada, inclusive uma das filhas recentemente. Mas ela segue com um olhar de otimismo e bom humor impressionantes. “A gente tem que aprender a deixar as coisas passarem, sem nos abater. Tudo melhora. “

Livre-se de relações tóxicas:

Terminar um casamento depois dos 50 anos é sempre muito difícil. O medo de ficar sozinho ou de não ter um companheiro para o fim da vida, por exemplo, pode fazer muita gente manter uma relação mesmo que ela faça mais mal do que bem. “Hoje eu não me casaria jamais. Me separei depois de 28 anos de casada e foi a melhor coisa que eu fiz. Não tive medo de nada, eu queria ser livre e viver”, diz Eugênia.

Não teve medo nem do julgamento social da época? “Naquela época eu nunca soube de ninguém que fosse separada. Não tinha separação. A mulher que se separava era vista como vagabunda. Levava a culpa. O homem não. Mas eu não tive medo de nada.  A gente não pode viver em um casamento infeliz!”

Nunca deixe de estudar:

Você é daquelas que acha que já está velha para aprender? Ou para voltar para a faculdade? Pois a Eugênia fez curso superior aos 50 anos. Estudou Turismo e ainda deu aulas. E há mais de 20 anos ela é aluna da Universidade Aberta da Maturidade da PUC, em São Paulo. Vai religiosamente às aulas, onde é a veterana da turma que virou sua segunda família.

“Eu nunca parei de estudar. Minhas melhores amigas hoje são minhas colegas da faculdade, que é minha segunda casa. ” Acha que está tarde para aprender outro idioma? Eugênia fez intercâmbio nos Estados Unidos aos 80 anos! Você leu direito: aos 80! Foi sozinha para os EUA, se instalou em uma casa de hospedagem para estudantes estrangeiros por três meses. “Um dia o diretor da universidade veio falar comigo. Disse que era melhor eu ir embora porque não poderia se responsabilizar por mim caso algo de errado acontecesse”, diz ela aos risos. “Todos os dias me encontrava e dizia: por favor, se cuide”.

Leia o máximo que puder:

Eugênia me mostra orgulhosa a estante cheia de livros que juntou ao longo da vida. “Eu sempre li muito, sempre foi meu maior prazer. Minha cabeça está bem até hoje muito em função da leitura. Minha maior tristeza hoje é não conseguir mais ler. Há quatro anos minha visão piorou muito já não consigo ler, mesmo com lente de aumento. “

Durma bem, coma direito e movimente o corpo:

“Eu sempre dormi muito. Como não precisava trabalhar, acordava tarde. Dormir bem faz bem. Eu gosto de dizer que vivo tanto porque fui muito bem conservada”, brinca ela. A alimentação equilibrada foi uma preocupação constante na vida de Eugênia. “Eu sou hoje o que fui a vida toda. Não como gorduras, detesto! E também não como doces, jamais. Nem mesmo em festas. Não gosto”. Caminhar muito sempre foi a regra na vida dela. Até hoje vai a pé para a faculdade que fica a alguns quarteirões de sua casa em São Paulo.

Como podemos ver, Eugênia praticou a vida toda o que é recomendado por qualquer médico hoje em dia para quem quer prevenir doenças: dormir bem, se alimentar sem exageros, passar longe do açúcar e fazer atividade física. Estilo de vida é tudo!

Seja vaidosa por você, não pelos outros, e não se “abandone”

Eugênia está sempre arrumadíssima. O cabelo impecável, anel brincos e colares combinando, roupas modernas que em nada lembram a de tantas velhinhas que conhecemos. Não tem vontade de ficar de pijama quando está em casa? “De jeito nenhum! Jamais! Me arrumo para mim, não para os outros. Acho um respeito comigo mesma levantar e cuidar de mim, me arrumar para a vida. ” Segredo de beleza? Nenhum, ela garante que nunca teve neuras com isso. Fez uma plástica no rosto aos 50, passa apenas um creme na cara há anos (diz que tem até esquecido ultimamente), mas tem uma pele impressionante! Ela garante que é culpa do tal otimismo.

Não deixe de se divertir:

Eugênia conta que uma das melhores fases da vida dela foi aos 80 anos. “Foi a época em que eu mais viajei”. Ela ama conhecer novos lugares e viajou pelo mundo, nunca deixou o marasmo tomar conta da vida. Outro programa que ela adora é jogar em cassinos. A festa de 100 anos, aliás, foi em um cassino em Foz do Iguaçu para onde viajou com filhos e netos em 2015. “Graças a deus aqui no Brasil é proibido”, diverte-se Eugênia.

Meus votos para você em 2020 é que você seja tão livre e dono de si quanto a querida Eugênia. Que você pratique o otimismo, cuide de você mesmo, acredite que nunca é tarde para ser feliz. Muito menos para ser Ageless.

Fonte:

https://www.google.com.br/amp/s/ageless.blogosfera.uol.com.br/uol_amp/2018/12/21/sete-licoes-de-uma-mulher-de-mais-de-cem-anos-para-voce-praticar-em-2019/

Veja também:

https://oterceiroato.com/2020/02/28/como-eu-quero-envelhecer/

SE O SOFÁ FALASSE…

Gosto muito deste texto de Neuza Guerreiro de Carvalho, mais conhecida como Vovó Neuza, uma professora da USP aposentada de 90 anos, que continua aprendendo e ensinando até hoje. Cheia de vitalidade e muitos projetos novos. Estou fazendo com ela, o curso Resgate de Memórias – Autobiográfica (Casa Séfora) pela internet, com um grupo de 10 colegas. Cada dia me emociono com as suas aulas, tanto conhecimento, textos de apoio belíssimos e com o seu método que nos ajuda a resgatar tantas lembranças, organizando uma linha condutora que surgem desta caixinha de Memórias que temos. Quero deixar a minha história registrada para o meu legado, um dia vão querer ler, e eu posso não estar mais aqui. Tinha até entre nós um aluno de 99 anos. Vovó Neuza é uma grande inspiração para todos nós.

Aqui ela descreveu sobre o “seu sofá imaginando se ele falasse”. Pensei como seria se nossos objetos contassem o que veem e sentem nos anos que vivemos…. teriam muitas histórias para contar. Com certeza nos surpreenderia. Já pensou nisto? Leiam:

Se o sofá falasse… poderia testemunhar milhares de tipos de beijos entrelaçados com suas almofadas macias; do primeiro beijo e do último beijo dos namorados e amantes; dos tiques nervosos de seus usuários, que por vezes destruíam suas palhinhas ou que propositalmente, ou ocasionalmente, ou descuidadamente, ou distraidamente jogavam bitucas de cigarros, papeizinhos, restos de comida dentro de seus braços.[…]

Se o sofá falasse… poderia nos dizer quantas bundas sentaram nele; bundas macias, bundas volumosas, bundas empinadas, bundas chatas, bundas pequenas, bundas grandes. Até poderia nos contar da imensa bunda que ficou entalada entre os braços de uma das poltronas. […]

Se o sofá falasse… poderia testemunhar duas bodas de ouro, uma boda de prata e dois casamentos. Poderia testemunhar inúmeros aniversários e festas de época. Se o sofá falasse… poderia nos dizer quantos amigos ficaram para trás e quantos ainda vem sentar sobre ele. […]

Se o sofa falasse… poderia dizer quantas crianças pularam de sua

altura de um metro e se sentiram super herois. Quantas pessoas dormiram la Quantas transaram Quantos amigos acolheu. Quantos desabafos acompanhou Quantos choros escutou. […]

Se o sofa falasse… nos diria das emoçoes vividas dos encontros e despedidas, das partidas e das chegadas. Nos contaria o reveillon de muitos anos, nos falaria dos tantos natais vividos, das tantas comemoraçoes. Se o sofa falasse… nos diria das emoçoes de muitos nascimentos e muitas mortes. […]

Se o sofa falasse… E ainda se falasse a lingua dos homens…. No silencio da noite fria, no escurinho das noites geladas, se conseguir entrar em seu mundo poder escutar essas e tantas outras historias que passaram sobre suas almofadas, sobre a madeira firme de suas mesinhas. Implacavel, imparcial, juiz perfeito. Escuta todos, nao julga ninguém, nao critica e nao analisa. […]. Amei o texto dela, me fez refletir sobre muitas coisas. Quer saber mais sobre o Blog dela, conheça: http://vovoneuza.blogspot.com/?m=1

Veja também:

http://vovoneuza.blogspot.com/2016/03/ossentidos-e-memoria-ha-11-anos.html?m=1

https://oterceiroato.com/2020/10/15/historia-do-avental-da-vovo/

SER PROFESSOR…

Ser professor é professar a fé e a certeza de que tudo terá valido a pena se o aluno sentir-se feliz pelo que aprendeu com você e pelo que ele lhe ensinou…

Ser professor é consumir horas e horas pensando em cada detalhe daquela aula que, mesmo ocorrendo todos os dias, a cada dia é única e original…

Ser professor é entrar cansado numa sala de aula e, diante da reação da turma, transformar o cansaço numa aventura maravilhosa de ensinar e aprender…

Ser professor é ter a capacidade de “sair de cena, sem sair do espetáculo”.

Ser professor é importar-se com o outro numa dimensão de quem cultiva uma planta muito rara que necessita de atenção, amor e cuidado.

Ser professor é apontar caminhos, mas deixar que o aluno caminhe com seus próprios pés…

By Carlos Viera grande professor e amigo.

Feliz Dia a todos os Professores!

HISTÓRIA DO AVENTAL DA VOVÓ!

Tenho poucas lembranças dos meus avós. Mas deixaram certamente muita ternura nos seus abraços. Quero ser lembrada assim… cheio de afetos e boas histórias😍


Lembras-te do avental da tua avó?
O primeiro propósito do avental da avó era proteger as roupas abaixo.
Mas, além disso:
Servia de luva para retirar a frigideira ardente do forno;
Era maravilhoso para secar as lágrimas das crianças e, em certas ocasiões, para limpar as carinhas sujas;
Do “galinheiro”, o avental servia para transportar os ovos e, por vezes, os pintos!;
Quando os visitantes chegavam, o avental servia para proteger as crianças tímidas;
Quando estava frio, a avó enrolava os braços.
Este bom velho avental fazia de fole, agitado por cima do fogo a lenha;
Era “ele” que transportava as batatas e a madeira seca na cozinha;
Da “horta”, ele servia de cesta para muitos produtos hortícolas depois que as ervilhas tinham sido recolhidas era a vez das couves;
No final da temporada, era utilizado para colher as maçãs caídas da árvore;
Quando os visitantes chegavam de forma repentina, era surpreendente ver a rapidez com que este velho avental podia dar para baixo o pó;
Na hora de servir as refeições a vovó ia na escada a agitar seu avental
E os homens nos campos sabiam instantaneamente que tinham de ir à mesa;
A avó também o usava para pousar o bolo de maçã acabado de sair do forno no parapeito para esfriar;
Nos nossos dias, não se usa mais o avental.
Vai demorar uns anos até que alguma invenção ou objeto possa substituir este bom e antigo avental. Minha amiga Ione Marinho escreveu está crônica.


Pensei: Doces lembranças das nossas avós, que com sua doçura e afeto nos fizeram enxergar o quão grande eram o seu amor… e como era imenso a sua capacidade de acolher tudo que precisasse de sua ajuda e de seu abraço💓. Saudades de um tempo que passou e mudou tanto… é onde somos nós agora os avós, Já não temos mais este avental… temos outras coisas.

Nestes tempos modernos mudamos muito, fomos acompanhando as modernidades… que foram muitas e gigantescas. Avançamos rápido! Ousamos em nossas novas experiências e com curiosidade desafiamos o tempo e o espaço… Fomos mexendo e aprendemos rápido a usar tudo que surgiu… também começamos a usar mais a internet e as novas tecnologias com certa facilidade… onde já nem sabemos mais como viver sem elas. Muitas coisas aprendemos rápido, perdemos o medo e passaram a fazer parte do nosso cotidiano. Por sorte somos persistentes! E com tudo isto e muitas outras coisas novas que vieram neste período de pandemia, nós inovamos, avançamos a estamos construindo uma nova geração de velhos. Somos muito diferentes dos velhos que conhecemos durante a vida: nossos avós, pais e familiares. Temos muito em comum ainda com os sentimentos dos avós, isto sempre existiu… aquele mesmo olhar amoroso e afetuoso para com toda a família… Nosso olhar de acolhimento são tão grandes como o delas e nossos braços tão ternos quanto… acabaram sendo maiores, ultrapassando oceanos e fronteiras, em tempo real. Mas, crescemos… avançamos e do avental vieram uma infinidade de coisas novas e atraentes: à tecnologias, a internet e o celular estas nos fizeram entrar de cabeça no mundo virtual. Daquela telinha fazemos tudo juntos e misturados .

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CASA DE MÃE… DEPOIS QUE SE VÃO!

Para meus filhos. Casa de mãe depois que os filhos se vão.

Casa de mãe depois que os filhos se vão é um oratório. Amanhece e anoitece prece. Já não temos acesso àquelas coisinhas básicas do dia a dia, as recomendações e perguntas que tanto a eles desagradavam e enfureciam: com quem vai, onde é, a que horas começa, a que horas termina, a que horas você chega, vem cá menina, pega a blusa de frio, cadê os documentos, filho.
Impossibilitados os avisos e recomendações, só nos resta a oração, daí tropeçamos todos os dias em nossos santos e santas de preferência, e nossa devoção levanta as mãos já no café da manhã e se deita conosco.
Casa de mãe depois que os filhos se vão é lugar de silêncio, falta nela a conversa, a risada, a implicância, a displicência, a desorganização. Falta panela suja, copos nos quartos, luzes acesas sem necessidade…aliás, casa de mãe depois que os filhos se vão vive acesa. É um iluminado protesto a tanta ausência.
Casa de mãe depois que os filhos se vão tem sempre o mesmo cheiro. Falta-lhe o perfume que eles passam e deixam antes da balada, falta cheiro de shampoo derramado no banheiro, falta a embriaguez de alho fritando para refogar arroz, falta aroma da cebola que a gente pica escondido porque um deles não gosta ( mas como fazer aquele prato sem colocá-la?), falta a cara boa raspando o prato, o “isso tá bão, mãe”. O melhor agradecimento é um prato vazio, quando os filhos ainda estão. Agora falta cozinha cheia de desejos atendidos.
Casa de mãe depois que os filhos se vão é um recorte no tempo, é um rasgo na alma. É quarto demais, e gente de menos.
É retrato de um tempo em que a gente vivia distraída da alegria abundante deles. Um tempo de maturar frutos, para dá-los a colher ao mundo. Até que esse dia chega, e lá se vai seu fruto ganhar estrada, descobrir seus rumos, navegar por conta própria com as mãos no leme que você , um dia, lhe mostrou como manejar.
Aí fica a casa, e nela, as coisas que eles não levam de jeito nenhum para a nova vida, mas também não as dispensam: o caminhão da infância, a boneca na porta do quarto, os livros, discos, papéis e desenhos e fotografias – todas te olhando em estranha provocação.
Casa de mãe depois que os filhos se vão não é mais casa de mãe. É a casa da mãe. Para onde eles voltam num feriado, em um final de semana, num pedaço de férias.
Casa de mãe depois que os filhos se vão é um grande portão esperando ser aberto. É corredor solitário aguardando que eles o atravessem rumo aos quartos. É área de serviço sem serviço.
Casa de mãe depois que os filhos se vão tem sempre alguém rezando, um cachorrinho esperando, e muitos dias, todos enfileirados, obedientes e esperançosos da certeza de qualquer dia eles chegam e você vai agradecer por todas as suas preces terem sido atendidas.
Porque, vamos combinar, não é que você fez direitinho seu trabalho, e estava certo quem disse que quem sai aos seus não degenera e aqueles frutos não caíram longe do pé?
E saudade, afinal, não é mesmo uma casa que se chama mãe?

Minha casa está assim silenciosa e esperançosa aguardando ser preenchida pela barulheira, os sorriso e as gargalhadas dos filhos… da doçura das suas chamadas “mãe” me faz bolinho de chuva? Iluminando e preenchendo tudo novamente num piscar de olhos.
Esperando vir com suas famílias… os meus netinhos amados correndo pela casa e juntos vamos descobrir novas maneiras de olhar e experimentar tudo… e nos divertir muito. Histórias construídas com muito afeto e recheadas de amor ❤️ marcantes… únicas… guardadas nas lembranças de toda uma vida!

Assim este texto de Miryan Lucy Rezende consegue dizer tudo que eu penso. E você o que acha?

SETÊNIOS – CONHEÇA A TEORIA DOS SETÊNIOS: DE 7 EM 7 ANOS A SUA VIDA MUDA COMPLETAMENTE.

“A Antroposofia é um caminho de conhecimento que deseja levar o espiritual da entidade humana para o espiritual do universo”. Rudolf Steiner.

Interessante conhecer a Antroposofia (ou Antropossofia)  que é uma linha de pensamento criada pelo filósofo Rudolf Steiner (1861-1925), que entende e estabelece uma espécie de “pedagogia do viver”, pois ela abrange vários setores da vida humana como a saúde, a educação, a agronomia entre outros. É uma doutrina filosófica mística – uma “ciência espiritual”.

Esta linha de pensamento compreende que o ser humano tem que conhecer a si para também conhecer o Universo, pois somos todos parte e participantes desse mundo. 

“A vida passa depressa, é dinâmica e, entender melhor esses momentos, poderá trazer certa conformidade e esperança”, diz Rudolf Steiner.

Tanto chineses quanto gregos foram os primeiros a observar que as mudanças biológicas e espirituais ocorriam de sete em sete anos na vida das pessoas, por isso “setênios”.

Dentro desse pensamento filosófico encontra-se uma forma cíclica de ver a vida chamada “teoria dos setênios”.

Tal teoria foi elaborada a partir da observação dos ritmos da natureza, da natureza no sentido da vida, na qual todos nós estamos imersos. Ela divide a vida em fases de sete anos, vale lembrar que o número sete é um número místico dotado de muito poder em quase todas as culturas conhecidas.

Nossa vida é dividida, basicamente em 10 fases principais, sendo elas estabelecidas a cada 7 anos. A cada fase um novo ciclo é iniciado, que envolvem mudanças e transformações em diversos aspectos.

Isto é o que concluíram os estudiosos dos setênios. Um estudo que se baseou na medicina tradicional chinesa e na antroposofia (dos gregos) – na qual a medicina antroposófica se baseia.

A Teoria Setênia propõe o seguinte:

Pensa que se o indivíduo tiver “respeitado” o ritmo de cada setênio, ele chegará no 10º (ou seja, com 70 anos, assim pensou Rudolf Steiner que viveu até 1925) muito provavelmente com a consciência e a sabedoria necessárias para viver com boa saúde e lucidez, além de amar sem cobrar e ajudar sem perguntar. Hoje chegamos bem mais longe que 70 anos, ganhamos um tempo maior de vida.

O objetivo dos setênios, então, é de alertar as pessoas das fases existentes para que saibam e percebam todas as mudanças que estão enfrentando e as que estão por vir… assim aproveitem de modo mais saudável.

A vida passa depressa, é dinâmica e, entender melhor esses momentos, poderá trazer certa conformidade e esperança. Um dos intuitos deste estudo é fazer com que as pessoas fiquem atentas, que sejam vigilantes com elas mesmas e que possam decidir sobre suas ações de modo a responder aos estímulos diários, mantendo uma vida saudável mesmo em constante mudança.

Algo importante a se destacar é que, como cada um tem sua percepção de mundo e enfrenta as dificuldades a seu modo (além de terem os mais diferentes níveis de intuição, sensibilidade, empatia etc.), pode ocorrer de algumas mudanças que estão situadas em setênios futuros, serem experienciadas, por exemplo, antes de seu tempo, ou então depois do previsto pela teoria.

Até porque, cada ser amadurece de um modo único, exercita sua afetividade à sua maneira e, por essa razão, pode haver essa transição de experiências de um setênio a outro, todavia, costuma ser raro. Conheça como se dividi a Teoria Setênia… os ciclos da vida:

1º setênio – O ninho. Interação entre o individual (adormecido) e o hereditário – Dos 0 aos 7 anos de idade:

A fase da gestação, nascimento, nutrição e crescimento. No 1º setênio há o encontro entre a parte espiritual da individualidade e a parte biológica, preparada após a fecundação no ventre materno. A primeira infância é uma fase de individuação, de construção do nosso corpo, já separado do da nossa mãe, da nossa mente e da nossa personalidade. A hereditariedade está bem marcada nas células do corpo no 1º setênio, pela ação das forças herdadas, e são armazenadas nos rins para a vida inteira – deixando assim a marca na fisionomia do corpo do indivíduo.

“Olha! É a cara da mamãe ou do papai” ou “da vovó/vovô”, são constatações que provam o que foi mencionado acima. Calor, confiança e amor: Eis os três alimentos à criança. Quem cria tal atmosfera para a criança são os pais. Se um dos pais está ausente, o esforço do outro terá de compensar.

A pedagogia Waldorf, usada em algumas escolas tem como filosofia a Antroposofia, entende que na primeira infância a criança tem que perceber os aspectos positivos do mundo, para quererem estar aqui e cultivarem a felicidade em longo prazo.

O primeiro setênio deve oportunizar o movimento livre, a corrida, as brincadeiras, deve permitir que a criança teste e conheça seu corpo, seus limites e suas percepções de mundo. Por isso o espaço físico é muito importante, bem como o espaço do pensar e o do viver espiritual.

2º setênio – Sentido de si, autoridade do outro – Dos 7 aos 14 anos:

O segundo setênio promove um profundo despertar do sentimento próprio. A energia que emanava do polo superior, da cabeça, se dilui e se encontra no meio do corpo. Começam a surgir os dentes permanentes e inicia-se a evolução dos órgãos do sistema rítmico, aqueles contidos na caixa torácica (coração e pulmão). Os órgãos desse setênio são o coração e os pulmões, esses se desenvolvem promovendo a interiorização e exteriorização da vivência.

É nesta fase que o mundo externo “chega” a nós e, nós, a partir de dentro, podemos nos manifestar e expandir para o mundo. É nesse ponto que a autoridade dos pais e professores assume um papel importante, pois eles são mediadores do mundo no qual a criança se insere. Esquematizando de forma gráfica esse movimento, temos forças entrando e forças saindo. A característica deste setênio é a troca.

Nesse ciclo as normas e os hábitos estão sendo absorvidos, o desenvolvimento sadio do ser humano está relacionado à dosagem, o equilíbrio e a harmonia das relações de autoridade, valores, limites e permissões. É o sentir que está sendo afetado, o desenvolvimento das emoções. Do interior para o exterior e vice-versa.

As estórias infantis, contos de fadas, todo ato de brincar é extremamente saudável pois a criança cria e molda sua participação no mundo. Isso, para o desenvolvimento humano, é bastante mais saudável que situações em que ela se faz apenas como expectadora, como no caso da televisão, ou de jogos eletrônicos. A arte deve ser estimulada desde o primeiro ciclo, mas nesse momento ela se faz muito mais importante, bem como a religião.  Os mundos artístico e religioso auxiliam no sentido de si e do mundo, fluindo a alma, que busca a beleza e a fé.

3º setênio – Puberdade/ Adolescência – Crise de Identidade – Dos 14 aos 21 anos:

O que todo adolescente busca?… liberdade! Eles não querem os pais, irmãos mais velhos nem professores “pegando no pé”. O que rege esse ciclo é o sentido de liberdade. No sentido corporal, as forças que se acumulavam nos órgãos centrais se espalham e chegam aos membros e no sistema metabólico.

O espaço dessa criança é o mundo, já não pode se resumir a família nem a Escola. Ele precisa se reconhecer e ser reconhecido, aceito, achar a “sua turma” para compor um grupo no qual se identifique.

A liberdade nesse ciclo atua como a vivência do “bom” no primeiro ciclo e do “belo” no segundo ciclo. Ocorre que a liberdade só se dá num ambiente de tensão entre as possibilidades, impossibilidades e desejos. A mulher começa a menstruar e o homem se torna fértil. Essa tensão costuma gerar rompimentos, as vezes esses rompimentos são violentos, mas são necessários e próprios desse ciclo. Essa liberdade também tem um sentido de exposição. Tudo está voltado para o externo, para fora, para o mundo. Há uma dificuldade em ouvir o outro e entender suas posições, tudo deve seguir o seu sentimento de mudança, de julgamento de certo e errado, de bom e ruim.

As trocas nesse ciclo são importantíssimas. O diálogo, a abertura ao novo, a prática da compreensão, da solidariedade, assim como o seu reconhecimento e o pertencimento. Os questionamentos são fruto desses choques. É o momento de questionar a tudo e a todos.

Também é o momento do discernimento, das escolhas profissionais, do vestibular, do primeiro emprego, pois a liberdade também só faz sentido quando percebemos a vida econômica. O dinheiro então pode ganhar um sentido de poder que talvez não seja saudável. É a partir desta idade que começamos a ter um pensamento mais autônomo, ainda que, nesta época, acreditemos estar amadurecidos para efetuar julgamentos.

A fase onde o ser humano sai do mundo mais paradisíaco e cósmico da infância e entra no mundo terreno. Ele se torna cidadão terrestre, coparticipante da cidadania, de seu lugar, sociedade, e do mundo.

4º setênio – O ‘EU” – A Independência e a Crise do Talento – Dos 21 aos 28 anos:

A partir dos 21 anos nossa individualidade, nosso self, toma uma força considerável na tentativa de estabilização. O “Eu” começa realmente a se mostrar, mesmo ainda estando em formação. No entanto, para que esse “Eu” apareça e se forme, mesmo sendo algo subjetivo e interno, ele depende do mundo exterior, da sociedade.

O fim do crescimento corporal instaura o início de um processo de crescimento mental e espiritual, somos então “cidadãos de dois mundos: o celeste e o terrestre”. Músculos e ossos estão fortes, homem e mulher atingem o ápice da fertilidade, além de ser a fase da alma, da sensação e da emoção. Geralmente já não moramos mais com a família e já não estamos mais na escola. É o momento da autoeducação, do emprego, do desenvolvimento dos talentos, etc. Surgem dúvidas como: Escolhi a profissão certa? Quais talentos e aptidões eu deixei para traz? Consegui uma boa relação com o mundo, com o trabalho, com a família e comigo mesmo?

A história das pessoas começa a ser traçadas por elas mesmas, pois há uma tomada de caminho que não depende mais, diretamente, das outras instituições. É uma emancipação em todos os níveis, mas como resultado de toda a experiência nos três primeiros setênios. Surpreendentemente, é também a fase em que mais nos influenciamos pelos outros, pois a sociedade dirá o ritmo da vida de cada um.

Nesse ciclo, os valores, aprendizados, e lições de vida passam a fazer mais sentido. As energias estão mais pacificadas. Nosso lugar no mundo é o principal objetivo. A colocação profissional assume um papel muito importante.

5º setênio – Fase Organizacional e Crises Existenciais –  Dos 28 aos 35 anos:

Quem nunca ouviu falar na “crise dos 30”? Ela não é um mero mito, ela existe e tem explicação. O 5º setênio começa com essas crises na vida, o abalo da nossa identidade, a cobrança do sucesso que talvez ainda não tenha atingido, a certeza de não podermos tudo, de onde vem a frustração e tristeza.

A sensações de angústia e vazio são muito comuns. Em algumas sociedades as pessoas nesse ciclo não encontram um lugar para si e se veem entre a juventude e a velhice ou maturidade. O baço-pâncreas não sustenta mais a carne, e o rosto começa a enrugar. As pessoas passam a não se conhecerem, pois, seus gostos mudam – ou por si mesmos ou pela pressão dos outros. Sentimo-nos impotentes nesta passagem da juventude para a maturidade, de um viver mais impulsivo para um viver mais sério, responsável, voltados para a família e para o trabalho.

Nesta fase vem a crise dos talentos: Será que estou no caminho? Qual o caminho a escolher? Também há questões sobre intelecto e índole próprios. Como: Consegui me expressar? Eu me sinto oprimido ou oprimi alguém? Encontrei meu local de atuação? Ocorreu alguma modificação importante em minha vida nessa fase?

Nesse ciclo os sentimentos nos levam também a uma busca espiritual maior, um “caminho da alma”. Estamos suscetíveis ao cosmos, às oscilações e às vezes a harmonia custa a acontecer. Somos cobrados por estrutura, firmeza, estabilidade, uma base, um pilar, que seja material e que também sejam mental e espiritual. A Antroposofia acredita que logo após o 31 ½ ano, que corresponde à metade do 63º. ano de vida, estamos no final das atuações planetárias e zodiacais. Depois dessa idade, ficamos mais livres.

Estamos realmente, nessa fase, em organização. Estamos tendo crises, mas é por meio dessas crises que construímos novos pensamentos, novos valores, terminamos relacionamentos e começamos outros, mudamos de emprego, de ideologias, de partidos políticos, enfim… crises, desorganizações e reorganizações. É nesse ciclo que passamos a pesar uma série de coisas, avaliar a trajetória da nossa vida, esse não lugar nos força a perguntar “quem sou eu”. Há uma renovação a partir desse ciclo.

6º setênio – Crise de Autenticidade – Dos 35 aos 42 anos:

Esse setênio, embora tenha suas peculiaridades, está ainda ligado aos setenio anterior, ruminando os resultados das crises. Reconhecemos também uma espécie de crise nesse setênio, mas uma crise que busca uma autenticidade, geradas pelas reflexões do ciclo anterior.  Temos, aqui, mais capacidade de julgamento, gozamos de mais maturidade psíquica e emocional.

Em geral, já acumulamos alguns bens materiais ou ao menos conseguimos uma renda que seja suficiente para as questões básicas de consumo. O desafio, então, é encontrar valores espirituais e nos reconhecermos como seres únicos. A pergunta é: como é que encontro o caminho para a essência do mundo e para a minha própria essência?

Esse setênio configura a última fase do desenvolvimento da alma propriamente dita, estamos propensos a adentrar mais profundamente no nosso mundo espiritual, na parte mais sensível de nós. Buscamos a essência de tudo, no outro e em nós. Isso passa a acontecer com mais força nesse setênio pois, aqui, já há maturidade e aprendizado suficiente para esse conhecimento. O fígado perde metade de suas funções e o cabelo começa a cair e embranquecer.

A carreira, a família (ou não) os desejos, tudo já teve seu tempo. Já alcançamos as conquistas que nos eram urgentes. Há um desaceleramento. É possível que esse ciclo traga um descontentamento com o novo. Pode ser que o sujeito questione se, chegando aos 40 anos, ainda há algo novo para se fazer. Buscar coisas novas é um exercício importante para esse ciclo. Em contraponto ao novo, há uma aceitação maior do que se é, de como se é, das histórias e experiências de vida.

Mudanças do ritmo do nosso corpo e da nossa mente, o que é algo importante para alcançarmos frequências mais sutis de pensamento, onde estará nosso corpo suprassensível. É a fase da alma da consciência. As perguntas são: Já passou a metade da vida, o que farei daqui pra frente? Acrescentei novos valores à minha vida? Estou encontrando minha missão de vida? Estou caminhando nela? Encontrei e aceitei minha questão básica de vida.

7º setênio – Altruísmo X Quere manter a Fase Expansiva – Dos 42 aos 49 anos:

É um ciclo que tem um “ar” de recomeço, de ressurreição, de alívio, até a crise dos trinta perde a força e parece não ter tido resultados tão graves como se pensava. É, porém, o momento de buscar, desesperadamente, por algo novo, para que a vida adquira sentido.

As mudanças nesse setênio são urgentes. Mesmo que nem todos estejam preparados para elas. As questões existenciais retornam com uma certa força, mas agora elas mais dinâmicas e menos melancólicas pois o sujeito já se vê capaz de produzir essas mudanças. O lema é “como está, não dá pra ficar”.

Essa dinâmica impulsiona a tomada de decisões que, por vezes, ficou anos sendo gestadas dentro de si. Pode ser a separação conjugal, a saída de uma empresa, ter um filho, etc. É uma fase que corresponde, em termos energéticos, à fase que vai dos 14 aos 21 anos. Ficamos saudosistas, queremos ir à Disney e reviver coisas da nossa adolescência. Voltamos a desafiar nosso corpo e fazer esporte. É uma fase solar.

O medo do envelhecimento surge. As questões internas despertadas pelos ciclos anteriores perdem um pouco de espaço para a estética e a necessidade de se fazer coisas que os jovens fazem. Os pulmões perdem mais capacidade de oxigenar o sangue, o rosto se torna descolado, a andropausa e menopausa geralmente chegam nesse setênio. As rugas e a menopausa são os espinhos das mulheres nesse setênio. A sexualidade retoma uma importância crucial. Contudo, a força que se perde com o declínio da sexualidade pode e deve ser empregada em outros nichos.

Esse setênio traz o contraditório: queremos mudanças, estamos em busca do novo, mas o envelhecimento que é uma mudança natural nos assusta, incomoda, gera ansiedade, muda nosso comportamento com relação a nós mesmos e ao mundo. Assim, sucumbimos à força do “sósia”, ou seja, da sombra, daquilo que está diretamente ligado aos aspectos pessoais não resolvidos, não integrados.

Nos enxergamos nas sombras do outro e entramos em confronto. As relações ficam à mercê das emoções distorcidas pelo que não vemos em nós, mas vemos nitidamente nas pessoas. No entanto, o que acontece é um espelhamento. A nova visão nessa etapa da vida questiona: Estou desenvolvendo alguma criatividade nova? Em que área? Como está meu casamento? E meus relacionamentos, a relação com meus filhos? Estou procurando ou já encontrei um novo lazer para esta fase?

8º setênio – Ouvir o mundo – Dos 49 aos 56 anos:

Podemos reconhecer essa fase como sendo do “pai e da mãe universal”. É a fase de desenvolvimento do espírito. É um setênio tranquilo e positivo. As forças energéticas voltam a estar concentradas na região central do corpo, mas estão voltadas ao sentimento da ética, da moral, do bem-estar, questões universais, humanísticas.

É a fase inspirativa ou moral, e com isso, as perguntas: Consegui encontrar um novo ritmo de vida? Como está meu ritmo anual, mensal, semanal e diário? Quais são os galhos secos de minha árvore, os quais tenho de cortar para que os novos brotos possam aparecer?

É um momento em que estamos mais conscientes do mundo e de nós mesmos. É um bom momento para reconhecer os méritos da nossa história, aceitando-a sem julgamentos. Esse ciclo desperta em nós o existencialismo para observarmos mais de perto o valor simbólico das coisas. Deixamos o pessoal, particular em busca do universal, do humanístico, do existencial. A vitalidade declina, a energia dos rins e do fígado está mais fraca e surge a incapacidade de eliminar mais toxinas.

Contudo, alguns podem incorrer na falha dos egocentrismos, pois um ciclo depende do seu anterior. Assim, pode haver pessoas nesse setênio completamente voltadas para si, suas necessidades e do seu grupo. O desapego é uma consequência da vida pregressa.

Em termos físicos, esta fase espelha fisiologicamente o setênio 7 a 14 anos, o elemento do ritmo tem de ser priorizado, especialmente na condução de uma rotina. A vida nos ensina nesta época uma nova audição, temos a possibilidade de ouvir a voz do coração para esta renovação ético / moral que agora é propícia.

9º setênio –Abnegação e Sabedoria – Dos 56 aos 63 anos:

A Antroposofia acredita que o 56º ano de vida traz uma brusca mudança. Ela está na forma como a pessoas se relaciona consigo e com o mundo. Como os ciclos se correspondem, esse se liga ao primeiro setênio, aquele que vai do nascimento até os sete anos de vida. A audição, a visão, o paladar das pessoas dessa fase se iguala e o mundo fica estranho.

Contudo, essa fase, por exemplo, evidencia uma volta para dentro de si. O interno passa a fazer muito mais sentido que o externo. É importante internalizar-se, desenvolver os sentidos espirituais. A comunicação com o mundo externo passa a ter ruídos, principalmente pelas mudanças que a sociedade sofreu nesse período inteiro.

A reclusão passa a ser algo natural, boa para a autorreflexão e a busca pela essência. A sabedoria pelo conhecimento acumulado e a intuição que passa a ser mais clara, tornam-se elementos fundamentais dessas pessoas. Elas são o contraponto do sentimento de fracasso e insucesso que, porventura, possa aparecer, vindo dos questionamentos daquilo que se alcançou ou deixou de alcançar.

É a etapa mística ou intuitiva: O que eu consegui realizar? Como estou cuidando do corpo, da memória, dos órgãos dos sentidos? Como estão meus bens e aposentadoria?

Os dentes começam a cair, a visão e a audição se tornam mais fracos, os reflexos e a mobilidade passam a sofrer alterações em razão do declínio energético dos órgãos sólidos (coração, baço-pâncreas, fígado e rins). Certos cuidados se fazem muito importante, como a estimulação da memória, mudanças de hábitos, recursos criativos. Isso porque a aposentadoria pode ser algo limitador, especialmente para aqueles que durante toda a vida atribuíram muita importância ao status profissional e agora temem não ter outra forma de autorrealização.

Atividades muito bem-vindas nesse setênio são as acadêmicas – lecionando ou fazendo novos cursos – escrever textos ou um livro, o laser em grupos de pessoas na mesma fase da vida, viagens e outras formas que relacionem prazer e aprendizado. A aproximação da família ou a construção de novas famílias também ajudam a dar novo sentido à vida, além do prazer de se tornar avós… é bem comum neste período…

10º setênio – Em Diante – Sabedoria – Dos 63 aos 70 anos:

É importante pensar que essa teoria foi pensada em uma época em que a expectativa de vida era muito baixa e as pessoas com 60 anos eram verdadeiros anciãos. Logo é preciso também compreender que os ciclos são metafóricos e não tem uma relação matemática exata.

É a “fase do mestre”. A criança pequena tem em volta de si uma aura, uma luz, pois ainda não está totalmente encarnada. No 10º setênio, essa aura está interiorizada e luminosa por dentro, desde que a pessoa não esteja doente.

Se tiver respeitado o ritmo de cada fase, sua luz interior brilhará. Idosos e crianças são parecidos, pois são polos que se atraem. É o momento de passar o “cedro” ou o “cajado” do conhecimento!

É um novo escutar e, neste momento, a pessoa é procurada a dar conselhos. As questões são: Tenho momentos bons, sentimento de gratidão e alegria? Sou capaz de perdoar?

Busca de sentidos e do Propósito da vida!

Vivendo os setênios:

Como você vê, nossa vida é feita de uma forma cíclica. Nossa energia vital circula pelas diversas fases da nossa vida. Nossa mente tem diferentes estágios de aprendizado e nossa espiritualidade pode estar mais ou menos aberta também conforme cada estágio. Agora que as fases dos setênios foram apresentadas, é importante saber como aproveitar essa sabedoria.

Hoje talvez essa divisão seja um pouco diferente, afinal estamos vivendo bem mais do que está nestes estudos e com certeza, faz sentido pensar em mais um ou dois ciclos de sete anos, visto que estamos vivendo cada dia mais, mas o aprendizado com a Antroposofia e a teoria dos setênios é enorme. Metaforicamente ou não, poucas linhas de pensamento conseguem dar pensar de forma sistêmica como essa. De forma que é impossível pensarmos em algo tão complexo quanto a nossa vida de forma linear e homogênea.

Ando vendo estudos recentes sobre os NONENIOS, que em breve vou colocar aqui para vocês no meu Blog.

É preciso que a pessoa seja sempre ela mesma, mas saber das mudanças da vida e do corpo para pode tirar proveito de todas as fases. As condições básicas para o bem-estar é sentir o seu corpo e agir de acordo com isso. O corpo tem sua própria sabedoria, então não o perturbe e não se deixe levar apenas pela cabeça.

Compreender as fases ou ciclos da vida é importante para aprendermos mais sobre nós mesmos e sobre o outro, adquirindo mais expertise no cuidado com as pessoas, especialmente os coachees, que devem ser peritos no desenvolvimento e aprendizagem humana. Saber sobre cada etapa nos possibilita saber mais sobre as crises e lidar melhor com elas.

Há uma série de arquétipos que podem ser observados nessas diversas fases, mas isso é assunto para um novo artigo. Lembre-se sempre de se lembrar de nunca esquecer que o saber é o nosso bem maior, cada leitura, cada livro, cada conhecimento acumulado é uma forma de sermos melhores e mais capacitados, além de nos conhecermos mais a cada dia.

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Fonte: http://www.jrmcoaching.com.br/blog/a-teoria-dos-setenios-os-ciclos-da-vida/ e

Adaptado do Texto de: Helena Gerenstadt – Por: Natália & Flávia – Bem Viver + | www.bemvivermais.com – Adaptado do Texto de: Helena Gerenstadt

NOSSO NOVO JEITO DE SER.

Talvez a gente aprenda, afinal, a demorar a vida mais vezes no que faz coração ser sorriso. A abraçar mais lentamente toda vez que é possível. A encher de beijinhos quem nos provoca ternura. A sair mais frequentemente para passear onde tem flor.
Talvez a gente aprenda, afinal, que precisa de bem menos do que imaginava. Que as verdadeiras urgências são vidas. Que a prioridade é a saúde. Que há variados jeitos de se mostrar presente. Que a gente tem que se cuidar pra cuidar. Que aquela tal pressa era pra quê mesmo? Que há uma linguagem que só os olhos conhecem.
Talvez a gente aprenda, afinal, a se interessar com mais bondade pelo bem-estar dos outros seres. Que estamos todos juntos mesmo na humanidade. Que há vários modos de ajudar mesmo sendo também vulnerável. Que o nosso dom é serviço. Que é possível viver fora do automatismo.
Talvez a gente aprenda, ao final, a ser do nosso jeito de novo.
Assim como Ana Jácomo vou seguindo e aprendendo sempre.

UM DIA EM OXFORD 🇬🇧

Devido a pandemia estou saindo muito pouco aqui em Londres desta vez.

O meu principal objetivo desta minha viagem foi ficar com meu filho, nora e neto… matar as saudade deles, que eram muitas juntos em casa. Estou tomando todos os cuidados necessários aqui e só caminho ao ar livre onde tem poucas pessoas.

Neste final de semana fizemos um passeio bate-volta de carro em Oxford a partir de Londres, foi um programa delicioso e super tranquilo de fazer. Reza a lenda que a mesma foi criada no século 12, por ingleses que frequentavam a Universidade de Paris. Eles haviam sido obrigados pelo rei a voltar pra casa e decidiram dar continuidade às suas atividades acadêmicas em Oxford. A prática foi crescendo desde então até que, no século 13, foi estabelecida de vez como um grande centro acadêmico.

A cidade que abriga a universidade mais antiga do mundo anglófono fica a pouco menos de 100 km (60 milhas) a noroeste da capital inglesa. O grande destaque da cidade é obviamente a Universidade de Oxford, seus 38 “colleges” e 6 “permanent private halls”, esses últimos controlados por congregações religiosas.

A universidade central, University of Oxford, consiste de departamentos acadêmicos, centros de pesquisa, bibliotecas e museus. Linda e agradável a cidade, ela possui vários edifícios históricos imponentes, muitos deles em estilo gótico.

Passeando pelo centro tive oportunidade de ver conhecer muitas atrações interessante. A maioria estava fechada devido à pandemia, mas pude apreciar sua beleza externa e seus jardins:

1)Igreja Sant Michel at North Gate (1050);

2)Radcliffe Câmara (1737);

3)Ponte dos Suspiros e Queen’s Lane (1914);

4)Biblioteca Bodleian (1602);

5)Igreja da Universidade da Virgem Maria;

6)Christ Church College (1524/ que inspirou o grande salão dos filmes do Harry Potter);

7)Jardim Botânico da Universidade de Oxford (1621);

8)Oxford Castle e prison (1073);

9)Coverd Market e muito mais no passeio pelo centro da cidade.

Recomendo quando forem a Londres passear um dia em Oxford.

NÃO PLANEJAMOS ISTO, MAS…

Li este post da Fernanda Floret no Instagram “vestida de mãe” e adorei, quis compartilhar com você. Levanta sacode a poeira e da a volta por cima… com todos os cuidados necessários, vivendo sim com otimismo, nos protegendo bem até descobrirem a vacina para o coronavírus, leiam:

Não é o ano que planejamos, que sonhamos, que desejamos, mas quero te contar que o ano está acontecendo.
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Não tem escola do jeito que gostaríamos, mas tem aulas online, tem aprendizado nas pequenas ações em família.
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Não tem diversão do jeito que queremos, mas podemos experimentar opções novas.
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Tem muito desemprego e rendas afetadas infelizmente, mas tem gente se reinventando também.
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Não dá para estar bem todos os dias neste ano, mas dá para seguir em frente.
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Temos boas notícias, vacinas sendo desenvolvidas em tempo recorde. Mas até ser aprovada, produzida, aplicada em toda população brasileira, estamos falando de uma previsão otimista mais ou menos de Abril de 2021.
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Quando essa data chegar, você vai olhar para trás e ver que ficou 1 ano inteiro isolada vibrando no problema? Ou faz parte também saber viver numa nova realidade?
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A questão de ficar apenas vibrando no medo é que você faz escolhas só para sobreviver, sem uma visão ampla de enxergar novas possibilidades. Só foca no problema, no julgamento.
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Faz parte ensinar para nossos filhos sobre cair e levantar, se adaptar às novas situações (essa é uma das grandes habilidades do futuro, não é mesmo?). Sempre com segurança, com máscara, álcool-gel, distanciamento físico, novos hábitos de saúde e cuidado, se proteger o máximo contra este vírus tão contagioso e perigoso – mas cuidar da saúde emocional.
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Você está cuidando da sua saúde emocional ou está esperando a quarentena acabar?
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Eu desejo que cada um dentro dos seus valores e limites possam lidar com suas emoções vibrando para o positivo.
✨✨✨

Veja também: https://oterceiroato.com/2020/05/10/mulheres-maes/. https://oterceiroato.com/2020/04/21/a-vida-e-suas-pedras/