O PESO DE VIVER MUITO. JÁ FEZ O SEU DEVER?

Eu estarei completando 70 anos em Setembro/26 e á muitos anos tenho pensado em “como eu quero envelhecer”, “onde desejo estar”, “como superar os desafios a medida que a idade avança”, “o que preciso fazer ainda, pra melhorar minha condição”… Encarando tudo de frente e assim venho me preparando desde já, pensando em ter para uma boa qualidade de vida, a a medida que minha idade vá avançando.

Mas sem romantizar! Na realidade estou refletindo sobre vários aspectos importantes. As redes sociais só mostram a parte boa “do estar envelhecendo”, sem considerar que temos diferentes envelheceres, de acordo com a nossa condição de vida. Cada qual no seu quadrado.

Adorei esse artigo de Kika Gama Lobo, me identifico com as suas reflexões e quis compartilhar com vocês. Leiam:

Estamos comemorando a longevidade sem perguntar quem vai pagar a conta dela.

Há uma nova religião circulando por aí: a longevidade.

Vivemos fascinados pela ideia de chegar aos 90, aos 100, aos 110. Celebramos a nova régua do tempo como quem descobre uma terra prometida. Nas redes sociais, envelhecer virou quase um privilégio estético: cabelos brancos charmosos, corpos sarados, viagens, vinhos, sexo, pilates, skincare, trilhas, empreendedorismo depois dos 60 e aquela frase perigosíssima: a idade está apenas na cabeça.
Não. A idade também está na conta bancária. No plano de saúde. Na solidão de uma terça-feira à noite. Na memória que falha. Na filha que mora em outro país. No filho que trabalha 12 horas por dia e não consegue cuidar de ninguém. No cuidador que custa uma fortuna. No aluguel que sobe. No remédio que não cabe no orçamento.
Precisamos falar do peso de viver muito.
Porque viver muito é uma conquista extraordinária — mas pode também ser uma operação logística, financeira, emocional e familiar de proporções gigantescas.
A medicina ampliou o prazo de validade. A sociedade, porém, ainda não aprendeu a financiar, cuidar e acolher esse novo tempo.

Estamos comemorando a longevidade sem perguntar quem vai pagar a conta
dela.

E não estou falando apenas de dinheiro.
Estou falando de planejamento.

Quem pretende viver até os 90 precisa começar a pensar nisso muito antes dos 70. Precisa construir patrimônio, cuidar do corpo, cuidar da cabeça, cultivar amizades, aprender a pedir ajuda, organizar documentos, discutir herança, pensar em moradia, entender como funcionará seu cuidado futuro e, sobretudo, construir uma rede.

Porque ninguém envelhece sozinho.

Mesmo quando mora sozinho.

A grande mentira contemporânea é essa fantasia de independência absoluta. Como se envelhecer bem significasse não precisar de ninguém. Como se pedir ajuda fosse fracasso.
Como se uma mulher de 82 anos pudesse resolver tudo pelo celular, marcar consulta pelo aplicativo, autorizar procedimento por biometria, conversar com robô de atendimento e ainda sorrir para a câmera dizendo que está “vivendo sua melhor fase”.

Estamos criando uma geração de longevos sem rede.
Filhos moram longe. Famílias diminuíram. Casamentos terminam. Amigos morrem. As pessoas mudam de cidade, de país, de continente. A vida profissional exige mobilidade. A economia exige produtividade. E o cuidado — esse trabalho invisível que durante séculos foi empurrado para as mulheres da família — ficou caro.

Muito caro.

A chamada economia do cuidado está se transformando em um dos grandes
desafios deste século. Cuidador, enfermagem, residência assistida, fisioterapia, acompanhamento médico, alimentação adequada, transporte, adaptação da casa. Tudo custa dinheiro.
E quem não tem?

Quem não construiu uma reserva?

Quem depende exclusivamente de um benefício previdenciário?

Quem pagou plano de saúde durante décadas e agora descobre que o preço ficou quase incompatível com sua renda?

Quem tem 78 anos e uma filha em Lisboa?

Quem tem 91 e nenhum filho?

A longevidade não é democrática.

E essa talvez seja uma das frases mais importantes que precisamos dizer neste momento.

Não existe um único envelhecimento.

Existe o envelhecimento de quem tem dinheiro e o de quem não tem. O de quem mora perto dos filhos e o de quem mora sozinho. O de quem tem plano de saúde e o de quem depende exclusivamente do SUS. O de quem envelhece com amigos, amor e propósito e o de quem envelhece empilhando perdas.

Na internet, entretanto, parece que todos envelhecemos iguais.

Uma espécie de Disney grisalha.

Todo mundo ativo. Todo mundo desejável. Todo mundo viajando. Todo mundo fazendo musculação. Todo mundo começando uma segunda carreira. Todo mundo sexualmente potente, emocionalmente resolvido e financeiramente organizado.

É bonito.

É inspirador.

E é profundamente insuficiente.

Porque existe uma indústria poderosa vendendo a ideia de que envelhecer bem é uma questão de atitude. Tome colágeno. Faça exercício. Medite. Coma proteína. Tenha propósito. Faça terapia. Viaje. Ame. Dance.

Ótimo.

Mas quem paga?

Quem prepara a comida?
Quem leva ao hospital?

Quem fica quando a autonomia começa a escorrer pelas frestas?

A romantização da velhice pode ser tão cruel quanto o próprio preconceito contra os velhos.
Porque ela transforma uma questão coletiva em responsabilidade individual.

Se você envelhecer mal, a culpa será sua.

Não se cuidou.

Não guardou dinheiro.

Não fez terapia.

Não se exercitou.
Não teve propósito.

Ora, façam-me o favor.

É claro que escolhas individuais importam. Autocuidado importa. Saúde mental importa. Educação financeira importa. Resiliência importa.

Mas sorte também importa.

Genética importa.

Classe social importa.

Acesso à saúde importa.

Políticas públicas importam.

O problema é que não estamos preparados para essa vida.

Precisamos urgentemente de uma nova cartilha do bem viver. E ela deveria começar na adolescência.

Não para ensinar adolescentes a “envelhecer”, mas para ensinar que o tempo tem consequências.

Educação financeira deveria falar de longevidade.

Educação emocional deveria falar de perdas, solidão e dependência.

A escola deveria discutir cuidado.

A sociedade deveria discutir moradia para idosos.

As cidades deveriam ser pensadas para quem tem mobilidade reduzida.

O mercado de trabalho deveria considerar carreiras mais longas.

O sistema de saúde deveria se preparar para uma população que viverá décadas depois da aposentadoria.

E as famílias deveriam conversar sobre dinheiro, cuidado, herança, moradia e decisões de fim de vida antes da emergência.

A pergunta, portanto, não deveria ser apenas: “Como viver mais?”

Essa pergunta já está velha.

A pergunta que precisamos fazer agora é:

“Como vamos sustentar os anos que conquistamos?”

Porque chegar aos 100 pode ser maravilhoso.

Mas chegar aos 100 sem dinheiro, sem vínculos, sem assistência, sem saúde mental e sem uma rede de cuidado pode transformar o tão celebrado presente da longevidade em uma longa travessia de abandono.

Não quero uma sociedade obcecada por acrescentar anos à vida.

Quero uma sociedade preparada para sustentar a vida que esses anos acrescentaram.

Até quando vamos romantizar envelhecer sem discutir o preço de continuar vivo?

Porque viver muito é maravilhoso.

Desde que a gente consiga viver — e não apenas durar.

Artigo que me trouxe muitas reflexões Por Kika Gama Lobo/ Veja Rio/ 18/8/26

Kika Gama Lobo é jornalista, escritora, palestrante e influenciadora da maturidade, conhecida por tratar de envelhecimento com humor ácido, franqueza e uma postura ativista do movimento ageless. Ativista da maturidade. Criadora das hashtags e plataformas #Atitude50 e Kikando

Ela é colunista da VEJA Rio, onde escreve sobre velhice, cotidiano e os desafios da vida madura.  (Fonte:LinkedIn Brasil)

DICAS PARA UM ENVELHECIMENTO ATIVO E FELIZ.

Gostei deste artigo: O livro do ano no Japão:

O psicólogo Hideki Wada publicou um livro intitulado “A Parede dos 80 Anos”. Assim que foi lançado, o livro superou 500.000 cópias vendidas, tornando-se o mais vendido.

O Dr. Wada, de 61 anos, é um médico especializado em doenças mentais em idosos. Ele condensou os segredos de uma vida “afortunada” para os jovens de 80 anos em 44 frases, listadas a seguir:

  • Continue caminhando.
  • Quando estiver zangado, respire profundamente.
  • Faça exercícios suficientes para que seu corpo não fique rígido.
  • Beba mais água ao usar ar-condicionado no verão.
  • Quanto mais você mastigar, mais ativos estarão seu cérebro e seu corpo.
  • A perda de memória não se deve à idade, mas à falta de uso do cérebro.
  • Não há necessidade de tomar medicação em excesso.
  • Não é necessário reduzir excessivamente a pressão arterial e o açúcar.
  • Estar sozinho não é solidão; é passar o tempo em paz.
  • A preguiça não é motivo de vergonha.
  • Não é necessário gastar dinheiro com carteira de motorista (há uma campanha no Japão para que os idosos devolvam suas habilitações).
  • Faça o que quiser; não faça o que não gosta.
  • Os desejos naturais permanecem mesmo na velhice.
  • Em qualquer caso, não fique sentado em casa o tempo todo.
  • Coma o que quiser; um pouco de sobrepeso é melhor.
  • Faça tudo com cuidado.
  • Não se envolva com pessoas de quem você não gosta.
  • Não assista televisão o tempo todo.
  • “Quando o carro chega à montanha, o caminho aparece”: esta é a frase mágica da felicidade para os idosos.
  • Coma frutas e saladas frescas.
  • O tempo de banho não deve ultrapassar 10 minutos.
  • Se não conseguir dormir, não se obrigue.
  • As atividades que trazem alegria aumentam a atividade cerebral.
  • Diga o que sente; não pense demais.
  • Encontre um “médico de família” o quanto antes.
  • Às vezes, mudar de ideia está tudo bem.
  • Se você parar de aprender, envelhece.
  • Não deseje fama; o que você tem já é suficiente.
  • Quanto mais difícil é algo, mais interessante se torna.
  • Tomar sol traz felicidade.
  • Faça coisas que beneficiem os outros.
  • Passe o dia de hoje com tranquilidade.
  • O desejo é a chave da longevidade.
  • Viva com alegria.
  • Respire com leveza.
  • Os princípios da vida estão em suas próprias mãos.
  • Aceite tudo em paz.
  • Pessoas alegres são amadas por todos.
  • Um sorriso traz boas energias.

Com a perspectiva correta e hábitos diários saudáveis, os anos depois dos 60 podem ser os mais gratificantes da vida.

TOMARA…

Tomara que os olhos de inverno das circunstâncias mais doídas não sejam capazes de encobrir por muito tempo os nossos olhos de sol. Que toda vez que o nosso coração se resfriar à beça, e a respiração se fizer áspera demais, a gente possa descobrir maneiras para cuidar dele com o carinho todo que ele merece. Que lá no fundo mais fundo do mais fundo abismo nos reste sempre uma brecha qualquer, ínfima, tímida, para ver também um bocadinho de céu.

Tomara que os nossos enganos mais devastadores não nos roubem o entusiasmo para semear de novo. Que a lembrança dos pés feridos quando, valentes, descalçamos os sentimentos, não nos tire a coragem de sentir confiança. Que sempre que doer muito, os cansaços da gente encontrem um lugar de paz para descansar na varanda mais calma da nossa mente. Que o medo exista, porque ele existe, mas que não tenha tamanho para ceifar o nosso amor.

Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria.

By Ana Jácomo

ESTOU ENVELHECENDO, E AGORA?

Texto do meu amigo Mauro Wainstock, leiam:

Ainda bem que estou envelhecendo. Em 2024 fiquei um ano mais velho e isto também aconteceu desde o meu nascimento, meses antes do Homem pisar na lua.

Cresci utilizando o telefone fixo com disco e a máquina de escrever manual. Era uma época analógica e com mapas da vida previamente formatados: educação, emprego, aposentadoria. O tempo para viver muitas vezes ficava para depois…

Agora pertenço ao universo das siglas: GPS, GPT, IA… Uma realidade programável, algoritmizada e, mesmo assim, imprevisível. O tempo para viver é cada vez mais acelerado.

Estou me adaptando.

Ao me abrir para a curiosidade e o desconhecido, interajo em mundos inovadores, de mudanças repentinas, labirintos instigantes e descobertas inimagináveis.

O desafio daqui para frente é: o que farei?

Ao longo do tempo aprendi que a vida é formada por momentos únicos e ao vivo. Ocasiões maravilhosas e outras nem tanto.

Entendi que o significado de viver é justamente a soma destes acontecimentos. E que a felicidade diária é resultado da postura que temos diante destes fatos.

Busco propósitos estimulantes. Não quero apenas fazer; preciso transformar. Não quero apenas participar, preciso impactar. Não quero apenas planejar; preciso que as coisas aconteçam. Não quero apenas produzir, preciso deixar um legado.

Estou envelhecendo.

Quero mais conexões genuínas, reais e agregadoras.

Sinto falta dos amigos da infância, com quem eu me divertia durante as peladas nas ruas esburacadas.

Quero menos avatares, mais espontaneidade e muito mais emoção.

Não vejo graça em competir com games quase reais que vibram artificialmente através de emojis repetitivos.

Preciso de menos fakes e mais verdades.
• De menos teclado e mais conversas inspiradoras.
• De menos abreviações e mais interrogações.

Estou envelhecendo

Tenho mergulhado em autoconhecimento, participado de experiências memoráveis e me aventurado em roteiros improvisados, tentando me desafiar o tempo todo.
• Sou proativo: assumo a responsabilidade pelas minhas ações.
• Sou ambidestro: vivo intensamente o hoje e, ao mesmo tempo, crio meus futuros.
• Sou ambicioso: o meu “eu” de amanhã precisa ser melhor do que o de ontem.
• Sou utópico: almejo a inteligência de uma sociedade mais humanizada e positiva.
• Busco um cotidiano mais gratificante e sustentável.
• Mais inclusivo e menos superficial.
• Menos midiático e mais sincero.

Estou envelhecendo

Ganhei maturidade e experiência, equilíbrio e resiliência.
• Entendi que não tenho o controle de tudo.
• E que não devo julgar e nem comentar sobre os outros.
• Prefiro agir para que meus sonhos sejam concretizados.
• Quero vivenciar e curtir as minhas próprias histórias.

Estou envelhecendo

Aprendi que vivo aprendendo a viver.

E que a minha principal certeza é que quero continuar envelhecendo.

Com tempo, saúde, sorrisos, amizades e sabedoria.

Bora ser feliz em 2025, que será um ano inesquecível.

CAFÉ GOURMAND… EM PARIS, CONHECEM?

A encantadora sobremesa francesa… café gourmand

Uma curiosidade saborosa que eu conheci aqui na França, apresentada pelo meu genro… o “café gourmand”, é o que eu sempre peço.

Acredito que acaba acalentando o coração dos que, assim como eu, acabam indecisos (com tantas gostosuras) na hora de escolher o que pedir após uma refeição.

Um item interessante é que não há um padrão a ser seguido para todos os restaurantes – cada restaurante terá sua própria definição sobre o que acompanhará o café ou chá e, nesse ponto há apenas o padrão da casa que dificilmente muda.

Posso perguntar ao atendente o que compõe o café gourmand da casa e ele lhe explicará quais seriam as pétit pâtisserie ou dessert (pequenas sobremesas), que virá no seu pedido, pois no cardápio, normalmente não vem detalhado a composição da sobremesa, apenas vem escrito café ou thé gourmand. Muitas vezes serão servidas com mini versões das sobremesas do restaurante com café ou chá.

Quando entregarem o seu café ou chá, virá acompanhado com 4 mini sobremesas – a quantidade varia entre 3 e 5. Dentre essas mini sobremesas temos: tiramisù, crème brûllée (um clássico), sorvete, crepe, gaufre (waffle), brownie, foundant au chocolate (um bolinho mais cremoso, conhecemos como petit gateau no Brasil), canelle (um bolo pequeno e com uma massa mais dura, parece um pudim de pão), profiterole (tipo a Carolina que temos no Brasil e são recheadas com doce de leite, aqui usam sorvete ou creme), mini tortas, enfim, são coisinhas apaixonantes e deliciosas.

Preço:

Não acho os valores altos. Os preços de um café ou thé gourmand, variam de € 4,50 a € 7,00 (de quatro e cinquenta a sete euros). Vale a pena experimentar… e compartilhar (se achar muito, rsrsrs).

História:

Sobre o “nascimento” do café gourmand e nem mesmo os restaurantes sabem dizer muitos detalhes, mas os textos que encontrei, remetem seu surgimento em meados dos anos 50, na cidade de Paris com a ideia de “suprir, concorrer ou ganhar” o público em relação ao famoso “chá da tarde inglês”. E, por aqui há duas versões da sobremesa, as mais comuns se assim posso dizer são: o café e o thé gourmand (café ou chá gourmand).

A tradução da palavra gourmand nada mais é do que guloso.

CERTEZAS…

De tudo ficaram três coisas…
A certeza de que estamos começando…
A certeza de que é preciso continuar…
A certeza de que podemos ser interrompidos
antes de terminar…
Façamos da interrupção um caminho novo…
Da queda, um passo de dança…
Do medo, uma escada…
Do sonho, uma ponte…
Da procura, um encontro!

By Fernando Sabino

SAÚDE PUBLICA EM PORTUGAL: COMO FUNCIONA E COMO TER ACESSO. 🇵🇹

Uma das dúvidas mais frequentes dos brasileiros que se mudam para Portugal é sobre a saúde pública. Por se tratar de um dos principais problemas do Brasil, é comum que essa preocupação exista. O sistema de saúde pública em Portugal é de qualidade, porém, é preciso saber que ele não é gratuito em todos os casos.

Entenda como funciona a saúde no país, como os brasileiros podem ter acesso ao atendimento médico público, se há custos e como se inscrever.

Como é a saúde pública em Portugal?

O Serviço Nacional de Saúde de Portugal, o SNS, funciona em diversas frentes, desde atendimento de emergência até vacinação e coparticipação em alguns medicamentos.

Ele pode ser bastante efetivo em alguns quesitos, mas deixa a desejar em outros. Certo é que ele funciona de forma diferente do nosso conhecido SUS, e é preciso conhecer esse mecanismo para casos de emergência, principalmente se você vai morar em Portugal.

Saúde pública em Portugal é boa?

Depende do que você precisa.

A saúde pública em Portugal é conhecida por ter médicos bastante capacitados e oferecer serviços de qualidade. No entanto, assim como no Brasil e em sistemas de saúde de outros países, ela tem uma demanda bastante grande.

A espera para a realização de um exame pode durar meses, e o atendimento de emergência em um hospital público, dependendo da gravidade da situação, pode levar mais de 12 horas.

Como funciona a saúde pública em Portugal?

A saúde pública em Portugal é baseada no atendimento primário. O médico de família (clínico geral) é o responsável pelos primeiros contatos entre os usuários (chamados de utentes) e os especialistas.

Basicamente, é no centro de saúde que acontecem os primeiros atendimentos e as consultas de rotina — agendadas previamente. E o médico de família é o responsável por acolher os pacientes.

Nos centros de saúde também acontecem alguns atendimentos de urgências, por isso, os utentes podem buscar ajuda em casos mais simples nesses locais. Em algumas situações específicas podem ser encaminhados para especialistas conforme a necessidade do caso.

Quem tem acesso à saúde pública em Portugal?

Segundo o ePortugal, qualquer pessoa que se sinta doente em Portugal e necessite de cuidados médicos, seja ela turista ou, residente em situação regular ou irregular, tem direito a atendimento médico em hospitais públicos e centros de saúde portugueses.

Acesso à saúde pública em Portugal para brasileiros

Se atender aos requisitos definidos pelo SNS, o brasileiro pode usar o sistema de saúde pública em Portugal. Mas atenção, é preciso se enquadrar em um dos requisitos exigidos.

Através PT/BR – 13 antigo PB4)

O PT/BR-13, antigamente chamado PB-4 ou Certificado de Direito à Assistência Médica (CDAM),

O PB4 é um acordo bilateral entre Brasil e Portugal que permite que os seus portadores tenham acesso ao atendimento médico em terras lusitanas (e vice-versa). O acordo oferece as mesmas condições de atendimento médico quando em viagem de turismo ou residência em Portugal.

Mas fique atento a um detalhe, se você não for fixar residência, o PB4 é válido apenas para emergências, cumprindo uma função semelhante ao seguro viagem no que diz respeito a emergências médicas.

Através do Estatuto de Igualdade de Direitos

O Estatuto de Igualdade de Direitos dá aos brasileiros que vivem em Portugal os mesmos direitos e deveres de um cidadão português. Assim, é possível ter acesso ao serviço de saúde português da mesma forma que um nacional, desde consultas de rotina, até exames e atendimentos mais complexos.

Quem vive em Portugal com autorização de residência também tem acesso ao serviço de saúde da mesma forma que um nacional. Em ambos os casos, é possível se cadastrar nos centros de saúde e receber o número de utente — registro no sistema público de saúde português que dá acesso à ampla rede de saúde do país.

Acesso à saúde pública em Portugal para estrangeiros

O acesso à saúde é um direito de todas as pessoas presentes em Portugal. Por isso, em caso de urgência, o atendimento não pode ser negado, independentemente da sua nacionalidade ou da regularidade do seu visto. O que pode mudar são as taxas reguladoras, que variam de caso a caso.

Atenção: pessoas sem autorização de residência em Portugal devem ter um atestado de residência para poder acessar o SNS. Ele deve ter sido emitido pela Junta da Freguesia em que se encontra há mais de 90 dias e, assim que obtiver o documento, a pessoa deve fazer a inscrição no centro de saúde.

Crianças e adolescentes em situação irregular têm o mesmo acesso à saúde pública em Portugal que pessoas em situação regular no território.

Cartão Europeu de Seguro de Doença

Pessoas com residência em Portugal, inscrição no SNS e no Sistema de Segurança Social têm direito à emissão do Cartão Europeu de Saúde.

Ele possibilita que você receba atendimento médico em uma estadia temporária em qualquer país pertencente à União Europeia, além da Islândia, Noruega, Liechtenstein e Suíça.

Quanto custa a saúde em Portugal?

Até pouco tempo atrás, o acesso aos serviços de saúde pública em Portugal era feito com pagamento de taxas moderadoras, valores acessíveis cobrados para consultas, exames e procedimentos médicos.

Desde 2020, o governo de Portugal vem trabalhado para acabar com a cobrança das taxas de acesso ao SNS. Daí, em 1º de junho de 2022, quase todas as taxas foram extintas, havendo apenas uma exceção, conforme o Decreto-Lei nº 37/2022.

Exceção de pagamento

A nova regra do SNS determina que as taxas moderadoras só serão cobradas em uma situação: quando o paciente for até uma emergência hospitalar sem prévio encaminhamento (seja por um médico ou pelo atendimento telefônico na Linha SNS 24).

E, mesmo que o utente vá por conta própria a um serviço de urgência, as taxas também não serão cobradas em algumas situações:

• Caso haja necessidade de internamento;

• Grávidas e parturientes;

• Crianças até aos 12 anos, inclusive;

• Utentes com grau de incapacidade igual ou superior a 60%;

• Doadores de sangue;

• Doadores vivos de células, tecidos e órgãos;

• Doentes transplantados;

• Bombeiros;

• Militares;

• Ex-militares das Forças Armadas, com incapacidade permanente devido ao serviço militar;

• Pessoas com insuficiência econômica comprovada.

Quando cobradas, as taxas moderadoras apresentam os seguintes valores:

Serviço – Urgência polivalente

Custo – 18€

Serviço – Urgência médico-cirúrgica

Custo – 16€

Serviço – Urgência básica

Custo – 14€

É importante lembrar que valores relativos a diagnóstico e terapia podem ser acrescentados, nunca ultrapassando os 40 euros.

Saiba qual é a expectativa de vida em Portugal e a importância da saúde pública para o aumento.

Quem é isento de taxas moderadoras?

Mesmo com a mudança, a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) mantém a lista dos utentes que permanecem isentos de qualquer pagamento. São eles:

• Grávidas e parturientes;

• Crianças e jovens até os 17 anos e 364 dias;

• Utentes que tenham grau de incapacidade igual ou superior a 60%;

• Doadores de sangue;

• Doadores de células, tecidos e órgãos;

• Bombeiros;

• Doentes transplantados;

• Militares e ex-militares das Forças Armadas que estão incapacitados permanente por prestação do serviço militar;

• Desempregados inscritos no centro de emprego com subsídio menor ou igual a 1,5 x IAS (664,80€), desde que não tenham como comprovar a condição de insuficiência econômica nos termos previstos. A isenção do pagamento é extensiva ao cônjuge e aos seus dependentes;

• Jovens em cumprimento de medidas tutelares, cautelares ou integrados em locais de acolhimento;

• Utentes no âmbito da interrupção voluntária de gravidez;

• Requerentes de asilo e refugiados, bem como respectivos cônjuges ou equiparados e descendentes diretos;

• Utentes em situação de insuficiência econômica e os seus dependentes (que tenham renda igual ou inferior a 664,80€);

• Vítimas de incêndios florestais ocorridos entre 17 e 24 de junho de 2017, 15 e 16 de outubro de 2017, e entre 3 e 10 de agosto de 2018, nos concelhos identificados na lei.

Entenda o custo de vida em Portugal e o peso da saúde nas contas mensais.

E quanto custa um atendimento particular?

Os atendimentos particulares da saúde privada de Portugal têm valor bem mais elevado. Uma consulta com especialista pode chegar a 90€, enquanto um atendimento de emergência chega a 110€.

Já um ecocardiograma pode custar entre 142€ e 350€. Para as gestantes, um parto normal pode custar entre 3.090€ a 4.295€, se for preciso realizar uma cesariana, os valores podem chegar a 5.328€.

Os valores podem variar de um hospital privado para outro, esses foram identificados no Hospital da CUF do Porto.

Como se cadastrar no sistema de saúde em Portugal?

Qualquer pessoa pode cadastrar-se no sistema de saúde português em qualquer centro de saúde do SNS, de preferência aquele da sua área de residência, de forma gratuita.

Para isso, é necessário:

• Descobrir a unidade mais próxima da sua casa (você pode fazê-lo ligando para o SNS — 808 24 24 24);

• Dirigir-se ao balcão de atendimento;

• Apresentar o Cartão de Cidadão (para pessoas com cidadania portuguesa) ou Autorização de Residência e o Número de Identificação Fiscal (NIF).

Número de utente em Portugal

O número de utente é o cadastro de uma pessoa para o acesso aos serviços de saúde pública em Portugal.

Ele é atribuído automaticamente a cidadãos portugueses que possuam Cartão de Cidadão, mas também pode ser solicitado gratuitamente na sua chegada a Portugal, desde que você tenha residência permanente no país ou atestado de residência da Junta da Freguesia que comprove que está em Portugal há mais de 90 dias.

Para a emissão do número, é preciso apresentar em um centro de saúde:

• Autorização de residência ou permanência, ou visto de trabalho em Portugal;

• Número de Identificação Fiscal (NIF).

Médico de família em Portugal

Em Portugal, o sistema de saúde funciona de maneira muito diferente do Brasil. O médico de família é o principal contato entre as pessoas e o sistema de saúde, é ele quem irá acompanhar os utentes durante toda a vida.

Esse profissional deve atender a família e, assim, conhecer o histórico médico familiar para trabalhar a prevenção de algumas doenças quando for necessário.

O médico de família também é o responsável pelo encaminhamento dos utentes para especialistas, sempre que julgar importante.

Entenda como é ter filho em Portugal, desde o pré-natal até o parto.

Todo mundo consegue médico de família em Portugal?

Não.

Especialmente nas grandes cidades e nos centros de saúde que concentram mais pessoas, conseguir um médico de família pode ser bem difícil.

Segundo o Jornal Público, em 2023, cerca de 1,6 milhões de residentes ainda não têm um médico de família atribuído, correspondendo a mais de 10% da população. Entretanto, a todas as crianças que nascem no país, é atribuído automaticamente um médico de família na zona na qual reside.

Mas saiba que isso não é motivo de preocupação, pois os atendimentos sempre serão garantidos. Quando precisar, você poderá recorrer ao seu centro de saúde e pedir uma consulta com o médico de plantão.

Como funciona o atendimento no Centro de Saúde?

O atendimento nos centros de saúde funciona inicialmente com as consultas com o médico de família, ele é o primeiro passo no atendimento. Ou com o médico de plantão, se for o caso.

Em geral, o centro de saúde oferece atendimento agendado, quando é marcada previamente uma consulta com o médico. Há também o atendimento de urgência, quando o utente é acometido por alguma doença aguda.

O canal Teaga pelo Mundo publicou um vídeo bastante interessante sobre a experiência deles em um centro de saúde e deixou algumas dicas de como receber atendimento médico no país. Vale a pena conferir:

E nos hospitais públicos em Portugal?

Os hospitais em Portugal funcionam de forma integrada. Em geral, existem gestões públicas que administram vários hospitais em uma mesma localidade. Esse modelo facilita a integração entre as unidades de saúde e a distribuição de leitos.

Preferencialmente o encaminhamento ao hospital deve ser feito através do SNS, pelo médico de família ou pela Linha SNS 24. Mas o paciente também pode se dirigir a um atendimento de urgência. Nessa situação, vale lembrar que podem ser cobradas taxas moderadoras.

Remédios têm coparticipação do governo

A saúde pública lusitana vai além do atendimento médico, também existem programas de subsídios de remédios em Portugal. É o caso dos medicamentos comparticipados, sobre os quais o governo paga parte do valor e o utente o restante.

Existem 4 escalões de comparticipação. No escalão A, no qual o desconto é de 90%, estão medicamentos hormonais e imunomoduladores, por exemplo. Já no B estão medicamentos cardiovasculares e anti-infecciosos, categoria na qual os descontos são de 69%. No escalão C os descontos são de 37% e no escalão D são de 15%.

Os escalões estão definidos conforme a patologia, e existe ainda o regime especial de comparticipação, destinado aos pensionistas. Nessa categoria, os remédios do escalão A tem uma comparticipação extra de 5% e nos demais escalões de 15% a mais.

Quais os melhores hospitais públicos em Portugal?

Existem diversos rankings mundiais que determinam os melhores hospitais públicos de Portugal. Segundo a Institutions and University Rankings, da SCImago, os melhores hospitais portugueses pertencentes ao SNS são:

• Centro Hospitalar de Lisboa Norte;

• Instituto Português de Oncologia Fernando Gentil;

• Centro Hospitalar do Porto;

• Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge;

• Centro Hospitalar Universitário de São João.

Precisa ter plano de saúde em Portugal?

Não necessariamente.

O serviço de saúde pública em Portugal é de qualidade. Entretanto, é preciso considerar que no sistema público, o médico de família será o primeiro contato com o atendimento e, apenas se for necessário, você será encaminhado para um especialista.

O seguro saúde em Portugal é barato, entre 30€ e 40€ por mês, em média. Porém, os planos funcionam no sistema de coparticipação, ou seja, a cada consulta ou exame é preciso pagar parcialmente pelo serviço.

Em Portugal, não existem planos de saúde como os do Brasil, em que o valor pago mensalmente (apesar de ser bem alto) cobre todos os gastos com atendimentos e procedimentos médicos.

Mas, se você é do tipo de pessoa que prefere ir direto ao especialista, o seguro saúde pode ser uma opção viável. Assim, não é preciso passar pelo médico de família quando precisar de um atendimento específico, e terá maior celeridade na solução dos problemas de saúde.

Quanto custa um plano de saúde em Portugal?

Entre 5 € e 100 € por pessoa.

A mensalidade de um plano de saúde em Portugal depende de muitos fatores, como idade e condições de saúde do contratante, valor de coparticipação e empresa contratada.

É importante, portanto, encontrar uma opção que faça sentido para o seu bolso e as suas necessidades de saúde.

Vale a pena acessar a saúde pública em Portugal?

Sim.

Se você tem essa opção, a saúde pública portuguesa é de boa qualidade e vale a pena usufruir do serviço.

Apenas não recomendo que você dependa apenas dos serviços públicos. Tanto nas grandes cidades quanto no interior, os hospitais e centros de saúde são bastante cheios, e é comum esperar por horas para receber um atendimento de urgência.

Agora que você sabe como funciona a saúde pública em Portugal, é hora de fazer os preparativos para as terras lusitanas, sempre em boa saúde.

Por isso, preparamos um produto super especial: o Programa Morar em Portugal, que apresenta todas as informações necessárias em 22 aulas em vídeo, desde o planejamento até o período de adaptação da sua família. Vale a pena!

Fonte: Luísa Cortés, Tié Lenzi e Carolina Sanches do site eurodicas

Obs: Valores correspondem ao ado de 2023.

CADA UM SABE…

Cada um sabe o que mais lhe dói. O que lhe acalma o peito.

O que não dá para esquecer. O que é gostoso de lembrar. 

O quanto às vezes lhe custa mais um passo.

Cada um sabe quem mais lhe marcou. O que lhe causa mais medo. 

Como faz pra resgatar o ânimo. Quais foram os instantes mais felizes do caminho. 

O tamanho do próprio cansaço.

Cada um sabe a história que carrega. O que pensa. 

Os sonhos que tem. As lágrimas que não derrama. 

O que é capaz de lhe tirar o sono. O que faz a alegria nascer. 

Quem faz toda diferença.

Cada um sabe o que mais adoraria ganhar de presente. 

A medida do empenho para chegar até aqui. Onde a vida foi mais doída. 

O que aprendeu direitinho. O que mais lhe falta aprender.

Cada um sabe…

By Ana Jácomo

ABRAÇO…

Um abraço bom muda instantanemente a cara dos cansaços todos que a gente tem. Um sorriso amoroso ilumina quarteirões inteiros do nosso coração. A mão que segura a nossa durante a travessia faz medo ficar miudinho. Palavras de ternura são capazes de fazer sarar machucados. Presença é sempre o melhor presente. Olhares demorados nos curam.

O Amor faz toda diferença neste mundo.

Texto de Ana Jácomo

ESPERANÇA… NA PANDEMIA

ESPERANÇA.

Poema lindo escrito por Alexis Valdés, músico, durante a pandemia da Covid-19. Agora com a vacinação a todo vapor em muitos países do mundo 🌍, vamos caminhando e em breve voltando as nossas rotinas. A sua inspiração dele veio de um momento de reflexão sobre a vida em tempos de pandemia (21/3/2020). Leiam:

Quando a tempestade passar

E se amansem as estradas

E sejamos sobreviventes

de um naufrágio coletivo.

Com o coração choroso

e o destino abençoado

Vamos nos sentir bem-aventurados

Tão só por estar vivo.

E nós lhe daremos um abraço

ao primeiro desconhecido

elogiaremos a sorte

de manter um amigo.

E aí nós lembraremos

Tudo aquilo que perdemos

e de uma vez aprenderemos

tudo o que não aprendemos.

Não teremos mais inveja

pois todos sofreram.

Não teremos mais desidia

Seremos mais compassivos.

Valerá mais o que é de todos

Que eu nunca consegui

Seremos mais generosos

E muito mais comprometidos

Nós entenderemos o frágil

O que significa estar vivo?

Vamos suar empatia

por quem está e quem se foi.

Sentiremos falta do velho

que pedia peso no mercado,

que nós não soubemos o nome dele

e sempre esteve ao seu lado.

E talvez o velho pobre

Era Deus disfarçado.

Você nunca perguntou o nome

Porque você estava com pressa.

E tudo será milagre

E tudo será um legado

E a vida será respeitada.

A vida que vencemos.

Quando a tempestade passar

Eu te peço Deus, triste.

Que nos tornes melhores.

como você nos sonhou.

Gostou? Eu gostei também muito deste vídeo. Traz uma boa reflexão 👀

Veja também: https://oterceiroato.com/2020/08/14/tenho-consciencia/