PORTUGAL, UM BOCADINHO DE BRASIL DENTRO DA EUROPA.

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Atualmente moram mais de 100.000 brasileiros com passaporte português e 85.000 brasileiros com residência legal em Portugal. Com isso, a população brasileira em Portugal é maior que a população portuguesa no Brasil. O país tem grandes chances de se tornar o 27º estado brasileiro” é o que a jornalista Astrid Prange de Oliveira nos diz… Leia:

A história pode ser um pêndulo. Brasil, país colonizado pelos portugueses, está pronto para recolonizar a pátria colonizadora. E isso não é uma notícia ruim, não!

Ao contrário dos portugueses, os brasileiros não chegam com navios e armas, e não procuram ouro. Tampouco querem conquistar novos terrenos. Simplesmente querem construir uma vida nova fora do seu país.

A emigração atual rumo a Portugal é tão visível, que não me parece exagerado dizer que o país tem grandes chances de se tornar o 27º estado brasileiro. Na minha última visita a Portugal, me senti quase como no Brasil. Peço um cafezinho e um pão de queijo na padaria na esquina. Ouço português do Brasil e ando no calçadão feito de pedras portuguesas como se estivesse em Copacabana.

E vejo pessoas do mundo inteiro. Chineses, cabo-verdianos, angolanos, turcos, russos, gregos e sul-africanos. Essa mistura se reflete nas estatísticas do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Portugal, que antigamente era um dos países mais pobres da Europa e fez milhares de portugueses emigrarem, inclusive para Alemanha, virou um país de imigração.

Desde 2000, a população estrangeira em Portugal aumenta continuamente. De 200.000 pessoas, ela pulou para 420.000 residentes em 2017. O pico foi em 2009 com mais de 450.000 estrangeiros residentes no país. A partir daí, por causa da crise econômica e do desemprego, muitos imigrantes saíram de Portugal. Mas nos últimos três anos, a migração voltou a subir novamente.

Os brasileiros fazem parte deste desenvolvimento. Entre 1999 e 2010, o numero de residentes brasileiros em Portugal aumentou de 20.000 para quase 120.000 pessoas. A partir de 2011, muitos voltaram para o Brasil, que na época vivia um boom econômico.

Atualmente moram mais de 100.000 brasileiros com passaporte português e 85.000 brasileiros com residência legal em Portugal. Com isso, a população brasileira em Portugal é maior que a população portuguesa no Brasil, que conforme informações do Itamaraty era de 137.937 cidadãos em 2010.

Claro que, nessa estatística, não está incluído o grande número de descendentes de portugueses no Brasil. Segundo o IBGE, cerca de 10% dos brasileiros têm ascendência portuguesa, o que representaria cerca de 20 milhões de luso-brasileiros.

A imigração do século 21 é diferente: é global, individual, financeira e digital. A pátria é longe e ao mesmo tempo perto. E Portugal entendeu isso. Com a nova Lei dos Estrangeiros, a partir de 1 de outubro, a entrada de estudantes, empreendedores e trabalhadores qualificados ficou mais fácil.

Com isso, o Brasil ficou mais perto de Portugal. Será que agora Portugal vira o “melting pot” que o Brasil sempre foi? Será que poderia até se transformar num “melting pot” político onde inimizades políticas podem ser superadas?

Para aqueles brasileiros que, por exemplo, reclamam da falta de segurança, de repente seria interessante saber que Portugal é um país pioneiro no combate às drogas. Desde a descriminalização do uso, em 2001, caiu o nível de criminalidade, e também o número de dependentes que morrem por causa do uso de drogas.

Para aqueles que sofreram com a derrota do PT nas eleições, talvez seja um alívio saber que o atual governo português, composto por uma coalizão de esquerda, é bastante popular. O primeiro-ministro António Costa, do partido socialista PS, conseguiu um balanço entre politicas sociais e programas de ajuste que a Comissão Europeia exige.

Pode ser um pequeno consolo que a crise politica e econômica no Brasil tenha levado o país um pouco mais para perto da Europa. Mesmo que o Brasil não vá fazer parte da Comunidade Europeia, muitos brasileiros naturalizados portugueses o fazem. Mesmo que Portugal não se torne o 27º estado brasileiro, é um pedaço de Brasil dentro da Europa. Que bom que passou o tempo em que emigrar era uma decisão definitiva.

Fonte: Astrid Prange de Oliveira foi para o Rio de Janeiro solteira. De lá, escreveu por oito anos para o diário taz de Berlim e outros jornais e rádios. Voltou à Alemanha com uma família carioca e, por isso, considera o Rio sua segunda casa. Hoje ela escreve sobre o Brasil e a América Latina para a Deutsche Welle. Siga a jornalista no Twitter @aposylt e no astridprange.de.

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EU SOU VOVÓ CORUJA… NETOS…

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Netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu… Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade. O neto é, realmente, o sangue do seu sangue.

Com a idade chega a saudade de alguma coisa que você tinha e que lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Meu Deus, para onde foram as crianças? Transformaram-se naqueles adultos cheios de problemas que hoje são os filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento e prestações, você não encontra de modo algum suas crianças perdidas. São homens e mulheres – não são mais aqueles que você recorda.

E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe coloca nos braços um bebê. Completamente grátis. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade, longe de ser um estranho, é um filho seu que é devolvido.

E o espanto é que todos lhe reconhecem o direito de o amar com extravagância.
Tenho certeza de que a vida nos dá netos para compensar de todas as perdas trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes, que vem ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis.

E quando você vai embalar o menino e ele, tonto de sono abre o olho e diz: “Vo!”, seu coração estala de felicidade, como pão no forno!

Fonte: Rachel de Queiroz

TROQUE AS EXPECTATIVAS POR GRATIDÃO E DESPERTE!

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Penso que a gratidão desperta o que temos de melhor internamente. Wandy Luz descreve muito bem este despertar. Leiam:

Experimente, de vez em quando, fazer uma boa retrospectiva da sua vida. Experimente agradecer por aquilo que você já tem, ao invés de focar nas coisas que ainda não tem ou de se frustrar com suas próprias expectativas.

Esse exercício só é eficaz, quando temos a humildade de reconhecer que temos, sim, motivos de sobra para agradecer. E é quando somos gratos pelas coisas mais simples, que percebemos como somos ricos, independentemente de como nossas vidas estejam financeiras ou materialmente.

Aqueles que cultivam a gratidão contabilizam suas bênçãos, valorizam suas derrotas, abraçam suas imperfeições, e aprendem com os erros.

Não existe uma fórmula secreta para a felicidade e plenitude. O que existe é o despertar de uma consciência realista, que não se perde no caos do mundo moderno, da tecnologia ou da inclusão digital.

Quando digo despertar, refiro-me a fechar os olhos, respirar fundo e escutar as suas próprias palavras, autoanalisar-se para saber se o seu comportamento, suas atitudes e o que você prega, estão alinhados. Despertar para uma nova perspectiva e visão de mundo, onde o dinheiro não é o rei absoluto, mas sim uma consequência. Precisamos despertar e compreender que não somos vítimas, não somos os injustiçados, mas, sim, cocriadores e os únicos responsáveis por nossa jornada.

Quando eu me refiro ao despertar, refiro-me à você se encontrar, para saber se aquilo que está fazendo e falando o leva para onde você quer chegar. Pessoas que se decepcionam com frequência, geralmente, são aquelas que mais esperam das pessoas, da vida, do mundo, mas, muitas vezes, essas pessoas se esquecem de que para colher, é preciso plantar.

Então, esperar de braços cruzados nunca fez nem fará nenhum milagre acontecer. Faça a sua parte e deixe o Universo cuidar do resto.

Confie no fluxo que você mesmo pode criar, escolha viver na energia do amor, do bem. Tenha fé na vibração positiva que impera na vida daqueles que não conspiram contra ninguém, não praticam a inveja, o negativismo e o rancor. E, acima de tudo, que a gratidão seja verdadeiramente cultivada no seu coração.

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CANÇÃO DAS MULHERES.

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Adoro esta crônica de Lya Luft, traduz perfeitamente minha alma de mulher, leiam:
Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me doía ideia da perda, e ouse ficar comigo um pouco – em lugar de voltar logo à sua vida.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ”Olha que estou tendo muita paciência com você!”
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa – uma mulher.

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A ARTE DE OUVIR!

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Quase todos se preocupam em saber como falar. Mas quem sabe ouvir? Sim escutar é uma arte, porque nem todo mundo sabe como escutar de verdade. Mas podemos aprender….

Rubem Alves, nos deixou uma variedade de textos que refletem conhecimentos e compreensão das emoções humanas. Consegue dizer tudo aqui: “O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “Se eu fosse você…” A gente ama não é a pessoa que fala bonito. E a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção. Todos reunidos alegremente no restaurante: pai, mãe, filhos, falatório alegre. Na cabeceira, a avó, com sua cabeça branca. Silenciosa. Como se não existisse. Não é por não ter o que dizer que não falava. Não falava por não ter quem quisesse ouvir. O silêncio dos velhos. No tempo de Freud as pessoas procuravam os terapeutas para se curarem da dor das repressões sexuais. Aprendi que hoje as pessoas procuram os terapeutas por causa da dor de não haver quem as escute. Não pedem para ser curadas de alguma doença. Pedem para ser escutadas. Querem a cura para a dor da solidão. (…)”.

Ouvir talvez seja mais difícil que falar, mas nada é tão difícil que não possamos aprender. Ao conversar com alguém, esqueça o celular e as redes sociais. Esqueça as pessoas que estão longe e lembre-se da que está perto. Não interrompa, não diga “eu acho…”, “eu faria isso…”, “eu também…”, faça silêncio por um tempo, apenas ouça! Preste atenção, seja calmo, paciente, tranquilo. Parece difícil? Mas tente! Lembre-se de ouvir é um ato de amor. Quer ser ouvido? Primeiro ouça!

Fonte: Rubem Alves, em “Se Eu Fosse Você” – do livro “O Amor Que Ascende a Lua”. By Tirza Balmant.

HORA DA REVISÃO…

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“Iniciando 2019… melhor hora para refletirmos..”

Tire um tempo para fazer uma pausa e avaliar os diferentes aspectos da vida, seus projetos e objetivos como a paciência, compreensão e aplicação prática. Tudo isso irá mostrar-lhe a melhor maneira de proceder. Gerencie suas habilidades, sabiamente lembre-se de que você tem trabalhado muito duro para trazer-se a este lugar em sua vida. Atingir um equilíbrio é sempre o melhor caminho a percorrer e lá dentro você saber o que fazer. Você sabe o que é certo e melhor para si.

Mudanças positivas estão a caminho! Certifique-se de manter seus pensamentos sobre o resultado desejado e não necessariamente no que é no tempo presente, estes tempos de crescimento muitas vezes podem ser cansativos, no entanto oferecem-lhe a capacidade de tornar a vida mais grandiosa. Receba essa energia com os braços abertos e confiar que, no final, você vai ver as suas intenções manifestadas e tome decisões justas ao longo do caminho. O que você procura é seu, você só precisa ser um pouco mais paciente.

O Mantra para hoje é: “Eu analiso cuidadosamente os aspectos da minha vida e faço as melhores escolhas para mim e para o meu crescimento, enquanto realizo meus sonhos.”

E assim seja. Feliz Ano Novo!

SE EU FOSSE VOCÊ… SÓ QUE NÃO!

E por falar em escutar… Rubem Alves nos ensina:

O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “Se eu fosse você”.

A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina.

Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção.”

 

OS AVÓS NUNCA MORREM, APENAS FICAM INVISÍVEIS!

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“A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração”. Fênix Faustine

Os avós nunca morrem, tornam-se invisíveis e dormem para sempre nas profundezas do nosso coração.

Ainda hoje sentimos a falta deles e daríamos qualquer coisa para voltar a escutar as suas histórias, sentir as suas carícias e aqueles olhares cheios de ternura infinita.

Sabemos que é a lei da vida, enquanto os avós têm o privilégio de nos ver nascer e crescer, nós temos que testemunhar o envelhecimento deles e o adeus deles ao mundo. A perda deles é quase sempre a nossa primeira despedida, e normalmente durante a nossa infância. 

Os avós que participam na infância dos seus netos deixam vestígios da sua alma, legados que irão acompanhá-los durante a vida como sementes de amor eterno para esses dias em que eles se tornam invisíveis.

Hoje em dia é muito comum ver os avôs e as avós envolvidos nas tarefas de criança com os seus netos. Eles são uma rede de apoio inestimável nas famílias atuais. Não obstante, o seu papel não é o mesmo que o de um pai ou de uma mãe, e isso é algo que as crianças percebem desde bem cedo.

O vínculo dos avós com os netos é criado a partir de uma cumplicidade muito mais íntima e profunda, por isso, a sua perda pode ser algo muito delicado na mente de uma criança ou adolescente. Convidamos você a refletir sobre esse tema conosco.

O adeus dos avós: a primeira experiência com a perda

Muitas pessoas têm o privilégio de ter ao seu lado algum dos seus avós até ter chegado à idade adulta. Outros, pelo contrário, tiveram que enfrentar a morte deles ainda na primeira infância, naquela idade em que ainda não se entende a perda de uma forma verdadeiramente real, e onde os adultos, em certas situações, a explicam mal na tentativa de suavizar a morte ou fazer de conta que é algo que não faz sofrer.

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A maioria dos psicopedagogos diz de forma bem clara: devemos dizer sempre a verdade a uma criança. É preciso adaptar a mensagem à sua idade, sobre isso não há dúvidas, mas um erro que muitos pais cometem é evitar, por exemplo, uma última despedida entre a criança e o avô enquanto este está no hospital ou quando fazem uso de metáforas como “o avô está em uma estrela ou a avó está dormindo no céu “. É bom saber:

  • É preciso explicar a morte às crianças de forma simples e sem metáforaspara que elas não criem ideias erradas. Se dissermos a elas que o avô foi embora, o mais provável é a criança perguntar quando é que ele vai voltar.
  • Se explicarmos a morte à criança a partir de uma visão religiosa, é necessárioincidir no fato de que ele “não vai regressar”. Uma criança pequena consegue absorver apenas quantidades limitadas de informação, dessa forma, as explicações devem ser breves e simples.
  • As crianças irão nos fazer muitas perguntas que precisam das melhores e mais pacientes respostas. A perda dos avós na infância ou na adolescência é sempre algo complexo, por isso é necessário atravessar essa luta em família sendo bastante intuitivos perante qualquer necessidade dos nossos filhos.

§  Embora já não estejam entre nós, eles continuam muito presentes

  • Os avós, embora já não estejam entre nós, continuam muito presentes nas nossas vidas, nesses cenários comuns que compartilhamos com a nossa famíliae também nesse legado verbal que oferecemos às novas gerações e aos novos netos e bisnetos que não tiveram a oportunidade de conhecer o avô ou a avó.
  • Os avós seguraram as nossas mãos durante um tempo, enquanto isso nos ensinaram a andar, mas depois, o que seguraram para sempre foram os nossos corações, onde eles descansam eternamente nos oferecendo a sua luz, a sua memória.

É também importante ter em conta que a morte não é um tabu e que as lágrimas dos adultos não têm que ficar ocultas perante o olhar das crianças. Todos sofremos com a perda de um ente querido e é necessário falar sobre isso e desabafar. As crianças vão fazer isso no seu tempo e no momento certo, por isso, temos que facilitar este processo.

A presença deles ainda mora nessas fotografias amareladas que são guardadas nos porta-retratos e não na memória de um celular. O avô está naquela árvore que plantou com as suas próprias mãos, e a avó no vestido que nos costurou e que ainda hoje temos.

Estão no cheiro daqueles doces que habitam a nossa memória emocional. A sua lembrança está também em cada um dos conselhos que nos deram, nas histórias que nos contaram, na forma como amarramos os sapatos e até na covinha do nosso queixo que herdamos deles.

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Os avós não morrem porque ficam gravados nas nossas emoções de um modo mais delicado e profundo do que a simples genética. Eles nos ensinaram a ir um pouco mais devagar e ao ritmo deles, a saborear uma tarde no campo, a descobrir que os bons livros têm um cheiro especial e que existe uma linguagem que vai muito mais além das palavras. É a linguagem de um abraço, de uma carícia, de um sorriso cúmplice e de um passeio no meio da tarde compartilhando silêncios enquanto vemos o pôr do sol. Tudo isso perdurará para sempre, e é aí onde acontece a verdadeira eternidade das pessoas.

No legado afetivo de quem nos ama de verdade e que nos honra ao recordar-nos a cada dia.

Fonte: Valéria Amado (o segredo)

O ASILO DOS MEUS SONHOS!

Déa Januzzi, nos presenteando com mais uma bela crônica, leia:

Um dia, ainda vou construir um asilo para velhos. Mas a primeira medida que vou tomar será achar um outro nome para asilo, que não lembre morredouro, como proclamou Simone Beauvoir, no livro Envelhecer, para definir um lugar onde os velhos são depositados para morrer. Não vou mudar só o nome, mas também a filosofia. Vou pintar as paredes do asilo com as cores do arco-íris, abusar dos amarelos, laranjas e vermelhos. Vou abolir os azulejos brancos, insípidos, frios como lápides. Colocar girassóis nas janelas. Vou plantar grama por toda a parte interna da casa, para que os velhos andem descalços e sintam a relva roçar os pés como cócegas.

No asilo que vou construir haverá quintal, jardins e árvores por todos os lados. As janelas estarão sempre abertas para o vento que vai entrar pelos cômodos, passear pelos cabelos dos idosos, levantar as saias e os chapéus, arejar os corações com o aroma das manhãs. Colocarei uma fonte luminosa em cada corredor. Nada de bingo e orações em excesso. Os idosos da minha comunidade vão pintar sóis ao despertar de cada dia, com os próprios pés, que serão mergulhados em baldes de tinta. O ritual será como um escalda-pés de cores. Vou ungir os velhos com a minha fé num mundo novo. No meu asilo, que definitivamente não terá esse nome, não permitirei capelas por todos os lados, como se os idosos já estivessem à beira da morte. Nada de missa demais, cânticos de qualquer igreja, com honrosa exceção para o canto gregoriano dos monges beneditinos, pois os idosos precisam de bancos ao ar livre e não de sepulcros.

Vou pintar o teto de azul e colocar estrelas fosforescentes, para que eles durmam com os olhos nas constelações. Não haverá escuridão nem gritos depois que as luzes se apagarem, mas o brilho das estrelas do teto, sob o ruído suave e persistente das fontes. Todos os idosos poderão ter um animal de estimação, um pássaro, uma tartaruga, um cão, um gato. Mesmo que de pelúcia. Todos poderão verter lágrimas. O choro será livre, em nome dos filhos que os abandonaram sem deixar endereço. Haverá o dia de chorar pelos filhos que enterraram os pais vivos nos asilos. Neste dia, todos os idosos poderão xingar, gritar, deixar toda a raiva sair para fora, como um mar de ondas revoltas.

Os almoços serão sempre festivos e a comida terá um sabor especial, com temperos suaves. Não dispensarei alho, cebola, manjericão, alecrim, sálvia, salsinha, cebolinha. Com gosto de viver, para que o paladar se torne cada vez mais apurado. Nada de pratos de alumínio ou de plásticos. Os idosos vão comer em pratos que escolherão. Haverá o dia da sobremesa que tem gosto de infância, como ambrosia, arroz doce, bala delícia, brigadeiro, amor em pedaços.

O café da manhã será uma celebração. Amanhecer na velhice é mais do que um privilégio, é festejar mais um dia de vida, mais uma dádiva, que será posta na mesa junto com o café com leite, pães feitos por Magui, no Sítio Sertãozinho, com ervas e boas intenções, além de iogurte, cereais, mel e frutas. O café da manhã vai durar uma eternidade. Será uma espécie de ritual, com músicas da nova era para despertar os sentidos. Depois, haverá aulas de alongamento e todos irão para o jardim, tomar sol e brincar. Haverá até um quarto de brinquedos, pois os velhos se tornam crianças. É a idade do desconhecimento, de falar e de fazer o que tiver vontade. Que o diga dona Conceição, de 75 anos, que vive num asilo da capital. Ela não se desgruda de uma enorme boneca de borracha. Ela só encontrou a paz da velhice, depois que teve uma boneca entre os braços, para cuidar, proteger, ser útil. A boca entreaberta da boneca revela que Conceição não a deixa com fome. Pedacinhos de pão escorregam pela boca da bonequinha.

No meu asilo, que não terá esse nome definitivamente, não será pecado envelhecer, ter rugas e cabelos brancos. Para isso, vou pedir ajuda aos contadores de história, aos Doutores da Alegria, aos Anjos da Dança, aos terapeutas de Alexandria e holísticos, aos tanatologistas, aos psicólogos das oficinas da memória, aos mágicos, palhaços, aos artistas, para que se revezem no ofício de transmutar a vida. No meu asilo, que não terá esse nome definitivamente, os velhos vão poder namorar, casar, separar, porque o sexo não é coisa de jovem. O desejo não envelhece nunca.nem morre. Haverá bangalôs para os casais enamorados, a praça do footing, da pipoca e do algodão-doce e até um parque de diversões, com lago e patos. Haverá saraus de poesia, com declamação de poemas longos, infindáveis.

Os jovens farão de seus braços bengalas para os velhos. Juntos, eles caminharão pelas alamedas, serão companheiros nessa viagem pelo tempo de viver. O passado e o futuro, sem confronto, porque o respeito será traduzido em abraços, rodas de conversas, música, malabarismo e até fogueiras nas noites de inverno, com canjica, quentão e quadrilha. E, quem sabe, um copo de vinho tinto. Haverá óleos essenciais para massagens curativas. Os corpos dos velhos exalarão o doce perfume de sândalo.

Eles poderão rabiscar as paredes. Cada morador dessa comunidade poderá levar para o seu quarto, lembranças de antigas casas: panelas, porta-retratos, quadros, cadeiras de balanços, xícaras de porcelana, cristais, álbuns de fotos, linhas, baús, xales, tudo o que levar ao aconchego, todas as recordações afetivas. Ninguém poderá destituir os mais velhos de seus pertences e recordações. Nessa comunidade, com certeza, eu levaria até a minha mãe, para morar no andar debaixo do meu sótão, bem junto de mim. Quando eu estiver lá em cima, escutarei o barulho da cadeira de balanço a ranger ternura, exalar história e sabedoria por todas as frestas desse asukim que não terá esse nome nem cheiro de solidão.

Esta crônica foi publicada originalmente no jornal Estado de Minas.

UM BRINDE Á NÓS!

Bia Barco Bus Paris 2015-06-09 19.42.13

“A vida é tão perfeita que nos dá a chance de recomeçar a todo instante”. Andreza Filizzola

 “Gostaria de te desejar muitas coisas. Mas nada seria suficiente. Então, desejo apenas que vocês tenham muitos desejos… Desejos grandes! E que eles possam te mover a cada minuto, ao rumo de sua felicidade!” (Drummond). 

Hoje é o aniversário do nosso casamento, 15 anos juntos…. com meu amor, amigo e companheiro… da pessoa mais importante que preenche minha vida, meu coração e minha alma! Parabéns maridinho. Parabéns família! Sabe preciso contar algumas coisas pra você (s)…

Valeu a pena conhecer você… Valeu a pena ter deixado o destino nos fazer encontrar, na hora certa… um momento único! Valeu a pena ter correspondido ao primeiro impulso… Valeu a pena ter ultrapassado barreiras… Valeu a pena acreditar que podia dar certo e ter seguido em frente… Valeu a pena ter tido paciência… e esperança! Valeu a pena ter tido compreensão… ter recebido e dado tanto amor… Valeu a pena ter feito amor… e ter me doado completamente a você e aos seus filhos… Valeu a pena ter cuidado dos meus filhos… dos seus filhos… dos nossos filhos!

Valeu a pena ter dado uma chance ao destino de nos conhecermos melhor… e nos entregarmos de corpo e alma… Valeu a pena juntos termos reconstruído nossas famílias… Valeu a pena ter escolhido você pra caminhar comigo… seguir a vida… construir uma nova história… a nossa história!

Valeu a pena superarmos os problemas juntos… tentar e tentar… Valeu a pena cada um dos desafios enfrentados… desafios que nos fortaleceram… e juntos tentamos supera-los… erramos e acertamos tantas vezes… E foram (que são) tantas!!!! Insistimos e superamos todos juntos… e os desafios nos levaram longe… ainda estamos adquirindo nossas aprendizagens! Refizemos e construímos uma nova família, a nossa família… linda, pulsante, viva, intensa…  com toda a imperfeiçoes que a vida nos proporciona … mas tudo baseada no amor e na compreensão. Continuamos aprendendo ainda todos… dia a dia!

Valeu a pena tudo! Tudo isso mesmo… valeu a pena!!!

Quero que saiba meu amor (e todos da nossa família) que valeu e vale muito a pena sim estar compartilhando minha vida com você (s)… Vale a pena tudo que somos, quando estamos juntos! Somos todos loucos… uns pelos outros!

Vale a pena amadurecer e envelhecer junto com você… é uma benção, só tenho o que agradecer. Vale muito a pena, tudo mesmo!

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Com vocês, nossos filhos adorados nos completando ainda mais: Bruno, Michelle, Ca e André.

Amo muito a nossa família, que agora vem crescendo… com os netinhos chegando João PedroEva e Noah… lindos e maravilhosos, nos completando ainda mais, alegrando mais ainda tudo o que já tínhamos… Tudo floresce da melhor maneira que poderíamos ter e ser… é a vida que se transforma e renova.

Vale muito a pena, tudo mesmo!

Com vocês sempre junto conosco, e vem completando e aumentando com suas famílias… Bruno e Vanessa; Michelle e Fabio; Cá e Renaud… só tenho a agradecer.

Vale a pena brindar a vida com você… Nossa vida esta perfeita do jeitinho que é! Confesso que faria tudo novamente, igualzinho!!!

Te amo muito viu Zé?

E vocês nossos meninos! As suas famílias… aos nossos queridos netinhos… Um brinde a todos nós!