“… acho que a vida é um processo… É como subir uma montanha. Mesmo que no fim não se esteja tão forte fisicamente, a paisagem visualizada é melhor”. Lya Luft
Lya Luft (escritora gaúcha no jornal Zero Hora) publicou recentemente esta crônica que fala de um tema ao qual ela está sempre recorrendo: a passagem implacável do tempo e a “implicância” – quem sabe, medo – que demonstramos ter de palavras como envelhecimento, velho, velhice e outras derivadas. Lya chama a atenção para a nossa luta vã contra esta realidade.” Leia:
É uma das esquisitices do nosso tempo que na época em que mais tempo vivemos haja tanta dificuldade em relação ao que se convencionou chamar velhice. Palavras significam emoções e conceitos, portanto também preconceitos. Por isso, quero falar de minha implicância com a implicância que temos com os vocábulos – e a realidade – velho, velhice.
E, como gosto de historinhas, algumas, como esta, reais, lembro um episódio com Tônia Carrero, ainda uma linda mulher aos oitenta anos. E certa vez alguém lhe perguntou: “Tônia, chegando aos oitenta, como você lida com a velhice?”. Todos gelaram, mas ela, em pé no meio da sala, possivelmente com um cálice de champanhe na mão, respondeu sem hesitar: “Ora, eu acho ótimo. Porque a alternativa seria a morte”.
E todos acharam maravilhosa aquela presença de espírito, e aquele pensamento. Naturalmente, nem ela, nem ninguém gostaria de envelhecer com as doenças, perdas e fragilidades que tantas vezes nos acompanham quando o número de anos cresce assustadoramente. Mas que, pelo menos, não sejamos velhos chatos e sombrios, eternamente reclamando de tudo e de todos.
Quando não pudermos mais realizar negócios, viajar a países distantes ou dar caminhadas, poderemos ainda exercer afetos, agregar pessoas, ler bons livros, observar a humanidade que nos cerca, eventualmente lhe dar abrigo e colo. Para isso, não é necessário ser jovem, belo, com carnes firmes e pele de seda… ou ágil, mas ainda lúcido.
Viver deveria ser poder celebrar sempre mais um dia: o nosso, e dos que amamos. E, em momentos de dor indizível, redobrar sem espalhafato, com delicadeza, o amor de que somos capazes.
” Quem ama de verdade cuida, segura na mão e deixa que a pessoa voe pra fora do ninho”. Lucas Antunes da Silva.
Filho hoje no seu aniversario, quero que saiba que tenho o maior orgulho de ser sua mãe… você é tudo pra mim. Vi você nascer, crescer e aprender a caminhar sozinho… estando sempre bem pertinho… assistindo cada transformação sua.
Acompanhar você crescendo, vê-lo de menino se transformar num grande homem… não tem preço. De homem, tornar- se este marido… pai adorável e dedicado, me deixa super emocionada… todos os dias. É uma benção assistir você com seu filho em momentos exclusivos de muito amor, cuidados e atenção. Está se saindo um grande pai. És um grande homem meu filho!
Pensei no que poderia te dizer hoje e quis te explicar que “filho é pra sempre, a gente quer ver, tocar, estar junto, falar de amor e de saudade!”. Amor incondicional!!! Quero que saiba que perto ou longe será sempre assim… lidar com a distância é sempre difícil… a saudade bate forte muitas vezes… mas fica melhor quando aprendemos a lidar com tudo isso de uma forma madura e bem elaborada. Então pensei em dizer algo sobre amor, sonhos, distância, saudades, família e transformações.
Na parede do quarto dos meus filhos já adultos (agora transformados em quartos de hóspedes, ateliê e brinquedoteca) conservo quatro borboletas pintadas nas cores: azul claro, azul escuro, amarelo e verde mar, contrastando com as paredes claras… elas lembram de forma pouco elaborada como lidei com a “síndrome do ninho vazio”… quando vocês se mudaram.
Filho é para sempre, a gente quer ver, tocar, estar junto, falar de amor e de saudade. Filho parece extensão do nosso próprio ser. Só que não são. Filhos são seres independentes, eu já tinha esta noção. Criamos eles para o mundo, lembra? O que eu não previ é que o mundo é muito grande. E com isso três (dos quatro) deles foram para Europa e EUA. Longe sim, mas bem perto do coração. “Distância não é nada, quando alguém significa tudo”.
Sentir saudades é natural, o que não é natural é permitir que esse sentimento petrifique nosso coração e nem que o vislumbre de seus voos se transforme em ressentimentos. Pelo contrário temos que respirar e dar a eles mais coragem para que seu voo seja do tamanho da imensidão dos seus sonhos. Sonhos que passam a nos inspirar e nos fazem ousar também vislumbrando novas experiências. Incentivamos! Ousamos todos.
“Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosa metamorfoses”, diz Rubem Alves.
Mas coração de mãe é assim mesmo, inquieto… palpitante… e a saudade insiste em bater… Como antídoto para não deixa-la fazer morada na alma, gosto de me debruçar no parapeito da janela de seus quartos, aos finais de tarde, principalmente ao pôr do sol e imaginar o voo dos meus meninos (as) transformadas em borboletas confiantes, cheias de luz e ânsia de viver… construindo sua própria vida! Meninos (as) meus (minhas), teus (tuas)… e de meu marido (escolhidos pelo coração… revivo, abraço, amo muito para que se tornaram todos nossos…) Os seus, os seus… os nossos filhos!
Percebo que o tempo, a dedicação na infância e o “trabalho” na adolescência renderam frutos maravilhosos. Como recompensa tenho a oportunidade de admirar o colorido do farfalhar de suas asas independentes.
E os sapatinhos de bebe “esquecidos” na gaveta de recordações, já não representa a saudade do cheirinho de bebe, transformaram-se em orgulho pela segurança de seus passos. Voem altos minhas crianças crescidas e amadurecidas… voe alto, meu filho!
É assim o ciclo da vida e precisa ser ouvido. É hora de vivermos o amor e a gratidão e voltar a atenção ao nosso próprio cuidado.
“Se a vida não fosse para ser transformada, não haveriam borboletas”. Eliane Nochieri
Deixar que as borboletas saiam do casulo materno e voem livremente esem culpas para onde o alcance de suas asas permitir, é uma benção. E eles estão indo longe! E que aquilo que chamo de saudades jamais prenda seus voos e nem as impeça de assumir as responsabilidades pelo alcance de suas asas.
Eu… (nós…) vamos torcendo daqui pra que todos os seus sonhos sejam alcançados e estaremos sempre pertinho pelo coração… hoje pela internet e amanhã fisicamente e em todas as oportunidades que a vida nos der (e dará)… assim voaremos livremente pelo mundo.
Nesse mundão enorme já encontraram suas almas gêmeas e constituíram suas famílias. Lindas famílias, extraordinárias… que começam a crescer, trazendo frutos e enorme alegrias a todos da nossa família. Uma benção maravilhosa destas borboletas minhas voantes! Só tenho a agradecer a Deus e a vida pelas bênçãos recebidas. Penso que diriam pra mim…
Deixa-me voar!
Em mim,
já fui transformação…
Amores não
me prendem…
Sou asas.
Sou sonhos.
Sou borboleta!
Borboletas, são delicadeza…
Beleza…
Leveza…
Referências de transformação
Como uma aquarela…
Rosa, verde…amarela!
Sou vestida de sonhos…
Deixa-me voar!!
O meu néctar é o amor.
Ele eu preciso buscar.
Abra as portas
da minha prisão.
Que ganhando vida
Me tornaria ainda mais bela
Preciso de liberdade…
E deixa-me voar!
Voar… para me encontrar… By Dayse Sene e Tina Bau Couto
Quero oferecer pra você meu filho, uma musica que eu adoro… espero que goste… I love you…:
… He told me, “Son sometimes it may seem dark, (Ele me disse: “Filho, às vezes, pode parecer escuro)
but the absence of the light is a necessary part (Mas a ausência de luz é uma parte necessária)
Just know, you’re never alone, you can always come back home”…. (Apenas saiba, você nunca está sozinho, você pode sempre voltar para casa”)
You can always come back… (Você pode sempre voltar…)…
(ORIGINAL). Wherever you go, you can always come home”… De que onde quer que vá, você sempre poderá voltar para casa…
You can see that your home’s inside of you… (Você pode ver que o seu lar está dentro de você)…. Just know (Apenas tenha certeza)…. That wherever you go (De que onde quer que você vá)… No, you’re never alone (Não, você nunca está sozinho)… I will be at home… I love you.
Adoro também esta musica do Fabio Junior também. Sempre que ouço me emociono e lembro dele… Pai. Escute ok
Te amo muito meu filho adorado! Você fez de mim uma pessoa melhor. Somos especiais juntos! Desejo-lhe toda a felicidade do mundo… que seus sonhos sejam realizados… és um grande homem, meu filho! Que Deus esteja sempre com você e sua família. Proteja-os sempre! Não existe nada melhor do que amor… filhos…. família. Cuide-se! Estou/ estarei sempre ao seu lado! Meu amor!!!!
“Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem?” É inevitável, ninguém tem como escapar”.
Chega uma hora, mais cedo ou mais tarde, que a gente começa a pensar na morte. A partida do Sr. Ninno me despertou para a morte. Quando isso me aconteceu e com a minha maturidade começou a surgir o processo de reflexão sobre a finitude… sobre meu tempo de vida na terra. Envelhecer e morrer. Tenho lido mais e participado de alguns palestras, sobre o assunto… tentando enxergar que assim como tudo começa…. um dia acaba. A morte é fato! Um assunto sempre evitado, mas que devemos (re) pensar , a população tem envelhecido a medicina tem evoluído… e devemos aprender também sobre morte.
Li recentemente na revista Trip, uma entrevista (2017) de Nathalia Zaccaro com Vera Holtz, 65, onde ela conta sua reflexão sobre a morte, achei muito interessante. Leia:
Em seu último trabalho, Vera Holtz interpreta uma bruxa que disputa com a morte o controle de destinos no filme “Malasartes e o duelo com a morte”, que estreou no ano passado e tem Jesuíta Barbosa, Isis Valverde e Julio Andrade no elenco. Ao contrário de sua personagem, Vera não acredita que os caminhos de sua vida tenham sido determinados por qualquer outra força além da sua própria. “Não sou mística, não tenho fé em nada disso, adoro estudar esses mitos e entender porque precisamos deles, mas sou pragmática, fui eu quem decidiu meu destino”, diz.
Depois da exaustiva turnê de lançamento do filme, ela decidiu dar um tempo no trabalho e pensar por onde quer levar seus caminhos daqui para frente. “Quero me investigar, repensar quem sou eu, entender como quero envelhecer. Bem ou mal a velhice é um tempo de espera, é a zona da morte”, reflete. Em julho de 2017, Teresa Holtz, irmã mais velha de Vera, faleceu e despertou na atriz reflexões profundas sobre a finitude da vida. “Foi como um alerta, uma ruptura que me chamou atenção para importância de descobrir o que ainda quero explorar no meu tempo.” Em 2015, Vera se dedicou às gravações de um filme sobre a história de sua família, em que interpreta sua mãe, Terezinha Holtz. “O longa, chamado As quatro irmãs, ficou pronto agora e minha irmã partiu em seguida, aos 69 anos. Eu tenho 68 hoje. Brinco que essa fase é uma espécie de pós-produção da vida, não significa que vou ficar paralisada, só que vou deixar tudo do jeito que eu quero.”
Vera Holtz aos 65: Velhice é um tempo de espera, é a zona da morte.
Da última vez que Vera resolveu dar um tempo das novelas, há dois anos, ela teve uma ideia que transformou a maneira como se relaciona com sua criatividade, e também com seus fãs: a criação de uma conta no Instagram. Em uma das fotos que publicou, ela aparece com uma melancia enfeitada com azeitonas enfiada na cabeça; em outra, um rabo de peixe sai pela boca da atriz. “No começo achei que eu não fosse ter paciência, mas foi um canal que se abriu pra mim, um espaço onde posso explorar formatos, foi uma grande descoberta. O que mais me interessa é o contato com as pessoas que estão ali, o exercício de tolerância, de convivência com as diversas opiniões que aparecem o tempo todo.”
Vera tem mais de 1 milhão de seguidores que a definem nos comentários dos posts como uma diva lacradora da internet. “Deram o nome de Vera Viral para essa identidade performática que criei, vou continuar com as postagens, esgotar essa fórmula que faço agora, sentada na cadeira com fundo branco, e depois inventar outras coisas, criar.”
A sensação de conter dentro de si mais de uma mulher define como Vera enxerga seus relacionamentos. “Eu gosto de multiplicidade. Se eu determinei que posso ter múltiplas identidades claro que posso ter múltiplos parceiros. E tive. Não sei se foi em função de alguma decepção na adolescência, pode ser isso ou por qualquer outra coisa, não quero entender. É o que é”, explica.
A certeza do que quer passa pela decisão de não ter filhos — certeza que existe desde os seus 13 anos, quando avisou sua mãe que não esperasse netos vindos dela. “Caiu o mundo quando falei. É um horror a pressão em relação a isso, mas sempre soube que poderia ter outros interesses, que ser doméstica não é a única opção, a profissão pode completar uma mulher. Tive exemplos libertadores que me mostraram que eu poderia ser o que quisesse ser — eu queria ser atriz e acho que consegui.”
A possibilidade de bancar suas vontades, especialmente aquelas que não coincidem com o que se espera dela, é fruto de muita batalha. “Minha geração lutou bastante por causas feministas. Agora existe um neofeminismo, meninas de 15 anos que já entendem a importância de falarmos sobre isso”, conta. “O que gosto desse novo olhar sobre o assunto é que agora estamos em busca da emancipação individual de cada uma. Nós mulheres não somos um blocão, existem mulheres trans, por exemplo, cada uma tem sua história. E estamos aí dizendo como queremos ser vistas, como queremos ser tratadas.”
Em novembro, Vera dará vida a uma dona de boate lésbica em Berenice procura, filme de Luiz Alfredo Garcia-Roza, em que contracena com a modelo trans Valentina Sampaio. “Me aproximei dessa temática e está claro para mim a importância de conversarmos mais, conhecermos mais sobre as vidas umas das outras”, afirma. A atriz usou sua persona Vera Viral, aquela lacradora do Instagram, e chamou atenção para a causa com um post em que segura uma lousa que diz “sou uma mulher trans e quero dignidade e respeito”.
Os longos cabelos brancos que exibe são reflexos da vontade de exaltar suas próprias particularidades enquanto mulher — e uma mulher velha. “Não tenho problema nenhum com essa palavra, não tenho medo da morte. Gosto do meu cabelo desse jeito porque ele revela a idade do meu corpo. É legitimo esse meu corpo, minha pele, meu rosto”, reflete.
Os fios brancos são herança de uma personagem do filme Família vende tudo, de 2011, quando o diretor Alain Fresnot pediu que Vera pintasse o cabelo para viver uma senhora um tanto descuidada. “Fiz uma decapagem e ficou lindo, fashion, aquele branco deslumbrante. Alain me disse: assim não dá. Tive que tirar. Depois disso, quando cresceu de novo, natural, adorei”. Ela acredita que é a cabeleira branca que ilumina seu rosto, mas as várias Veras que a atriz cultiva em si não dependem de nada para lacrar.
“A maturidade nos faz perceber que não podemos mudar os fatos”…
Padre de Mello escreveu esta crônica, que eu gosto muito… Leia:
A maturidade faz parte de um processo. Em um processo não podemos queimar etapas. Ele é lento, chato e demorado. Uma criança passa por um momento de amadurecimento a partir do momento que começa a brincar. A maturidade acontece, quando tomamos posse do que nós somos, para aí então poder nos dividir com os outros. Isso faz parte do processo de maturidade.
Não nascemos amando, pelo contrário, queremos ter a posse dos outros. Essa é a forma de amar da criança, pois ela não consegue pensar de maneira diferente. Ela não consegue entender que o outro não é ela. Quantas pessoas já adultas pensam assim, trata-se da incapacidade de amar, falta de maturidade.
Na visa dele… Todos os encontros de Jesus levam a implantação do Reino de Deus. Mas só pode implantar esse reino quem é adulto, que já entende que só se começa a amar a partir do momento, que eu não quero mudar quem eu amo.
Geralmente quando tememos alguém ruim ao nosso lado, é porque nos reconhecemos naquela pessoa. Jesus não tinha o que temer porque era puramente bom, por isso contagiava os que estavam ao seu lado. Na maturidade de Jesus você encontra a capacidade imensa de amar o outro como ele é. Amar significa: amar o outro como ele é. Por isso quando falamos em amar os outros, podemos perceber o quanto deixamos de ser crianças. Devemos nos questionar a todo o momento quanto a nossa maturidade. A santidade começa na autenticidade.
Por isso Jesus nos pede para ser como as crianças, que são verdadeiras e simples. É nisso que devemos manter da nossa infância e não a forma de possuir as coisas para si.
Você tem condições para perceber a sua maturidade. É só observar se você é obediente mesmo quando não há pessoas ao seu redor. Você não precisa que ninguém te observe, pois você já viu aquilo como um valor. Pessoas imaturas sofrem dobrado. Pessoas imaturas querem modificar os fatos, pessoas maduras deixam que os fatos os modifiquem. A maturidade nos faz perceber que não podemos mudar os fatos. Um imaturo ganha um limão e o chupa fazendo careta. O maduro faz uma limonada com o limão que ganhou. Muitas vezes os nossos relacionamentos de amizade são uns fracassos porque somos imaturos. Amigos não são o que imaginamos, mas o que eles são e com todos os defeitos.
Amizade é processo de maturidade que nos leva ao verdadeiro encontro com as pessoas que estão ao nosso lado. Elas têm todos os defeitos, mas fazem parte da nossa vida e não a trocamos por nada deste mundo. Isso porque temos alma de cristão e aquele que tem alma de cristão não tem medo dos defeitos dos outros, porque sabe que aqueles defeitos não serão espelhos para nós, mas seremos um instrumento de Deus para ele superar esse defeito.Padre só pode ser padre a partir do momento que é apaixonado pelos calvários da humanidade. Se você não consegue lidar com os limites dos outros, é porque você não consegue lidar com os seus limites.
A rejeição é um processo de ver-se. Toda vez que eu quero buscar no outro o que me falta, eu o torno um objeto. Eu posso até admirar no outro o que eu não tenho em mim, mas eu não tenho o direito de fazer do outro uma representação daquilo que me falta. Isso não é amor, isso é coisa de criança. O anonimato é um perigo para nós. É sempre bom que estejamos com pessoas que saibam quem somos nós e que decisões nós tomamos na vida. É sempre bom estarmos em um lugar que nos proteja. Amar alguém é viver o exercício constante, de não querer fazer do outro o que a gente gostaria que ele fosse. A experiência de amar e ser amado é acima de tudo a experiência do respeito.
Como está a nossa capacidade de amar? Uma coisa é amar por necessidade e outra é amar por valor. Amar por necessidade é querer sempre que o outro seja o que você quer. Amar por valor é amar o outro como ele é, quando ele não tem mais nada a oferecer, quando ele é um inútil e por isso você o ama tanto. Na hora que forem embora as suas utilidade, você vai saber o quanto é amado. Tudo vai ser perdido, só espero que você não se perca. Enquanto você não se perder de si mesmo você será amado, pois o que você é significa muito mais do que você faz.O convite da vida cristã é esse: que você possa ser mais do que você faz! ”
“Para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas. Muito mais que um belo carro Italiano”. Glória Kalil.
Sempre apreciei muito o que Glória Kalil, autora do livro – Chic Profissional – fala não do que é chique na moda, mas do que torna uma pessoa chique, sempre. Não é a roupa nem os adereços, e sim o comportamento, diz ela. “Chique mesmo é parar na faixa e dar passagem ao pedestre e evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua. Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador” – afirma ela, mostrando que seu conceito de “ser chique” está diretamente relacionado a “ser educado” e levar sempre os outros em consideração. Leia:
Nunca o termo “chique” foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje.
A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas.
Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas. Muito mais que um belo carro Italiano.
O que faz uma pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta perante a vida.
Chique mesmo é quem fala baixo. Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes e nem precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras.
Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio.
Chique mesmo é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuações inoportunas, nem procurar saber o que não é da sua conta.
Chique mesmo é parar na faixa e dar passagem ao pedestre e evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua.
Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador. É lembrar do aniversário dos amigos.
Chique mesmo é não se exceder jamais! Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir.
Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor. É “desligar o radar” quando estiverem sentados à mesa do restaurante, e prestar verdadeira atenção a sua companhia.
Chique mesmo é honrar a sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios.
Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite!
Mas para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre de o quão breve é a vida e de que, ao final e ao cabo, vamos todos retornar ao mesmo lugar, na mesma forma de energia.
Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não te faça bem.
Porque, no final das contas, chique mesmo é ser feliz.
Você meu netinho, já chegou chegando… veio no susto, no grito, empurrando, lutando mesmo e brigando muito pra ficar, ufa… parece que ninguém te via! Você só querendo nos dizer… Hei, eu estou aqui💫! Um batalhador já rsrsrs. Confesso que gostei. Chegou causando… e querendo ficar aqui nesta família, seu danadinho! Estou amando tudo isso!
Sua mãe demorou pra entender… sua avó nem imaginava, mas você já estava aqui…seu avô suspeitou… Tão pequenino! Tão bonitinho! Recebemos a notícia com surpresa e encantamento… alguns levaram um tempo pra cair a ficha… entender os porquês e os comos rsrsrs???… Com muito amor 💙 e carinho 💕 🌸 você foi recebido de braços abertos… sendo cuidado, protegido… admirado e também muito desejado e amado…
A família inteira vibrou 💫ao receber a notícia anunciada da sua chegada, brindamos a sua espera… estamos aqui agora, esperando a sua chegada com muito curiosidade… cheias de carinho e amor. Em breve você estará aqui conosco, se juntará a uma família onde todos são loucos uns pelos outros…, mas de amor💙💕🌸 rsrsrs. Enquanto te esperamos… eu e seu avô, já aqui com meu Pedroquinha, a recém chegada francesinha a Aninha, netinhos tão queridos… queremos desejar a todos e todas que já têm a felicidade de terem netos e netas para cuidar e mimar muito, com quem brincar e voltar a ser criança, os nossos PARABÉNS pelo DIA DOS AVÓS. Bendito sejam os avós…
Que seus netos e netas cresçam saudáveis e felizes, que é o que todo vovô e vovó mais desejam. E que vocês, avós, possam desfrutar bastante dessas alegrias, recebendo todo o amor 💙 e carinho 💕🌸 que merecem de seus netos, filhos e todas as pessoas da sua família. De nossa parte, estamos aqui mimando muitoooooo cada um deles…
Digo “Bom dia mundo” pra vocês meus netinhos queridos, muito bem vindos… estarão descobrindo aos poucos esta imensidão e beleza de mundo que existe… Aqui vocês descobrirão muitas coisas e farão suas escolhas… onde construirão suas histórias de vida! Juntos vamos caminhar em muitas destas suas histórias que guardaremos eternamente em nossas memórias, serão nossos tesouros ok?
Há tanta coisas que quero conversar com vocês, tantas histórias que desejo compartilhar, sabe? Estou deixando muitas coisas registradas aqui neste “Livro das Histórias da Vovó Bia”… que construí com muito carinho, pra vocês, meus queridos netinhos! Aqui vocês encontrarão um pouco da minha história… As “Histórias de Vovó Bia”… preparem-se pra viajar no tempo com elas… algum dia!
“Quanta sabedoria tem o olhar dos avós, quanta generosidade têm seus sorrisos, que aconchego têm seus abraços”. Raquel Piffer
Este estudo só vem confirmar o que eu acredito… ser avó é uma das melhores coisas da nossa vida… Ficar mais tempo com eles, pra ajudar os pais e termos mais contato com eles é uma benção. Com tudo combinado e emparelhado, vamos em frente… vivendo mais feliz. Leiam:
Avós que cuidam dos netos vivem mais, diz estudo.
Em muitos casos essa não é a decisão mais fácil de se fazer, porque talvez os avós já estão em idade muito avançada ou simplesmente não gostam de cuidar de crianças. Mas, saiba que além de ser uma boa economia de dinheiro (sem gasto com babá), você está ajudando na saúde dos seus pais ou sogros.
Uma pesquisa publicada na revista científica Evolution and Human Behavior descobriu que avós e avôs que ajudam a cuidar dos netos vivem mais do que aqueles que não ajudam. Os pesquisadores observaram que os avós que ajudaram a cuidar dos netos ou outras crianças da família viveram cerca de sete anos a mais após o fim do estudo. Enquanto, os que não ajudaram viveram cerca de quatro anos a mais após o fim do estudo. Ou seja, os avós que ajudaram a cuidar de seus pequenos viveram cerca de três anos a mais do que aqueles que não contribuíram. Os autores do estudo acreditam que isto ocorre porque cuidar dos netos dá aos avós um senso de propósito e os ajuda a se manterem fisicamente e psicologicamente ativos.
Como foi feito o estudo?
A pesquisa se baseou no Estudo de Envelhecimento de Berlim e analisou 20 anos de dados de 500 idosos com idade igual ou maior a 70 anos até 103 anos e durou entre 1990 e 2009.
Contudo, os autores do estudo alertam que é importante que os papais e mamães não se empolguem. “Ajudar os pais em um nível moderado tem um efeito positivo na saúde dos avós. Contudo, estudos anteriores mostraram que um envolvimento mais intenso dos avós nos cuidados com os netos pode causar estresse e ter um efeito negativo na saúde física e mental dos avós”, alerta Ralph Hertwig, autor do estudo e diretor do Center for Adaptive Rationality at the Max Planck Institute for Human Development. Então, nada de abusar da boa vontade dos avós.
Os avós que forneceram algum tipo de cuidado aos seus netos tinham uma taxa de risco 37% menor do que os seus colegas não cuidadores.
“Existe uma ligação entre tomar conta dos netos e redução de estresse, e nós conhecem o a relação entre estresse e alto risco de morte”, diz o Dr. Ronan Factora, médico geriatra de Cleveland.
“Se oferecer cuidado aos netos e outros em necessidade é um jeito de reduzir estresse, então essas atividades devem ser benéficas para avós que prestam cuidam de seus netos”, conclui.
Vale lembrar que não é tudo tão simples assim…
As pesquisas ainda estão evoluindo e precisamos destacar outros pontos que ainda não foram concluídos.
Por exemplo, os benefícios analisados foram além da relação familiar, ou seja, os idosos que cuidavam de crianças que não eram da sua família também apresentavam condições semelhantes.
Outro ponto importante é que o estudo não incluiu dados de avós que eram o primeiro responsável pelas crianças.
“Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo”. Buda
Acredito que a harmonia é o ponto da paz em minha alma… é estar bem comigo mesma. Assim como Marcel Camargo, do Blog Resiliência Mag, ando apreciando e muito a minha companhia. Aprendi isso com o tempo. e você, como anda? Leiam:
Ultimamente, estou tentando depender menos dos outros, pois ficar contando muito com as pessoas acaba trazendo decepções demais. Não perco mais tempo correndo atrás de ninguém e, se necessário, vou a todos os lugares sozinho, sem implorar para alguém me acompanhar.
Por muito tempo, eu valorizei a companhia das pessoas, a ponto de procurar sempre estar acompanhado, querendo sair toda vez que tivesse oportunidade, achando que ficar em casa seria coisa para quem fosse idoso ou doente. Por conta disso, não me permitia ficar em casa aos finais de semana, nos feriados, prolongados ou não, pois não queria perder tempo.
Por muito tempo, eu achei que diversão significava ir a bares, baladas, festas, para me encontrar com a galera. Ansiava por conhecer cada vez mais pessoas, por visitar lugares variados, correndo atrás mais de quantidade do que de qualidade. Ficar em casa, podendo viajar ou sair, soava como sacrilégio, disparate, afinal, precisava aproveitar o tempo junto com pessoas, fora de casa. Quanta bobagem já pensei… rsrsrs…
Sem perceber, acabei aceitando amizades que não eram verdadeiras, aproximando-me de pessoas que nem curtiam a minha companhia, até mesmo mendigava atenção, correndo atrás de quem estava muito bem sem mim. Fui a lugares que nada tinham a ver comigo, com gente que não pensava como eu, participando de programas lotados de pessoas e vazios de sentimentos. Perdi sim foi muito tempo!
Com o tempo, percebi que, mesmo conhecendo muita gente ou saindo para vários lugares, ainda assim eu poderia me sentir sozinho, porque o que nos preenche afetivamente é aquilo que toca os nossos corações com verdade e reciprocidade. E eu, muitas vezes, sentia solidão bem ali no meio de tantas pessoas, de tanta música, de tantas festas e sorrisos. Parei e notei o quanto eu cobrava dos outros aquilo que deveria vir naturalmente, aquilo que eu poderia, inclusive, encontrar dentro de mim.
Já a algum tempo, estou tentando depender menos dos outros. Não perco mais tempo correndo atrás de ninguém e, se necessário, vou a todos os lugares sozinho, sem precisar pedir para alguém me acompanhar. E, melhor ainda, aprendi a curtir meus espaços, minha casa, em frente à televisão, lendo um bom livro, passeando ou viajando sozinha… apreciando tudo o que sou e tenho. Tenho gostado muito da minha companhia!
Aliás, estou me viciando em ficar em paz, sozinho, comigo mesmo, porque é chato demais pedir ou dar uma forçadinha para as pessoas nos acompanhar. Convido-as apenas e se quiserem vir comigo, muito bem; se não quiserem, ótimo também. Quando a gente aprende a gostar da própria companhia, a gente se basta e vive feliz onde estiver, com alguém ou sem ninguém. Simples assim.
“Parei de implorar companhia dos outros… se quiser ficar fica… se não quiser, adeus.” Clarice Lispector.
Acho um assunto muito importante para refletirmos, pouco conhecido e pouco discutido entre as pessoas. Hoje com o aumento da expectativa de vida, temos que pensar sobre o que queremos para nós no futuro quando estivermos fragilizados e muito doentes. No dia 09/8/2012, a Resolução 1995/2012, o Conselho Federal de Medicina (CFM), regulamentou a utilização das Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV), também conhecidas como testamentos vitais, completa agora seis anos. Este documento permite que as pessoas, antecipadamente, expressem suas escolhas quanto às diretrizes de um tratamento médico futuro, caso fiquem impossibilitadas de manifestar a vontade em virtude de acidente ou doença grave.
“A regulamentação ajudou a impulsionar e disseminar a lavratura de testamentos vitais em todo o País. Qualquer pessoa plenamente capaz pode fazer seu testamento vital perante um tabelião de notas. Basta apresentar seus documentos pessoais e declarar que tipo de cláusulas deseja incluir. A escritura será apresentada posteriormente aos médicos pelos familiares ou por quem o declarante indicar caso futuramente ele seja acometido por uma doença grave ou fique impossibilitado de manifestar sua vontade em decorrência de algum acidente“, detalhou o presidente do Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo, Andrey Guimarães Duarte.
No testamento vital não se pode prever a eutanásia – procedimento proibido no Brasil e que ocorre quando o médico induz a morte do paciente. Na verdade, o testamento vital não se trata verdadeiramente de um testamento, mas de uma escritura pública que produzirá efeitos enquanto o testador ainda estiver vivo, com a finalidade de garantir a dignidade do tratamento do paciente.
“Na escritura, a pessoa determina o tipo de tratamento que quer ser submetida. Além disso, é possível designar um ou mais representantes, que tomem decisões sobre tratamentos em nome dela quando já não estiver mais consciente”, explica Andrey Guimarães Duarte, presidente da seção São Paulo do CNB. A Diretiva Antecipada de Vontade (DAV) permite que o paciente escolha previamente a que tipo de tratamento médico deseja ou não ser submetido, preservando o direito à vida e morte dignas.
10 Motivos pra fazer o Testamento Vital:
1. Dignidade. A Diretiva Antecipada de Vontade (DAV) permite que o paciente escolha previamente a que tipo de tratamento médico deseja ou não ser submetido, preservando o direito à vida e morte dignas.
2.Tranquilidade. A DAV não antecipa a morte do paciente (eutanásia), apenas garante que ela ocorra de modo natural ou permite o seu retardamento, conforme a vontade do paciente.
3. Respeito. A DAV feita por escritura pública gera tranquilidade ao paciente de que a sua vontade será respeitada quando ele não puder mais se manifestar.
4. Paz. A DAV proporciona maior conforto e menos sofrimento para a família do paciente no momento de dor.
5. Segurança. A escritura pública oferece maior segurança para o médico cumprir integralmente os desejos do paciente, resguardando-o contra eventuais pressões de seus familiares.
6. Autonomia. A DAV pode ser feita por qualquer pessoa, a qualquer tempo, desde que ela esteja lúcida e consiga expressar a sua vontade quanto ao destino de seu próprio corpo.
7. Lealdade. Pela DAV é possível nomear um procurador para ficar responsável por apresentar aos médicos e à família do paciente, os desejos e escolhas antecipadamente feitas por ele.
8. Revogabilidade. A DAV pode ser alterada ou revogada a qualquer tempo, desde que o paciente esteja lúcido.
9. Perpetuidade. A DAV fica eternamente arquivada em cartório, possibilitando a obtenção de segunda via (certidão) do ato a qualquer tempo.
10. Liberdade. É livre a escolha do tabelião de notas qualquer que seja o domicílio.
Conheça um pouco o que dispõe a: Diretiva antecipada de vontade de pacientes – RESOLVE:
Art. 1o Definir diretivas antecipadas de vontade como o conjunto de desejos, prévia e expressamente manifestados pelo paciente, sobre cuidados e tratamentos que quer, ou não, receber no momento em que estiver incapacitado de expressar, livre e autonomamente, sua vontade.
Art. 2o Nas decisões sobre cuidados e tratamentos de pacientes que se encontram incapazes de comunicar-se, ou de expressar de maneira livre e independente suas vontades, o médico levará em consideração suas diretivas antecipadas de vontade.
§ 1o Caso o paciente tenha designado um representante para tal fim, suas informações serão levadas em consideração pelo médico (respeitando-se as disposições do Código de Ética Médica).
” Envelhecer ainda é a unica maneira que se descobriu de viver muito.” Charles Saint- Beuve
Envelhecer fica melhor no olhar de Déa Januzzi, leiam:
Cada um envelhece como viveu, pois o passar do tempo exacerba – ou ameniza – o caráter, os preconceitos, a indiferença, a falta de compromisso com o outro, a disputa, a mágoa, a depressão, a frustração e a impaciência. Ou sintoniza a vida com outros valores mais nobres.
É preciso dizer que a velhice abala, assusta, traz insegurança, principalmente para as mulheres que ficam invisíveis depois dos 60 anos. Há empregos e trabalho para homens de 60, 70 e até 80, mas não há vagas para mulheres que deixaram de procriar, de despertar desejos. A maioria das mulheres envelhece mais dolorosamente, sente vergonha até de confessar a idade. As mulheres ficam mais vulneráveis, principalmente se estão sozinhas no entardecer da vida.
O descaso e a impaciência aumentam. Ou suavizam de vez. Enquanto chegam os desconfortos físicos e novas dores, que são perdas necessárias, o mal-estar surge quando os amigos vão morrendo. Em um texto de Carlos Saul Duque, no dia em que o maestro Nico Nicolaiewsky morreu de leucemia aos 56 anos, ele diz: “Ficar velho não é achar mais um fio branco de cabelo. Nem notar que aquela ruga de expressão aumentou consideravelmente. Ficar velho não é sentir mais dores do que antes. Ter que fazer mais exercício do que antes. Ficar velho, mesmo, é ver aos poucos o seu mundo ser despovoado de amigos. Dos seus tios queridos. De parceiros. De pessoas que você admira. De gente cujas ideias influenciam você. De talentosos. De visionários. De autores da sua época. De personagens da sua aldeia. De gente como o Nico, um cara que tinha vários dons. O dom de ser gago e cantar muito bem. De fazer rir com inteligência. De achar a verdadeira alma das canções”.
“Assim como o escultor enxerga a estátua dentro da pedra, Nico via, geralmente mais do que o próprio autor da obra, a grande canção escondida dentro da vulgaridade de um arranjo. Nico construiu uma nação que ninguém sabe onde é, mas todos gostariam de conhecer. E um repertório único. Tão único quanto o talento dele. Não deixa de ser poético o grande temporal que caiu no dia em que Porto Alegre sepultou o maestro do Tangos e Tragédias. E eu, que adoro chuva, me sinto velho. Mil anos mais velho nesse dia do funeral de Nico Nicolaiewsky.”
Há sete anos, o funeral de minha mãe ocorreu também no meio de um vendaval. A chuva não parou um segundo. Foi nesse dia que percebi todos os meus naufrágios, já sem pai, sem mãe, sem um dos meus irmãos e sem alguns amigos imprescindíveis, como o escritor e jornalista Roberto Drummond, o médico e prefeito Célio de Castro, os ex-editores Amantino Horta Maciel e Wagner Seixas, o pedagogo Antonio Carlos Gomes da Costa, a jornalista e amiga/irmã Edméia Passos – e outros que me mostraram o desemparo da morte.
Envelhecer é muito duro no Brasil, um País injusto, que não dá atenção nem às suas crianças e jovens. Ainda mais aos velhos. Uma Pátria que não deveria selecionar os seus filhos, mas escolhe a dedo. O discurso de hoje é o do envelhecimento ativo. Para quem? Para uma parcela mínima da sociedade que pode pagar por todas as comodidades exigidas nessa fase da vida. E mesmo assim sem garantias de que terá um envelhecimento digno. O restante dos velhos precisa apelar para postos de saúde, que nunca têm os remédios disponíveis, cujas cirurgias podem levar até um ano para acontecer. Como denunciou um senhor de 70 anos que entrou na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) para fazer uma cirurgia de catarata. E está esperando até hoje.
Todos querem viver muito, com qualidade de vida, mas se esquecem do tempo que ainda resta de vida. O taxímetro está ligado e embora ainda haja desejos e sonhos, partes preciosas da vida se foram para sempre. O sinal vermelho do abandono começa a piscar perigosamente.
Minha mãe não se cansava de repetir que estava vivendo de lucro, porque suas amigas já tinham partido antes dela. Aos 91 perdeu o único filho homem. Aí a velhice tomou conta de tudo. Ela abandonou o barco da vida, o que não havia acontecido até então, mesmo com a artrose a lhe corroer os joelhos, mesmo negando a necessidade de usar bengala. Seis meses depois da morte do único filho homem, ela foi embora também, afundou na dor.
Renée, a única amiga de minha mãe que sobreviveu às inúmeras perdas, tem hoje 101 anos, mas também não acha mais graça na vida. Entregou as idas e vindas ao banco e o salário de todo mês para uma das filhas administrar. Só que a filha mora bem longe dela e nem sempre pode ver o que ela precisa. Não sabe, por exemplo, que ontem Renée estava com muita dor no ombro direito. Mas como todas as mulheres de sua geração, a reclamação era quase um pedido de desculpas. Baixinho, ela disse que a dor estava passando para debaixo do braço, que os filhos a tinham abandonado, que ninguém mais queria ir na casa dela.
Saí de lá achando que a longevidade tem um preço muito alto, principalmente para quem como Renée continua lúcida, sem bengalas nem doenças crônicas, mas que já não tem autonomia para decidir sobre a própria vida. Ela sabe de tudo o que está acontecendo à sua volta. Vive com uma das netas que também reclama de dores, por ter vivido tudo em excesso. Renée já perdeu pais, marido, três filhos, e continua de pé, mas a cada dia mais solitária em sua velhice, apesar de ter se planejado financeiramente para essa etapa da vida. Ela não pode mais ir ao banco, mas o que mais a inquieta não é o dinheiro, mas as amigas que se foram muito antes dela. O mundo de Renée ficou pequeno, do tamanho do apartamento de três quartos, despovoado, engessado num tempo sem fim, frio, apesar do sol que insiste em penetrar pela janela.