COSTURANDO 🥰 Á MÃO.

Uma história de avós e netos: Uma avó conversando com a neta.

– Avó, o que posso fazer quando estou desesperada?
– Costura, minha menina. À mão, devagar. Aproveitando cada onda criada com seus próprios dedos.
– Costurar afasta o desespero?
– Não. Costurando, bordando você o decora. Olha para a cara dele. Enfrenta-o. Da-lhe forma. Atravessa-o . E vai além.
– Realmente é tão poderoso costurar à mão?
– Claro, querida. As pessoas já não costuram e por isso estão desesperadas. As costureiras sabem que com agulha e linha você pode enfrentar qualquer situação escura conseguindo criar obras-primas maravilhosas. Enquanto você move suas mãos é como se você movesse sua alma de forma criativa. Se você se deixar transportar pelo ritmo repetitivo do remendo e do bordado, você entra em um verdadeiro estado meditativo. Você consegue chegar a outros mundos. E o emaranhado de fios emocionais dentro de você se suaviza. Sem fazer mais nada.
– O que você aprende bordando?
– A enfrentar cada ponto. Só isso. Sem pensar no próximo ponto. A gente se foca no ponto presente, em cada costura. É esse ponto que nos escapa na vida diária. Estamos desesperados porque sempre pensamos no futuro. E se pensamos assim o bordado se torna desarmônico, confuso, pouco curado.
– Sim, mas vó… as preocupações e medos como vencer com a costura?
– Minha menina. Você não precisa vencer. Precisa acolher os medos, as preocupações. E compreendê-los. Costurando se tece o enredo da vida com suas mãos, é você que cria o vestido adequado para si mesma. Bordando você se conecta àquele fio fino que pertence a toda a humanidade e aos seus mistérios. Costurando você se transforma em uma aranha que tece sua teia contando silenciosamente ao mundo todos os segredos da vida. Entrelaçando os fios, entrelace seus pensamentos, suas emoções. E você se conectará ao divino que está em você e que segura o início do fio.

De Elena Bernabè

SOU FEITA DE RETALHOS…

“Sou Feita de Retalhos” de Cris Pizziment me representa muito. Hoje é aniversário do meu filho que mora fora do país. Parabéns meu amor 💫⭐️. Queria contar pra ele que somos feitos de muitas histórias… momentos e lembranças… que fazem o que somos hoje.

“Sou feita de retalhos. Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou.

Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior… Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade… Que me tornam mais pessoa, mais humana, mais completa.

E penso que é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se tornando parte da gente também. E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados… Haverá sempre um retalho novo para adicionar à alma.

Portanto, obrigada a cada um de vocês, que fazem parte da minha vida e que me permitem engrandecer minha história com os retalhos deixados em mim. Que eu também possa deixar pedacinhos de mim pelos caminhos e que eles possam ser parte das suas histórias.

E que assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de ‘nós’”.

VIVER SEM TEMPOS MORTOS…

Naqueles momentos em que ficamos conosco mesmo… vem muitas coisas no pensamento. O tempo todo… vai e volta. Adoro as vezes o silêncio e a minha companhia, penso em tantas coisas 😉… Este Trecho da peça “Viver sem tempos mortos”, inspirada na correspondência de Simone Beauvoir e Jean-Paul Sartre…. adoro:

(…) Não mais me deitar no feno perfumado ou deslizar na neve deserta.
Onde eu exatamente me encontro?
O que me surpreende é a impressão de não ter envelhecido, embora eu esteja instalada na velhice.
O tempo é irrealizável.
Provisoriamente o tempo parou para mim.
Provisoriamente.
Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro.
O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar.
Portanto, ao meu passado, eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo.
Hoje, que espaço o meu passado deixa para a minha liberdade hoje? Não sou escrava dele.
O que eu sempre quis foi comunicar unicamente da maneira mais direta o sabor da minha vida. Unicamente o sabor da minha vida.
Acredito que eu consegui fazê-lo.
Vivi num mundo de homens, guardando em mim o melhor da minha feminilidade.
Não desejei e nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos. (…)

Obs: A peça foi protagonizada por Fernanda Montenegro pela primeira vez em 2012 e reapresentada em 2018.

Assista:

SE EU MORRESSE AMANHÃ…

Este texto de José Micard Teixeira descreve bem como os desafios da vida, as tristezas nos fazem aprender e a crescer. Necessárias, eu diria. Nos impulsionam a seguir caminhos muitas vezes impensáveis. Tudo passa! A fila anda! De vento em popa… são frases verdadeiras nas minhas reflexões. Leiam:

Se eu morresse amanhã, partiria grato pelas vezes em que senti tristeza, porque através dela mantive a esperança de mudar. Poucos entendem a força da tristeza. A grande maioria das pessoas foge dela porque a associa a desgraças e perdas. De facto, devíamos agradecer a tristeza da mesma maneira como agradecemos a alegria. Devíamos deixar de nos entristecer com a tristeza e aceitá-la como uma dádiva da vida, porque apenas quem conhece bem a tristeza toma consciência do que ela lhe está a dizer. Já vivi muita tristeza, muita dor, muito desespero, mas hoje sei que vivê-los foi das coisas mais gratificantes para a direção que escolhi seguir. Sem tristeza, não existe vida. Sem tristeza, não existe mudança. Sem tristeza, esquece-se o que se amou.

Veja também: https://oterceiroato.com/2020/10/21/quando-a-gente-vai-embora-ai/

https://oterceiroato.com/2020/10/09/adaptando-se-ao-envelhecimento/

COISAS BOAS… OLHAR PRA TRÁS E SENTIR LEVEZA!

Gosto do que Ana Jácomo, diz sobre olhar para trás… tantas coisas 👀

Coisa boa olhar pra trás e sentir que a gente conseguiu sair dos lugares onde não tinha luz. Desapertar apertos enquanto colocava os pés no caminho. Desmanchar nuvens pesadas de tristeza com autoescuta e paciência.

Coisa boa olhar pra trás e sentir que agora a gente ama um pouquinho melhor. Que nossa bondade esticou os seus braços. Que tem joaninha pousada na nossa memória. Que, depois da ausência de nós mesmos, nosso amor hoje nos inclui.

Coisa boa olhar pra trás e sentir que pode ser mais simples. Que a gente não abre mais tanto espaço para complicação. Que ainda tem uma criança que brinca de roda com nossa alegria. Que tem passarinho no nosso sorriso. Que no nosso olhar ainda tem flor.

Coisa boa olhar pra trás e sentir ainda mais gratidão pela família da gente. Perceber que certas tempestades incrivelmente nos transformaram de um jeito bem bonito. Saber que, apesar de tanto, nosso coração ainda é bom. Saber que, apesar de tudo, o que prevalece é o amor.

ENVELHECER DE BEM COM A VIDA…

“Envelhecer é o único meio de viver muito tempo.
A idade madura é aquela na qual ainda se é jovem, porém com muito mais esforço.
O que mais me atormenta em relação às tolices de minha juventude não é havê-las cometido…
E sim não poder voltar a cometê-las.
Envelhecer é passar da paixão para a compaixão.
Muitas pessoas não chegam aos oitenta porque perdem muito tempo tentando ficar nos quarenta.
Aos vinte anos reina o desejo, aos trinta reina a razão, aos quarenta o juízo.
O que não é belo aos vinte, forte aos trinta, rico aos quarenta, nem sábio aos cinquenta, nunca será nem belo, nem forte, nem rico, nem sábio…
Quando se passa dos sessenta, são poucas as coisas que nos parecem absurdas.
Os jovens pensam que os velhos são bobos; os velhos sabem que os jovens o são.
A maturidade do homem é voltar a encontrar a serenidade como aquela que se usufruía quando se era menino.
Nada passa mais depressa que os anos.
Quando era jovem dizia:
“Verás quando tiver cinquenta anos”.
Tenho cinquenta anos e não estou vendo nada.
Nos olhos dos jovens arde a chama, nos olhos dos velhos brilha a luz.
A iniciativa da juventude vale tanto a experiência dos velhos.
Sempre há um menino em todos os homens.
A cada idade lhe cai bem uma conduta diferente.
Os jovens andam em grupo, os adultos em pares e os velhos andam sós.
Feliz é quem foi jovem em sua juventude e feliz é quem foi sábio em sua velhice.
Todos desejamos chegar à velhice e todos negamos que tenhamos chegado.
Não entendo isso dos anos: que, todavia, é bom vivê-los, mas não tê-los.
Adoro este texto de Albert Camus, tem muito do encantamento que os avós vivem com os netos. Sei bem disto

A ARTE DE SER AVÓ.

Uma singela homenagem aos avós que nos tempos modernos tem muitas vezes ajudado (ou até substituído) muitos pais em seu papel de protetores e educadores. Sempre parceiros, nesta missão. Parabéns a todos os avós 💗💓.

Não me canso de lembrar de tantas coisas boas que nossos netos nos trazem. Construímos muitas histórias juntas… marcamos nossas vidas eternamente… moramos no coração e no pensamento ⭐️… cheios de ternura e afeto 💓💗 carregados de amor 💓💗.

João Pedro (5 anos 🇬🇧) Noah (2 anos 🇺🇸) Eva (2 anos 🇫🇷)… são as minhas preciosidades… minha maior alegria. Gratidão. Eu sou uma avó coruja assumida:

“Netos são como heranças. Você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu… Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, as dores da maternidade.

E não se trata de um filho suposto. O neto é, realmente, o sangue do seu sangue, o filho do filho, mais filho que filho mesmo….

A velhice tem suas alegrias, as suas compensações… Todavia, às vezes, lhe dá aquela nostalgia da mocidade. Não de amores nem de paixão; a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança…. Meu deus, para onde foram as suas crianças?

Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que se lhe é “devolvido”. E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito sobre ele, ou pelo menos o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo ou decepção.

A avó não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Faz coisas não programadas. Leva a passear, “não ralha nunca”. Deixa lambuzar de pirulito. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, a secreta aliada nas crises de rebeldia.

E quando você vai embalar o neto e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz “vó”, seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.”

Uma mensagem linda de Raquel de Queiroz que me toca profundamente. Me identifico muito com o que ela diz. Avó tem sido uma das melhores experiências da minha vida.

Dedico a todos os avós. Feliz Dia dos Avós 💓💗⭐️💐

(Fortaleza, 17/11/1910 – Rio de Janeiro, 4/11/2003)

Veja também: https://oterceiroato.com/2020/09/16/maturidade-acalma-2/

https://oterceiroato.com/2020/09/16/avos-anjos-em-forma-de-gente/

https://oterceiroato.com/2020/10/15/historia-do-avental-da-vovo/

https://oterceiroato.com/2020/07/26/avos-de-hoje-em-dia/

CONSELHO DE AVÓS.

Dia dos avós chegando, 👀 diferente agora com esta pandemia interminável que estamos passando… sempre regados de afeto ❤️. Se eu pudesse dar apenas um conselho aos vovós corujas, seria esse:

“Deixem os avós serem avós…”💗
Avós tem mil fotos do neto no celular, que ele pode mostrar, postar e babar… pois ter um neto é um privilégio dado por Deus… uma benção, eu diria.
Avós não precisam de permissão para visitar ou dar colinho…
Nem precisam de horário estipulado para irem embora… (usando o bom senso né?)
Avós querem ajudar no banho, fazer ninar se preciso e cheirar aquela carinha linda…
Avós são abrigo seguro, são mãos estendidas e protetores fiéis…
Avós sejam maternos ou paternos são iguais no amor, se preocupam e sentem saudades… e muita…

Gostam de dar conselhos e contar como era a maternidade no seu “tempo”… nostalgia cheia de emoções.
Avós não querem só contar histórias querem fazer história na vida do neto… E quantas tem construído juntos. Doces memórias que se eternizam.
Querem brincar e ensinar sapequices… vibrar com tudo.
Eles querem ser o apoio do filho e o olhar atento ao neto para que os pais possam descansar ou trabalhar…


Por que o breve é breve e o tempo você sabe…ele voa! E nós avós iremos partir e queremos deixar lembranças bonitas para nossos netos.

Quero desejar a todos os avós momentos maravilhosos e marcantes entre esta linda convivência que acontecem no dia a dia. Que possam deixar afeto e doçuras mil ❤️ . Eu escrevi um texto lindo no livro Avós e Netos… vale a pena ler. Tenho comigo alguns poucos exemplares ainda.

Veja também: https://oterceiroato.com/2020/10/15/historia-do-avental-da-vovo/

https://oterceiroato.com/2020/09/16/avos-anjos-em-forma-de-gente/

AMIGOS…

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.

Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.”

Esta crônica de, Oscar Wilde vem bem de encontro com o que eu procuro nos meus amigos. Leveza e compreensão

Veja também: https://oterceiroato.com/2020/12/16/eu-mudei/

https://oterceiroato.com/2020/11/27/viver-por-dentro/

AMIGOS, SÃO…

Dizia Fernando Pessoa… e eu concordo 😉

Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril”