METAMORFOSE.

É que por enquanto a metarmofose de mim em mim mesma não faz sentido. É uma metamorfose em que eu perco tudo o que tinha, e o que sou. E agora o que sou? Sou: estar de pé diante de um susto. Sou: o que vi. Não entendo e tenho medo de entender, o material do mundo me assusta, com seus planetas e baratas.

By Clarice Lispector

CANÇÃO NA PLENITUDE.

Sempre me encanto com os textos de Lya Luft, leiam:
Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura agradada pelos anos e o peso dos fardos bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)
O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza e juventude agora: esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais, a dar-te regaço de amante e colo de amiga, e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável cujas marés — mesmo se fogem — retornam, cujas correntes ocultas não levam destroços mas o sonho interminável das sereias.


Do livro “Secreta Mirada”, Editora Mandarim – São Paulo, 1997, pág. 151.

DEIXE-ME ENVELHECER…

Deixem-me envelhecer sem compromissos e cobranças,
Sem a obrigação de parecer jovem e ser bonita para alguém,
Quero ao meu lado quem me entenda e me ame como eu sou,
Um amor para dividirmos tropeços desta nossa última jornada,
Quero envelhecer com dignidade, com sabedoria e esperança,
Amar minha vida, agradecer pelos dias que ainda me restam,
Eu não quero perder meu tempo precioso com aventuras,
Paixões perniciosas que nada acrescentam e nada valem.
Deixem-me envelhecer com sanidade e discernimento,
Com a certeza que cumpri meus deveres e minha missão,
Quero aproveitar essa paz merecida para descansar e refletir,
Ter amigos para compartilharmos experiências, conhecimentos,
Quero envelhecer sem temer as rugas e meus cabelos brancos,
Sem frustrações, terminar a etapa final desta minha existência,
Não quero me deixar levar por aparências e vaidades bobas,
Nem me envolver com relações que vão me fazer infeliz.
Deixem-me envelhecer, aceitar a velhice com suas mazelas,
Ter a certeza que minha luta não foi em vão: teve um sentido,
Quero envelhecer sem temer a morte e ter medo da despedida,
Acreditar que a velhice é o retorno de uma viagem, não é o fim,
Não quero ser um exemplo, quero dar um sentido ao meu viver,
Ter serenidade, um sono tranquilo e andar de cabeça erguida,
Fazer somente o que eu gosto, com a sensação de liberdade,
Quero saber envelhecer, ser uma velha consciente e feliz!!!

Adoro esta crônica de Concita Weber

SE EU FUGISSE DE CASA AOS 70 ANOS…


Andei pensando… enquanto aguardo chegar lá 👀 Se eu fugisse de casa aos 70 e tantos sem lenço nem documentos sem bagagem e sem pranto
e pegasse uma carona num pé de vento
ou talvez no patinete do garoto desatento
muitos achariam loucura outros chamariam aventura alguns , de certo, doença baseados na crença que depois do 70 a vida segue serena
entre as rezas e a espera da morte- essa sim a viagem ideal a quem já viveu muito e coisa e tal…
Talvez se eu fugisse de casa parasse nalguma praça embaixo da estátua do general para um rápido descanso bem largada num banco onde namorados desenharam corações então eu lembraria de alguns divertidos dia de assustadas emoções.
Mas seu fugisse de casa aos 70 e tantos meus filhos gritariam de espanto os netos achariam o máximo
[o Victor rindo com os olhos
colocaria no Instagran que sua avó sumiu como o gato.]
o marido suspiraria resignado a mais uma das minhas temeridades às quais já estava acostumado.
O que ninguém imaginaria é que foi um velho desejo da menina que só fugia até a esquina e depois dos 70 e tantos resolveu ganhar o mundo
o vasto desconhecido mundo e nessa realização tardia pôs todo mundo tonto
Mas deixou o almoço pronto…
By Marisa Schmidt

MEU MUNDO!

”Construa seu mundo com aquilo que ele te oferece, colocando você mesmo as cores que quiser. Não dependa dos outros para ser feliz ou infeliz, mas viva a sua vida como verdadeiro dono dela.


O poder de ser feliz ou infeliz está nas suas próprias mãos. Cabe a você saber com que intensidade vai viver isso.”
(By Letícia Thompson)

O TEMPO PASSOU…

O tempo passou. Não sei dizer se lenta ou apressadamente. Ou se simplesmente ao seu tempo.

Olhando para trás há tantas memórias, histórias, realizações. Meio século e pouco na medida comum de tempo.

Fiz muito neste tempo. Deixei de fazer zilhões também.  Perdi tempo com muitos medos, mas economizei tempo com as certezas. Perdi tempo em muitos vazios. Ganhei tempo com filhos. Gastei tempo trabalhando. Entretanto, ganhei tempo experimentando.

Fui consumida com o tempo de reuniões infindáveis, fui recompensada neste tempo conhecendo gente interessante. Passei muito tempo chorando por amores não correspondidos e ao fim economizei tempo conhecendo aprendendo a reconhecer o caráter das pessoas. Briguei com o tempo para cumprir prazos. Fui premiada com tempo livre ao terminar antecipadamente algumas obrigações.

Com tudo isso, o tempo se incumbiu, ele mesmo, de ditar seu ritmo. Muitas vezes o minuto levava horas. Outras tantas, as horas passavam num piscar de olhos. O que é o tempo, nem sei dizer, mas sei que ele passou. Sinto que sim, confirmo na pele, no espelho e nas fotos. Entretanto, o aguardo incessantemente.

Nesse tempo futuro ainda busco outros tantos tempos. Desejo ter tempo para novas experiências em assuntos nunca antes aventurados, ou naqueles que me justificava em não fazer, argumentando prontamente a falta de tempo.

Quero outro tanto de tempo para descobrir o mundo fora da minha caixa de certezas. Tempo para conhecer novas culturas, pontos de vista originais e diferentes realidades. Tempo para digerir estes novos aprendizados e tempo para florescer internamente com o aprendido.

Tempo para reconhecer tempo ocorrido. Tempo para reconhecer a finitude do meu próprio tempo neste plano.

Este tempo medido em tique-taques é completamente diferente do tempo medido em ritmo cardíaco ou respiradas conscientes. Preciso de algum tempo para definir a medida de tempo que me é mais apropriada.

O tempo do tique-taque é contínuo, igual. Não apressa. Não atrasa. O tempo das batidas do coração é comandado por sentimentos, sustos, incertezas e alegrias. Pode ser  louco, desconcertante; e em outras situações, tranquilo e relaxante. Descompassado, dançante. Apaixonado, inebriante. Seu bater inconstante é divertido e assustador. Pode ser visto por todos. Por fadiga, na respiração pesada e no rubor.

Preciso de mais tempo pra conhecer novas pessoas e para manter as queridas até agora. Preciso de tempo para o mar e para amar. Para calmamente olhar para o céu, e, sem pudor dançar na chuva, descalça, rodopiando.

Nesse tempo futuro aproveitar o agora. O presente. Cada tiquinho de tempo como se fosse o último. E, lá na frente, na despedida poder  escrever: Sim, meu tempo foi perfeito.

*Publicado em 18/09/2017 no site osegredo.com.br – o tempo passou

A VIDA É AQUI E AGORA.

“Esta vida vai passar rápido, não brigue com as pessoas, não critique tanto seu corpo. Não reclame tanto. Não perca o sono pelas contas. Não deixe de beijar seus amores. Não se preocupe tanto em deixar a casa impecável. Bens e patrimônios devem ser conquistados por cada um, não se dedique a acumular herança. Deixe os cachorros mais por perto. Não fique guardando as taças. Use os talheres novos. Não economize seu perfume predileto, use-o para passear com você mesmo. Gaste seu tênis predileto, repita suas roupas prediletas, e daí? Se não é errado, por que não ser agora? Por que não dar uma fugida? Por que não orar agora ao invés de esperar para orar antes de dormir? Por que não ligar agora? Por que não perdoar agora? Espera-se muito o Natal, a sexta-feira, o outro ano, quando tiver dinheiro, quando o amor chegar, quando tudo for perfeito… Olha, não existe o tudo perfeito. O ser humano não consegue atingir isso porque simplesmente não foi feito para se completar aqui. Aqui é uma oportunidade de aprendizado. Então, aproveite este ensaio de vida e faça o agora…

Ame mais, perdoe mais, abrace mais, viva mais intensamente e deixe o resto nas mãos de Deus.”
(Texto de Marcela Taís)

SABOREANDO A VIDA…

Gostei disto: A vida é curta, quebre regras, perdoe rapidamente, não reclame, não critique, seja amável, agradeça sempre, beije lentamente, ame de verdade, ria descontrolavelmente, e nunca pare de sorrir, por mais estranho que seja o motivo.
E lembre-se que não há prazer sem riscos.
A vida pode não ser a festa que esperávamos, mas uma vez que estamos aqui, temos que comemorar cada dia e agradecer! Aprecie sem moderação…

NADA IGUAL!

Paulo Coelho sempre traz uma provocação, assim minha inquietude se refaz.

Podemos acreditar que tudo que a vida nos oferecerá no futuro é repetir o que fizemos ontem e hoje. Mas, se prestarmos atenção, vamos nos dar conta de que nenhum dia é igual a outro. Cada manhã traz uma bênção escondida; uma bênção que só serve para esse dia e que não se pode guardar nem desaproveitar. Se não usamos este milagre hoje, ele vai se perder. Este milagre está nos detalhes do cotidiano; é preciso viver cada minuto porque ali encontramos a saída de nossas confusões, a alegria de nossos bons momentos, a pista correta para a decisão que tomaremos. Nunca podemos deixar que cada dia pareça igual ao anterior porque todos os dias são diferentes, porque estamos em constante processo de mudança.

NÃO ACREDITE…

Buda sempre me faz refletir muito sobre a vida.

“Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas, depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão e que conduz ao bem e benefício de todos, aceite-o e viva-o”.