A ARTE DE OUVIR!

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Quase todos se preocupam em saber como falar. Mas quem sabe ouvir? Sim escutar é uma arte, porque nem todo mundo sabe como escutar de verdade. Mas podemos aprender….

Rubem Alves, nos deixou uma variedade de textos que refletem conhecimentos e compreensão das emoções humanas. Consegue dizer tudo aqui: “O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “Se eu fosse você…” A gente ama não é a pessoa que fala bonito. E a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção. Todos reunidos alegremente no restaurante: pai, mãe, filhos, falatório alegre. Na cabeceira, a avó, com sua cabeça branca. Silenciosa. Como se não existisse. Não é por não ter o que dizer que não falava. Não falava por não ter quem quisesse ouvir. O silêncio dos velhos. No tempo de Freud as pessoas procuravam os terapeutas para se curarem da dor das repressões sexuais. Aprendi que hoje as pessoas procuram os terapeutas por causa da dor de não haver quem as escute. Não pedem para ser curadas de alguma doença. Pedem para ser escutadas. Querem a cura para a dor da solidão. (…)”.

Ouvir talvez seja mais difícil que falar, mas nada é tão difícil que não possamos aprender. Ao conversar com alguém, esqueça o celular e as redes sociais. Esqueça as pessoas que estão longe e lembre-se da que está perto. Não interrompa, não diga “eu acho…”, “eu faria isso…”, “eu também…”, faça silêncio por um tempo, apenas ouça! Preste atenção, seja calmo, paciente, tranquilo. Parece difícil? Mas tente! Lembre-se de ouvir é um ato de amor. Quer ser ouvido? Primeiro ouça!

Fonte: Rubem Alves, em “Se Eu Fosse Você” – do livro “O Amor Que Ascende a Lua”. By Tirza Balmant.

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EU, MODO DE USAR:

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“Não gosto da vida em banho-maria, gosto de fogo, pimenta, alho, ervas. Por um triz não sou uma bruxa”. Martha Medeiros

Uma das coisas que mais gosto nos textos de Martha Medeiros é o despojamento, a inquietude e a espontaneidade. O que precisa ser dito, é dito sempre, sem meias palavras. Nada é calado. Temos muito em comum… Leiam:
Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor, mas… permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza.
Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. (Então fique comigo quando eu chorar, combinado?).
Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem… gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar às vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.
Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca… Goste de música e de sexo. Goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua família… isso a gente vê depois… se calhar… deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos… me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar… EXPERIMENTE ME AMAR!

10 BENEFÍCIOS INESTIMÁVEIS QUE VIAJAR PROMOVE PARA A SAÚDE E A VIDA.

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“Viajar é a melhor forma de se perder e de se encontrar ao mesmo tempo”. Benna Smith

Viajar promove benefícios que vão muito além do entretenimento, pois entrar em contato com o novo promove mudanças físicas e mentais. Abaixo, conheça 10 benefícios de uma viagem para a saúde e não entenda porque não deve economizar nesse auto investimento.

1- Mudança de rotina

Nós vivemos baseados em um mundo de rotinas para que as coisas aconteçam e tenham ordem. Nós temos horários que devemos cumprir, entretanto, com o tempo, essa repetição pode se tornar estressante e nos impedir de enxergar novas possibilidade. Viajar é quebrar esse ciclo de repetição e para que percebamos que podemos fazer coisas de maneira diferente.

2- Você fica menos preconceituoso (a).

Viajar permite conhecer coisas novas e ter contato com mundos e pessoas diferentes. Ao conhecê-los, em vez de temê-los e evitá-los, você perceberá que eles só têm a somar. Preconceito é fruto de ignorância e medo.

3- Maior criatividade.

Novas experiências aumentam o nosso leque de referências mentais. É tudo sobre se meter em situações novas e transformá-las em experiências surpreendentes. Isso definitivamente te deixa mais criativo. Quando você estiver em lugar diferente, posturas diferentes serão tomadas por você – mesmo que não queira.

4- Você pode redefinir a relação que você tem consigo mesmo e até com os outros.

Todo mundo precisa de um tempo sozinho, e viagens podem promover isso. A distância e algum tempo sem as companhias habituais permitem que valorizemos mais quem gostamos e tenhamos momentos mais construtivos com elas, quando as oportunidades permitem.

5- Maior confiança e autoestima.

Viajar e aprender são verbos que andam juntos. Nós temos que experienciar coisas novas, perguntar, resolver, escolher…

Se a “ocasião faz o monge”, mesmo os mais tímidos precisam aprender a se virar em locais diferentes.

Esse jogo de cintura exigido pela viajam deixa a pessoa mais confiante para enfrentar outras situações no futuro.

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6- Aumento da habilidade social.

Não há nada como se mudar ou viajar para fazer você perceber que, onde quer que você esteja, você desenvolverá laços afetivos e passará a se preocupar com pessoas diferentes, e, a parte boa: elas também se preocuparão com você. Em um lugar estranho tudo o que você fizer envolverá o contato com uma pessoa estranha.

7- Maior adaptação a mudanças.

Mergulhar fora de sua zona de conforto também faz você perceber que, independentemente da idade, é um novato na vida. Essa falta de controle nos torna mais maleáveis e adaptados.

8- Aumento da capacidade cognitiva.

Vocês sabiam que motoristas da táxi possuem a região do cérebro relacionada a localização espacial mais desenvolvida? Pois é, isso acontece porque eles são obrigados a aprender e memorizar caminhos o tempo todo. O mesmo pode acontecer com todas as funções que você estimular. Os exercícios de neurótica, por exemplo, consistem basicamente em fazer as mesmas coisas de maneira diferente. Fazer isso viajando pode ser uma opção melhor ainda.

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9- Colocar o corpo em movimento.

Corpo saudável é compor que se movimenta. Pessoas que viajam costumam ser menos propensas ao sedentarismo e as sequelas disso.

10- Novas histórias.

O ser humano é feito de histórias. São as histórias de nossas vidas que dizem quem somos. Logo, criar histórias é dar mais vida a nossa vida, mais sonho aos nossos sonhos, mais esperanças aos nossos dias.

Depois desses 10 itens a pergunta que fica é, quando será sua próxima viagem? Eu já estou planejando a minha.

Fonte: Por Josie Conti do site CONTI outra.

UMA VEZ POR ANO, VÁ A UM LUGAR ONDE NUNCA ESTEVE…

5-Viagem

“Para viajar basta existir”. Fernando Pessoa

Sempre necessitei conhecer o mundo além dos livros, além dos mapas… ver cada parte do mundo com meus próprios olhos. Tenho sede de conhecer tudo! Eu preciso ir, sentir e tocar tudo. Confesso que tudo ficou mais fácil depois me aposentei.

Mas uma coisa é certa: não adianta comprar uma passagem, arrumar as malas, desembarcar em outro país e querer que tudo seja e funcione exatamente da forma de onde vivemos. Vai muita além disso, você tem que estar aberto a experimentar novas coisas… são novas culturas … tudo é diferente…  temos que exercitar a tolerância. São estas novas experiências, novas vivencias – boas ou ruins. é claro rsrssrs – que me transformam e me fazem crescer, amadurecer e (re)viver intensamente. Penso como Dalai Lama que “uma vez por ano, vá a um lugar onde nunca esteve”.

Viajar, é mais que sair do lugar, pegar um meio de transporte, arrumar malas ou fazer city tour.

Viajar é sonhar, imaginar, vivenciar culturas e estilos de vida diferentes do nosso. É sair da zona de conforto e se aventurar.

Ultimamente tenho pensando muito sobre viagens para pessoas acima dos 50 anos. Como achar um destino que satisfaça esse público; fico pensando se eu iria, como eu me comportaria, se seria agradável. Comecei a pesquisar sobre isso e cheguei à conclusão que não existe um destino direcionado para uma faixa etária especifica. Claro que algumas atividades ou passeios são mais propícios para pessoas com determinados perfis, mas nada é impossível.

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Li reportagens de pessoas próximas dos 60 anos que só viajam sozinhas; outras que gostam de grandes aventuras sem saber ao certo aonde estão indo; outras já preferem tudo minuciosamente organizado com antecedência e há as que gostam de grupos, excursões, e de estar sempre acompanhado por algum guia ou acompanhante.

Tudo que planejamos com antecedência pode se tornar algo mais prazeroso, não ter tanto contratempo de última hora, não perder tempo negociando um serviço local, ou procurando uma pousada, e assim estar indo realmente para curtir uma viagem. Mas nada impede que você possa, uma vez ou outra se aventurar um pouco. Não programar todos os dias de sua viagem, deixar que as oportunidades apareçam, e elas podem ser gratas surpresas.

Para os que preferem comodidade, a organização prévia é o lema. Assim tudo já estará programado e esperando a sua chegada.

Mas, o mais importante em uma viagem é estar aberto a novas experiências, coração aberto, sorriso no rosto e gostinho de curiosidade, já dizia uma de minhas músicas preferidas “Tudo é questão de manter: a mente esperta, a espinha ereta e o coração tranquilo.”. Viajar pensando nos problemas que deixou em casa, ou não se abrir ao novo, realmente faz com que sua viagem fique restrita.

É uma delícia sair andando por uma cidade que a gente não conhece, sentar a qualquer hora em um café, conversar com os moradores, perceber na simplicidade do dia a dia, a cultura local. Eu sou uma viajante assim, gosto de curtir feiras livres, cafés, supermercados dos destinos que vou conhecer. É claro que temos também que guardar tempo e disposição para conhecer os pontos turísticos, desvendar a história da cidade, mas as pequenas descobertas são as mais prazerosas.

Outra dica, é a leitura antecipada sobre o local a ser visitado, principalmente se você tiver poucos dias de viagem, assim você já tem uma visão do que gostaria ou não de conhecer, os blogs de viagens são uma boa opção pois são relatos reais de viajantes com dicas preciosas que ajudam a não cair em ciladas. E, apesar de todas as mil novas tecnologias disponíveis no mercado, o velho e bom mapa da cidade é um item indispensável.

Por fim, desejo a vocês que viajem cada vez mais, pois como diz o poeta Mario Quintana “Viajar é trocar a roupa da alma…”. Eu concordo, e você?

 

Fonte: http://www.senhorasesenhores.com/uma-vez-por-ano-va-a-um-lugar-onde-voce-nunca-esteve-dalai-lama/

HORA DA REVISÃO…

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“Iniciando 2019… melhor hora para refletirmos..”

Tire um tempo para fazer uma pausa e avaliar os diferentes aspectos da vida, seus projetos e objetivos como a paciência, compreensão e aplicação prática. Tudo isso irá mostrar-lhe a melhor maneira de proceder. Gerencie suas habilidades, sabiamente lembre-se de que você tem trabalhado muito duro para trazer-se a este lugar em sua vida. Atingir um equilíbrio é sempre o melhor caminho a percorrer e lá dentro você saber o que fazer. Você sabe o que é certo e melhor para si.

Mudanças positivas estão a caminho! Certifique-se de manter seus pensamentos sobre o resultado desejado e não necessariamente no que é no tempo presente, estes tempos de crescimento muitas vezes podem ser cansativos, no entanto oferecem-lhe a capacidade de tornar a vida mais grandiosa. Receba essa energia com os braços abertos e confiar que, no final, você vai ver as suas intenções manifestadas e tome decisões justas ao longo do caminho. O que você procura é seu, você só precisa ser um pouco mais paciente.

O Mantra para hoje é: “Eu analiso cuidadosamente os aspectos da minha vida e faço as melhores escolhas para mim e para o meu crescimento, enquanto realizo meus sonhos.”

E assim seja. Feliz Ano Novo!

EU SEI QUE A GENTE SE ACOSTUMA… MAS NÃO DEVIA…

Por incrível que pareça a gente se acostuma com tanta coisa… nos acomodamos e vamos levando a vida, mas não devia! Gosto muito desta crônica de Marina Colasanti, traz uma boa reflexão. Leiam:

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

(O texto acima foi extraído do livro “Eu sei, mas não devia”, Editora Rocco – Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.)

ORGANIZA O NATAL!

 

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“Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre”. Carlos Drummond de Andrade

Com esse poema do nosso poeta maior Carlos Drummond de Andrade, e o meu Blog O Terceiro ato desejamos a você um Natal alegre, cheio de paz e luz. E um 2019 cheio de coisas boas e muito amor. Feliz Natal e Feliz Ano Novo. Leiam:

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Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom!
Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagui ou com o vestido de baile. E o suprarrealismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.
Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagal, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.
A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.
A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.
Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.
O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.
Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.
A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.
O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.
E será Natal para sempre.

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Ah! Seria ótimo se os sonhos do poeta se transformassem em realidade.
Fonte: Texto – título original “Organiza o Natal” – extraído do livro “Cadeira de Balanço”, Livraria José Olympio Editora – Rio de Janeiro, 1972, pág. 52.

É O NATAL CHEGANDO….

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Neste Natal o meu desejo é de que tudo de bom que você plantou durante o ano, reverta-se em forma de paz, saúde e felicidade. Que você e sua família possam sentir a paz verdadeira do Natal. Feliz Natal!

Desejo que você tenha no olhar o encantamento da vida, no coração a plenitude do amor e na fé a certeza da grandeza de Deus, no destino do mundo, na beleza da vida, nos sonhos e na esperança. Um feliz Natal!

Natal é sinônimo de renovação. A cada final de ano, esse sentimento ganha um novo significado, nos dando novas possibilidades de mudanças. Espero que neste Natal você possa receber, de braços abertos, a luz do nascimento do menino Jesus. É tempo de se renovar, aceitar as mudanças e caminhar rumo ao futuro próspero. Feliz Natal! Aproveite este ano para se reinventar.

Que o Natal seja de reflexão!

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A FONTE DA JUVENTUDE TEM NOME E CHAMA -SE… MUDANÇA!

“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”. Leon C. Megginson

Mudanças… Também estou em constante e intensos processos de mudanças. Vida é movimento. Tem horas que parece que não vou dar conta, mas me inspiro na minha história e na vida de inúmeras mulheres que conseguiram, surge a esperança… e acredito que vai dar tudo certo, de alguma forma será melhor pra mim… a acredite sempre é!

Adoro esta crônica de Lya Luft que fala exatamente de como as “mudanças” podem nos rejuvenescer, dá uma boa reflexão. Leia:

Mês passado participei de um evento sobre as mulheres no mundo contemporâneo. Era um bate-papo com uma plateia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.

Foi um momento inesquecível… A plateia inteira fez um ‘oooohh’ de descrédito.

Aí fiquei pensando: ‘pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?’

Onde, não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado ‘juventude eterna’. Estão todos em busca da reversão do tempo.

Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas.

Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas, mesmo em idade avançada.

A fonte da juventude chama-se mudança.

De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora. A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas.

Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos. Mudança, o que vem a ser tal coisa?

Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho. Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.

Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos. Rejuvenesceu. Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol. Rejuvenesceu.

Toda mudança cobra um alto preço emocional. Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza. Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face.

Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna. Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho. Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar. Olhe-se no espelho”.

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Gostaram?

SE EU FOSSE VOCÊ… SÓ QUE NÃO!

E por falar em escutar… Rubem Alves nos ensina:

O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “Se eu fosse você”.

A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina.

Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção.”