Os sonhos não determinam o lugar onde vocês vão chegar, mas produzem a força necessária para tirá-los do lugar em que vocês estão. Sonhem com as estrelas para que vocês possam pisar pelo menos na Lua. Sonhem com a Lua para que vocês possam pisar pelo menos nos altos montes. Sonhem com os altos montes para que vocês possam ter dignidade quando atravessarem os vales das perdas e das frustrações. Bons alunos aprendem a matemática numérica, alunos fascinantes vão além, aprendem a matemática da emoção, que não tem conta exata e que rompe a regra da lógica. Nessa matemática você só aprende a multiplicar quando aprende a dividir, só consegue ganhar quando aprende a perder, só consegue receber, quando aprende a se doar.
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são 6 horas: há tempo… Quando se vê, já é 6ª-feira… Quando se vê, passaram 60 anos! Agora, é tarde demais para ser reprovado… E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade, eu nem olhava o relógio seguia sempre em frente…
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
Um dos mais populares poemas de Mario Quintana. Reflete sobre a passagem dos anos. O poeta escreve de modo simples e informal, como se estivesse dizendo que os anos passaram, e ele percebeu tudo o que já aconteceu e não tem mais volta.
Em tom de conselho, diz como viveria se pudesse voltar no tempo. Sempre me encanto com este seu texto.
Entre a infância e a velhice há um instante chamado vida…
Muitas vezes nos esquecemos de viver o presente, deixando passar grande parte da vida.
Quando menos esperar, os momentos podem desaparecer, aquela presença importante pode não fazer mais parte da sua rotina, e o sentimento de desperdiçar o tempo passa a ser constante.
No frenesi dos hábitos de vida atuais, muitas são as pessoas que acabam se perdendo em seus instantes, invertendo valores. Com o mundo cada vez mais conectado, a sensação de urgência foi modificada completamente, fazendo com que passemos grande parte dos nossos dias na frente de pequenas e luminosas telas.
Enquanto rolamos o feed de notícias, passamos a remoer o passado e imaginar o futuro – não que isso não sejam comportamentos normais e aceitáveis, mas fazemos com tanta frequência que acabamos esquecendo de viver o presente. Deixamos minutos ou até mesmo horas preciosas do nosso dia simplesmente se esvaírem pelos nossos dedos, perdendo o efêmero sopro de vida que temos.
Quando somos crianças, sabemos exatamente como aproveitar o momento, e por mais que sonhos e a imaginação façam parte da realidade, sempre são dosadas em quantidades aceitáveis. Quando nos tornamos jovens, ao invés de apreciarmos uma das melhores e mais vigorosas fases das nossas vidas, acabamos presos em uma espécie de “limbo temporal”, em que passamos boa parte do tempo refletindo sobre o que poderíamos ter feito de diferente no passado e conjecturando o momento futuro.
Nunca podemos nos esquecer que são os instantes que fazem com que nossas vidas sejam verdadeiramente especiais, a troca de olhares e de experiências com os outros. O prazer de evoluir como ser humano, de conhecer novos lugares, de descobrir hobbies, de aprender novos idiomas, de crescer profissionalmente. Nada disso se faz preso no passado ou no futuro.
Ainda que nossas lembranças e nossos planejamentos sejam de suma importância, não é neles que devemos passar boa parte do nosso dia. A memória é importante para que realmente aprendamos com nossos erros; assim como a prospecção nos garante certo tipo de controle de nossas vidas. Mas nem um e nem outro podem ser modificados no presente momento.
O que mais vale é ter sabedoria o suficiente para amadurecer e planejar, ao mesmo tempo em que momentos verdadeiros são usufruídos com as pessoas que amamos. Porque é justamente essa passagem pela vida que torna cada pequena fração de segundos tão especial, e não o constante planejamento ou o constante arrependimento.
Se as coisas não saíram como queria, aprenda a se perdoar, porque o perdão não é algo que devemos dar apenas aos outros, mas também a nós mesmos. Aprenda a valorizar sua história, suas marcas de expressão, suas cicatrizes e suas rugas, cada pequena inscrição em seu corpo é um sinal da passagem do tempo e do acúmulo de sabedoria.
Seja bondoso com tudo aquilo que você se tornou, ainda que esteja distante do que tenha sonhado, porque esse corpo e essa existência são únicos. Não importa qual seja sua idade ou sua condição, cerque-se de pessoas e coisas que façam com que se sinta bem, porque a vida é curta demais para perdermos tempo tentando agradar quem mal conhecemos.
Suas origens e raízes precisam ser reconhecidas, valorizadas e enaltecidas, porque foram elas – em grande parte – que te transformaram no que é hoje. A genética é importante, assim como a presença dos nossos familiares, que estão sempre dispostos a nos ajudar em nossos processos de evolução pessoal. As pessoas valem mais que as coisas, e nunca podemos nos esquecer disso.
Pode ser que esses pensamentos só comecem a surgir em sua trajetória quando adquirir certo tipo de maturidade, ou essa busca pessoal pela completa evolução acabe provocando reflexões desse âmbito. Mas isso nunca deve ser visto como um problema, porque somos incomparáveis, somos únicos e cada um vai passar pela vida da forma e no tempo próprios.
Aprenda a viver seus dias de maneira regrada, em equilíbrio. Por mais que alguns excessos sejam necessários para o crescimento pessoal, é a busca pelo centro que nos faz melhores e mais capazes. A beleza da vida está em apreciar seus pequenos detalhes, ao lado de pessoas que nos querem bem, e que têm apreço pela natureza e pelos outros. Agradeça sua existência e não deixe o presente para depois.
Trabalho voluntário não é coisa de gente santa. Não é para quem quer mudar o mundo ou ser bem visto. Trabalho voluntário é para quem quer mudar a si mesmo e está disposto a aprender por meio do contato com novos mundos.
É uma excelente ferramenta de empatia, onde o aprendiz ensina mais que o professor.
Voluntariar é transbordar de tanto aprendizado e gratidão, é superar dores e desafios inimagináveis, porque vê na história do outro as bênçãos da própria vida. A nossa maior ligação é humana, feita de respeito e gentileza.
Onde existem voluntários, existe a mistura das cores, das classes, das crenças e de passados. A curiosidade pelo outro alimenta a nossa alma sedenta por sentimentos reais!
Voluntariar é doar amor para curar a dor do outro, e sem saber, descobre que esse é o remédio para curar a nossa própria.
Em todos esses mundos eu encontrei um olhar de gratidão profundo, desses que desconstroem quem achávamos que éramos e faz renascer quem realmente queremos ser nesse mundo.
Viver e não ter a vergonha de ser feliz/ Cantar e cantar e cantar / A beleza de ser um eterno aprendiz…” Será que existe quem não cante junto quando escuta este “hino” do Gonzaguinha?
Eu não consigo e penso que se tal pessoa existe, no mínimo, os pés dela se movimentam no ritmo da música, escondidos embaixo da mesa.
O que é ser feliz? Talvez não consigamos definir o que é ‘ser feliz’. Felicidade e ser feliz são conceitos que mudam de pessoa para pessoa; variam no tempo, espaço, cultura e com a idade. Entretanto, em qualquer destas situações, sabemos diferenciar felicidade da infelicidade.
Penso que felicidade e ser/estar feliz são coisas distintas, mas resultantes da energia positiva interna de cada um. O externo contribui, mas não as determinam.
Aprendi com o tempo que cultivar alguns comportamentos auxilia a criar um entorno de energia positiva, e o resultado disso, felicidade interna. Não estou falando de dinheiro, riquezas e bens. A felicidade a que me refiro é de espírito, de alma, do coração.
Primeiro: deixar de ser urubu e ser águia. Não me alimentar de tristezas, carcaças e lixo alheio, ao contrário, voar alto e determinada. Buscar bons alimentos para o corpo e espírito. E sim, comer um x-tudo de vez em quando, pode ser a felicidade do dia – só para demonstrar o contexto.
Ser luz. Tentar perceber e me manter afastada de quem me suga energia, consome meu tempo e desrespeita meu dinheiro. Ao mesmo tempo, me exercitar para não ser eu quem suga energia, tempo e dinheiro alheios. Me permito sentir as dores e contragostos do dia-a-dia, mas não tolero permanecer a remoê-las e fazer disso objetivo de vida. Me proibi de escarafunchar notícias de desgraças que não me dizem respeito. Já dá muito trabalho cuidar da minha própria vida.
Procurar manter acesa a chama do amor-próprio como quando me preparei para meu primeiro encontro amoroso. Ver o meu melhor refletido no espelho. Ter o olhar confiante ainda que no rosto amarrotado, sem, no entanto, esquecer jamais do meu perfume.
Buscar respeitar a natureza e através dela perceber as estações e a normalidade do ciclo da vida – nascimento, florescimento, ressecamento, reflorescimento, assim sucessivamente até murchar e morrer. Ciclos contínuos ou descontinuados, porém naturais.
Tentar oferecer meu ombro, ouvidos, meu coração e principalmente – meu tempo – a quem precisa. Poucas palavras, muito abraço e aconchego. Menos juiz, mais abrigo.
Pus nesta minha cartilha o hábito de tentar criar boas lembranças para quem convive comigo. Distribuir sorrisos e elogios sinceros como se fossem flores de um jardim. Tomara que o vaso de cristal onde tais flores serão expostas seja a memória de quem as recebe.
Sei que tenho dias em que estou azeda, virada para o mundo. Assim como não gosto de rabugice, reclamações, baixa autoestima e baixo astral alheios, ninguém tem obrigação de aguentar a minha. Nestes momentos o recolhimento é impositivo, e, no meu cantinho trabalhar para buscar o lado positivo das experiências, por mais dolorosas que sejam.
Com um pouco disso acredito poder continuar cantando ou balanço os pés, terminando os lindos versos: “Eu sei, eu sei/ Que a vida devia ser bem melhor e será/ Mas isso não impede Que eu repita: É bonita, é bonita e é bonita”.
Estou assim também… Clarice Lispector sobre não entender…
Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.
Clarice Lispector sempre me encanta com o texto: Viver… Apesar de…
Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi o apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.
Cora Coralina tem uma crônica sobre a vida que eu adoro. Leiam:
A vida tem duas faces: Positiva e negativa O passado foi duro mas deixou o seu legado Saber viver é a grande sabedoria Que eu possa dignificar Minha condição de mulher, Aceitar suas limitações E me fazer pedra de segurança dos valores que vão desmoronando. Nasci em tempos rudes Aceitei contradições lutas e pedras como lições de vida e delas me sirvo Aprendi a viver.