CASA… LAR!

Casa só se torna lar quando comporta marcas na parede registrando o crescimento do menino, xícara com asinha lascada de tanta prosa e chá, panela queimada no clássico de domingo, saudade estampada no porta retrato da sala.

Não importa quão longe você queira ir, não importa de quem você deseja fugir, seu lar é onde seu coração está…

By Fabiola Simões

INESPERADO!

Somos programados a permanecer naquilo que é conhecido: nossa vida, nossa rotina, nosso mundo, nosso passado.

Mas o que nos faz recomeçar é o inesperado. Sempre é.

E de vez em quando temos que nos submeter ao imprevisível, quer queira, quer não.

Aquilo que te pega de surpresa, num dia comum… a partir do qual tudo muda.

São novas chances, não apenas tormenta. Novas possibilidades, não apenas provações.

E você sofre porque terá que reformular o desenho cerebral. O mapa tão conhecido que te conduziu até aqui.

É doloroso. Mas também bonito. Você ainda não enxerga beleza, mas uma hora olhará pra trás com entendimento e perceberá que foi capaz de rearranjar-se novamente. O inesperado foi uma benção. Sempre é.

By Fabiola Simões

SILENCIAR…

A vida é barulhenta. Dentro ou fora de nós, nada se aquieta. Queremos nos comunicar, exigimos respostas na velocidade de super-hiper-mega bytes, contabilizamos “notificações”, desejamos ser cutucados de volta. Sem perceber, desaprendemos a silenciar. Desaprendemos a suportar a voz que cala e sofremos com a falta de respostas. Desaprendemos a ser ausência.

De vez em quando é necessário ser silêncio. Habituar-se à própria presença, inteirar-se de sua solidão. Comunicar tudo sem dizer nada.

By Fabiola Simões

FRASES QUE ME IMPACTOU…

Algumas frases de *Dorothy Parker escritas em diversas fases da sua vida e que passaram para posteridade, gosto muito dela pela espirituosidade, por mesclar alegria e tristeza:

– Quatro são as coisas que eu quero ter a sabedoria de conhecer:

preguiça, mágoa, um amigo e um inimigo.

– Há quatro coisas que eu de bom grado dispensaria:

amor, curiosidade, sardas e dívidas.”

-Tres coisas que não devo ter: inveja, alegria e champanhe suficiente.

-Três coisas que devo ter até morrer: risos, esperança e um soco no olho.

EU…

Vim aqui me buscar, com medo e coragem. Com toda a entrega que me era possível. Com a humildade de quem descobre se conhecer menos do que supunha e com o claro propósito de se conhecer mais. Vim aqui me buscar para varrer entulhos. Passar a… limpo alguns rascunhos. Resgatar o viço do olhar. Trocar de bem com a vida. Rir com Deus, outra vez. Vim aqui me buscar para não me contentar com a mesmice. Para dizer minhas flores. Para não me surpreender ao me flagrar feliz. Para ser parecida comigo. Para me sentir em casa, de novo.

Texto de Ana Jácomo

SENSÍVEL…

Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Todo dia. Esse jeito de ouvir além dos olhos, de ver além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio tão clara no próprio coração e tantas vezes até doer ou sorrir junto com toda sinceridade. Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada. Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com a indelicadeza. Esse cuidado espontâneo com os outros. Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada. Essa saudade, que às vezes faz a alma marejar, de um lugar que não se sabe onde é, mas que existe, é claro que existe. Essa vontade de espalhar buquês de sorrisos por aí, porque os sensíveis, por mais que chorem de vez em quando, não deixam adormecer a idéia de um mundo que possa acordar sorrindo. Pra toda gente. Pra todo ser. Pra toda vida. Eu até já tentei ser diferente, por medo de doer, mas não tem jeito: só consigo ser igual à mim.

By Ana Jácomo

SOU ASSIM…

Apesar de todos os medos, escolho a ousadia. Apesar dos ferros, construo a dura liberdade.

Prefiro a loucura à realidade, e um par de asas tortas aos limites da comprovação e da segurança.

Eu, Bia, sou assim.

Pelo menos assim quero fazer: a que explode o ponto e arqueia a linha, e traça o contorno que ela mesma há de romper.

A máscara do Arlequim não serve apenas para o proteger quando espreita a vida, mas concede-lhe o espaço de a reinventar.

Desculpem, mas preciso lhes dizer:

EU quero o delírio.

By Lya Luft

CANÇÃO DA PLENITUDE.

Não tenho mais os olhos de menina nem corpo adolescente, e a pele translúcida há muito se manchou.

Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura agrandada pelos anos e o peso dos fardos bons ou ruins.

(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: dou-te os meus ganhos.

A maturidade que consegue rir quando em outros tempos choraria, busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada.

Posso dar-te muito mais do que beleza e juventude agora: esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, com mais paciência e não menos ardor, a entender-te se precisas, a aguardar-te quando vais, a dar-te regaço de amante e colo de amiga, e sobretudo força — que vem do aprendizado.

Isso posso te dar: um mar antigo e confiável cujas marés — mesmo se fogem — retornam, cujas correntes ocultas não levam destroços mas o sonho interminável das sereias. busca te agradar quando antigamente quereria

A maturidade que consegue rir quando em outros tempos choraria, apenas ser amada.

Do livro “Secreta Mirada”, Editora Mandarim – São Paulo, 1997, pág. 151. Lya Luft