Com o tempo, a gente se desapega das manias, reinventa as certezas, vai desatando os nós e criando laços, deixa de lado a agitação e passa a curtir a rotina da paz, do amor próprio, da delicadeza de um livro ou de uma boa companhia. Com o tempo, a gente para de viver pra fora e passa a ser feliz por dentro. By Tati Zanella
De repente tudo vai ficando tão simples que assusta.
A gente vai perdendo algumas necessidades, antes fundamentais e que hoje chegam a ser insignificantes. Vai reduzindo a bagagem e deixando na mala apenas as cenas e pessoas que valem a pena. As opiniões dos outros são unicamente dos outros, e mesmo que sejam sobre nós, não têm a mínima importância. (…)
Vamos abrindo mão das certezas, pois com o tempo já não temos mais certeza de nada. E de repente isso não faz a menor falta. (…) Paramos de julgar, pois já não existe certo ou errado, mas sim a vida que cada um escolheu experimentar.
(…) Por fim entendemos que tudo que importa é ter paz e sossego. É viver sem medo, e simplesmente fazer algo que alegra o coração naquele momento. É ter fé. E só. Isto basta aqui e agora, nos diz Elaine Matos, o que eu assino embaixo. Basta de mediocridades e diz que diz, quero leveza e paz… só isto. Viver de bem comigo mesma e com a vida. Não quero carregar nenhum peso, descarreguei tudo na última parada, já a algum tempo. Ando mais devagar apreciando tudo pela janelinha… Saboreando cada instante. Pronto… quando eu chegar lá saberei que levei comigo só o que realmente é importante.
A Natura acertou muito em cheio com o comercial do Chronos 60+. Acendeu uma luz sobre um assunto que é bem polêmico no Brasil. E não só entre o púbico 60+.
Sendo mulher e brasileira, é praticamente impossível não ter ouvido essa pergunta pelo menos uma vez: você já não está muito velha pra isso?
E o pior: a pergunta geralmente aparece em momentos de alegria ou leveza em relação a algum fato associado a pessoas de menos idade.
Idades limites para fazer coisas são padrões. Mas quem é capaz de determinar esse tipo de coisa a não ser a gente mesmo?
O comercial da Natura nos lembra disso. E de como esses padrões por vezes são desnecessários.
E teve polêmica rolando no Instagram. Algumas mulheres se queixaram quanto ao uso da palavra “velha”. Veja:
Ando muito sem paciência com pessoas preocupadas demais com as palavras que os outros falam. Uma disse que velha era uma palavra ofensiva e sugeriu usar “madura”.
Francamente!
Alguém tem que dizer para essas pessoas que o problema não está em usar a palavra “velha”. O problema é o preconceito contra as pessoas velhas. O problema é considerar a palavra “velha” uma ofensa.
Veja também esse outro comercial mais antigo da Natura, com o mesmo tema. Natura questiona tabus sobre idade em novo comercial.
A marca convidou mulheres de todas as idades a se reconectarem com a sua autoestima, reforçando a ideia de que a beleza se manifesta na escolhas individuais.
Quem define a idade certa para ser você? Velho, só o preconceito”, é com estas palavras que a marca entra na nova fase da campanha #Velhapraisso, foi lançada em outubro de 2016, ano em que a marca Chronos celebrou 30 anos. Veja:
Vivendo e ousando cada vez mais. Gostaria de compartilhar com vocês a minha entrevista como escritora de um livro de antologias. Uma experiência única, onde a partir de um convite decidi experimentar. O livro “ Nos dias em que o mundo parou” ficou lindo, onde eu abro com o primeiro capítulo. Uma estreia que muito me emocionou.
Para meus filhos. Casa de mãe depois que os filhos se vão.
Casa de mãe depois que os filhos se vão é um oratório. Amanhece e anoitece prece. Já não temos acesso àquelas coisinhas básicas do dia a dia, as recomendações e perguntas que tanto a eles desagradavam e enfureciam: com quem vai, onde é, a que horas começa, a que horas termina, a que horas você chega, vem cá menina, pega a blusa de frio, cadê os documentos, filho. Impossibilitados os avisos e recomendações, só nos resta a oração, daí tropeçamos todos os dias em nossos santos e santas de preferência, e nossa devoção levanta as mãos já no café da manhã e se deita conosco. Casa de mãe depois que os filhos se vão é lugar de silêncio, falta nela a conversa, a risada, a implicância, a displicência, a desorganização. Falta panela suja, copos nos quartos, luzes acesas sem necessidade…aliás, casa de mãe depois que os filhos se vão vive acesa. É um iluminado protesto a tanta ausência. Casa de mãe depois que os filhos se vão tem sempre o mesmo cheiro. Falta-lhe o perfume que eles passam e deixam antes da balada, falta cheiro de shampoo derramado no banheiro, falta a embriaguez de alho fritando para refogar arroz, falta aroma da cebola que a gente pica escondido porque um deles não gosta ( mas como fazer aquele prato sem colocá-la?), falta a cara boa raspando o prato, o “isso tá bão, mãe”. O melhor agradecimento é um prato vazio, quando os filhos ainda estão. Agora falta cozinha cheia de desejos atendidos. Casa de mãe depois que os filhos se vão é um recorte no tempo, é um rasgo na alma. É quarto demais, e gente de menos. É retrato de um tempo em que a gente vivia distraída da alegria abundante deles. Um tempo de maturar frutos, para dá-los a colher ao mundo. Até que esse dia chega, e lá se vai seu fruto ganhar estrada, descobrir seus rumos, navegar por conta própria com as mãos no leme que você , um dia, lhe mostrou como manejar. Aí fica a casa, e nela, as coisas que eles não levam de jeito nenhum para a nova vida, mas também não as dispensam: o caminhão da infância, a boneca na porta do quarto, os livros, discos, papéis e desenhos e fotografias – todas te olhando em estranha provocação. Casa de mãe depois que os filhos se vão não é mais casa de mãe. É a casa da mãe. Para onde eles voltam num feriado, em um final de semana, num pedaço de férias. Casa de mãe depois que os filhos se vão é um grande portão esperando ser aberto. É corredor solitário aguardando que eles o atravessem rumo aos quartos. É área de serviço sem serviço. Casa de mãe depois que os filhos se vão tem sempre alguém rezando, um cachorrinho esperando, e muitos dias, todos enfileirados, obedientes e esperançosos da certeza de qualquer dia eles chegam e você vai agradecer por todas as suas preces terem sido atendidas. Porque, vamos combinar, não é que você fez direitinho seu trabalho, e estava certo quem disse que quem sai aos seus não degenera e aqueles frutos não caíram longe do pé? E saudade, afinal, não é mesmo uma casa que se chama mãe?
Minha casa está assim silenciosa e esperançosa aguardando ser preenchida pela barulheira, os sorriso e as gargalhadas dos filhos… da doçura das suas chamadas “mãe” me faz bolinho de chuva? Iluminando e preenchendo tudo novamente num piscar de olhos. Esperando vir com suas famílias… os meus netinhos amados correndo pela casa e juntos vamos descobrir novas maneiras de olhar e experimentar tudo… e nos divertir muito. Histórias construídas com muito afeto e recheadas de amor ❤️ marcantes… únicas… guardadas nas lembranças de toda uma vida!
Assim este texto de Miryan Lucy Rezende consegue dizer tudo que eu penso. E você o que acha?
Muitas pessoas não conseguem ter tranquilidade na terceira idade justamente por não encararem o momento da maneira certa. Com medo de envelhecer ou querendo evitar que aconteça, boa parte delas deixa de aproveitar os momentos dessa fase ou de se preparar para ela.
O resultado não poderia ser outro além da falta de qualidade de vida. Portanto, o ideal é se adaptar à ideia desde já, de modo a prevenir que o futuro seja muito diferente do desejado. As melhores recomendações incluem:
Encare o passar do tempo do jeito certo
Envelhecer é completamente natural. Mesmo assim, a sociedade ocidental ainda vê esse processo de uma forma quase distorcida, como se ele tivesse que ser evitado. É isso que faz com que as pessoas procurem parecer sempre jovens ou que relutem em lidar com essa fase da vida.
Para ter qualidade de vida na terceira idade, no entanto, é preciso lidar com o envelhecimento da melhor maneira, encarando-o como um período em que podem ocorrer novas descobertas e vivências. Apesar de surgirem novos cuidados para esse momento, envelhecer não deve significar abrir mão da própria vida.
Não deixe de cuidar de si mesmo
A terceira idade exige atenção específica em vários sentidos, mas tudo isso é para o próprio bem-estar. Porém, muitos acreditam que, estando mais velhos, já não é necessário ter tanta atenção consigo. Em outros casos, há uma desmotivação tão grande que há a perda de interesse em cuidar da própria saúde.
Se isso acontecer, será praticamente impossível se adaptar ao envelhecimento, já que o resultado será menos disposição e mobilidade. Portanto, encare os cuidados como sendo absolutamente necessários e faça as adaptações para se manter sempre saudável.
Busque novas formas de aproveitar a vida
Outra ótima forma de se adaptar ao período é compreendendo que ficar mais velho não significa o fim da vida. As coisas mudam, mas ainda há como aproveitar novas experiências, descobrir novas motivações e até realizar sonhos.
Por isso, é fundamental buscar maneiras inéditas de curtir os dias, seja praticando novas atividades, seja fazendo aquilo de que gosta. A ideia é encontrar novos caminhos que mostrem que essa fase pode ser muito positiva.
Trabalhe a autoestima
Muitos idosos sofrem com problemas de baixa autoestima. Isso não diz respeito apenas à aparência e também acontece quanto ao próprio modo de vida. É comum, por exemplo, que pessoas mais velhas se sintam como um fardo ou que não têm valor.
Isso afeta a saúde psicológica e as condições físicas, gerando isolamento social e todas as consequências da falta de adaptação. Em vez disso, o idoso deve celebrar a própria experiência. Ao notar que os anos vividos geram uma visão de mundo muito valiosa, por exemplo, fica fácil se adaptar a esse período.
Dicas para ter mais qualidade de vida na terceira idade
Além de todas as recomendações já apresentadas, é muito importante ter alguns cuidados bem específicos com a saúde. Assim, conquistar a qualidade de vida na terceira idade se torna simples e acessível. A maioria dessas questões envolve uma mudança no estilo de vida em geral e há grandes benefícios em seguir essas orientações. Veja quais são as mais relevantes:
Tenha uma alimentação saudável
O que vai ao prato gera grandes impactos na saúde e no bem-estar, especialmente de quem é mais velho. Por isso, uma forma de preservar a saúde na terceira idade é tendo uma alimentação saudável e balanceada.
É importante, por exemplo, reduzir o consumo de sódio, de açúcar e de gorduras consideradas ruins para o organismo. Carne vermelha, alimentos industrializados, doces e farinhas devem ser substituídos por versões magras, integrais e naturais. Essa é uma forma de evitar o surgimento ou agravamento de condições como hipertensão, diabetes e problemas cardiovasculares.
Também é fundamental investir em frutas, verduras e legumes que sejam repletos de nutrientes, vitaminas e sais minerais. Dessa forma, é possível prevenir quadros de desnutrição, que são muito comuns nessa fase. Para se ter uma ideia, uma pesquisa demonstrou que 54,7% dos idosos que deram entrada em um hospital estavam desnutridos.
Vale ressaltar que, portanto, o acompanhamento de um profissional nutricionista pode se tornar de grande importância para manter uma rotina alimentar de qualidade.
Pratique atividades físicas
O sedentarismo é um grande vilão para a saúde de qualquer pessoa, mas especialmente dos idosos. Afinal, além de aumentar os riscos de doenças crônicas, ele ainda pode prejudicar a mobilidade. Sendo assim, é fundamental praticar atividades físicas.
A caminhada, a hidroginástica e até a musculação são boas opções, dependendo da indicação médica. Além de tudo, é uma forma de socializar, se manter em movimento e controlar o peso dentro de parâmetros normais. Ao unir alimentação e exercícios para terceira idade, o corpo se torna mais saudável e protegido.
Uma ótima alternativa para a realização dessas atividades, é ter o acompanhamento de um profissional da área de ed. física.
Mantenha hábitos saudáveis
Porém, não adianta cuidar corretamente da alimentação e se movimentar se o idoso tiver hábitos ruins. O tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas podem causar problemas em sistemas variados e devem ser evitados.
Além disso, é importante tomar sol diariamente para metabolizar vitamina D, mas sempre com proteção solar. A hidratação, por sua vez, é indispensável para manter o corpo funcionando bem. Dessa forma, esses hábitos não podem ser deixados de lado, já que impactam diretamente a qualidade de vida na terceira idade.
Cuide da saúde mental e psicológica
Essas questões prévias ajudam a cuidar da saúde física, mas o cérebro também exige atenção. Treinar a memória, como com jogos, é importante para fortalecer as ligações neurais e prevenir a degeneração. É fundamental evitar ou tratar quadros de depressão ou ansiedade, por exemplo. Estando sob controle, eles permitem que o cuidado com a saúde seja mais fácil.
Outra questão é o estresse. Uma pesquisa, inclusive, mostrou que 71% das idosas pesquisadas se disseram estressadas, enquanto 39% dos homens afirmaram o mesmo. Esse quadro afeta até a qualidade do sono e prejudica a saúde, devendo, portanto, ser evitado. Buscar atividades relaxantes e hobbies em geral é de grande ajuda e auxilia na conquista de uma vida melhor.
Vida social
Já que o isolamento social é totalmente indesejável nessa fase da vida, é fundamental buscar maneiras de se manter sempre por perto de quem se ama. Ao garantir uma vida social ativa, é viável afastar os efeitos da solidão e chegar a um resultado muito melhor de qualidade de vida.
A tarefa é menos complicada do que parece e ao consolidar bons hábitos, logo, os resultados são sentidos. As recomendações principais são:
Passe tempo com a família
Mesmo que os familiares, como filhos e netos, não estejam tão próximos quanto antes, é fundamental passar tempo de qualidade com a família. O fortalecimento desse relacionamento gera ótimos efeitos na saúde, além de auxiliar a questão psicológica. O ideal, portanto, é garantir reuniões periódicas com a família ou, no mínimo, um contato por telefone. Assim, a solidão passa longe.
Mantenha o contato com amigos
Os amigos de longa data não devem ser esquecidos. Eles também estão na terceira idade e, por isso, precisam igualmente de companhia e convívio social. Logo, vale a pena se encontrar frequentemente com as pessoas queridas. Uma visita na casa do outro, um passeio na rua ou até uma conversa com a ajuda da internet auxiliam no fortalecimento dos laços sociais.
Busque novas amizades
Ao mesmo tempo, vale a pena buscar novas amizades. Conhecer gente nova traz uma perspectiva única para essa fase da vida, além de ajudar a manter o interesse social sempre ativo. O idoso pode recorrer a grupos de atividades voltadas para a terceira idade ou até começar a se relacionar com os conhecidos de amigos e familiares. A ideia é manter sempre viva essa ação de conhecer pessoas e criar relacionamentos.
Viva novas experiências sociais
O que também não deve ser ignorado é o poder que as novas experiências possuem na vida de quem está na terceira idade. Descobrir novas sensações, ter memórias inéditas e encarar novos desafios é um grande motivador e ajuda a aproximar os laços sociais. Para que isso seja possível, é fundamental frequentar novos ambientes e conviver com pessoas diversas, de modo a encontrar novas possibilidades para vivenciar.
Levanta, faz café, faz carinho na vida, se prepara pra lida, se deixe voar! Levanta, ergue a cabeça, jamais esmoreça, junte as forças, se aqueça, esteja pronto a lutar! Levanta, ergue as mãos, dobre os joelhos, erga os braços, procure os abraços, encontre o céu! Levanta, pula logo da cama, a vida te chama, tem alguém que te ama e espera você, sorria, vai viver! Levanta, pisa esse chão, põe fé na alma, corpo, coração e se deixe encantar. O dia é presente de Deus, que dá a todos filhos seus, o direito a sonhar! Levanta prepara o seu dia, com fé e alegria, amor e harmonia, que ele já vai começar! Este café que o Cleonice Dourado nos oferece, eu aceito e sento do lado !
Avós parecem que já nascem avós. Estava olhando para a minha vó ontem à tarde e comecei a imaginar como ela era na minha idade. Quais eram os papos com as amigas, como foi o primeiro beijo, as festas, os sonhos. Mas fiquei na minha, não perguntei. Prefiro crer que ela já nasceu avó. Acredito que esse lance de ser avó(ô) seja vocação, sei lá. Só sei que eu tive sorte. Fui paparicada a vida inteira pelos meus. Ao lado da minha casa, lá no interior da Bahia, tinha uma padaria. Imagina só, sonho de toda criança. Todas as minhas moedinhas eram convertidas em “Big Big”, que na época custava 5 centavos. “Vovoinho, me dá uma ‘niquinha’?”. E sem pensar, ele colocava a mão no bolso e retirava algumas moedas.
Todo dia era assim. Sem reclamar, sem fazer cara feia, atendia todos os meus pedidos. “Minha vó, que vontade de comer tal coisa”. E lá ia ela buscar, preparar, mandava pegar em marte se preciso fosse. Mas o meu pedido era atendido. Até hoje é assim. Nunca gostei da minha cama, cama boa mesmo era a dos meus avós.
Dormia lá todas as noites, o lugar mais seguro do mundo. E mosquito nenhum se atrevia chegar perto, ela passava a noite espantando-os do meu ouvido. Às vezes eu ainda nem tinha pegado no sono e via que ela acordava para ver se eu estava embrulhada direito.
O meu avô já virou estrela. Vez em sempre a saudade bate e eu rezo para que a gente se reencontre um dia. A minha avó, graças a Deus, continua ao meu lado. E apesar dos meus 20 e tantos anos, ainda me liga, todos os dias, para saber se eu já comi. Se eu pudesse inventar uma lei universal, não tenho dúvidas que seria essa: avós devem viver para sempre!
É uma piada sem graça essa história que eles podem nos deixar a qualquer momento, logo eles que fizeram todas as nossas vontades, logo eles que fizeram os nossos pratos prediletos, os lanches mais gostosos, o denguinho que ninguém sabe fazer igual. A casa dos nossos avós tem perfume, tem aconchego, tem cheiro de café no fim da tarde. O abraço deles é diferente, tem afeto, tem proteção, tem gostinho de quero mais. São anjos que Deus coloca disfarçados de gente para cuidar da gente. Como somos sortudos! Os netos crescem, criam asas, voam pelo mundo e eles continuam sempre ali.
O tempo às vezes não colabora e eles vão ficando cada dia mais frágeis, o som do chinelo cada dia mais arrastado no corredor, os reflexos não são os mesmos, mas a disposição para nos agradar permanece. Como nos despedir de seres tão especiais? Como dizer adeus? Como não desejar um último abraço, um último bate-papo no fim da tarde?
É triste, dói, o nó na garganta é inevitável. Mas têm coisas que estão além do nosso entendimento. E quando eles viram estrelas, é chegado o momento de agradecer pela sorte de ter convivido com eles e rezar para que estejam num lugar iluminado e cheio de conforto. No final das contas, fica uma saudade boa. Esta bela declaração de amor pelos avós, que eu amei… foi escrita no portal da avosidade, por Ingrid Bárbara.
Chegou ao meio da vida e sentou-se para tomar um pouco de ar. Não sabia explicar. Não era cansaço, nem estava perdida. Notou-se inteira pela primeira vez em todos esses anos. Parou ali, entre os dois lados da estrada e ficou observando as margens da sua história, a estrada da vida ficando fininha, calando-se de tão longe que ia.
Estava em paz observando a menina que foi graciosa, cheia de vida. Estava olhando para si mesma e nem notou. Ali, naquele instante estava recebendo um presente. Desembrulhava silenciosamente a sabedoria que tanto pediu para ter mais.
Quando a mulher chega à metade da estrada da vida, começa lentamente a ralentar o passo. Já notou como tem gente que adora conturbar a própria rotina, alimentar o próprio caos? Ela não. Não mais. Deixa que passem, deixa que corram, a vida é curta demais para acelerar qualquer coisa. Ela quer sentir tudo com as pontas dos dedos, ela quer notar o que não viu da primeira vez. Senhora do seu próprio tempo.
Percebeu, à metade da vida, que caminhou com elegância, que viveu com verdade, que guiou a própria sombra na estrada em direção ao amor. E como amou! Amor por si, pelos outros, amou em dobro, amou sozinha, amou amar. A mulher ao centro da vida traz a leveza que os anos teceram, pacientemente. Escuta bem mais, coloca a doçura à frente das palavras, guarda as pessoas com preciosismo. Aquela mulher já perdeu pessoas demais.
Ao meio da estrada, ela já não dorme tanto, mas sonha bem mais. Sonha pelo simples exercício de sonhar. Sonha porque notou que é o sonho que tempera a vida. Aprendeu a parar de ficar encarando as linhas do corpo. Seu espírito teso, seu riso aberto, sua fé gigante não têm rugas, nem celulite, sem encanação. Descobriu que o segredo é prestar atenção no melhor das coisas, nas qualidades das pessoas, nas belas costas que tem e deixa-las ao alcance da vista dos outros.
Sentada ali, ao centro da própria vida, decidiu seguir um pouco mais. Há mais estrada para caminhar, mais certezas para perder, mais paixão para trilhar. Não há dádiva maior do que compreender-se, que encontrar conforto para morar em si mesmo, que perdoar-se de dentro pra fora. Ao centro da vida ela descobriu que a gente não se acaba, a gente vai mesmo é se cabendo, a cada ano um pouco mais.
Foi o que Diego Engenho Novo escreveu sobre as mulheres. Eu adorei e isto me representa muito. E você gostou? Olha se puder da uma olhadinha na minha página no Instagram e Facebook e também na nova página sobre avós & netos – A voz das avós.