VIVER APESAR DE…

Clarice Lispector sempre me encanta com o texto: Viver… Apesar de…

Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi o apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.

ASSIM EU VEJO A VIDA…

Cora Coralina tem uma crônica sobre a vida que eu adoro. Leiam:

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

A IDADE DE SER FELIZ!

Esta crônica de Geraldo Eustáquio de Souza (e Letícia Lanz) eu adoro. Me identifica muito. Leiam:



Existe somente uma idade para a gente ser feliz
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-los
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos

Uma só idade para a gente se encantar com a vida
e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo nem culpa de sentir prazer

Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida
à nossa própria imagem e semelhança
e sorrir e cantar e brincar e dançar
e vestir-se com todas as cores
e entregar-se a todos os amores
experimentando a vida em todos os seus sabores
sem preconceito ou pudor

Tempo de entusiasmo e de coragem
em que todo desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta com toda a disposição de tentar algo novo,
de novo e de novo, e quantas vezes for preciso

Essa idade, tão fugaz na vida da gente,
chama-se presente,
e tem apenas a duração do instante que passa …
… doce pássaro do aqui e agora
que quando se dá por ele já partiu para nunca mais!

SENTA AQUI AO MEU LADO…

E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras.

Me sentei com Ana Jácomo confortavelmente.

DEIXE-ME ENVELHECER…

Deixem-me envelhecer sem compromissos e cobranças,
Sem a obrigação de parecer jovem e ser bonita para alguém,
Quero ao meu lado quem me entenda e me ame como eu sou,
Um amor para dividirmos tropeços desta nossa última jornada,
Quero envelhecer com dignidade, com sabedoria e esperança,
Amar minha vida, agradecer pelos dias que ainda me restam,
Eu não quero perder meu tempo precioso com aventuras,
Paixões perniciosas que nada acrescentam e nada valem.
Deixem-me envelhecer com sanidade e discernimento,
Com a certeza que cumpri meus deveres e minha missão,
Quero aproveitar essa paz merecida para descansar e refletir,
Ter amigos para compartilharmos experiências, conhecimentos,
Quero envelhecer sem temer as rugas e meus cabelos brancos,
Sem frustrações, terminar a etapa final desta minha existência,
Não quero me deixar levar por aparências e vaidades bobas,
Nem me envolver com relações que vão me fazer infeliz.
Deixem-me envelhecer, aceitar a velhice com suas mazelas,
Ter a certeza que minha luta não foi em vão: teve um sentido,
Quero envelhecer sem temer a morte e ter medo da despedida,
Acreditar que a velhice é o retorno de uma viagem, não é o fim,
Não quero ser um exemplo, quero dar um sentido ao meu viver,
Ter serenidade, um sono tranquilo e andar de cabeça erguida,
Fazer somente o que eu gosto, com a sensação de liberdade,
Quero saber envelhecer, ser uma velha consciente e feliz!!!

Adoro esta crônica de Concita Weber

O TEMPO!

“O tempo pode rabiscar o teu rosto.
Pode pratear os teus cabelos.
Mas não deixes que o tempo te apague o viço.
Nem te adormeça o riso.

Conserva o teu jeito de olhar macio.
A tua capacidade de sonhar.
Guarda em ti as vontades mais absurdas.
Os desejos mais infantis.
Conserva a tua poesia, o teu amor proibido.

Reserva também a tua indignação, a tua rebeldia.
Guarda a tua teimosia.

Não te acomodes com as voltas do tempo.
Renova-te a cada manhã, a cada pão.

Por dentro, não deixes que o tempo te roube a vida.” Assim eu caminho…

(Texto de Ana Luiza Fireman)

MEU MUNDO!

”Construa seu mundo com aquilo que ele te oferece, colocando você mesmo as cores que quiser. Não dependa dos outros para ser feliz ou infeliz, mas viva a sua vida como verdadeiro dono dela.


O poder de ser feliz ou infeliz está nas suas próprias mãos. Cabe a você saber com que intensidade vai viver isso.”
(By Letícia Thompson)

O TEMPO PASSOU…

O tempo passou. Não sei dizer se lenta ou apressadamente. Ou se simplesmente ao seu tempo.

Olhando para trás há tantas memórias, histórias, realizações. Meio século e pouco na medida comum de tempo.

Fiz muito neste tempo. Deixei de fazer zilhões também.  Perdi tempo com muitos medos, mas economizei tempo com as certezas. Perdi tempo em muitos vazios. Ganhei tempo com filhos. Gastei tempo trabalhando. Entretanto, ganhei tempo experimentando.

Fui consumida com o tempo de reuniões infindáveis, fui recompensada neste tempo conhecendo gente interessante. Passei muito tempo chorando por amores não correspondidos e ao fim economizei tempo conhecendo aprendendo a reconhecer o caráter das pessoas. Briguei com o tempo para cumprir prazos. Fui premiada com tempo livre ao terminar antecipadamente algumas obrigações.

Com tudo isso, o tempo se incumbiu, ele mesmo, de ditar seu ritmo. Muitas vezes o minuto levava horas. Outras tantas, as horas passavam num piscar de olhos. O que é o tempo, nem sei dizer, mas sei que ele passou. Sinto que sim, confirmo na pele, no espelho e nas fotos. Entretanto, o aguardo incessantemente.

Nesse tempo futuro ainda busco outros tantos tempos. Desejo ter tempo para novas experiências em assuntos nunca antes aventurados, ou naqueles que me justificava em não fazer, argumentando prontamente a falta de tempo.

Quero outro tanto de tempo para descobrir o mundo fora da minha caixa de certezas. Tempo para conhecer novas culturas, pontos de vista originais e diferentes realidades. Tempo para digerir estes novos aprendizados e tempo para florescer internamente com o aprendido.

Tempo para reconhecer tempo ocorrido. Tempo para reconhecer a finitude do meu próprio tempo neste plano.

Este tempo medido em tique-taques é completamente diferente do tempo medido em ritmo cardíaco ou respiradas conscientes. Preciso de algum tempo para definir a medida de tempo que me é mais apropriada.

O tempo do tique-taque é contínuo, igual. Não apressa. Não atrasa. O tempo das batidas do coração é comandado por sentimentos, sustos, incertezas e alegrias. Pode ser  louco, desconcertante; e em outras situações, tranquilo e relaxante. Descompassado, dançante. Apaixonado, inebriante. Seu bater inconstante é divertido e assustador. Pode ser visto por todos. Por fadiga, na respiração pesada e no rubor.

Preciso de mais tempo pra conhecer novas pessoas e para manter as queridas até agora. Preciso de tempo para o mar e para amar. Para calmamente olhar para o céu, e, sem pudor dançar na chuva, descalça, rodopiando.

Nesse tempo futuro aproveitar o agora. O presente. Cada tiquinho de tempo como se fosse o último. E, lá na frente, na despedida poder  escrever: Sim, meu tempo foi perfeito.

*Publicado em 18/09/2017 no site osegredo.com.br – o tempo passou

A VIDA É AQUI E AGORA.

“Esta vida vai passar rápido, não brigue com as pessoas, não critique tanto seu corpo. Não reclame tanto. Não perca o sono pelas contas. Não deixe de beijar seus amores. Não se preocupe tanto em deixar a casa impecável. Bens e patrimônios devem ser conquistados por cada um, não se dedique a acumular herança. Deixe os cachorros mais por perto. Não fique guardando as taças. Use os talheres novos. Não economize seu perfume predileto, use-o para passear com você mesmo. Gaste seu tênis predileto, repita suas roupas prediletas, e daí? Se não é errado, por que não ser agora? Por que não dar uma fugida? Por que não orar agora ao invés de esperar para orar antes de dormir? Por que não ligar agora? Por que não perdoar agora? Espera-se muito o Natal, a sexta-feira, o outro ano, quando tiver dinheiro, quando o amor chegar, quando tudo for perfeito… Olha, não existe o tudo perfeito. O ser humano não consegue atingir isso porque simplesmente não foi feito para se completar aqui. Aqui é uma oportunidade de aprendizado. Então, aproveite este ensaio de vida e faça o agora…

Ame mais, perdoe mais, abrace mais, viva mais intensamente e deixe o resto nas mãos de Deus.”
(Texto de Marcela Taís)

MEMÓRIAS AFETIVAS… NOSSAS MELHORES LEMBRANÇAS.

Se perguntarmos para muitos dos leitores qual o lugar que traz mais memórias afetivas, boa parte deles responderá que é a cozinha. Os odores, sabores e a constância à mesa serão as referências. Pode ser a cozinha da própria casa, da avó, de tios distantes. Porém, se a pergunta for quanto ao móvel que traz esta lembrança afetiva, a mesa será a campeã.

Acredito que muitos têm boas histórias para contar cujo enredo se dá em torno de uma mesa. Nem sempre pela comida farta, pratos luxuosos ou requintados. Todo mundo tem uma história de pão com ovo, uma sopa ou qualquer coisa tão simples quanto, aquecendo o coração.

A memória de estar ao redor da mesa da cozinha enquanto  se aguardava a comida, se escolhia o arroz, ou se assistia a mágica da mistura de farinha, ovos, sal e leite e dali surgirem bolos e doces.

Outros devem ter memórias do tempo que se divertiam com os amigos à mesa em um jogo de baralho ou mesmo de tabuleiro. Aquele tempo que passava sem que ninguém desse conta do adiantado da hora. Lembrança de gente rindo; do blefe; do grito de truco. Ou ainda dos amigos sisudos concentrados nas cartas até que um dos jogadores desanda com o jogo ao fazer uma piada da situação.

Quem nunca esteve numa mesa a dois, mãos dadas sobre ela, quase repetindo a cena de ‘A dama e o Vagabundo’, como o casal canino dividindo a macarronada e terminando em um  beijo por estarem comendo o mesmo fio de macarrão?  Não precisa haver velas, guardanapos de tecido e flor de centro. Apenas amor. Amor, carinho e unidade representados na fartura de conversa olho no olho, solta e franca, entremeada de risada, projetos e dedicação integral um ao outro.

Há quem possa mencionar ainda as memórias criadas em torno de mesas de bar, confraternizando com os amigos. Lembranças muitas vezes impublicáveis, mas que ganham ares de lenda, pois são recontadas e recriadas em todos os encontros depois de certo tempo de amizade com reverência e solenidade, ainda que seu conteúdo possa ser “proibido para menores”.

Minhas melhores lembranças de família são em torno de mesas. Ainda que estivéssemos sentados na cozinha bebendo água. Não era pela comida. Era pelo poder agregador que ela trazia. A possibilidade de se colocar os cotovelos nela e poder segurar o queixo com as mãos enquanto escutava as histórias das minhas irmãs, tias, primos. Ou ainda deitar a cabeça nos braços e continuar a participar da escuta. Foram milhares de conversas iniciadas muitas vezes no lanche da tarde e quando percebíamos estava anoitecendo, sem que houvéssemos parado de conversar.

Foram conversas em torno da mesa baixa na varanda da casa da praia durante um jogo de buraco. São lembranças usando uma banqueta como mesa enquanto tomávamos sol na praia e vinha o rapaz gritando – Olha o mate! Olha o sorvete! Conversas ao redor da mesa na cantina da faculdade enquanto matávamos aula (pouquíssimas vezes).

Conversas com meus filhos enquanto faziam a lição da escola na mesa da sala.

Estou aqui, na mesa do escritório, tentando me lembrar de porque resolvi escrever sobre mesas e lembranças. Me dei conta de que foi numa mesa com alguns amigos que não via há tempos. Pela sensação que tive de que parecia somente um instante desde o último encontro. Do tanto que rimos, contamos casos e criamos planos para viagens futuras.

Durante um tempo eu fiquei analisando a cena. Não julgando. Simplesmente desfrutando de tamanha amizade e criando mais memórias. Reforcei em meu coração o porquê de gostar tanto deles e o quanto espero podermos estar novamente sentados ao redor de uma mesa, com a mesma vibração.

*Publicado em 20.05.18 no site osegredo.com.br – Memórias afetivas, nossas melhores lembranças