NÃO ACREDITE…

Buda sempre me faz refletir muito sobre a vida.

“Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas, depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão e que conduz ao bem e benefício de todos, aceite-o e viva-o”.

CONFORTÁVEL!

Depois de tantas buscas, encontros, desencontros, acho que a minha mais sincera intenção é me sentir confortável, o máximo que eu puder, estando na minha própria pele. É me sentir confortável, mesmo acessando, vez ou outra, lugares da memória que eu adoraria inacessíveis, tristezas que não cicatrizaram, padrões que eu ainda não soube transformar, embora continue me empenhando para conseguir.

Estou assim como Ana Jácomo descreve.

VOCÊ VAI…

Bom saber que quando envelhecer podemos nos sentir assim como Augusto Branco nos diz. Leia:

Você vai envelhecer e talvez o tempo, este invejoso, queira riscar o teu rosto e apagar um pouco do brilho do sorriso teu.

Talvez você já não engate tantos olhares, nem tantos suspiros quando passar por aí,e talvez você se olhe no espelho e sinta saudade dos dias de tua juventude, mas não sinta…

Você continuará linda, porque você não é apenas uma mulher muito linda, você é uma pessoa muito linda!

E ainda que o destino fosse cruel, e quisesse colocar uma sombra sobre teu olhar, eu continuaria a olhar pra você e a te dizer o quanto você é linda, sim, linda assim, linda pra mim.

É MAIS DIFÍCIL FAXINAR A ALMA DO QUE A CASA!

O poema Cortar o Tempo, cuja autoria até hoje é discutida, singelamente profetiza

“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão;

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez

Com outro número e outra vontade de acreditar que daqui adiante vai ser diferente…”

As festas de fim de ano no mundo ocidental, não somente em sentido religioso, representam o encerramento de um ciclo e o início de outro. A cada 365 dias as promessas feitas meses atrás nem são mais lembradas. Por outro lado há sempre quem esteja estabelecendo outra lista de resoluções para serem concretizadas ou descumpridas.

Muita gente prepara a casa para os festejos natalinos. Limpa armários, separa roupas, brinquedos e apetrechos para doação. Outros aproveitam para mudar os móveis de lugar, trocar  enfeites, almofadas, quadros e vasos fazendo com que os ambientes pareçam remodelados.  Outros ainda aproveitam para faxinar geral – do porão ao sótão, passando pelo jardim. Redecoram  e pintam a casa, renovam o lar. E quando da noite de Natal, o nascimento deste novo ambiente se faz notar.

Entretanto, neste tempo de renovação de valores, o importante seria mesmo faxinar a alma.

Limpar, trocar, remodelar, pintar, redecorar é extremamente positivo. O externo, todavia, muitas vezes tão bem cuidado, não reflete verdadeiramente o estado da alma. Casa linda, alma pesada. E esta renovação deve ser trabalhada internamente dentro de cada um de nós para que se dê o verdadeiro despertar.

Erradicar os maus pensamentos e as mágoas. Colocá-los em um lixo profundo onde não pudessem contaminar nada e nem ninguém.

Trocar comportamentos destrutivos por outros que façam aflorar criatividade, musicalidade, e prosperidade.

Remodelar as lembranças dolorosas, aceitando-as como desencadeadoras de aprendizados  e lições que, apesar de doloridas, ensinaram ou marcaram profundamente a história de cada um.

Pintar a própria existência com as cores desejadas e não com cores sugeridas ou forçadas por terceiros, por obrigação do meio social.

Plantar a semente do bem nos vasinhos da fala, da escuta e da visão. Arrancando dali as ervas daninhas da fofoca; do preconceito e do pré-julgamento.

Uma faxina bem feita necessita de produtos de limpeza eficientes. O  autoconhecimento é o mais poderoso de todos e precisa ser trabalhado continuamente. A faxina precisa de conservação para manter corpo-mente-coração limpos.

A casa nem sempre reflete a alma. Algumas vezes reflete o gosto, as condições financeiras  do dono,  mas não a alma.  O coração, as palavras e os olhos sim. E coração limpo e sereno é como um sol brilhante. Onde quer que chegue ilumina e desperta quem se encontra ao redor.

Alma lavada. Alma faxinada. Bondade. Perfeição. Luz. Com certeza é mais fácil faxinar a casa toda do que a própria alma. By Gicapinica

Fonte: https://gicapinica.wordpress.com/2016/12/19/e-mais-dificil-faxinar-a-alma-que-a-casa-toda/

RECEITA DE ANO NOVO.

Desejo a todos um Feliz Ano Novo. Que 2022 seja um ano cheio de coisas boas: muita paz, saúde, amor, fé e esperança. Texto simplesmente inspirador de Carlos Drummond de Andrade dando “ Receita de Ano Novo” (2008). Onde a simplicidade e a naturalidade faz tudo ser melhor. Leiam:

Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido), para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha, você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?)

Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumadas nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e que seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre. Dentro de você 🥂. Feliz Ano Novo para todos os meus familiares e amigos…

A SABEDORIA DA VELHICE…

Nós, os novos, seremos velhos um dia. Essa é mesmo a melhor saída para a nossa vida, sinal de que atingimos uma sabedoria maior, prémio por termos alcançado o topo da hierarquia da existência. Não é o tempo que nos faz auferir esse estatuto, mas o tempo dá-nos mais tempo para fazermos alguma coisa com ele e assim aprender para saber mais.

Ninguém sabe mais do que um velho. Ao lado do seu avô, um doutorado é um ignorante e, se afirmar saber mais do que aquelas duas gerações de diferença, é um ignorante imbecil. É o que não falta entre nós, os novos. Dá-se mais valor ao que se aprende nas faculdades do que ao que se aprende na vida, dá-se mais valor à teoria do que à prática. Coitados de nós. E depois não nos lembramos da idade, achamos que nos passa ao lado e por isso não reconhecemos aos velhos o estatuto de sábios e o respeito que lhes é devido. Somos imbecis. A maior parte de nós é tonta. Só isso justifica o abandono. Um velho é um mapa de conhecimento, tem dentro dele muitas estradas principais, muitas vias secundárias e muitos atalhos, muitos becos sem saída, muitas praias, muitos desfiladeiros, muito amor e severas tempestades.

Gustavo Santos, (in ‘O Caminho’ – Portugal, 27/ Mai/ 1977 Life Coach)

CONTAMINADOS

Heloísa poetisa me fez refletir sobre tudo que estamos passando.

No ano de 2020 o mundo foi acometido por uma grave pandemia viral. As famílias ficaram mais unidas e aprenderam a se amarem e perceberam enfim a importância de um abraço, principalmente entre não familiares. Aprenderam dividir o pouco, o muito, a regrar, brincar, ouvir, a serem solidários ate com desconhecidos tornando-se mais humildes uns para com os outros. As datas festivas e as reuniões nos finais de semana com amigos ou familiares provaram o quanto essas reuniões fazem falta. Aprenderam o que é saudade. Aprenderam a usar um outro tipo de vestimenta; mascara sobre nariz e boca e luvas nas mãos.

Sentiram a perda de seus entes queridos e de amigos. Não foi morte súbita ou por bala perdida ou por perder lentamente por uma doença terminal e nem porque já eram idosos. Foi doença seguida de morte vindo de uma contaminação, tragava em poucos dias mesmo com todos os esforços dos Profissionais de saúde, Hospitais de campanha, distribuição gratuita de mascaras e testes feitos em todos os Postos de saúde e Hospitais. Contaminava crianças, adultos, idosos, independente da classe social, credo religioso, poder aquisitivo, nação ou gênero sexual.

As mamães de 2020 abraçavam seus bebezinhos. Mais muitas perderam suas vidas ou maridos e tantos familiares sem ter a oportunidade de abraçá-los naquele momento e ate para uma ultima despedida. Muitas crianças tornaram-se órfãs e os menorzinhos não entendiam por que só podiam ver o vôvô e a vóvó por vídeo. Pela maior permanência em casa de adultos sem comparecerem ao trabalho semanal, de crianças sem irem a Escola secular e sem atividades físicas ou recreativas com amigos; a obesidade, depressão, divórcios tiveram aumento considerável. Bem como a agressão as mulheres e abuso sexual de crianças e adolescentes.

Os cachorros de rua perambulavam desnorteados. Os restaurantes não abriram nos finais de semana os bares não funcionaram e as ruas ficaram vazias. A pandemia fechou as lojas por vários períodos, ocasionando demissões em massa e ao reabrirem suas portas, muitos enceram suas atividades comerciais sem condição financeira de prosseguir. A rede de entrega a domicilio, contratação de motoboy e o comercio virtual cresceu demasiadamente criando novas fontes de emprego.

Enquanto que as aulas seculares passaram a ser via redes sociais criando muita polemica entre as diferenças do poder aquisitivo das famílias das crianças ate mesmo da rede de ensino Particular; por outro lado serviram de sociabilidade, entretenimento e acessibilidade aos que não podiam sair de casa. Abrindo um leque de sugestão e interesse de gêneros como concertos musicais, sarais culturais, shows, reuniões, lives entre outros.

Todas as competições esportivas ficaram paralisadas. Ocasionando grandes prejuízos quando retornaram a competir principalmente sem a presença dos torcedores.

Casamentos foram só nos cartórios respeitando todos os cuidados de prevenção. Viagens e festas não aconteceram bem como datas comemorativas culturais, cívicas, festa de 15 anos, formatura e nem corpo para o velório… Não sabemos quando tudo isto vai acabar. Mudanças ocorrem todos os dias. Com as vacinas chegando muitas coisas melhoraram e teve uma luz no fim do túnel. Cada país está numa fase. Um dia este novo mundo surgirá onde muita coisa pode voltar enquanto outras serão muito diferentes.

OS VELHOS…

Gosto desta crônica de Carlos Drummond de Andrade. Leiam: Todos nasceram velhos, desconfio.

Em casas mais velhas que a velhice, em ruas que existiram sempre… sempre assim como estão hoje e não deixarão nunca de estar:

soturnas e paradas e indeléveis mesmo no desmoronar do Juízo Final.

Os mais velhos têm 100, 200 anos e lá se perde a conta.

Os mais novos dos novos, não menos de 50 — enorm’idade.

Nenhum olha para mim.

A velhice o proíbe. Quem autorizou existirem meninos neste largo municipal?

Quem infrigiu a lei da eternidade que não permite recomeçar a vida?

Ignoram-me. Não sou. Tenho vontade de ser também um velho desde sempre.

Assim conversarão comigo sobre coisas seladas em cofre de subentendidos a conversa infindável de monossílabos, resmungos, tosse conclusiva.

Nem me vêem passar. Não me dão confiança.

Confiança! Confiança!

Dádiva impensável

nos semblantes fechados,

nos felpudos redingotes,

nos chapéus autoritários,

nas barbas de milénios.

Sigo, seco e só, atravessando

a floresta de velhos.

Carlos Drummond de Andrade (in ‘Boitempo’, Ibira, Minhas Gerais 31/ outubro/ 1902 – Rio de Janeiro 17/agosto/ 1987 )

CONFIANDO EM DEUS ⭐️

Eu sempre acreditei que em meio as guerras Deus nos prepara e ensina, e isso eu já pude comprovar em diversas situações da minha vida. Não nascemos prontos, essa é a verdade, e a medida que crescemos, os nossos sonhos crescem junto com a gente, e as nossas batalhas aumentam também. Ao mesmo tempo que a vida nos surpreende, ela assusta, e os nossos passos em direção a tudo que almejamos de bom se tornam perturbadores aos ouvidos dos nossos adversários.

Viver está além de um abrir dos olhos pela manhã e desejar um bom dia a alguém, porque ninguém sabe das nossas lutas particulares, dos nossos compromissos, das nossas contas vencidas, nem tampouco do nosso esforço em se manter sempre firme diante das circunstancias que vez ou outra tentam nos derrubar emocionalmente. Uma das maravilhas que Deus me disse por esses dias foi: Filha, podem puxar o seu tapete, mas o seu chão ninguém tira. Podem te arrancar a força, mas a fé é algo que foi construído entre mim e ti e nisso ninguém pode tocar. O que eu quero que você entenda é que nada que a gente conquista vem de mãos beijadas para nós. Há suor, há choro, há oração, há quedas, há feridas, há uma história que merece ser respeitada e que se ficarmos tão apegados às coisas ruins que tentam nos parar não desfrutaremos do melhor que conquistamos.

Se continuarmos morando no passado, remoendo o mal que o outro nos fez, ou aquilo que não deu certo para nós por um erro que cometemos não alcançaremos o melhor que tanto almejamos. Se desapega do que aprisiona a sua alma, e se dê uma nova oportunidade de ser feliz. Perdoe, se perdoe, e faça a sua vida valer a pena sem carregar pesos desnecessários. Há muito que se construir, há muito que se conquistar. Se levante, e se dê uma chance de recomeçar.

De Cecilia Sfalsin, eu gosto muito 😉

ENVELHECENDO LENTAMENTE…

Uma pessoa envelhece lentamente: primeiro envelhece o seu gosto pela vida e pelas pessoas, sabes, pouco a pouco torna-se tudo tão real, conhece o sginificado das coisas, tudo se repete tão terrível e fastidiosamente. Isso também é velhice. Quando já sabe que um corpo não é mais que um corpo. E um homem, coitado, não é mais que um homem, um ser mortal, faça o que fizer… Depois envelhece o seu corpo; nem tudo ao mesmo tempo, não, primeiro envelhecem os olhos, ou as pernas, o estômago, ou o coração. Uma pessoa envelhece assim, por partes. A seguir, de repente, começa a envelhecer a alma: porque por mais enfraquecido e decrépito que seja o corpo, a alma ainda está repleta de desejos e de recordações, busca e deleita-se, deseja o prazer. E quando acaba esse desejo de prazer, nada mais resta que as recordações, ou a vaidade; e então é que se envelhece de verdade, fatal e definitivamente. Um dia acordas e esfregas os olhos: já não sabes porque acordaste. O que o dia te traz, conheces tu com exactidão: a Primavera ou o Inverno, os cenários habituais, o tempo, a ordem da vida. Não pode acontecer nada de inesperado: não te surpreeende nem o imprevisto, nem o invulgar ou o horrível, porque conheces todas as probabilidades, tens tudo calculado, já não esperas nada, nem o bem, nem o mal… e isso é precisamente a velhice.

Sándor Márai (in ‘As Velas Ardem Até ao Fim’, Hungria

11/ Abr/ 1900 – 22/ Fev/ 1989

Escritor/Jornalista )