NÃO HÁ NADA LÁ FORA!!!

Gostei muito deste texto de Gustavo Gitti, além da identificação me fez representada em eu olhar… e em sua escrita. Leiam:

Não…. Não há nada lá fora!!! Ao sair de casa, não saímos de nossas mentes: a cidade é inseparável do nosso mundo interno. Interno e externo se encontram… Desde que li “As Cidades Invisíveis”, obra-prima do escritor italiano Italo Calvino, tenho certeza de que nós não andamos por calçadas, linhas de metrô, casas e restaurantes. Percorremos mundos sutis. Para uma amiga, por exemplo, a Rua Maestro Cardim, em SP, nasceu quando sua filha ficou internada em um hospital ali. O local, antes ignorado, ganhou marcas negativas e depois virou a rua onde ela pratica meditação, no centro budista do outro lado, toda quinta. A maioria dos seres que passam por lá vê apenas mais uma rua, não aquela do silêncio. E quem cruza o shopping para meditar não entende bem qual o sentido de dedicar um templo tão grande ao consumismo. Nesse sentido, o shopping e a sala de meditação não estão exatamente na rua: eles estão em nosso mundo interno. Vê quem tem olhos. Se não reconhecemos os ambientes mentais surgindo coemergentes aos espaços urbanos, deixamos a cidade nos oprimir, especialmente hoje, habitando o que o antropólogo francês Marc Augé chama de “não-lugares”: aeroportos, rodovias, cadeias de hotéis, redes de fast-food, supermercados… Tais espaços desumanizados (não históricos, não identitários, não relacionais, indistintos em todos os cantos do planeta) são como um limbo: estamos suspensos, nem em casa nem no estrangeiro, nem sozinhos nem com outros. Neles, somos treinados a trombar com muita gente sem ver ninguém como pessoa. Precisamos circular, não podemos repousar,o que nos impede de tecer relações além da indiferença.

Porque nosso mundo se estreita, mais facilmente jogamos lixo naquilo que não sentimos como sendo nosso, mais isolados nos sentimos. Além de mudar as condições externas (políticas e arquitetônicas, por exemplo), um dos atos mais revolucionários é apenas andar consciente, sem tensão, sem tanta pressa, com o olhar aberto em 180 graus, respirando com consciência, olhando nos olhos de quem passa por você. Em vez de tratar seres humanos como obstáculos no metrô, você reconhece cada pessoa envolvida em seu próprio mundo. O cara no celular, a mulher sonolenta, o casal, os amigos com sacolas e mil expressões faciais… Todos buscando a mesma felicidade, todos sem saber como. Muito próximos e incrivelmente distantes, como se houvesse um pacto de não prestar atenção um no outro. O que aconteceria se todo mundo acordasse em um vagão de metrô, quebrasse a seriedade artificial e se olhasse de verdade? Como seria a vida urbana se iluminássemos nossas cidades invisíveis?

GUSTAVO GITTI trabalha com métodos de transformação pelo ritmo e pelo silêncio. Seu site é gustavogitti.com

VOU ESCOLHER SEMPRE A MINHA VIDA COMO LUGAR DE SEMENTE…

Tem um texto que gosto muito de um amigo – De Valter Hugo Mãe ( Portugal) para Marcelino Freire ( Brasil) – Sentimentos do Ano 2 da Pandemia, que me toca muito e me faz refletir sobre tantas coisa, leia:

Marcelino, tenho medo de voltar ao seu país porque cresci relutante para ser adulto e sei que me mantenho em tantas coisas apenas uma criança. Julgo que saio à rua ainda com a alegria de encontrar alguém com quem, de algum modo, possa pressentir a alegria que existia quando estávamos apenas a brincar. Eu não sei estar sozinho. Não aprecio a solidão, gosto das pessoas e não há como curar minha natureza para gostar delas. Mas agora tenho medo do seu país que eu amo. Fiquei toda a vida sonhando ser português e brasileiro, para pertencer a Machado de Assis e Fernando Pessoa. Sonhei que meu orgulho teria papel passado, como quem casa consciente, dedicado, de amor profundo, para toda a eternidade. Eu não previ este medo. Fico desolado. Estão proibindo as pessoas de serem negras, Marcelino, proibiram de ser mulheres, Marcelino, agora decidiram proibir de ser criança e eu sabia que haveria alguma coisa que ainda me pegaria. Por isso, há muito que eu já brigava pelos negros e há muito que eu já brigava pelas mulheres, eu já brigava pelos viados todos e pelas pessoas sem explicação, tanta gente que só é, sem ter muito como entender ou fazer entender, e quer apenas estar em paz. Eu dei de barato tanta coisa sobre a paz que talvez tenha esquecido de estudar corações, o verdadeiro lugar da guerra. Sou muito despreparado. Passei pelo tempo buscando o deslumbre e vi a melhor versão de cada instante, não vi que medravam no escuro as piores intenções, os ódios que inviabilizam a humanidade. Eu, sinceramente, não vi, Marcelino. Caminhei nessas ruas todas, tantos Estados, tantas capitais, e eu não dei conta desse ódio. Notei os sorrisos, o samba, o jeito generoso das garotas e de alguns garotos olhando para minha pouca beleza, eu notei os livros, tanta Literatura maravilhosa e a obra do Tunga e Artur Bispo do Rosário bordando as vestes para alindar seu encontro com Deus.

Marcelino, no Brasil eu senti invariavelmente que Deus era possível. Sabe quando você se depara com algo perfeito e isso só pode ser graça de uma inteligência superior? Eu vi uma arara azul gigante, devia ter mais de um metro, e ela era mesmo um atributo mágico do mundo, estava livre no cimo de uma árvore na floresta amazônica. Naquele encontro, eu consumei tudo, Guimarães Rosa e Elza Soares, Tarsila do Amaral e Fernanda Montenegro mais Marília Pêra e Walter Salles, e Darcy Ribeiro… mais Heitor Villa-Lobos, e Cartola com Cildo Meireles e Adriana Varejão. Mais Gal Costa e Mônica Salmaso e Paulo Freire lendo a mão de Chico César genial. Eu entendi que Brasil significa beleza e uma profunda esperança. Juro. Parecia uma experiência mística, como se algum espírito me informasse e eu virasse um mensageiro sagrado. Eu elogiei o Brasil em todas as ocasiões porque eu acreditei, e acreditei que minha mensagem era sagrada. Você acha que um espírito me enganaria? Viria sobre mim de propósito para me iludir?

Marcelino, eu não consumei minha adultez, sou apenas um menino, fui sempre ao seu país para encontrar mais amigos e brincar um pouco de ser feliz. Lembra de gostarmos tanto de Manoel de Barros? Eu sei exatamente a razão de gostar tanto da poesia de Manoel de Barros. Ele usa pássaro e amigos e seus versos foram os melhores brinquedos. Minha história é rigorosamente igual. Não tinha muito mais. Pais, irmãos, amigos, os pássaros voando, versos. O lugar de guardar tudo é o verso. O único sentido de ter verso é amar gente e cuidar de pássaro livre. Estão atirando sobre as crianças e alguém me diz que apenas as negras, são apenas as crianças negras, mas eu duvido que parem por aí. Nós, as crianças mais claras não estamos na linha do tiro? Nem que seja por vergonha, vamos morrer também se não dissermos nada, se não fizermos nada. E se as crianças negras viraram proibidas, que legitimidade teremos nós? Sabe, Gilberto Freyre explicou tão certinho que os portugueses são os mestiços da Europa. Eu tenho sangue árabe, africano e europeu. Sou uma porção de cada coisa e minha pena é não lembrar, só minhas células sabem.

Não deixe que acabem com a maravilha do Brasil. Se resistirmos, nossa delicadeza vai ser uma lição resplandecente.
Você sabe a razão para rejeitarem os negros para as periferias? Eu não descobri. As casas do centro não têm tamanho para negros? Eles são maiores? Aumentam quando dormem? Quando sonham? Ficam derrubando paredes, perigando as fundações dos prédios? Eu acho que não. Eu vi um moço entrando na livraria à minha frente, coube na porta melhor do que eu. Você acha que tem alguém obrigando a que ele corra para a periferia depois de pagar o seu livro? Eu não posso acreditar. Que pena que eu não falei com ele, devia ter perguntado. Talvez me contasse de como fica infinito sonhando, ao ponto de perturbar o silêncio, tremer o prédio, causar fumo. Você já pensou se nossos sonhos também fizessem isso? Eu ia querer, Marcelino. Eu ia querer que meus sonhos fossem tão grandes. Mas sonho só com a paz. Estar sossegado com minha família e meus amigos. Notar os pássaros voando. Marcelino, façamos uma jura de não morrer durante o plano de nos matarem. Não somos senão ternuras gigantes, guerreiros açucarados, eu entendi que nós precisamos de um pacto poético para embravecer nossa cidadania. Você, que é meu amigo e escritor que tanto admiro, não me falte nunca desse lado. Cuide de Chico Buarque e de Caetano Veloso, por favor, em qualquer cabeça sã do mundo eles representam o Deus possível. Cuide de Maria Bethânia. De Sônia Braga. Diga a Davi Kopenawa e a Ailton Krenak que a floresta vai sempre amá-los, diga que a arara me garantiu. Marcelino, fico ouvindo Rodrigo Amarante e quase ainda acredito em tudo outra vez (Rodrigo é perfeito. Poderia ser a própria arara). Quase perco o medo. Vista também sua roupa de super-herói e sobreviva. Você tem de manter a maravilha do Brasil. Não deixe que acabem com a maravilha do Brasil. Se resistirmos, nossa delicadeza vai ser uma lição resplandecente, e vamos ficar mais belos que os modelos nos filmes gringos. Vamos, sim, Marcelino.

Haveremos de devolver o futuro às crianças. E seremos sempre futuros também. Só quem desistiu passou a ocupar seu canto no passado. Marcelino, reassumo meu compromisso com a esperança. Vou escolher sempre minha vida como lugar de semente. No meu medo, Marcelino, muita coragem vai germinar.

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https://oterceiroato.com/2020/07/31/destas-pedras-construirei-um-castelo/

MULHERAR… É PRECISO!

Acabei de receber da minha amiga Sandra Ferrero, #ameicompartilhei. Estou sentindo falta de mulherar. Neste isolamento só conseguimos papear on-line. Realidade necessária, damos um jeitinho 🤩 pra Mulherar…

As mulheres costumam fazer muitas coisas juntas…
Não é raro vê-las em pares ou em grupo no cinema…fazendo compras… viajando… olhando vitrines… andando no parque…indo a shows… a exposições… almoçando… e tudo isso sem parar de conversar (mulher fala, não?!)…

Romances… relacionamentos… rompimentos… perdas… filhos… profissão… roupas… menstruação… tpm… menopausa… exercícios… sexo etc… assunto é que não falta…
Uma grande amiga minha chama de “sair para mulherar” essas tantas atividades que fazemos juntas enquanto… ao mesmo tempo… vamos falando da vida…

As mulheres trocam confidências… expõem aquilo que vivem e seus conflitos… bordam e tricotam (literal e metaforicamente)…brigam… acompanham e cuidam umas das outras… numa troca recíproca e coletiva…
Nas muitas atividades em companhia das amigas… aparentemente tão triviais… fios da subjetividade de cada uma de nós se entretecem e nos ajudam a virar mulher… a ser mãe… a ser amiga… a casar…a ter filhos… a descasar… a trabalhar… a enfrentar a saída dos filhos de casa… a voltar a namorar… a passar pela menopausa… a envelhecer…a fazer os lutos e tantas outras coisas…
A vida seria muito mais dura se não fossem pelas irmãs-amigas… amigas- irmãs… com as quais podemos falar e elaborar tanto as dores como as delícias que vamos experimentando ao longo da estrada…

“Mulherar” ajuda a fabricar tecido psíquico… um tecido que vai sendo bordado coletivamente… criando novos desenhos e novas formas de pensar e dar sentido às nossas vivências e à nossa história.”

Sentindo falta de “mulherar” 🥰

Obs: Parte do Texto da psicanalista Helena Albuquerque, mestre da USP.

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https://oterceiroato.com/2020/10/09/adaptando-se-ao-envelhecimento/

INFÂNCIA E TODAS IDADES.

Hoje completo 65 anos 🥂. Passou tudo tão rápido, num piscar de olhos. Esta carta de José Carlos fala sobre a Infância e todas as idades… “Divertida idade” é maravilhosa e me representa muito. Foi entregue a familiares dele quando ele completava 60 anos. Leiam:

A Divertida idade existe, ela acon- tece a partir do nascimento e recebe o nome de infância. O bebê ainda no ventre materno já tem percepções sobre o universo que o cerca e será cenário de sua existência. Os avós se fazem presentes e participam dessa aventura familiar com muita intensidade. Após o nascimento, começa a fase essencial para vivencias que vão permear a vida inteira do ser humano. É nessa etapa em que os sonhos devem ser possíveis e se constroem no imaginário ético e estético, através do despertar da curiosidade, contemplação, exercício da imaginação, fantasia, ludicidade, protagonismo e aprendizagem!

Com experiências significativas que possibilitem a criatividade na ação inter- geracional, e com ludicidade, as crianças interagem e brincam com seus avós, sábios e vividos, que marcam sua infância. A partir de contação de histórias, produção de brinquedos com materiais disponíveis e simples, brincadeiras de rodas e cantigas, manuseios de objetos e álbuns de fotografias da época em que foram crianças, memórias afetivas serão res- gatadas e compartilhadas com os pequenos, criarão repertório e enriquecerão a cultura, a história de vida dessas crianças que tem o privilégio de conviverem com seus avós, que trazem à elas a noção de sua primeira sociedade, no mundo em que atuarão como cidadãos.

Para desenvolvimento saudável dessa infância, o mundo precisa ser visto como Belo, avós podem estar por perto e junto aos pais revelarem aos netos esse mundo onde vale a pena viver. Dessa forma norteando a criação e educação do importante ser para que ele Seja!

Avós também podem colaborar na criação dos netos e exercer seu papel de forma significativa, atribuindo a uma educação humanizada, os pilares que sustentam relacionamentos sociais: tolerância, autonomia, amor e claro, criatividade para quando um desses três falta.

A infância é morada da criatividade! É nessa fase da vida, durante os dois primeiros setênios em que a fantasia e a descoberta se tornam naturalmente mais potentes; é quando o ser humano se constrói e modela sua moral, desperta para autonomia, percebe-se e protagoniza para toda sua existência. Valores éticos, estéticos e poéticos oferecidos nessa experiência concreta, promovem desenvolvimento sensível, evocando importantes pilares na formação da criança.

Avós podem colaborar na criação dos netos e exercer seu papel de forma significativa, atribuindo a uma educação humanizada, que sustentam relacionamentos sociais: tolerância, autonomia, amor e claro, criatividade para quando um desses três falta.

Todos os seres humanos recebem como dádiva uma porção de criatividade. Mas só isso não basta, é necessário desenvolvê-la. As crianças criativas são como crias em seus ninhos, que precisam apreender a voar… para isso deve haver espaço na “casinha de dentro e na de fora”, para desenvolvimento des- sa criatividade na infância, alçando vôs que cheguem perto dos horizontes, coloridos e cheinhos de propósito. Os pequenos criam, percebem, contemplam, sentem, ouvem, cheiram, tocam e pensam, fazem seus experimentos, pesquisam, constroem, vivem! Na condução de um avô como referência, participando dessa infância com ternura e afeto, é possível a construção da criatividade para arte do convívio intergeracional. Esse percurso não poderia ser iniciado em outro tempo, se não na infância! e que seja ela presente em todas as idades, com vozes, risos, versos, poesias e canções, para estar viva em todas as idades.

José Carlos – Uma carta escrita por ele e endereçada aos seus familiares e amigos, que participaram da comemoração dos seus 60 anos.

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https://oterceiroato.com/2020/10/09/adaptando-se-ao-envelhecimento/

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PERCEPÇÃO DE SOLIDÃO…

Martha Medeiros sempre me faz refletir. Sobre solidão…

Uma mulher entra no cinema, sozinha. Acomoda-se na última fila. Desliga o celular e espera o início do filme. Enquanto isso, outra mulher entra na mesma sala e se acomoda na quinta fila, sozinha também. O filme começa. Charada: qual das duas está mais sozinha? Só uma delas está realmente sozinha: a que não tem um amor, a que não está com a vida preenchida de afetos. Já a outra foi ao cinema sozinha, mas não está só, mesmo numa situação idêntica a da outra mulher. Ela tem uma família, ela tem alguém, ela tem um álibi. Muitas mulheres já viveram isso – e homens também. Você viaja sozinha, almoça sozinha em restaurantes, mas não se sente só porque é apenas uma contingência do momento – há alguém a sua espera em casa. Esta retaguarda alivia a sensação de solidão. Você está sozinha, não é sozinha. Porque ninguém está, de fato, apontando para nenhuma das duas. Quem aponta somos nós mesmos, para nosso próprio umbigo. Somos nós que nos cobramos, somos nós que nos julgamos. Ninguém está sozinho quando curte a própria companhia, porém somos reféns das convenções, e quando estamos sós, nossa solidão parece piscar uma luz vermelha chamando a atenção de todos. Relaxe. A solidão é invisível. Só é percebida por dentro.
Então de repente você perde seu amor e sua sensação de solidão muda completamente. Você pode continuar fazendo tudo o que fazia antes – sozinha – mas agora a solidão pesará como nunca pesou. Agora ela não é mais uma opção, é um fardo. Isso não é nenhuma raridade, acontece às pencas. Nossa percepção de solidão infelizmente ainda depende do nosso status social. Se você tem alguém, você encara a vida sem preconceitos, você expõe-se sem se preocupar com o que pensam os outros, você lida com sua solidão com maturidade e bom humor. No entanto, se você carrega o estigma de solitária, sua solidão triplicará de tamanho, ela não será algo fácil de levar, como uma bolsa. Ela será uma cruz de chumbo. É como se todos pudessem enxergar as ausências que você carrega, como se todos apontassem em sua direção: ela está sozinha no cinema por falta de companhia! Por que ninguém aponta para a outra, que está igualmente sozinha?

SOU FEITA DE RETALHOS…

“Sou Feita de Retalhos” de Cris Pizziment me representa muito. Hoje é aniversário do meu filho que mora fora do país. Parabéns meu amor 💫⭐️. Queria contar pra ele que somos feitos de muitas histórias… momentos e lembranças… que fazem o que somos hoje.

“Sou feita de retalhos. Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou.

Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior… Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade… Que me tornam mais pessoa, mais humana, mais completa.

E penso que é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se tornando parte da gente também. E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados… Haverá sempre um retalho novo para adicionar à alma.

Portanto, obrigada a cada um de vocês, que fazem parte da minha vida e que me permitem engrandecer minha história com os retalhos deixados em mim. Que eu também possa deixar pedacinhos de mim pelos caminhos e que eles possam ser parte das suas histórias.

E que assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de ‘nós’”.

VIVER SEM TEMPOS MORTOS…

Naqueles momentos em que ficamos conosco mesmo… vem muitas coisas no pensamento. O tempo todo… vai e volta. Adoro as vezes o silêncio e a minha companhia, penso em tantas coisas 😉… Este Trecho da peça “Viver sem tempos mortos”, inspirada na correspondência de Simone Beauvoir e Jean-Paul Sartre…. adoro:

(…) Não mais me deitar no feno perfumado ou deslizar na neve deserta.
Onde eu exatamente me encontro?
O que me surpreende é a impressão de não ter envelhecido, embora eu esteja instalada na velhice.
O tempo é irrealizável.
Provisoriamente o tempo parou para mim.
Provisoriamente.
Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro.
O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar.
Portanto, ao meu passado, eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo.
Hoje, que espaço o meu passado deixa para a minha liberdade hoje? Não sou escrava dele.
O que eu sempre quis foi comunicar unicamente da maneira mais direta o sabor da minha vida. Unicamente o sabor da minha vida.
Acredito que eu consegui fazê-lo.
Vivi num mundo de homens, guardando em mim o melhor da minha feminilidade.
Não desejei e nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos. (…)

Obs: A peça foi protagonizada por Fernanda Montenegro pela primeira vez em 2012 e reapresentada em 2018.

Assista:

SE EU MORRESSE AMANHÃ…

Este texto de José Micard Teixeira descreve bem como os desafios da vida, as tristezas nos fazem aprender e a crescer. Necessárias, eu diria. Nos impulsionam a seguir caminhos muitas vezes impensáveis. Tudo passa! A fila anda! De vento em popa… são frases verdadeiras nas minhas reflexões. Leiam:

Se eu morresse amanhã, partiria grato pelas vezes em que senti tristeza, porque através dela mantive a esperança de mudar. Poucos entendem a força da tristeza. A grande maioria das pessoas foge dela porque a associa a desgraças e perdas. De facto, devíamos agradecer a tristeza da mesma maneira como agradecemos a alegria. Devíamos deixar de nos entristecer com a tristeza e aceitá-la como uma dádiva da vida, porque apenas quem conhece bem a tristeza toma consciência do que ela lhe está a dizer. Já vivi muita tristeza, muita dor, muito desespero, mas hoje sei que vivê-los foi das coisas mais gratificantes para a direção que escolhi seguir. Sem tristeza, não existe vida. Sem tristeza, não existe mudança. Sem tristeza, esquece-se o que se amou.

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COISAS BOAS… OLHAR PRA TRÁS E SENTIR LEVEZA!

Gosto do que Ana Jácomo, diz sobre olhar para trás… tantas coisas 👀

Coisa boa olhar pra trás e sentir que a gente conseguiu sair dos lugares onde não tinha luz. Desapertar apertos enquanto colocava os pés no caminho. Desmanchar nuvens pesadas de tristeza com autoescuta e paciência.

Coisa boa olhar pra trás e sentir que agora a gente ama um pouquinho melhor. Que nossa bondade esticou os seus braços. Que tem joaninha pousada na nossa memória. Que, depois da ausência de nós mesmos, nosso amor hoje nos inclui.

Coisa boa olhar pra trás e sentir que pode ser mais simples. Que a gente não abre mais tanto espaço para complicação. Que ainda tem uma criança que brinca de roda com nossa alegria. Que tem passarinho no nosso sorriso. Que no nosso olhar ainda tem flor.

Coisa boa olhar pra trás e sentir ainda mais gratidão pela família da gente. Perceber que certas tempestades incrivelmente nos transformaram de um jeito bem bonito. Saber que, apesar de tanto, nosso coração ainda é bom. Saber que, apesar de tudo, o que prevalece é o amor.

A ARTE DE SER AVÓ.

Uma singela homenagem aos avós que nos tempos modernos tem muitas vezes ajudado (ou até substituído) muitos pais em seu papel de protetores e educadores. Sempre parceiros, nesta missão. Parabéns a todos os avós 💗💓.

Não me canso de lembrar de tantas coisas boas que nossos netos nos trazem. Construímos muitas histórias juntas… marcamos nossas vidas eternamente… moramos no coração e no pensamento ⭐️… cheios de ternura e afeto 💓💗 carregados de amor 💓💗.

João Pedro (5 anos 🇬🇧) Noah (2 anos 🇺🇸) Eva (2 anos 🇫🇷)… são as minhas preciosidades… minha maior alegria. Gratidão. Eu sou uma avó coruja assumida:

“Netos são como heranças. Você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu… Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, as dores da maternidade.

E não se trata de um filho suposto. O neto é, realmente, o sangue do seu sangue, o filho do filho, mais filho que filho mesmo….

A velhice tem suas alegrias, as suas compensações… Todavia, às vezes, lhe dá aquela nostalgia da mocidade. Não de amores nem de paixão; a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança…. Meu deus, para onde foram as suas crianças?

Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que se lhe é “devolvido”. E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito sobre ele, ou pelo menos o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo ou decepção.

A avó não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Faz coisas não programadas. Leva a passear, “não ralha nunca”. Deixa lambuzar de pirulito. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, a secreta aliada nas crises de rebeldia.

E quando você vai embalar o neto e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz “vó”, seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.”

Uma mensagem linda de Raquel de Queiroz que me toca profundamente. Me identifico muito com o que ela diz. Avó tem sido uma das melhores experiências da minha vida.

Dedico a todos os avós. Feliz Dia dos Avós 💓💗⭐️💐

(Fortaleza, 17/11/1910 – Rio de Janeiro, 4/11/2003)

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