Nós, os novos, seremos velhos um dia. Essa é mesmo a melhor saída para a nossa vida, sinal de que atingimos uma sabedoria maior, prémio por termos alcançado o topo da hierarquia da existência. Não é o tempo que nos faz auferir esse estatuto, mas o tempo dá-nos mais tempo para fazermos alguma coisa com ele e assim aprender para saber mais.
Ninguém sabe mais do que um velho. Ao lado do seu avô, um doutorado é um ignorante e, se afirmar saber mais do que aquelas duas gerações de diferença, é um ignorante imbecil. É o que não falta entre nós, os novos. Dá-se mais valor ao que se aprende nas faculdades do que ao que se aprende na vida, dá-se mais valor à teoria do que à prática. Coitados de nós. E depois não nos lembramos da idade, achamos que nos passa ao lado e por isso não reconhecemos aos velhos o estatuto de sábios e o respeito que lhes é devido. Somos imbecis. A maior parte de nós é tonta. Só isso justifica o abandono. Um velho é um mapa de conhecimento, tem dentro dele muitas estradas principais, muitas vias secundárias e muitos atalhos, muitos becos sem saída, muitas praias, muitos desfiladeiros, muito amor e severas tempestades.
Gustavo Santos, (in ‘O Caminho’ – Portugal, 27/ Mai/ 1977 Life Coach)
Não nasci ontem. Nasci no século passado. Mais precisamente no ano que não terminou: 1968
Posso te garantir: na “minha época” não havia computador pessoal. O “Apple I” foi criado em 1976.
E vou te contar mais: na “minha época” existia um aparelho chamado telefone. Que virou “telefone fixo” e depois… simplesmente sumiu com o surgimento do primeiro celular. Isto ocorreu em 1983, quando o Motorola DynaTAC 8000X passou a ser comercializado. Ele foi criado por Martin Cooper, um engenheiro eletrotécnico norte-americano.
Na “minha época” também não havia a internet como a conhecemos hoje: o primeiro site do mundo foi lançado em 1991 por Tim Berners-Lee, físico do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear, responsável por inventar a World Wide Web (WWW).
Já o Google, também não é da “minha época”. Ele foi ao ar pela primeira vez em 1996. Inicialmente, apenas nos servidores da Universidade de Stanford.
Sim, houve um tempo em que eu vivia sem tudo isto.
Em compensação, vivenciei a queda do Muro de Berlim, o término da Guerra Fria, o fim do apartheid na África do Sul e acompanhei os atentados terroristas de 11 de setembro.
Na “minha época”, a inflação (IPCA/IBGE) do Brasil atingiu 2.477%/ano (1993).
É inacreditável, mas foram 7 tentativas de estabilização econômica apenas entre 1986 e 1993: Cruzado I e II (1986), Bresser (1987), Verão (1988), Collor 1 (1990) e II (1991) e Plano Real (1993).
Enfrentei o congelamento de salários e de preços. E o meu dinheiro foi confiscado de um dia para o outro da minha conta corrente. Conheci várias moedas: Cruzado, Cruzado Novo, Cruzeiro, Cruzeiro Real e Real.
Era uma época em que empresas globais deixavam seu nome na história. Lembra-se da Kodak, do Blockbuster e da Polaroid? Pois é, faliram.
No Brasil, tínhamos a Rede Manchete (eu trabalhei lá!), a Varig, a Vasp, os bancos Nacional e Bamerindus, as lojas Mappin, Arapuã, Sears e Mesbla e os refrescantes sorvetes da Yopa. Todos derreteram…
Naquela época, não falávamos de adaptabilidade. Mas quem não inovou, quebrou. Não havia o termo “aprendizado contínuo”. Mas quem não se reinventou, desapareceu.
Como dizia Aldous Huxley, autor de “O Admirável Mundo Novo”,
“Experiência não é o que te acontece; é o que você faz. com o que te acontece”. Nós, os 50+,
Erramos e aprendemos. Vivemos e sobrevivemos.
Tivemos filhos. O meu casal de gêmeos chegou no dia 22/11/00.
Vimos o conhecimento amadurecer e a experiência chegar.
já afirmava Albert Camus, “Prêmio Nobel de Literatura”:
“Não se pode criar experiência. É preciso passar por ela”, E agora?
Percebi que a “minha época” também é agora: quero continuar produzindo, criando, contribuindo e fazendo acontecer.
Não nasci ontem, mas aprendi a substituir…
A máquina de escrever pelo laptop.
O telefone fixo pelo Whatsapp.
O rádio pelo podcast.
A fita cassete pelo Spotify.
A fita de vídeo pelo streaming.
A TV pelo YouTube.
O livro pelo e-book.
Os anúncios impressos pelo e-commerce.
Os classificados pelo Linkedin (ops, me tornei “Top Voice”!).
As cartas e o fac-símile pelas mensagens virtuais.
Os congressos presenciais pelas lives.
A enciclopédia pelo Google Acadêmico.
O texto pelo post.
O conteúdo pelo… ah, este sempre será um diferencial!
Descobri que “estar na nuvem” não significa apenas sonhar.
E que “viral” é mais do que um termo da medicina, ele também se aplica no marketing.
Passei a ouvir frases como:
“Você está me ouvindo?”, “Você está me vendo?”
“Na minha época”, estas questões eram restritas aos relacionamentos conjugais ou a consultórios psicológicos…
Hoje, estas são perguntas frequentes no mundo corporativo.
Dentro e fora da telinha, independente de onde cada um está.
Mas, enquanto alguns se restringem ao enquadramento padronizado, e ficam à mercê da imprevisível oscilação, outros buscam atualizar o hard e o soft, tornar a comunicação mais segura e implementar uma forte rede de conexões.
Lewis Carroll nos ensina:
“Se você não sabe onde quer ir, qualquer caminho serve”.
O mapa impresso e estático, “da minha época”, cedeu lugar ao palpiteiro GPS; mas sou eu quem continuo tendo a responsabilidade de traçar o caminho que quero seguir.
Posso (e devo) alterar a rota sempre que julgar conveniente.
Não nasci ontem.
Quero continuar me reinventando o tempo todo.
Quero continuar aprendendo e me adaptando.
Quero continuar sendo visto e ouvido.
Quero produzir erros novos e evitar os já cometidos.
Quero ter uma vida saudável, equilibrada e com propósito.
Quero comemorar minhas “Bodas de ouro” e curtir os meus gêmeos, que vão completar 21 anos no dia 22/11/2021.
Ontem, presenciei fatos marcantes da história.
Hoje, troco conhecimentos e experiências com as minhas eternas “crianças”.
Amanhã, espero que se orgulhem do legado que estamos construindo juntos.
Nasci no século passado, mas agora também é a “minha época”. Vivo intensamente cada ano. que também não terminou.
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Achei muito interessante este texto publicado na coluna de Mauro Wainstock na revista EXAME/Bússola
Mauro Wainstock possui 30 anos de experiência em Comunicação. É Linkedin Top Voice, colunista da revista EXAME/Bússola, atua como mentor de executivos sobre marca profissional e é sócio-fundador do HUB 40+, consultoria empresarial focada no público acima dos 40 anos.
Não sou feita desse ferro que não se desgasta! Não tenho as garras afiadas de uma fera, nem respiro fogo como um dragão. Sou esta mulher que já engoliu muitos sapos e que tantas vezes virou as costas à realidade. Sofri para não magoar, curei dores que não me pertenciam e esqueci-me tratar os meus males. Cresci ao som das tristezas e os sonhos para mim foram companheiros de lágrimas, que me habituei a educar. Fiz desse mar de lágrimas o mar revolto onde por vezes soube navegar! A vida nem sempre me deu doces, mas demasiadas vezes me presenteou com limões amargos. Por isso, eu aprendi a sofrer e fui bebendo desse veneno que não me conseguiu derrubar. Não sou forte o tempo todo, sou mais frágil do que pensam. Sou feitas de todas estas fragilidades, desses retalhos que fui costurando durante toda a vida, para resistir ao frio da tempestade que soprou, mas nem assim me derrotou. Eu não sou forte, mas a fragilidade de existir fez de mim uma guerreira.”
Recebi este texto (de autoria desconhecida) em um grupo que frequento da terceira idade. Me trouxe muitas reflexões, quis compartilhar pra vcs. Leiam:
Antigamente na escola havia os: “burros”… “gordos”… “quatro olhos ou caixa de óculos”… “sem sal”… “pretos”… “japonêses”… “indianos”… “artolas”… “maricas”… etc. Os “burros” chumbavam! Não se tornavam doutores como hoje em dia. Mas a fasquia era definida pelo marrão da turma! Não era nivelada por baixo como agora. Somos todos iguais… diz-se! Antes não parecia que fossemos! Mas o “gordo” também tinha notas brutais e ninguém sabia como! Talvez porque não jogasse à bola! O “quatro olhos” tinha um sentido de humor inigualável, mas não fazia corridas pois tinha medo de cair! O “preto” jogava à bola como ninguém e fazia uns dribles inimaginável! Tinha um físico fora do comum! O “japonês” tinha vindo de outra escola, sabia muito o inglês e tinha histórias que não lembravam a de ninguém. Cada um tinha um «defeito», até um apelido… uma alcunha! Mas tinha ou lutava por ter também outras qualidades. Hoje não. Dizem que somos todos iguais. Agora, tudo ou é bullying… ou racismo… ou xenofobia… ou opressão… ou assédio… ou violência!
Antigamente, quando se era mesmo racista, levava-se um “chapadão” na tromba e aprendia-se logo que o “preto” era como nós outros! Apenas tinha cor diferente. E não era bullying!… Era “aprendizagem on job”. Aprender assim era duro pois doía e não se esquecia mais. E às vezes em casa com os pais também, se “aprendia”… e como. O exemplo era seguido. O menino ou menina “sem sal” passava despercebido(a) e sentia-se sozinho(a). Ter uma “alcunha” (apelido) diferente era de praxe. Muito comum… A diferença era vista com bons olhos. E aprendia-se algumas coisas importantes: 🤔 Rirmos de nós próprios. E não “chorarmos” porque alguém nos chamou isto ou aquilo. Assumia-se a gordura… o “esquelético”… o “quatro olhos”… e tudo o mais que viesse. Mas quando não se estava bem, quando não se gostava do apelido, fazia-se uma coisa importante:
🤩mudava-se, lutava-se por acabar com ela. Não se culpava os outros nem a sociedade.
🥺Não se faziam “queixinhas”! E falhava-se … Muitas vezes! Mas cada vez que se falhava ficava-se mais forte. E sabíamos que era assim. Que havia uns que conseguiam, outros ficavam para trás, que havia quem vencia e quem falhava.
Agora não… Todos somos iguais, há mesmo a chamada igualdade de gênero! Todos somos bons… todos merecemos… todos temos as mesmas oportunidades… todos devemos até ganhar o mesmo… todos somos vítimas… todos somos oprimidos… e todos somos parvos… porque aceitamos este ambiente do “politicamente correcto” sem dizer nada….. e até devemos dizer que somos “normais”.
Segundo o novo paradigma social, devem ter muito cuidado comigo, porque:
🙄 Sou velho ou quase… tenho mais de 50 anos… e quando chegar à aposentadoria, se chegar a tê-la, o que vai fazer de mim um tolo… improdutivo… que gasta estupidamente os recursos do Estado;
🤔 Nasci branco, o que me torna um racista;
🤔 Não voto na esquerda radical, o que me torna fascista;
🤔 Sou hetero, o que me torna um homofóbico;
🤔 Possuo casa própria, o que me torna um proprietário rico (ou talvez mesmo um latifundiário);
🤔 Gosto de cordeiro de leite, … o que me torna um abusador de animais;
🤔 Sou cristão e, embora não praticante, sou um infiel aos olhos de milhões de muçulmanos;
🤔 Não concordo com tudo o que o Governo faz, o que me torna um reaccionário;
🤔 Gosto de ver mulheres bonitas bem vestidas (ou despidas), ou super decotadas, o que me torna um tipo capaz de assediar;
🤔 Valorizo a minha identidade brasileira, de descendência portuguesa e a minha cultura europeia e ocidental, o que me torna um xenófobo;
🤔 Gostaria de viver em segurança e ver os infractores na prisão, o que me torna um desrespeitador dos direitos “fundamentais” protegidos;
🤔 Conduzo um carro a gasolina, a diesel, o que me torna um poluidor, contribuindo para o aumento de CO2;
Apesar de estes defeitos todos, acho que ainda sou feliz… era mais antes da pandemia… mas mesmo assim… considero-me um gente boa e muito feliz.
Para chegar onde cheguei, tive que ser forte, aliás tive que aprender a ser forte e para isso passei grandes tempestades, engoli muita coisa, esqueci outras, passei por cima de tantas e tantas outras. Em determinados momentos me vi obrigada a construir meu próprio muro e ser a minha própria muralha. Se não bastasse, fui obrigada a andar de salto alto com todas as pedras que tinham meu caminho e ainda a driblar todas as outras que me foram aremessadas. Ensinei meus ouvidos a ouvirem somente aquilo que interessava e que fosse útil, ensinei minha boca a falar somente o necessário e quando fosse realmente necessário, meus pensamentos? Guardei, ocultei e escondi em um compartimento onde só eu e Deus temos acesso. Por isso caro (a) amigo (a) não me julgue e nem aremesse pedras, você não viveu o que eu vivi, você não passou o que eu passei, você não sabe o quanto eu tive que combater para chegar até aqui e nem mesmo sentiu na pele o que eu senti. Antes de você falar de mim, volte no tempo e faça a mesma estrada que eu fiz, ai sim, você terá condições de dizer algo a meu respeito. A vida é assim. Está sempre em movimento ⭐️ Recentemente comemorei meu aniversário. Gosto muito de brindar 🙏🏻 🙌🏻 😉 🥂 By Priscilla Rodighiero . .
Gostei muito deste texto de Gustavo Gitti, além da identificação me fez representada em eu olhar… e em sua escrita. Leiam:
Não…. Não há nada lá fora!!! Ao sair de casa, não saímos de nossas mentes: a cidade é inseparável do nosso mundo interno. Interno e externo se encontram… Desde que li “As Cidades Invisíveis”, obra-prima do escritor italiano Italo Calvino, tenho certeza de que nós não andamos por calçadas, linhas de metrô, casas e restaurantes. Percorremos mundos sutis. Para uma amiga, por exemplo, a Rua Maestro Cardim, em SP, nasceu quando sua filha ficou internada em um hospital ali. O local, antes ignorado, ganhou marcas negativas e depois virou a rua onde ela pratica meditação, no centro budista do outro lado, toda quinta. A maioria dos seres que passam por lá vê apenas mais uma rua, não aquela do silêncio. E quem cruza o shopping para meditar não entende bem qual o sentido de dedicar um templo tão grande ao consumismo. Nesse sentido, o shopping e a sala de meditação não estão exatamente na rua: eles estão em nosso mundo interno. Vê quem tem olhos. Se não reconhecemos os ambientes mentais surgindo coemergentes aos espaços urbanos, deixamos a cidade nos oprimir, especialmente hoje, habitando o que o antropólogo francês Marc Augé chama de “não-lugares”: aeroportos, rodovias, cadeias de hotéis, redes de fast-food, supermercados… Tais espaços desumanizados (não históricos, não identitários, não relacionais, indistintos em todos os cantos do planeta) são como um limbo: estamos suspensos, nem em casa nem no estrangeiro, nem sozinhos nem com outros. Neles, somos treinados a trombar com muita gente sem ver ninguém como pessoa. Precisamos circular, não podemos repousar,o que nos impede de tecer relações além da indiferença.
Porque nosso mundo se estreita, mais facilmente jogamos lixo naquilo que não sentimos como sendo nosso, mais isolados nos sentimos. Além de mudar as condições externas (políticas e arquitetônicas, por exemplo), um dos atos mais revolucionários é apenas andar consciente, sem tensão, sem tanta pressa, com o olhar aberto em 180 graus, respirando com consciência, olhando nos olhos de quem passa por você. Em vez de tratar seres humanos como obstáculos no metrô, você reconhece cada pessoa envolvida em seu próprio mundo. O cara no celular, a mulher sonolenta, o casal, os amigos com sacolas e mil expressões faciais… Todos buscando a mesma felicidade, todos sem saber como. Muito próximos e incrivelmente distantes, como se houvesse um pacto de não prestar atenção um no outro. O que aconteceria se todo mundo acordasse em um vagão de metrô, quebrasse a seriedade artificial e se olhasse de verdade? Como seria a vida urbana se iluminássemos nossas cidades invisíveis?
GUSTAVO GITTI trabalha com métodos de transformação pelo ritmo e pelo silêncio. Seu site é gustavogitti.com
Eu sempre acreditei que em meio as guerras Deus nos prepara e ensina, e isso eu já pude comprovar em diversas situações da minha vida. Não nascemos prontos, essa é a verdade, e a medida que crescemos, os nossos sonhos crescem junto com a gente, e as nossas batalhas aumentam também. Ao mesmo tempo que a vida nos surpreende, ela assusta, e os nossos passos em direção a tudo que almejamos de bom se tornam perturbadores aos ouvidos dos nossos adversários.
Viver está além de um abrir dos olhos pela manhã e desejar um bom dia a alguém, porque ninguém sabe das nossas lutas particulares, dos nossos compromissos, das nossas contas vencidas, nem tampouco do nosso esforço em se manter sempre firme diante das circunstancias que vez ou outra tentam nos derrubar emocionalmente. Uma das maravilhas que Deus me disse por esses dias foi: Filha, podem puxar o seu tapete, mas o seu chão ninguém tira. Podem te arrancar a força, mas a fé é algo que foi construído entre mim e ti e nisso ninguém pode tocar. O que eu quero que você entenda é que nada que a gente conquista vem de mãos beijadas para nós. Há suor, há choro, há oração, há quedas, há feridas, há uma história que merece ser respeitada e que se ficarmos tão apegados às coisas ruins que tentam nos parar não desfrutaremos do melhor que conquistamos.
Se continuarmos morando no passado, remoendo o mal que o outro nos fez, ou aquilo que não deu certo para nós por um erro que cometemos não alcançaremos o melhor que tanto almejamos. Se desapega do que aprisiona a sua alma, e se dê uma nova oportunidade de ser feliz. Perdoe, se perdoe, e faça a sua vida valer a pena sem carregar pesos desnecessários. Há muito que se construir, há muito que se conquistar. Se levante, e se dê uma chance de recomeçar.
Uma pessoa envelhece lentamente: primeiro envelhece o seu gosto pela vida e pelas pessoas, sabes, pouco a pouco torna-se tudo tão real, conhece o sginificado das coisas, tudo se repete tão terrível e fastidiosamente. Isso também é velhice. Quando já sabe que um corpo não é mais que um corpo. E um homem, coitado, não é mais que um homem, um ser mortal, faça o que fizer… Depois envelhece o seu corpo; nem tudo ao mesmo tempo, não, primeiro envelhecem os olhos, ou as pernas, o estômago, ou o coração. Uma pessoa envelhece assim, por partes. A seguir, de repente, começa a envelhecer a alma: porque por mais enfraquecido e decrépito que seja o corpo, a alma ainda está repleta de desejos e de recordações, busca e deleita-se, deseja o prazer. E quando acaba esse desejo de prazer, nada mais resta que as recordações, ou a vaidade; e então é que se envelhece de verdade, fatal e definitivamente. Um dia acordas e esfregas os olhos: já não sabes porque acordaste. O que o dia te traz, conheces tu com exactidão: a Primavera ou o Inverno, os cenários habituais, o tempo, a ordem da vida. Não pode acontecer nada de inesperado: não te surpreeende nem o imprevisto, nem o invulgar ou o horrível, porque conheces todas as probabilidades, tens tudo calculado, já não esperas nada, nem o bem, nem o mal… e isso é precisamente a velhice.
Sándor Márai (in ‘As Velas Ardem Até ao Fim’, Hungria
Hoje completo 65 anos 🥂. Passou tudo tão rápido, num piscar de olhos. Esta carta de José Carlos fala sobre a Infância e todas as idades… “Divertida idade” é maravilhosa e me representa muito. Foi entregue a familiares dele quando ele completava 60 anos. Leiam:
A Divertida idade existe, ela acon- tece a partir do nascimento e recebe o nome de infância. O bebê ainda no ventre materno já tem percepções sobre o universo que o cerca e será cenário de sua existência. Os avós se fazem presentes e participam dessa aventura familiar com muita intensidade. Após o nascimento, começa a fase essencial para vivencias que vão permear a vida inteira do ser humano. É nessa etapa em que os sonhos devem ser possíveis e se constroem no imaginário ético e estético, através do despertar da curiosidade, contemplação, exercício da imaginação, fantasia, ludicidade, protagonismo e aprendizagem!
Com experiências significativas que possibilitem a criatividade na ação inter- geracional, e com ludicidade, as crianças interagem e brincam com seus avós, sábios e vividos, que marcam sua infância. A partir de contação de histórias, produção de brinquedos com materiais disponíveis e simples, brincadeiras de rodas e cantigas, manuseios de objetos e álbuns de fotografias da época em que foram crianças, memórias afetivas serão res- gatadas e compartilhadas com os pequenos, criarão repertório e enriquecerão a cultura, a história de vida dessas crianças que tem o privilégio de conviverem com seus avós, que trazem à elas a noção de sua primeira sociedade, no mundo em que atuarão como cidadãos.
Para desenvolvimento saudável dessa infância, o mundo precisa ser visto como Belo, avós podem estar por perto e junto aos pais revelarem aos netos esse mundo onde vale a pena viver. Dessa forma norteando a criação e educação do importante ser para que ele Seja!
Avós também podem colaborar na criação dos netos e exercer seu papel de forma significativa, atribuindo a uma educação humanizada, os pilares que sustentam relacionamentos sociais: tolerância, autonomia, amor e claro, criatividade para quando um desses três falta.
A infância é morada da criatividade! É nessa fase da vida, durante os dois primeiros setênios em que a fantasia e a descoberta se tornam naturalmente mais potentes; é quando o ser humano se constrói e modela sua moral, desperta para autonomia, percebe-se e protagoniza para toda sua existência. Valores éticos, estéticos e poéticos oferecidos nessa experiência concreta, promovem desenvolvimento sensível, evocando importantes pilares na formação da criança.
Avós podem colaborar na criação dos netos e exercer seu papel de forma significativa, atribuindo a uma educação humanizada, que sustentam relacionamentos sociais: tolerância, autonomia, amor e claro, criatividade para quando um desses três falta.
Todos os seres humanos recebem como dádiva uma porção de criatividade. Mas só isso não basta, é necessário desenvolvê-la. As crianças criativas são como crias em seus ninhos, que precisam apreender a voar… para isso deve haver espaço na “casinha de dentro e na de fora”, para desenvolvimento des- sa criatividade na infância, alçando vôs que cheguem perto dos horizontes, coloridos e cheinhos de propósito. Os pequenos criam, percebem, contemplam, sentem, ouvem, cheiram, tocam e pensam, fazem seus experimentos, pesquisam, constroem, vivem! Na condução de um avô como referência, participando dessa infância com ternura e afeto, é possível a construção da criatividade para arte do convívio intergeracional. Esse percurso não poderia ser iniciado em outro tempo, se não na infância! e que seja ela presente em todas as idades, com vozes, risos, versos, poesias e canções, para estar viva em todas as idades.
José Carlos – Uma carta escrita por ele e endereçada aos seus familiares e amigos, que participaram da comemoração dos seus 60 anos.
“Sou Feita de Retalhos” de Cris Pizziment me representa muito. Hoje é aniversário do meu filho que mora fora do país. Parabéns meu amor 💫⭐️. Queria contar pra ele que somos feitos de muitas histórias… momentos e lembranças… que fazem o que somos hoje.
“Sou feita de retalhos. Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou.
Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior… Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade… Que me tornam mais pessoa, mais humana, mais completa.
E penso que é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se tornando parte da gente também. E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados… Haverá sempre um retalho novo para adicionar à alma.
Portanto, obrigada a cada um de vocês, que fazem parte da minha vida e que me permitem engrandecer minha história com os retalhos deixados em mim. Que eu também possa deixar pedacinhos de mim pelos caminhos e que eles possam ser parte das suas histórias.
E que assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de ‘nós’”.