Acho bem divertido este texto do meu amigo Laerte Temple, quem já não passou por algo deste tipo, ou quase…
Cansado de procurar o que fazer, resolvi organizar meus livros, CDs e DVDs. Achei raridades que nem lembrava que ainda tinha. Poe, Saramago, Assis, Camus, Drummond, LPs do Trio Los Panchos, Connie Francis, Ataulfo Alves, Vinicius, Elis, DVDs históricos de Elvis, Beatles, Sinatra, Charles Aznavour, Buena Vista Social Club e outros mais. Entendem agora por que é difícil para mim curtir Jojô Todinho ou Pablo Vittar?
Liguei a TV e o portentoso “Tudo em um”, aparelho chinês compacto que reúne rádio AM/FM, CD, DVD, Blue Ray, Home Theater etc. Só falta lavar e secar. Mas aí o DVD de Simon & Garfunkel no Central Park engasgou. Liguei para a assistência e ninguém atendeu. Devem estar em quarentena. Como sou alfabetizado e curioso, consultei o manual de instruções.
Alguém com mais de sessenta já tentou ler um manual instruções de eletrônicos made in China? Uma folha A 3 semitransparente, dobrada inúmeras vezes até ficar do tamanho de um maço de cigarros sem filtro, dividida em blocos com oito idiomas, todos mal traduzidos, repleto de siglas e termos de física quântica e impresso com letras iguais às bulas de remédio para disfunção erétil. Nem com microscópio eletrônico!
Peguei óculos de leitura, lente de aumento e comecei a pesquisar. Depois de vinte minutos lendo, conectei o plug HDMI à porta 3, liguei o cabo coaxial no receiver, encaixei as tomadas USB, cliquei na tecla Function, selecionei DVD, apertei Play e esperei inicializar.
O DVD não destravou e o painel mostrou “Erro 49”.
Consultei o manual. Eu não tinha desativado e função multiplex nem conectado a entrada RGB. Desliguei tudo, contei dez segundos e reinicializei no modo Beta. Nada. Repeti o procedimento três vezes. Nada.
Consultei a lista de defeitos e soluções.
Tinha perguntas geniais como: Você tirou o aparelho da caixa? Conectou à rede elétrica? Pressionou a tecla Liga?
Como essas soluções não me atendiam, radicalizei. Peguei a chave Philips na caixa de ferramentas, desmontei a disqueteira e desencavalei o DVD. Montei tudo novamente com maior eficiência, pois sobraram umas peças, provavelmente desnecessárias, só para aumentar o preço. Liguei na tomada e pressionei a tecla ON.
Não inicializou e várias luzes azuis e vermelhas piscaram no painel. Parecia viatura da blitz da Lei Seca. O micro ondas apitou e a máquina de lavar, vazia, começou a centrifugar. Da TV e do “Tudo em um” chinês surgiu densa fumaça branca igual ao “Habemus Papam”. Arranquei tudo da tomada, porém tarde demais.
Os disjuntores chamuscaram e todas as luzes se apagaram. Curto circuito geral, no apartamento e no prédio inteiro.
Resolvi ler um livro na varanda prá disfarçar.
No dia seguinte desci nove andares para comprar pão. Tinha um pessoal no poste trocando um transformador.
O síndico me viu e disse que algum FDP deve ter feito gambiarra. Respondi “vai saber, tem muito doido metido a eletricista”.
E assim chegamos à envelhecência, com nossa alma recheada pelas experiências vividas, os olhos brilhantes ao contemplar e reconhecer a beleza da vida, inobstante os momentos terríveis e nada fáceis que tenhamos passado. Sejamos gratos. Muitos não encontram a possibilidade de vivenciar nem as alegrias, nem as tristezas, pois partem cedo demais daqui. ANTES ELA ERA BONITA… mas ela não sabia o que isso significava. Leiam:
Quando ela era uma menininha, lhe disseram que era linda, mas não tinha significado em seu mundo de bicicletas e tranças e aventuras de faz-de-conta.
Mais tarde, ela desejava ser linda, quando os meninos começaram a notar suas amigas e os telefones tocaram para encontros de sábado à noite.
Ela se sentiu linda no dia do casamento, esperançosa com seu novo parceiro de vida ao seu lado. mais tarde, quando os filhos dela disseram que ela era linda, ela estava frequentemente exausta, seu cabelo bagunçadamente amarrado pra trás, sem maquiagem, larga na cintura, onde costumava ser fina; ela simplesmente não conseguia entender.
Ao longo dos anos, enquanto ela tentava, aos trancos e barrancos, ficar bonita, ela encontrou outras prioridades, como as contas e as refeições, enquanto ela e seu parceiro trabalhavam duro para fazer uma familia, para dar conta às despesas, para transformar crianças em adultos, para fazer uma vida.
Agora, ela senta. Sozinha.
Seus filhos cresceram. Seu parceiro voou, e ela não consegue se lembrar a última vez em que ela foi chamada de linda.
Mas ela estava.
Estava linda em cada linha de seu rosto, na força de suas mãos artríticas, na amplitude que tinha um milhão de abraços impressos em sua própria pele, e em suas coxas inconstantes e tornozelos grossos, que tinham feito sua corrida por ela.
Ela viveu sua vida com um amoroso e generoso coração, tinha colocado seus braços em torno de tantos para dar-lhes conforto e paz.
Seus ouvidos tinham ouvido tanto notícias terríveis, como lindas canções, e de seus olhos tinham transbordado, oh, tantas lágrimas, que estavam eles agora brilhantes, mesmo quando escureceram.
Ela tinha vivido e era.
E porque ela era, se tornou bonita.
Gostei muito desta crônica de Suzanne Reynolds, me fez pensar sobre a beleza e o envelhecer. Beleza existe em todas as fases da vida. Mas tem muitos que tem dificuldade de enxergar com o passar do tempo. Ela existe sim… basta enxergar além do que os olhos veem.
Com o tempo, a gente se desapega das manias, reinventa as certezas, vai desatando os nós e criando laços, deixa de lado a agitação e passa a curtir a rotina da paz, do amor próprio, da delicadeza de um livro ou de uma boa companhia. Com o tempo, a gente para de viver pra fora e passa a ser feliz por dentro. By Tati Zanella
Sempre gostei de conhecer dicas pra envelhecer bem. Geralmente a maioria delas fala sobre bom humor, cuidados com a saúde (bons hábitos alimentação, movimentar-se…) e aprender entre outros. Isto sempre me faz refletir que temos mais tempo de vida hoje, e precisamos usar muito bem. Esta entrevista eu achei bem interessante. Leia:
Dê uma boa olhada na foto abaixo. Somos eu e Eugênia Fischer, avó de uma grande amiga, que, desde que comecei a escrever o Ageless, me dizia: “Você precisa conhecer minha avó”. O retrato foi feito no nosso encontro para um café na última semana (mostrei mais fotos e vídeos com ela no meu Instagram, me siga lá: @silviaruizmanga). #eugeniafischer #silviaruizmanga
Posso dizer que foi uma das entrevistas mais emocionantes que já fiz. Por que? Porque a Eugênia tem nada menos do que 103 anos e é uma das mulheres mais inspiradoras que eu conheci. E depois do nosso papo o significado de Ageless, sem idade, ganhou ainda mais sentido para mim. Eugênia é a prova viva de que idade não é limite para nada. #ageless
Ela nasceu em Buenos Aires e se mudou para o sul do Brasil ainda criança. Como a maior parte das mulheres de sua época, casou cedo, teve três filhos, era dona de casa, nunca precisou trabalhar. Mas diferente também das mulheres do seu tempo, Eugênia não se acomodou com essa vida. Dentro dela havia uma mulher cheia de opinião e com necessidade de independência. Depois dos 50 anos ela achou que era hora de sair da gaiola. A primeira providência foi terminar um casamento que não a fazia feliz. E o começo da fase mais feliz da vida dela foi justamente aí, depois dos 50!
Pratique o otimismo:
A querida dona Eugênia me deu algumas lições de vida que vão me acompanhar em 2020 e para sempre:
“Saber envelhecer é uma arte. Eu sei envelhecer. Eu recebo tudo da maneira que tenho que receber. E mesmo as situações mais difíceis eu consigo superar. Porque eu sou otimista! “
A vida nem sempre foi tranquila, Eugênia perdeu muitas pessoas queridas ao longo da jornada, inclusive uma das filhas recentemente. Mas ela segue com um olhar de otimismo e bom humor impressionantes. “A gente tem que aprender a deixar as coisas passarem, sem nos abater. Tudo melhora. “
Livre-se de relações tóxicas:
Terminar um casamento depois dos 50 anos é sempre muito difícil. O medo de ficar sozinho ou de não ter um companheiro para o fim da vida, por exemplo, pode fazer muita gente manter uma relação mesmo que ela faça mais mal do que bem. “Hoje eu não me casaria jamais. Me separei depois de 28 anos de casada e foi a melhor coisa que eu fiz. Não tive medo de nada, eu queria ser livre e viver”, diz Eugênia.
Não teve medo nem do julgamento social da época? “Naquela época eu nunca soube de ninguém que fosse separada. Não tinha separação. A mulher que se separava era vista como vagabunda. Levava a culpa. O homem não. Mas eu não tive medo de nada. A gente não pode viver em um casamento infeliz!”
Nunca deixe de estudar:
Você é daquelas que acha que já está velha para aprender? Ou para voltar para a faculdade? Pois a Eugênia fez curso superior aos 50 anos. Estudou Turismo e ainda deu aulas. E há mais de 20 anos ela é aluna da Universidade Aberta da Maturidade da PUC, em São Paulo. Vai religiosamente às aulas, onde é a veterana da turma que virou sua segunda família.
“Eu nunca parei de estudar. Minhas melhores amigas hoje são minhas colegas da faculdade, que é minha segunda casa. ” Acha que está tarde para aprender outro idioma? Eugênia fez intercâmbio nos Estados Unidos aos 80 anos! Você leu direito: aos 80! Foi sozinha para os EUA, se instalou em uma casa de hospedagem para estudantes estrangeiros por três meses. “Um dia o diretor da universidade veio falar comigo. Disse que era melhor eu ir embora porque não poderia se responsabilizar por mim caso algo de errado acontecesse”, diz ela aos risos. “Todos os dias me encontrava e dizia: por favor, se cuide”.
Leia o máximo que puder:
Eugênia me mostra orgulhosa a estante cheia de livros que juntou ao longo da vida. “Eu sempre li muito, sempre foi meu maior prazer. Minha cabeça está bem até hoje muito em função da leitura. Minha maior tristeza hoje é não conseguir mais ler. Há quatro anos minha visão piorou muito já não consigo ler, mesmo com lente de aumento. “
Durma bem, coma direito e movimente o corpo:
“Eu sempre dormi muito. Como não precisava trabalhar, acordava tarde. Dormir bem faz bem. Eu gosto de dizer que vivo tanto porque fui muito bem conservada”, brinca ela. A alimentação equilibrada foi uma preocupação constante na vida de Eugênia. “Eu sou hoje o que fui a vida toda. Não como gorduras, detesto! E também não como doces, jamais. Nem mesmo em festas. Não gosto”. Caminhar muito sempre foi a regra na vida dela. Até hoje vai a pé para a faculdade que fica a alguns quarteirões de sua casa em São Paulo.
Como podemos ver, Eugênia praticou a vida toda o que é recomendado por qualquer médico hoje em dia para quem quer prevenir doenças: dormir bem, se alimentar sem exageros, passar longe do açúcar e fazer atividade física. Estilo de vida é tudo!
Seja vaidosa por você, não pelos outros, e não se “abandone”
Eugênia está sempre arrumadíssima. O cabelo impecável, anel brincos e colares combinando, roupas modernas que em nada lembram a de tantas velhinhas que conhecemos. Não tem vontade de ficar de pijama quando está em casa? “De jeito nenhum! Jamais! Me arrumo para mim, não para os outros. Acho um respeito comigo mesma levantar e cuidar de mim, me arrumar para a vida. ” Segredo de beleza? Nenhum, ela garante que nunca teve neuras com isso. Fez uma plástica no rosto aos 50, passa apenas um creme na cara há anos (diz que tem até esquecido ultimamente), mas tem uma pele impressionante! Ela garante que é culpa do tal otimismo.
Não deixe de se divertir:
Eugênia conta que uma das melhores fases da vida dela foi aos 80 anos. “Foi a época em que eu mais viajei”. Ela ama conhecer novos lugares e viajou pelo mundo, nunca deixou o marasmo tomar conta da vida. Outro programa que ela adora é jogar em cassinos. A festa de 100 anos, aliás, foi em um cassino em Foz do Iguaçu para onde viajou com filhos e netos em 2015. “Graças a deus aqui no Brasil é proibido”, diverte-se Eugênia.
Meus votos para você em 2020 é que você seja tão livre e dono de si quanto a querida Eugênia. Que você pratique o otimismo, cuide de você mesmo, acredite que nunca é tarde para ser feliz. Muito menos para ser Ageless.
“…Em que espelho ficou perdida a minha face”… (Cecília Meireles )
Às vezes acordo triste e nem sei o porquê dessa tristeza. Uma angústia, um descontentamento, uma solidão interior… Muitas vezes vem uma vontade de chorar, uma fragilidade que nada parece estar bom… Nós ,que já passamos dos 50, muitas vezes nos encontramos assim. O mundo inteiro caminha normalmente, tudo está bem e vem essa tristeza. Quantas vezes eu me olhei no espelho e me curti, me achei linda e sai dona do mundo esbanjando mocidade e vendendo alegria? Quantas vezes fui elogiada, fotografada por olhares cheios de admiração? E no espelho desfilei caras e bocas…Com a beleza que aos poucos foi se modificando, foi mudando de fases, foi se perdendo e dando lugar a um outro tipo de mulher: a mulher madura, aquela que muitas vezes ouve como elogio: você está conservada. Que triste elogio! Diga como vc está bonita, que linda vc está. ..soa melhor, engrandece a alma, que hoje já tem tantas cicatrizes. Beleza está em todas as idades, conversem com seu espelho e descubra o seu ponto forte, ele pode estar no seu interior. Onde ficou perdida minha face? Não sei, só sei que vou passar o meu batom vermelho, rimel e lápis nos olhos, deixar meus cabelos ao vento, vestir meu vestido de festa e subir no salto, como sempre fiz e sair linda e maravilhosa curtindo os meus 68anos.
Faça o mesmo vc de 50, 60, 70, 80, 90… E não se entristeça vivendo do passado e tendo medo de aproveitar a vida. Se não usar mais salto, coloque uma rasteirinha ou se preferir fique descalça na areia da praia. Você é linda em qualquer idade.
Para todas as mulheres que se amam e que amam a vida, assim como eu 🤩
De repente tudo vai ficando tão simples que assusta.
A gente vai perdendo algumas necessidades, antes fundamentais e que hoje chegam a ser insignificantes. Vai reduzindo a bagagem e deixando na mala apenas as cenas e pessoas que valem a pena. As opiniões dos outros são unicamente dos outros, e mesmo que sejam sobre nós, não têm a mínima importância. (…)
Vamos abrindo mão das certezas, pois com o tempo já não temos mais certeza de nada. E de repente isso não faz a menor falta. (…) Paramos de julgar, pois já não existe certo ou errado, mas sim a vida que cada um escolheu experimentar.
(…) Por fim entendemos que tudo que importa é ter paz e sossego. É viver sem medo, e simplesmente fazer algo que alegra o coração naquele momento. É ter fé. E só. Isto basta aqui e agora, nos diz Elaine Matos, o que eu assino embaixo. Basta de mediocridades e diz que diz, quero leveza e paz… só isto. Viver de bem comigo mesma e com a vida. Não quero carregar nenhum peso, descarreguei tudo na última parada, já a algum tempo. Ando mais devagar apreciando tudo pela janelinha… Saboreando cada instante. Pronto… quando eu chegar lá saberei que levei comigo só o que realmente é importante.
Entre todas as opções que tiver, não escolha o que é conveniente, o que é confortável ou racional, nem faça a escolha baseada no que as pessoas esperam que você escolha.
Se dê a oportunidade de fazer o que toca o seu coração. Só assim é que existe realização. Os maiores arrependimentos sempre se referem ao que não nos permitimos experimentar. Escolha com o que você sente aí dentro do peito. Deixe sua alma expressar o seu querer. Arrisque-se a seguir o anseio da sua alma. É isso que faz a vida valer a pena, é isso que acaba com aquele buraco que a gente às vezes sente que tem, dentro do peito. Se aventure a fazer o que toca seu coração. Você não precisa provar nada a ninguém, nem a si mesma. Você precisa é se dar o direito de se fazer feliz.
Achei esta crônica muito interessante, representa muito de nós, que envelhecemos de bem com a vida.
Não ligo muito pra datas e não sou de fazer muitos planos. Toda vez que quis planejar demais a vida, o acaso deu um jeito de aparecer e mudar o rumo das coisas. Não sei por que, mas sempre atribuí isso ao fato de ser uma baby boomer.
Por outro lado, curiosidade nunca me faltou. Então, foi assim que cheguei aos 60 anos. Meio no susto e com a cabeça cheia de perguntas. Se quiser interpretar isso como insegurança, fique à vontade. Entrar para a categoria dos idosos teve um impacto forte em mim. Não dá pra negar. Tão forte que quebrou coisas, o que foi ótimo. Mas isso eu só percebi depois.
Na linha de chegada o cenário estava bem confuso. De um lado, um monte de gente tentando transformar a velhice na “melhor idade”, com casais grisalhos sorridentes em anúncios de fraldas ou de cola para dentadura. De outro, velhinhos sarados pulando de bungee jump. Velhinhas extravagantes “curtindo a vida adoidado”. Principalmente fora do Brasil.
Aqui, antenados apontando para o preconceito contra a velhice no País. Para o triste descaso das marcas e da mídia em relação aos 60+. Empresas de marketing e pesquisa discorrendo sobre a sensação de invisibilidade trazida à cena por esse público. Para as dificuldades financeiras e entraves ao bem estar, ainda tão comuns na vida dos idosos do Brasil. Esse Brasil que envelheceu antes de se estruturar pra isso e onde chamar alguém de velho é ofensa.
Lá estava eu. Nem tão grisalha, nem tão idosa, sabendo que continuava a mesma de sempre, mas que agora pertencia uma nova e categoria.
O fato é que a invisibilidade não chega aos 60. Chega bem antes. Aos 60, a gente reaparece como um velhinho corcunda de bengala, estampado no estacionamento de um shopping ou numa placa de trânsito. Fui dormir uma mulher de 59 anos e acordei uma senhora idosa de 60. Não foi uma crise de identidade. Mudaram minha identidade sem pedir a minha permissão.
Fazer o que. Fui lendo e tentando descobrir o que outras pessoas estavam pensando. Fui mais fundo na psicoterapia, vasculhei minhas vulnerabilidades e aos poucos fui me reencontrando. Quebrei defesas e comecei a construir pontes, que é o único jeito de vencer preconceitos. Eles rondam por todo lugar. Passei a ouvir mais pessoas e também a expor mais minhas verdades.
Se a invisibilidade dos 60 menos é um tanto silenciosa, o velhinho de bengala não tem medo de fazer barulho. É preciso romper esse manto da invisibilidade. Isso não é importante só pra nós. É pra todos que vierem depois.
Seja pelo incentivo dos ageless, que se mantém joviais e interessados pela vida, sem dar a mínima para a idade. Seja por inspiração dos fora da curva, aqueles velhos que simplesmente não aceitam a ideia de envelhecer e mostram que sim, o corpo aguenta. Seja simplesmente por acharem que é a coisa certa a fazer, o fato é que os 60+ aos poucos estão saindo do armário. Estão se valorizando, gostando mais de si.
Esse movimento gerou um certo barulho. O suficiente para que as marcas brasileiras começassem a acordar. E mesmo que tenha demorado, isso é motivo de comemoração. Tá na hora de somar, não diminuir.
Se você quer pintar o cabelo, pinte. Se quer ostentar a prata no seu telhado, ostente. Quer dançar e cantar na rua? Desafie sua timidez. Quer trabalhar? Procure um problema pra resolver. Arregace as mangas. Estenda a mão. Construa junto.
Se você é um babyboomer, já viveu muitas revoluções. Já passou por poucas e boas. Já sofreu, já chorou, mas também deu boas risadas, não deu? Você faz parte de uma geração que quando era jovem ousou, brigou e exigiu como poucas até então. Com isso, derrubou barreiras, ampliou o diálogo e as trocas entre as pessoas. Mudou o mundo.
Então agora você não vai se encolher, né? Por favor. É hora de ocupar esses espaços e de abrir muitos outros. É hora de continuar a crescer.
*Este texto de Helena Morais, do blog Sessenteen, foi publicado na Coletânea Amo Minha Idade, organizado por Edna Perroti e Elizabete Marin. Fonte:
Vivendo e ousando cada vez mais. Gostaria de compartilhar com vocês a minha entrevista como escritora de um livro de antologias. Uma experiência única, onde a partir de um convite decidi experimentar. O livro “ Nos dias em que o mundo parou” ficou lindo, onde eu abro com o primeiro capítulo. Uma estreia que muito me emocionou.
Neste tempo de COVID, aproveitamos que (re) pensar em muitas coisas! Tempo para refletir é o que não nos falta rsrsrs. É bom desapegar das coisas desnecessárias 💥 Por que tantas coisas soberbas ou não, guardadas nos armários, nas gavetas… esperando a hora certa de usar… ou jogar fora? Fazemos muito isto ao logo da nossa vida, muitas vezes sem se dar conta de que a vida é um fio! Com certeza estamos na pandemia dando mais valor para as coisas mais simples da vida. Reaprendendo a viver dentro da nossa casa, mudamos algumas coisas de lugar, ajeitamos aqui ou ali… hoje muito mais do que um lugar só para dormir; Resgatando a convivência familiar dia a dia, encontrando momentos certos para estudar, trabalhar, cozinhar, arrumar tudo e se divertir… todos juntos e misturados… e está sendo uma linda descoberta para a maioria das famílias; Valorizamos mais do que nunca as escolas e os professores… sentimos tanto a sua falta: das aulas presenciais, das interações, dos espaços de convivência tão importantes na vida de todos nós, muitas vezes deixados de lado. O que não vai faltar será o fortalecimento da parceria entre ambos; Dos encontros ao vivo e a cores com nossa família e os amigos, de fazer novos amigos que apreciamos tanto. Agora tudo via on-line, tão cheio de afeto e alegria, onde usar a criatividade tem feito a diferença. Em breve haverá muito mais encontros para brindar a vida é dar abraços. Fazer contato com amigos distantes, surgiu em maior grau durante o isolamento; A solidariedade desponta como algo essencial, ajudar ao próximo tem sido prazeroso para todos nós e tem sido praticado com bastante intensidade. Num momento mundial onde a economia e o desemprego se desestabilizam o planejamento financeiro tem sido cada vez mais necessário; Tantas outras necessidades surgem e vamos descobrindo maneiras de nos reinventar para esta “nova realidade normal” mundial que desponta. Não precisamos de muito pra ser feliz. Simplicidade e amor é tudo que precisamos! Pra refletir:
“A GENTE VAI EMBORA… e fica tudo aí, os planos a longo prazo e as tarefas de casa, as dívidas com o banco, as parcelas do carro novo que a gente comprou pra ter status. A GENTE VAI EMBORA… sem sequer guardar as comidas na geladeira, tudo apodrece, a roupa fica no varal. A GENTE VAI EMBORA… se dissolve e some toda a importância que pensávamos que tínhamos, a vida continua, as pessoas superam e seguem suas rotinas normalmente. A GENTE VAI EMBORA… as brigas, as grosserias, a impaciência, serviram para nos afastar de quem nos trazia felicidade e amor. A GENTE VAI EMBORA… e todos os grandes problemas que achávamos que tínhamos se transformam em um imenso vazio, não existem problemas. Os problemas moram dentro de nós. As coisas têm a energia que colocamos nelas e exercem em nós a influência que permitimos. A GENTE VAI EMBORA… e o mundo continua normal , como se a nossa presença ou ausência não fizesse a menor diferença. Na verdade, não faz. Somos pequenos, porém, prepotentes. Vivemos nos esquecendo de que a morte anda sempre à espreita. A GENTE VAI EMBORA… pois é. É bem assim: Piscou, a vida se vai… O cachorro é doado e se apega aos novos donos. Os viúvos se casam novamente, andam de mãos dadas e vão ao cinema. A GENTE VAI EMBORA… e somos rapidamente substituídos no cargo que ocupávamos na empresa. As coisas que sequer emprestávamos são doadas, algumas jogadas fora. Quando menos se espera… A GENTE VAI EMBORA. Aliás, quem espera morrer? Se a gente esperasse pela morte, talvez a gente vivesse melhor. Talvez a gente colocasse nossa melhor roupa hoje, talvez a gente comesse a sobremesa antes do almoço. Talvez a gente esperasse menos dos outros… Se a gente esperasse pela morte, talvez perdoasse mais, risse mais, saísse à tarde para ver o mar, o pôr do sol, talvez a gente quisesse mais tempo e menos dinheiro. Quem sabe, a gente entendesse que não vale a pena se entristecer com as coisas banais, ouvisse mais música e dançasse mesmo sem saber. O tempo voa. A partir do momento que a gente nasce, começa a viagem veloz com destino ao fim – e ainda há aqueles que vivem com pressa! Sem se dar o presente de reparar que cada dia a mais é um dia a menos, porque… A GENTE VAI EMBORA o tempo todo, aos poucos e um pouco mais a cada segundo que passa. O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM O POUCO TEMPO que lhe resta?!
Que possamos ser cada dia melhores, amorosos, humildes, e que saibamos reconhecer o que realmente importa nessa passagem pela Terra!!!
Até porque… A GENTE VAI EMBORA… qualquer dia destes 😉