Lendo esse texto de Texto de Hermes Schneider, me fiz um montão de perguntas. Como uma curiosa aprendiz nata, ainda tenho mil perguntas… muitas sem resposta. Sigo procurando absorver tudo que o mundo me traz. Minhas reflexões são divididas com amigos. Compartilho esse texto do Filósofo — Cronista do tempo presente. Leiam: o autor
Uma pesquisa recém-publicada na Nature Communications encontrou algo fascinante:
o cérebro não envelhece por igual.
Ao comparar adultos mais velhos com jovens por meio de ressonância magnética funcional, os pesquisadores observaram dois comportamentos diferentes.
Redes ligadas a funções executivas — como atenção, controle cognitivo e memória de trabalho — mostraram mudanças associadas à idade.
Mas a rede cerebral especializada em linguagem permaneceu surpreendentemente preservada em sua organização, especialização, lateralização e conectividade.
Parei nessa descoberta.
E fiz uma pergunta muito pouco científica ao meu cérebro:
— Então estamos envelhecendo?
— Estamos.
— E piorando?
— Não simplifique as coisas, Hermes.
Justo.
Meu joelho talvez tenha envelhecido de um jeito.
Minha velocidade, de outro.
Minha memória às vezes esconde um nome que conheço há quarenta anos e, misteriosamente, devolve-o quando já não preciso dele.
Mas minhas palavras?
Essas viajaram comigo.
Algumas chegaram na infância.
Outras vieram dos livros.
Algumas aprendi amando.
Outras, perdendo.
E existem palavras que eu conhecia aos vinte, mas talvez só tenha começado a compreender muito depois:
saudade. perdão. gratidão. finitude. amor.
A pesquisa não diz que a linguagem é imune ao envelhecimento.
Diz algo mais interessante: diferentes sistemas cerebrais podem seguir trajetórias diferentes ao longo da vida.
E isso muda minha pergunta.
Talvez eu não deva perguntar apenas:
“O que meu cérebro está perdendo?”
Mas também:
“O que ele preservou — e o que farei com isso?”
Porque posso conservar milhares de palavras e continuar incapaz de dizer:
“Eu errei.”
Posso falar muito e escutar pouco.
Posso contar minhas histórias durante horas e esquecer a pergunta talvez mais generosa da linguagem:
“E você?”
É aí que a neurociência termina.
E começa a vida.
Se algumas das minhas palavras fizeram essa longa viagem comigo, talvez não tenham chegado até aqui para que eu fale mais.
Talvez tenham chegado para que eu finalmente aprenda a dizer melhor.
Obrigado.
Perdão.
Conte-me.
Estou aqui.
Eu te amo.
Meu cérebro envelhece.
Eu também.
Mas envelhecer não é simplesmente desaparecer aos poucos.
Talvez seja também descobrir aquilo que permanece — e decidir o que fazer com isso.
Existe uma fase da vida em que o espelho começa a nos tratar com uma sinceridade quase ofensiva.
Os cabelos debandam discretamente. Os joelhos passam a emitir boletins sonoros. A memória, às vezes, resolve brincar de esconde-esconde justamente com o nome daquela pessoa que acabamos de encontrar no supermercado.
E há também o fenômeno mais cruel de todos: levantar da cadeira emitindo um “opa!” involuntário… como se a coluna precisasse de autorização verbal para funcionar.
Mas talvez exista uma beleza secreta nisso tudo.
Porque, enquanto o corpo vai lentamente negociando limites com o tempo, a alma — curiosamente — começa a ficar maior.
Mais generosa. Mais paciente. Mais humana.
Chega uma idade em que já não precisamos vencer discussões inúteis. Nem provar inteligência. Nem disputar importância. A vida finalmente nos ensina que certos troféus pesam mais do que valem.
Então começamos a trocar pressa por presença.
E isso muda tudo.
O café deixa de ser apenas café. Vira cerimônia. Vira encontro. Vira desculpa para conversar sem relógio.
As amizades antigas ganham um brilho raro.
Porque sobreviveram às décadas, aos desencontros, às mudanças, às perdas, às teimosias e até às opiniões políticas — milagre estatisticamente improvável para homens acima dos setenta… especialmente em grupos de WhatsApp.
E o amor… Ah, o amor também muda.
Já não precisa incendiar o mundo. Basta aquecer o coração.
Às vezes ele chega na forma de uma mensagem simples: “Você está bem?”
E pronto. Aquilo ilumina o dia inteiro.
Descobrimos também que aventura, na maturidade, ganhou novos significados.
Dormir a noite inteira sem acordar duas vezes para ir ao banheiro virou quase uma experiência transcendental. Encontrar um exame médico com todos os índices normais provoca emoção semelhante à conquista de uma Copa do Mundo. E viajar sem esquecer os remédios já pode ser considerado um ato de ousadia internacional.
Mas existe algo profundamente épico em continuar vivendo com ternura apesar de tudo.
Apesar das ausências.
Apesar das despedidas.
Apesar dos amigos que partiram cedo demais e deixaram cadeiras vazias em nossas mesas e silêncios difíceis de explicar.
Ainda assim… continuamos marcando encontros.
Planejando viagens. Rindo das mesmas histórias.
Inventando motivos para celebrar aniversários.
Plantando ipês brancos em algum canto da memória.
Talvez seja isso que sustenta o mundo sem que a gente perceba: homens e mulheres comuns insistindo delicadamente em continuar amando a vida.
Porque envelhecer não é desaparecer.
É diminuir o barulho externo para escutar melhor o essencial.
É descobrir que felicidade talvez nunca tenha sido uma linha de chegada. Era apenas aquela conversa boa depois do almoço… o telefonema inesperado… o abraço demorado… o amigo que ainda lembra do seu apelido de juventude… e a mesa onde alguém sempre guarda um lugar para você.
No fim das contas, talvez a grande vitória da maturidade seja esta: aprender que a vida não precisa mais correr.
Agora ela pode apenas… sentar conosco à mesa.
Um texto belíssimo de FABRICIO CARPINEJAR, ao qual me identifico plenamente. Setentei!!!
Eu estarei completando 70 anos em Setembro/26 e á muitos anos tenho pensado em “como eu quero envelhecer”, “onde desejo estar”, “como superar os desafios a medida que a idade avança”, “o que preciso fazer ainda, pra melhorar minha condição”… Encarando tudo de frente e assim venho me preparando desde já, pensando em ter para uma boa qualidade de vida, a a medida que minha idade vá avançando.
Mas sem romantizar! Na realidade estou refletindo sobre vários aspectos importantes. As redes sociais só mostram a parte boa “do estar envelhecendo”, sem considerar que temos diferentes envelheceres, de acordo com a nossa condição de vida. Cada qual no seu quadrado.
Adorei esse artigo de Kika Gama Lobo, me identifico com as suas reflexões e quis compartilhar com vocês. Leiam:
Estamos comemorando a longevidade sem perguntar quem vai pagar a conta dela.
Há uma nova religião circulando por aí: a longevidade.
Vivemos fascinados pela ideia de chegar aos 90, aos 100, aos 110. Celebramos a nova régua do tempo como quem descobre uma terra prometida. Nas redes sociais, envelhecer virou quase um privilégio estético: cabelos brancos charmosos, corpos sarados, viagens, vinhos, sexo, pilates, skincare, trilhas, empreendedorismo depois dos 60 e aquela frase perigosíssima: a idade está apenas na cabeça. Não. A idade também está na conta bancária. No plano de saúde. Na solidão de uma terça-feira à noite. Na memória que falha. Na filha que mora em outro país. No filho que trabalha 12 horas por dia e não consegue cuidar de ninguém. No cuidador que custa uma fortuna. No aluguel que sobe. No remédio que não cabe no orçamento. Precisamos falar do peso de viver muito. Porque viver muito é uma conquista extraordinária — mas pode também ser uma operação logística, financeira, emocional e familiar de proporções gigantescas. A medicina ampliou o prazo de validade. A sociedade, porém, ainda não aprendeu a financiar, cuidar e acolher esse novo tempo.
Estamos comemorando a longevidade sem perguntar quem vai pagar a conta dela.
E não estou falando apenas de dinheiro. Estou falando de planejamento.
Quem pretende viver até os 90 precisa começar a pensar nisso muito antes dos 70. Precisa construir patrimônio, cuidar do corpo, cuidar da cabeça, cultivar amizades, aprender a pedir ajuda, organizar documentos, discutir herança, pensar em moradia, entender como funcionará seu cuidado futuro e, sobretudo, construir uma rede.
Porque ninguém envelhece sozinho.
Mesmo quando mora sozinho.
A grande mentira contemporânea é essa fantasia de independência absoluta. Como se envelhecer bem significasse não precisar de ninguém. Como se pedir ajuda fosse fracasso. Como se uma mulher de 82 anos pudesse resolver tudo pelo celular, marcar consulta pelo aplicativo, autorizar procedimento por biometria, conversar com robô de atendimento e ainda sorrir para a câmera dizendo que está “vivendo sua melhor fase”.
Estamos criando uma geração de longevos sem rede. Filhos moram longe. Famílias diminuíram. Casamentos terminam. Amigos morrem. As pessoas mudam de cidade, de país, de continente. A vida profissional exige mobilidade. A economia exige produtividade. E o cuidado — esse trabalho invisível que durante séculos foi empurrado para as mulheres da família — ficou caro.
Muito caro.
A chamada economia do cuidado está se transformando em um dos grandes desafios deste século. Cuidador, enfermagem, residência assistida, fisioterapia, acompanhamento médico, alimentação adequada, transporte, adaptação da casa. Tudo custa dinheiro. E quem não tem?
Quem não construiu uma reserva?
Quem depende exclusivamente de um benefício previdenciário?
Quem pagou plano de saúde durante décadas e agora descobre que o preço ficou quase incompatível com sua renda?
Quem tem 78 anos e uma filha em Lisboa?
Quem tem 91 e nenhum filho?
A longevidade não é democrática.
E essa talvez seja uma das frases mais importantes que precisamos dizer neste momento.
Não existe um único envelhecimento.
Existe o envelhecimento de quem tem dinheiro e o de quem não tem. O de quem mora perto dos filhos e o de quem mora sozinho. O de quem tem plano de saúde e o de quem depende exclusivamente do SUS. O de quem envelhece com amigos, amor e propósito e o de quem envelhece empilhando perdas.
Na internet, entretanto, parece que todos envelhecemos iguais.
Uma espécie de Disney grisalha.
Todo mundo ativo. Todo mundo desejável. Todo mundo viajando. Todo mundo fazendo musculação. Todo mundo começando uma segunda carreira. Todo mundo sexualmente potente, emocionalmente resolvido e financeiramente organizado.
É bonito.
É inspirador.
E é profundamente insuficiente.
Porque existe uma indústria poderosa vendendo a ideia de que envelhecer bem é uma questão de atitude. Tome colágeno. Faça exercício. Medite. Coma proteína. Tenha propósito. Faça terapia. Viaje. Ame. Dance.
Ótimo.
Mas quem paga?
Quem prepara a comida? Quem leva ao hospital?
Quem fica quando a autonomia começa a escorrer pelas frestas?
A romantização da velhice pode ser tão cruel quanto o próprio preconceito contra os velhos. Porque ela transforma uma questão coletiva em responsabilidade individual.
Se você envelhecer mal, a culpa será sua.
Não se cuidou.
Não guardou dinheiro.
Não fez terapia.
Não se exercitou. Não teve propósito.
Ora, façam-me o favor.
É claro que escolhas individuais importam. Autocuidado importa. Saúde mental importa. Educação financeira importa. Resiliência importa.
Mas sorte também importa.
Genética importa.
Classe social importa.
Acesso à saúde importa.
Políticas públicas importam.
O problema é que não estamos preparados para essa vida.
Precisamos urgentemente de uma nova cartilha do bem viver. E ela deveria começar na adolescência.
Não para ensinar adolescentes a “envelhecer”, mas para ensinar que o tempo tem consequências.
Educação financeira deveria falar de longevidade.
Educação emocional deveria falar de perdas, solidão e dependência.
A escola deveria discutir cuidado.
A sociedade deveria discutir moradia para idosos.
As cidades deveriam ser pensadas para quem tem mobilidade reduzida.
O mercado de trabalho deveria considerar carreiras mais longas.
O sistema de saúde deveria se preparar para uma população que viverá décadas depois da aposentadoria.
E as famílias deveriam conversar sobre dinheiro, cuidado, herança, moradia e decisões de fim de vida antes da emergência.
A pergunta, portanto, não deveria ser apenas: “Como viver mais?”
Essa pergunta já está velha.
A pergunta que precisamos fazer agora é:
“Como vamos sustentar os anos que conquistamos?”
Porque chegar aos 100 pode ser maravilhoso.
Mas chegar aos 100 sem dinheiro, sem vínculos, sem assistência, sem saúde mental e sem uma rede de cuidado pode transformar o tão celebrado presente da longevidade em uma longa travessia de abandono.
Não quero uma sociedade obcecada por acrescentar anos à vida.
Quero uma sociedade preparada para sustentar a vida que esses anos acrescentaram.
Até quando vamos romantizar envelhecer sem discutir o preço de continuar vivo?
Porque viver muito é maravilhoso.
Desde que a gente consiga viver — e não apenas durar.
Artigo que me trouxe muitas reflexões Por Kika Gama Lobo/ Veja Rio/ 18/8/26
Kika Gama Lobo é jornalista, escritora, palestrante e influenciadora da maturidade, conhecida por tratar de envelhecimento com humor ácido, franqueza e uma postura ativista do movimento ageless. Ativista da maturidade. Criadora das hashtags e plataformas #Atitude50 e Kikando
Ela é colunista da VEJA Rio, onde escreve sobre velhice, cotidiano e os desafios da vida madura. (Fonte:LinkedIn Brasil)
Gosto muito desta crônica de Martha Medeiros… da para refletir. Leia:
Vida é o que existe entre o nascimento e a morte. O que acontece no meio é o que importa.
No meio, a gente descobre que sexo sem amor também vale a pena, mas é ginástica, não tem transcendência nenhuma.
Que tudo o que faz você voltar para casa de mãos abanando (sem uma emoção, um conhecimento, uma surpresa, uma paz, uma ideia) foi perda de tempo. Que a primeira metade da vida é muito boa, mas da metade para o fim pode ser ainda melhor, se a gente aprendeu alguma coisa com os tropeços lá do início. Que o pensamento é uma aventura sem igual. Que é preciso abrir a nossa caixa-preta de vez em quando, apesar do medo do que vamos encontrar lá dentro. Que maduro é aquele que mata no peito as vertigens e os espantos.
No meio, a gente descobre que sofremos mais com as coisas que imaginamos que estejam acontecendo do que com as que acontecem de fato.
Que amar é lapidação, e não destruição. Que certos riscos compensam – o difícil é saber previamente quais. Que subir na vida é algo para se fazer sem pressa. Que é preciso dar uma colher de chá para o acaso. Que tudo que é muito rápido pode ser bem frustrante. Que Veneza, Mykonos, Bali e Patagônia são lugares excitantes, mas que incrível mesmo é se sentir feliz dentro da própria casa. Que a vontade é quase sempre mais forte que a razão. Quase? Ora, é sempre mais forte.
No meio, a gente descobre que reconhecer um problema é o primeiro passo para resolvê-lo.
Que é muito narcisista ficar se consumindo consigo próprio. Que todas as escolhas geram dúvida – todas. Que depois de lutar pelo direito de ser diferente, chega a bendita hora de se permitir a indiferença. Que adultos se divertem mais do que os adolescentes. Que uma perda, qualquer perda, é um aperitivo da morte – mas não é a morte, que essa só acontece no fim, e ainda estamos falando do meio.
No meio, a gente descobre que precisa guardar a senha não apenas do cartão do banco, mas a senha que nos revela a nós mesmos. Que passar pela vida à toa é um desperdício imperdoável.
Que as mesmas coisas que nos exibem também nos escondem (escrever, por exemplo). Que tocar na dor do outro exige delicadeza. Que ser feliz pode ser uma decisão, não apenas uma contingência. Que não é preciso se estressar tanto em busca do orgasmo, há outras coisas que também levam ao clímax: um poema, um gol, um show, um beijo.
No meio, a gente descobre que fazer a coisa certa é sempre um ato revolucionário. Que é mais produtivo agir do que reagir. Que a vida não oferece opção: ou você segue, ou você segue.
Que a pior maneira de avaliar a si mesmo é se comparando com os demais. Que a verdadeira paz é aquela que nasce da verdade. E que harmonizar o que pensamos, sentimos e fazemos é um desafio que leva uma vida toda, esse meio todo.
À medida que a população envelhece e a longevidade se torna uma conquista civilizatória, cresce também a dificuldade social de falar sobre a velhice de forma direta. Surgem novos termos, siglas e rótulos para evitar dizer “pessoa idosa”.
A tentativa de “rebatizar” a velhice revela, portanto, uma dificuldade cultural de reconhecer o envelhecimento como parte constitutiva da vida social. Celebramos a longevidade, mas rejeitamos a identidade que ela implica.
A tarefa do nosso tempo não é inventar um nome mais confortável para a velhice. É transformar as condições sociais para que envelhecer seja uma experiência possível, segura e digna para todos e todas. Porque a alternativa a envelhecer não é permanecer jovem para sempre… é simplesmente não chegar lá.
Não se comparar aos outros, mas descobrir o que você tem de diferente.
Não desperdiçar tempo odiando alguém, mas sim se divertindo.
Não tomar decisões quando estiver triste.
Perdoar as pessoas, mas não confundir isso com amnésia.
Não comprar roupas apertadas e não forçar afetos.
Amor próprio não é narcisismo.
Humildade não é baixa autoestima.
Nada é para sempre, nem a alegria e nem a tristeza.
Não compre sapatos pequenos, roupas apertadas e não force afetos. – Em vez de se comparar, descubra o que você tem de diferente. – Não deixe as suas melhores roupas, louças e palavras guardadas para o dia “certo”.
Pessoas com maturidade são conscientes de seu privilégio no mundo e tentam mudar seu comportamento.
Perdoe as pessoas, mas não confunda isso com amnésia. – O maior sucesso de todos? Amar e ser amado! – Acredite em milagres, mas continue trabalhando. – Aprenda a rir de si mesmo: você não é o centro do universo.
Humildade não é baixa autoestima. -Em vez de reclamar, se tornam orientadas para a ação.
Nada é para sempre, nem a dor e nem a felicidade.
Aprenda com cada momento. – Tenha com quem compartilhar o riso e a lágrima. – A vida é sua, Responsabilize-se. – A vida não é justa, mas existir é maravilhoso!
Maturidade é o estado ou condição de ter atingido uma forma adulta ou amadurecida. É o desenvolvimento pleno da inteligência e dos processos emocionais. D/A
O psicólogo Hideki Wada publicou um livro intitulado “A parede dos 80 anos”. Assim que foi lançado, o livro superou as 500.000 cópias vendidas, tornando-se o livro mais vendido do momento. Se essa tendência continuar, as vendas devem ultrapassar 1 milhão de cópias, tornando-se o livro do ano no Japão.
O Dr. Wada, de 61 anos, é médico especializado em doenças mentais em idosos. Ele condensou os segredos de uma vida “afortunada” para os jovens de 80 anos em 44 frases, listadas abaixo:
Continue caminhando.
Quando estiver com raiva, respire profundamente.
Faça exercícios suficientes para que seu corpo não endureça.
Beba mais água ao usar ar-condicionado no verão.
Fraldas são úteis para aumentar a mobilidade.
Quanto mais você mastiga, mais ativos ficam seu cérebro e seu corpo.
A perda de memória não é por causa da idade, mas da falta de uso do cérebro.
Não há necessidade de tomar remédio demais.
Não é necessário reduzir excessivamente a pressão arterial e o açúcar.
Estar sozinho não é solidão; é passar o tempo em paz.
A preguiça não é motivo de vergonha.
Não é preciso gastar dinheiro com carteira de motorista (há uma campanha no Japão para que idosos devolvam suas habilitações).
Faça o que quiser; não faça o que não gosta.
Os desejos naturais permanecem mesmo na velhice.
Em qualquer caso, não fique sentado em casa o tempo todo.
Coma o que quiser; um pouco de sobrepeso é melhor.
Faça tudo com cuidado.
Não se envolva com pessoas de quem não gosta.
Não assista à televisão o tempo todo.
Em vez de lutar contra a doença, aprenda a conviver com ela.
“Quando o carro chega à montanha, o caminho aparece”: esta é a frase mágica da felicidade para os idosos.
Coma frutas e saladas frescas.
O tempo de banho não deve ultrapassar 10 minutos.
Se não conseguir dormir, não se force.
Atividades que trazem alegria aumentam a atividade cerebral.
Diga o que sente; não pense demais.
Encontre um “médico de família” o quanto antes.
Não seja paciente ou rígido demais; ser um “idoso ousado” também não é ruim.
Às vezes, mudar de opinião está tudo bem.
Na fase final da vida, a demência é um presente de Deus.
Se parar de aprender, você envelhece.
Não deseje fama; o que você tem já é suficiente.
A inocência pertence aos idosos.
Quanto mais difícil algo for, mais interessante se torna.
Tomar sol traz felicidade.
Faça coisas que beneficiem os outros.
Gaste o dia de hoje com tranquilidade.
O desejo é a chave para a longevidade.
Viva com alegria.
Respire com leveza.
Os princípios da vida estão em suas próprias mãos.
Aceite tudo em paz.
Pessoas alegres são amadas por todos.
Um sorriso traz boa sorte.
“Envelhecer não é uma limitação, é um presente.” Com a perspectiva certa e hábitos diários saudáveis, os anos após os 60 podem ser os mais gratificantes da vida. Vamos aceitar o envelhecimento sem medo, mas com graça, gratidão e a sabedoria que o Dr. Wada compartilha com tanta generosidade. Gostei muito destas dicas.
Gostei muito deste texto… me trouxe algumas reflexões. Leia:
Viver muito sempre foi, por séculos, uma raridade quase mítica. Era coisa de avó centenária que conhecia a cura das doenças no cheiro do mato, ou de personagem de romance russo, desses que morriam em São Petersburgo, sob a neve, citando Aristóteles em voz embargada. Longevidade era exceção. Agora virou estatística. Vivemos mais. Isso é fato. A medicina avançou, os antibióticos viraram gente da casa, o colesterol passou a ser vigiado como se fosse um criminoso reincidente. A expectativa de vida subiu, e com ela a ideia, quase ingênua, de que bastaria durar para que tudo desse certo. Mas viver muito não é a mesma coisa que viver bem. E é aí que começa a grande arte. Porque a verdade é que a longevidade chegou antes do manual de instruções. Achávamos que envelhecer seria como alcançar um mirante: olhar para trás com serenidade, cruzar os braços sobre o próprio legado, saborear os frutos de uma vida bem vivida. Mas a velhice, como a infância, exige cuidados diários, e também alguma poesia. O corpo, esse velho cúmplice, começa a dar sinais de que o tempo passou. As juntas rangem como portas de armário antigo, os reflexos hesitam, os músculos se retraem. Mas não é só o corpo que envelhece: às vezes o mundo ao redor também se torna estranho, distante. Os amigos partem, os filhos se dispersam, as calçadas ganham degraus invisíveis. E de repente, o que mais dói não é o quadril, é o silêncio.
E então vem ela: a queda. Não só a queda literal, essa que acontece no banheiro, no degrau da padaria, na pressa inocente de atravessar a rua. Mas a queda simbólica: do entusiasmo, da autonomia, da autoconfiança. A queda de uma imagem de si mesmo que antes era firme, decidida, ágil. A queda de um modo de viver que não se encaixa mais no corpo que agora abriga a alma com mais cuidado. A Organização Mundial da Saúde diz que um terço dos idosos sofre uma queda por ano. E essa queda pode ser o primeiro passo de uma jornada difícil: fraturas, cirurgias, internações, perdas, de mobilidade, de independência, de ânimo. Mas veja bem: não se trata de um alerta sombrio. Trata-se, aqui, de um chamado amoroso à reinvenção. Porque o envelhecimento também pode ser reinício. E preparar-se para ele é como preparar um jardim: exige tempo, presença, escolhas. É preciso cultivar força, sim, não para carregar sacos de cimento, mas para levantar-se da cadeira com leveza e poder abraçar um neto sem receio de tombar. É preciso elasticidade, não só nos músculos, mas nas ideias. E é preciso algo ainda mais raro: gentileza consigo mesmo. Não se trata de negar a velhice. Ela chega, queira-se ou não, com suas rugas e suas lentidões, com seus esquecimentos charmosos e suas manias de repetir histórias. Mas há velhices e velhices. E há aquelas que florescem, porque foram cuidadas, porque tiveram sol e sombra, porque foram vividas com afeto, com liberdade, com algum humor. Sim, o humor. Ele é, talvez, o músculo mais importante a ser mantido. Porque rir de si mesmo, das gafes, das perdas de memória, do tropeço nas palavras, é um jeito de desarmar o tempo. O velho ranzinza é um clichê injusto, há velhos encantadores, que dançam bolero na sala com o ventilador ligado e o cachorro olhando desconfiado. Que tomam vinho com moderação e sorvete sem culpa. Que, aos oitenta, aprendem a usar o celular, e ainda erram, mas riem do erro. A longevidade, quando bem-vivida, é como uma tarde longa e luminosa. Daquelas em que o sol demora a ir embora e o tempo parece suspenso entre uma lembrança e outra. Não é preciso correr. Nem competir. Basta estar inteiro: corpo e alma em compasso. É isso que propomos aqui: um olhar amoroso para o futuro que já chegou. A velhice não precisa ser sinônimo de decadência. Pode ser plenitude. E envelhecer bem não é luxo, nem sorte, é construção diária. Com passos firmes, com gestos suaves, com a força das pernas e o riso no rosto. Com o cuidado do corpo, sim, mas também com a ternura da memória. Porque o segredo não é apenas viver muito. É fazer da longevidade uma arte íntima, uma coordenação delicada entre o tempo e o desejo. E que, ao final, quando chegar a noite, a gente possa dizer, com lucidez e com alegria
— “Foi bom ter vivido tanto. Mas foi melhor ainda ter vivido bem.”🙏♥️☀️🙌🏼
A minha forma favorita de ir de Londres 🇬🇧 a Paris 🇫🇷, é o trem de alta velocidade Eurostar, que é também a maneira mais rápida e barata… Atualmente vou da estação 🇬🇧 St. Pancras à estação 🇫🇷 Gare du Nord em 2 horas e 15 minutos, viajando a velocidades de até 300 quilômetros por hora… e/ ou vice-versa.
Quando você considera as viagens de ir para o aeroporto, procedimentos de segurança complexos e tempo de espera até a decolagem, voar entre as estas duas capitais não é necessariamente mais rápido, nem mais barato… muito pelo contrário.
Já os trens da Eurostar partem e chegam bem no centros das cidades, tornando muito mais fácil deslocar-se e iniciar a nossa aventura urbana!
Dicas:
Como chegar e embarcar de Londres:
♥ O Eurostar sai da estação Internacional St. Pancras, que fica no centro de Londres, e chega na Gare du Nord, no norte de Paris.
♥ O check-in para o Eurostar é feito com 90 minutos de antecedência e a viagem leva 2 horas e 15 minutos. Você deve chegar com antecedência para fazer os procedimentos da imigração e segurança tranquilamente.
Importante: sobre o controle de passaporte:
🌐 Como o Reino Unido não faz mais parte da Unidão Européia, você terá de fazer os procedimentos de imigração para entrar na França. Mas, ao contrário do que acontece quando a viagem é de avião, a imigração é feita antes do embarque, já na estação St. Pancras. Portanto chegando em Paris 🇫🇷, é só desembarcar e sair da estação, sem burocracias.
🌐 Da mesma forma, para voltar para Londres é na estação Gare du Nord que é feita a imigração para entrada no Reino Unido. Por isso, tenha em mãos todos aqueles documentos necessários para imigração, mesmo que você tenha ido passar só um dia em Paris e tenha deixado sua bagagem em Londres.
♥ No trem Eurostar, as passagens custam a partir de £52 por trecho para a classe Standard, desde que adquiridas com antecedência. O esquema de preços de passagens é similar ao das empresas aéreas: é alocada uma certa quantidade de passagens mais baratas e à medida que vão sendo vendidas, os preços vão aumentando.
♥ No Eurotrem, cada adulto pode levar – sem pagar nada a mais por isso – 2 volumes com até 85 cm de comprimento e sem limite de peso (desde que você consiga carregar está OK) e ainda 1 bagagem de mão.
♥ As passagens do Eurostar de Londres para Paris são vendidas com até 190 dias de antecedência, então se você se planejar, terá grandes chances de conseguir um bom preço.
O Eurostar oferece três classes de passagem: Standard, Standard Premier e Business Premier.
Os trens circulam de 5:40 às 20:30, com uma ou duas saídas por hora.
♥ Para o Check- in: O código de barras impresso abrirá a catraca de acesso à sala de embarque, semelhante à do metrô, que é o check-in do Eurostar. É só passar o código de barras na leitora.
♥ Embarque: Aproximadamente 20 minutos antes da hora da partida, é feito o anúncio do embarque indicando sua plataforma. Como a sala de embarque fica embaixo das plataformas você sobe por meio de esteiras rolantes, diretamente para a plataforma em que o trem está estacionado.
♥ Bagagens: Nas extremidades dos vagões há lugares especiais para malas grandes ou, para quem viaja light, a bagagem pode ser acomodada no guarda-volumes em cima das poltronas, ou próximas a você, se o trem não estiver cheio.
♥ Pra comprar o que comer: Há duas lanchonetes em vagões (8 e 9) do trem. Você pode também levar sua comida ou bebida, não há restrições quanto a isto.
♥ Como é atravessar o Eurotúnel? São em média 35 minutos de travessia dentro do túnel, sendo bem rápido este trecho do túnel 😳. O restante da viagem tera paisagens belíssimas da área rural e um pouco das cidades. O Channel Tunnel (ou “Chunnel” como é carinhosamente conhecido) é um túnel que liga Folkestone na Inglaterra a Calais, na França. O túnel é o maior túnel submerso do mundo, com 50,45 km de extensão total, dos quais quase 38 km sob a água. No ponto mais profundo, o eurotúnel está a 75 metros, do fundo do mar.
🌐 Estação St Pancras, em Londres
Inaugurada em 1868, a estação St Pancras em Londres é considerada uma das mais belas estações ferroviárias do mundo. É um exemplar singular da arquitetura Gótica Vitoriana na Inglaterra e foi em parte projetado pelo famoso arquiteto britânico Sir George Gilbert Scott. À maravilha da arquitetura, junta-se a ousadia da engenharia inglesa. A enorme cobertura dos trilhos ferroviários, feita em ferro fundido e vidro, é considerada uma conquista da engenharia da época em que foi construída.
Atualmente, quatro companhias ferroviárias operam em St Pancras: East Midlands, Southeastern, ThamesLink e o trem super rápido que conecta a Inglaterra a Europa por meio do Eurotúnel, o Eurostar. Por este motivo, desde 2007, quando o Eurostar começou a operar na estação, ela é chamada de St Pancras International.
A estação tem dois andares e duas plataformas subterrâneas. No andar térreo, se encontram as lojas, restaurantes, guichês de vendas de passagens e outras facilidades
Adorei este texto de Mário Donato D’Angelo, um olhar sensível e com leveza sobre o envelhecimento.
Viver muito sempre foi, por séculos, uma raridade quase mítica. Era coisa de avó centenária que conhecia a cura das doenças no cheiro do mato, ou de personagem de romance russo, desses que morriam em São Petersburgo, sob a neve, citando Aristóteles em voz embargada. Longevidade era exceção. Agora virou estatística. Vivemos mais. Isso é fato. A medicina avançou, os antibióticos viraram gente da casa, o colesterol passou a ser vigiado como se fosse um criminoso reincidente. A expectativa de vida subiu, e com ela a ideia, quase ingênua, de que bastaria durar para que tudo desse certo. Mas viver muito não é a mesma coisa que viver bem. E é aí que começa a grande arte. Porque a verdade é que a longevidade chegou antes do manual de instruções. Achávamos que envelhecer seria como alcançar um mirante: olhar para trás com serenidade, cruzar os braços sobre o próprio legado, saborear os frutos de uma vida bem vivida. Mas a velhice, como a infância, exige cuidados diários, e também alguma poesia. O corpo, esse velho cúmplice, começa a dar sinais de que o tempo passou. As juntas rangem como portas de armário antigo, os reflexos hesitam, os músculos se retraem. Mas não é só o corpo que envelhece: às vezes o mundo ao redor também se torna estranho, distante. Os amigos partem, os filhos se dispersam, as calçadas ganham degraus invisíveis. E de repente, o que mais dói não é o quadril, é o silêncio.
E então vem ela: a queda. Não só a queda literal, essa que acontece no banheiro, no degrau da padaria, na pressa inocente de atravessar a rua. Mas a queda simbólica: do entusiasmo, da autonomia, da autoconfiança. A queda de uma imagem de si mesmo que antes era firme, decidida, ágil. A queda de um modo de viver que não se encaixa mais no corpo que agora abriga a alma com mais cuidado. A Organização Mundial da Saúde diz que um terço dos idosos sofre uma queda por ano. E essa queda pode ser o primeiro passo de uma jornada difícil: fraturas, cirurgias, internações, perdas, de mobilidade, de independência, de ânimo. Mas veja bem: não se trata de um alerta sombrio. Trata-se, aqui, de um chamado amoroso à reinvenção. Porque o envelhecimento também pode ser reinício. E preparar-se para ele é como preparar um jardim: exige tempo, presença, escolhas. É preciso cultivar força, sim, não para carregar sacos de cimento, mas para levantar-se da cadeira com leveza e poder abraçar um neto sem receio de tombar. É preciso elasticidade, não só nos músculos, mas nas ideias. E é preciso algo ainda mais raro: gentileza consigo mesmo. Não se trata de negar a velhice. Ela chega, queira-se ou não, com suas rugas e suas lentidões, com seus esquecimentos charmosos e suas manias de repetir histórias. Mas há velhices e velhices. E há aquelas que florescem, porque foram cuidadas, porque tiveram sol e sombra, porque foram vividas com afeto, com liberdade, com algum humor. Sim, o humor. Ele é, talvez, o músculo mais importante a ser mantido. Porque rir de si mesmo, das gafes, das perdas de memória, do tropeço nas palavras, é um jeito de desarmar o tempo. O velho ranzinza é um clichê injusto, há velhos encantadores, que dançam bolero na sala com o ventilador ligado e o cachorro olhando desconfiado. Que tomam vinho com moderação e sorvete sem culpa. Que, aos oitenta, aprendem a usar o celular, e ainda erram, mas riem do erro. A longevidade, quando bem-vivida, é como uma tarde longa e luminosa. Daquelas em que o sol demora a ir embora e o tempo parece suspenso entre uma lembrança e outra. Não é preciso correr. Nem competir. Basta estar inteiro: corpo e alma em compasso. É isso que propomos aqui: um olhar amoroso para o futuro que já chegou. A velhice não precisa ser sinônimo de decadência. Pode ser plenitude. E envelhecer bem não é luxo, nem sorte, é construção diária. Com passos firmes, com gestos suaves, com a força das pernas e o riso no rosto. Com o cuidado do corpo, sim, mas também com a ternura da memória. Porque o segredo não é apenas viver muito. É fazer da longevidade uma arte íntima, uma coordenação delicada entre o tempo e o desejo. E que, ao final, quando chegar a noite, a gente possa dizer, com lucidez e com alegria — “Foi bom ter vivido tanto. Mas foi melhor ainda ter vivido bem.”