E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras.
Mais um assunto que ando pesquisando. Mudar de país, te faz aprender e se manter atualizado sobre tudo que anda acontecendo por lá. Gostei muito desta reportagem, leiam…
Diante das preocupações com a imigração irregular e o aumento das ameaças à segurança, os governos europeus buscam garantir a eficácia dos mecanismos de administração fronteiriça. No entanto, atrasos na implementação das novas medidas de segurança da União Europeia (UE) colocam Portugal em risco de ser suspenso do Espaço Schengen.
Entenda mais detalhes sobre a situação.
Questões de segurança podem suspender Portugal
Portugal enfrenta o risco de suspensão do Espaço Schengen devido ao atraso na implementação dos sistemas essenciais para os novos procedimentos de controle de fronteira da União Europeia.
Dispositivos biométricos precisam ser instalados nos aeroportos, viabilizando a operacionalização do Sistema de Entrada e Saída (SES) e do Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagens (ETIAS). Até abril, esses equipamentos ainda não haviam sido solicitados.
Implementação dos sistemas se aproxima
O ETIAS, inicialmente programado para lançamento em 2020 e adiado em várias ocasiões, agora está previsto para 2025.
Ele se tornará obrigatório para cidadãos de países terceiros (pessoas que não são cidadãos de países da União Europeia ou de países associados ao Espaço Schengen) hoje isentos de visto para Europa, exigindo o preenchimento antecipado de um formulário online. As informações fornecidas serão verificadas em bancos de dados da UE e da Interpol para decidir sobre a aceitação de uma determinada pessoa ou não.
Ao pré-avaliar os viajantes, o ETIAS planeja ajudar a identificar potenciais riscos à segurança, incluindo aqueles relacionados à imigração ilegal. Ao verificar antecipadamente a elegibilidade de quem entra em determinado país, o sistema busca prevenir a entrada de pessoas indesejadas, como imigrantes ilegais ou indivíduos associados a atividades criminosas.
Quanto ao SES, trata-se de um sistema eletrônico desenvolvido para registrar e armazenar informações sobre a entrada, saída e recusa de entrada de indivíduos. Esse sistema automatizado substituirá os tradicionais carimbos manuais nos passaportes.
Testes dos novos sistemas iniciam em julho
Os dispositivos necessários para os recentes procedimentos de controle de fronteiras devem passar por testes e validações até julho, o que significa que o prazo está a menos de dois meses de distância.
Julho marca o período em que os Estados-membros da União Europeia devem emitir uma declaração de prontidão, um processo pelo qual comunicam formalmente à Comissão Europeia que estão preparados para implementar medidas ou regulamentações específicas.
Governo português está correndo contra o tempo
O governo de Portugal está agindo com urgência para solucionar o atraso na instalação dos sistemas. A intenção é adquirir os equipamentos por meio de um processo que não requer licitação. Esse procedimento envolve uma série de trâmites burocráticos, incluindo uma avaliação conduzida pelo Tribunal de Contas.
No presente caso, o Tribunal está examinando dois contratos de software celebrados com empresas encarregadas do desenvolvimento de aplicativos de computador para o sistema em questão. A revisão é uma prática comum em contratos públicos, visando garantir a conformidade legal, a transparência e o uso eficiente dos recursos públicos.
Essa medida está sendo tomada devido à urgência em resolver o atraso e garantir que os sistemas de controle de fronteiras estejam operacionais até o prazo estabelecido.
Para a administração atual, culpa é do governo que antecedeu
O governo atual atribui a responsabilidade pelo atraso na aquisição dos equipamentos necessários ao seu antecessor, o primeiro-ministro Antônio Costa. Embora a gestão anterior tenha aprovado a autorização de despesa de 25 milhões de euros em março, não prosseguiu com o processo de licitação para adquirir os equipamentos no prazo necessário.
E, até o momento, ainda existe a possibilidade do processo não ser finalizado no prazo estipulado.
No entanto, acredita-se que seja pouco provável que Portugal não cumpra a declaração de prontidão até julho. O sistema precisa estar operacional em outubro, três meses após a declaração de prontidão.
Para a etapa que precisa ser validada até julho, o custo estimado é de 3 milhões de euros.
Extinto SEF não cumpriu implementação
As políticas de migração em Portugal, em conjunto com os repetidos atrasos na implementação de medidas de controle de fronteiras, vêm gerando preocupações entre os países da União Europeia.
Um ponto central de preocupação é justamente a implantação do sistema ETIAS, que todos os países-membros devem ter em funcionamento até outubro, para iniciar suas operações em 2025.
Caso os recursos tivessem sido utilizados, é provável que hoje o país já estaria preparado para as novas regras de segurança nas fronteiras.
Suspensão pode afetar a economia portuguesa
O ministro da Presidência, Antônio Leitão Amaro, advertiu sobre o impacto profundo no setor turístico português em pleno verão europeu.
Primeiramente, a suspensão do Schengen implicaria na reintrodução de controles de fronteira entre Portugal e outros países, o que poderia dificultar e atrasar as viagens dos turistas, aumentando os custos e diminuindo a conveniência.
Além disso, a suspensão poderia gerar uma percepção negativa sobre a segurança e estabilidade do país, afetando a confiança dos turistas e reduzindo o número de visitantes.
Isso, por sua vez, pode resultar em uma queda nas receitas do turismo e no fechamento de empresas e postos de trabalho no setor, impactando negativamente a economia de Portugal.
Somente entre janeiro e junho de 2023, mais de oito milhões de visitantes estrangeiros desembarcaram em Portugal. O Instituto Nacional de Estatística (INE) observou ainda que o número de passageiros que transitaram pelos aeroportos portugueses no primeiro semestre de 2023 aumentou quase 30% em relação ao ano anterior.
Apesar da inflação global e dos desdobramentos contínuos das guerras, as perspectivas apontavam, até então, para um desempenho semelhante em 2024, com potencial para manter ou superar os recordes estabelecidos no setor.
No entanto, com a incerteza se Portugal conseguirá cumprir os prazos para controle das fronteiras, ainda não é possível saber se o turismo será afetado ou não pela possível suspensão do Espaço Schengen.
Espaço Schengen facilita circulação
O Espaço Schengen representa uma área de livre circulação entre os países signatários do Acordo de Schengen, permitindo que as pessoas transitem sem restrições nas fronteiras internas. Este acordo iniciou em 1985, com cinco países, expandindo-se posteriormente para outros, como Portugal em 1991.
Com o tempo, foi incorporado à legislação da União Europeia, abrangendo a maioria dos países da UE e alguns Estados associados, como a Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça — atualmente são 29 países no total.
Uma das principais responsabilidades dos Estados-membros é o controle das fronteiras externas, seguindo um conjunto de regras comuns. Isso implica que cada país deve garantir o controle eficaz de suas fronteiras externas, que passam a ser consideradas não apenas suas, mas também do Espaço Schengen todo.
Além da facilitação das viagens, a adesão ao Espaço Schengen fortalece a cooperação na luta contra o crime transfronteiriço, com uma colaboração policial e judicial mais eficaz. O Sistema de Informação Schengen (SIS) desempenha um papel crucial nesse aspecto, permitindo o compartilhamento de informações sobre pessoas desaparecidas, procuradas ou objetos roubados, contribuindo assim para a segurança interna.
Portugal, juntamente com diversos outros países europeus, faz parte do Espaço Schengen, usufruindo dos benefícios dessa integração, como a eliminação dos controles nas fronteiras internas e a facilitação das viagens entre os Estados-membros.
Só mesmo o talento e a sensibilidade à flor da pele desse escritora Erma Bombeck, para produzir essa “jóia da literatura”. Me representou muito:
Aos 3 anos: Ela olha pra si mesma e vê uma rainha.
Aos 8 anos: Ela olha pra si e vê Cinderela.
Aos 15 anos: Ela olha pra si mesma, vê uma bruxa e diz: ‘Mãe, eu não posso ir pra escola deste jeito!’
Aos 20 anos: Ela olha pra si mesma e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, decide sair, mas vai sofrendo.
Aos 30 anos: Ela olha pra si mesma e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, mas decide que agora não tem tempo pra consertar; então vai sair assim mesmo.
Aos 40 anos: Ela olha pra si mesma e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, mas diz: pelo menos eu sou uma boa pessoa, e sai mesmo assim.
Aos 50 anos: Ela olha pra si mesma e se vê como é. Sai e vai pra onde ela bem entender.
Aos 60 anos: Ela se olha e lembra de todas as pessoas que não podem mais se olhar no espelho. Sai de casa e conquista o mundo.
Aos 70 anos: Ela olha pra si mesma e vê sabedoria, risos, habilidades. Sai para o mundo e aproveita a vida.
Aos 80 anos: Ela não se incomoda mais em se olhar.
Põe simplesmente um chapéu de flor e vai se divertir com o mundo.
Talvez devêssemos pôr aquele chapéu de flor mais cedo!
Um olhar poético e encantador sobre nós mulheres.
Fonte: De 1965 a 1996, Erma Bombeck escreveu mais de 4 000 colunas de jornal narrando a vida comum de uma dona de casa suburbana do meio-oeste, com ampla e, por vezes, eloquente humor. Na década de 1970, suas colunas foram lidas, duas vezes por semana, por 30 milhões de leitores de 900 jornais dos Estados Unidos e Canadá.
Muitas pessoas pensam que a solidão é sombria, difícil e geralmente insuportável
Embora pensar assim, seja muito pior do que qualquer solidão!
A solidão pode ser maravilhosa. Pode ser apenas “solitude”, uma maneira de estar comigo mesma! Cara a cara. Dá liberdade e independência incomparáveis. Ele permite que você realmente relaxe e se recupere.
Além disso, a solidão pode ensinar muito. Aqui estão 4 lições valiosas:
1. Independência Real
Quase sempre me considerei uma pessoa independente, mas foi somente na ausência de um parceiro (a algum tempos atras) que aprendi a ser verdadeiramente autônomo(a). Cresci muito e me fortaleci, mais do que, como eu era antes. Me tornei uma mulher muito mais forte e resiliente.
No início, ir ao cinema, a um restaurante, à praia ou passear sozinho(a) parecia estranho. No entanto, com o tempo, comecei a valorizar a minha independência. Escolhia os lugares que eu queria ir, quando e a que horas ir, sem medo. E gostei!
A capacidade de fazer o que quiser, quando quiser, escolher…proporciona uma verdadeira sensação de liberdade e autonomia, algo que não é facilmente alcançado em um relacionamento.
Aprendia a desfrutar e valorizar o tempo que passo sozinho(a) comigo mesmo(a) e cresci muito como pessoa.
2. Autoconsciência
Aprendia a cada dia, já mais segura e mais tranquila. A solidão, ou solitude como gosto de chamar, me proporcionou uma oportunidade de entender a minha verdadeira personalidade, com que tipo de pessoas desejava me relacionar, qual estilo de vida queria levar e as áreas em que precisava melhorar. E ainda tenho muita coisa para aprender.
Por exemplo, quando cometia um erro, não havia ninguém para me convencer de que “não era grande coisa”. Precisava sozinha reconhecer meus equívocos, aprender com eles e descobrir como me aprimorar para evitar repeti-los. Isto é magnífico e libertador!
Em relação a amizades, tenho que avaliar de forma independente os novos conhecidos e decidir se desejo que eles façam parte da minha vida, sejam meus amigos ou não. São escolhas!!!
Enquanto estive num relacionamento, sempre tive a ajuda ou palpite do meu parceiro. E no período que fiquei sozinha (antes do novo parceiro) tinha que confiar em mim mesmo para tomar decisões. A solidão me proporcionou um nível de autoconsciência que eu jamais tinha experimentado antes. Afinal antes era protegida pelo pai e em seguida tinha sido protegida por um parceiro. Já mulher mais madura e responsável por mim mesma, fui aprender a crescer como pessoa e fazer minhas próprias escolhas de acordo com o que eu queria pra mim dali pra frente. Inicialmente foi difícil, mas logo superei e tive a realização de descobrir como era bom esta mudança. Foi muito importante e um divisor de águas na minha vida esse momento para mim.
3. Auto-suficiência
Uma lição valiosa que aprendi é a de que não dependia de ninguém para ser feliz. Era eu quem tinha o poder de me alegrar e sei exatamente do que precisava.
Não precisava de uma companhia para desfrutar de um jantar delicioso em um restaurante… ou para viajar, conhecer algum país novo etc. Não necessitava de outra pessoa para validar minhas ações. Isto me dava total liberdade, gostei!
Quando cometia um erro, aprendia com ele, seguia em frente e fazia diferente na próxima vez, em vez de esperar que alguém me “corrigisse ou palpitasse”. Descobri logo que eu posso cuidar de mim mesmo e viver uma vida plena e feliz.
4. Expectativas de Relacionamento
Já ouvi esse ditado: “Se você é feliz sozinho, atrairá alguém semelhante”.
Concordo plenamente. A solidão me proporcionou um autoconhecimento mais profundo e passei a desejar uma convivência melhor. Levou tempo para encontrar alguém que também fosse autossuficiente e não dependesse dos outros. Me tornei mais exigente, mas eletiva e seletiva… sabia muito bem o que queria ou não para mim. Demorou um pouco. E encontrei meu novo parceiro.
Eu já sabia que podia cuidar de mim mesma e depois de algum tempo, sem pressa, reconhecia que necessitava conhecer apenas alguém, que também fosse capaz de ter uma mulher autoconfiante e feliz… Onde a sua companhia fosse me acrescentar, em podermos compartilhar nossas alegrias e dores… com afeto e muito diálogo, boas risadas e poucas lágrimas… onde pudéssemos conviver com harmonia, respeito, amorosidade e muitos aprendizado juntos. Almejei tudo isso. Busquei, e consegui!
Sim, às vezes sentia-me como a pessoa mais solitária do universo. Mas não ficava triste, sei que essa sensação passava. Tudo passa! Mas, na maioria das vezes, sentia-me no topo do mundo, consciente de tudo o que conquistei por conta própria. E depois o que construiríamos juntos, trazia uma paz e uma alegria infinita. Gratidão tenho muito, todos os dias.
Em conclusão resumida, embora muitas pessoas considerem a solidão como algo sombrio e difícil, a verdade é que a “solitude” pode ser maravilhosa. Ela oferece liberdade e independência incomparáveis, permitindo que você relaxe, reflita bastante e se recupere verdadeiramente… Se reinventando todos os dias.
Além disso, a solidão traz consigo valiosas lições. A primeira é a “independência real”, aprendendo a ser verdadeiramente autônomo(a) e apreciando a liberdade de fazer o que quiser, quando quiser. Isso proporciona uma sensação única de liberdade e autonomia. A solidão também promove a “autoconsciência”, permitindo que você compreenda sua verdadeira personalidade, os tipos de relacionamentos que deseja ter e o tanto de parceiros; quais os familiares, assim como os amigos (não tóxicos) mais próximos de mim… Mais fácil perceber as áreas em que precisava melhorar. Percebi que sem a influência direta de alguém, você aprende a reconhecer seus erros, aprender com eles e crescer como pessoa.
Outra lição valiosa é a “auto-suficiência”. A solitude ensina que a felicidade não depende de outras pessoas e que você tem o poder de se alegrar e cuidar de si mesmo. Não é necessário buscar validação externa, pois você reconhece que pode viver uma vida plena e feliz por conta própria.
Por fim, a solidão ajusta suas expectativas em relação aos relacionamentos. Qualquer um deles: do parceiro, familiar os nas amizades. Você percebe que, ao estar feliz sozinho(a), atrairá pessoas semelhantes, que também são autossuficientes. Não se busca mais alguém para te completar, mas sim alguém que seja capaz de cuidar de si mesmo e compartilhar uma vida plena e feliz. E encontra.
Embora a solidão possa às vezes trazer sentimentos de solidão, na maioria das vezes, ela nos eleva, nos tornando conscientes das conquistas que alcançamos por conta própria. A solidão é uma grande oportunidade para crescer, fortalecer-se e descobrir a verdadeira essência de quem somos.
“A impressão que eu tenho é de não ter envelhecido, embora eu esteja instalada na velhice. O tempo é irrealizável. Provisoriamente, o tempo parou para mim. Provisoriamente. Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro. O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar. Portanto, ao meu passado eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo. Que espaço o meu passado deixa para a minha liberdade hoje? Não sou escrava dele. O que eu sempre quis foi comunicar da maneira mais direta o sabor da minha vida. Unicamente, o sabor da minha vida. Acho que eu consegui fazê-lo. Vivi num mundo de homens guardando em mim o melhor da minha feminilidade. Não desejei nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos.”
Acompanho o site da Eurodicas a muito tempo, desde que comecei a querer morar em Portugal, depois da nossa aposentadoria. Ás adaptação são muitas com a mudança de País. E este artigo traz algumas reflexões importantes. Quer saber mais? Leiam:
O processo de adaptação de um imigrante a um novo país tem inúmeras camadas, é um processo longo e intenso, que envolve não apenas mudanças internas e emocionais, mas também os aspectos externos e ambientais, como a adaptação ao clima e ao fuso horário.
Esses elementos têm um papel fundamental nos desafios enfrentados diariamente pelos imigrantes e na maneira como percebem o tempo e o espaço em sua rotina. Compreender a complexidade desse processo de adaptação é essencial para o planejamento eficaz da mudança, considerando que o nosso ambiente pode impactar diretamente a saúde mental.
Efeitos do clima na saúde mental
As variações climáticas podem ter um impacto significativo na vida dos imigrantes, especialmente no que diz respeito à saúde mental e física. Lidar com mudanças drásticas dessas condições, como temperaturas extremas, umidade variada, ou estações do ano distintas, pode gerar desconfortos diários que dificultam a adaptação do imigrante.
É frequente que o nosso corpo reaja às mudanças no ambiente e assim, podendo aumentar a ocorrência de sintomas como gripes ou dificuldades respiratórias. Inicialmente, esses sintomas podem parecer insignificantes, mas ao longo do tempo, podem deixar o imigrante mais cansado, irritado e com a imunidade mais baixa.
Antes de estabelecer uma rotina, o imigrante precisa enfrentar diversas burocracias, e, portanto, lidar com sintomas físicos e mentais pode dificultar ainda mais esse período que demanda bastante energia.
O inverno pode impactar na saúde mental
A saúde mental também pode sofrer impactos, especialmente em regiões com invernos longos e dias mais escuros. Essas condições climáticas podem provocar mudanças de humor e, indiretamente, influenciar nas atividades sociais.
O clima muitas vezes limita o estrangeiro em realizar atividades recreativas, levando-o ao isolamento social e impedindo a participação em atividades cotidianas ao ar livre.
Em casos mais graves, pode ocorrer a depressão sazonal, um tipo de transtorno relacionado às mudanças sazonais durante o ano. Esses sintomas são mais comuns durante os meses de outono e inverno, quando há uma redução na exposição à luz solar.
Acredita-se que a falta de exposição à luz do sol tenha um papel crucial no desenvolvimento da depressão sazonal. Isso porque a falta da luz natural pode causar um desequilíbrio na produção da serotonina e melatonina, substâncias fundamentais para regular o humor e o sono.
Os principais sintomas desse transtorno são:
• Sentimentos persistentes de tristeza;
• Perda de interesse ou prazer e atividades que costumavam ser agradáveis;
• Baixa energia ou fadiga;
• Alterações no sono;
• Alterações no apetite;
• Dificuldades em se concentrar em tarefas ou tomar decisões;
• Pensamentos negativos sobre si e sobre o futuro;
• Sentimentos de desesperança e desamparo.
Como se adaptar às condições climáticas?
A adaptação às mudanças climáticas pode ser um desafio adicional para os imigrantes, mas existem estratégias que podem facilitar esse processo. Conheça algumas:
Informação e conscientização climática
Antes de mudar para outro país é crucial obter informações detalhadas sobre o clima local. Isso permite uma preparação mais eficiente para a transição, sendo útil também ficar atento às variações de temperatura e estações ao longo do ano durante a rotina no novo ambiente.
Rede de apoio
Buscar ajuda de familiares e de outros estrangeiros na mesma comunidade oferece a oportunidade de compartilhar experiências, conselhos e estratégias de adaptação. Isso promove um senso de pertencimento para o imigrante e estimula sua vida social, ao se envolver em atividades novas e fora de casa.
Acesso a recursos
Para um imigrante recém-chegado, pode ser confuso preparar sua habitação para climas diferentes. Saber como adequar sua moradia ao clima local e as suas necessidades é essencial para viver em condições confortáveis.
Ajuda especializada
Fazer terapia on-line para quem mora fora (ou presencial) vai ajudar a lidar com as questões emocionais. Elas variam individualmente entre os imigrantes, em alguns casos, a busca de um profissional da área da saúde mental pode ser fundamental para compreender sobre suas emoções e identificar fatores que facilitam ou dificultam a adaptação.
Em casos de suspeita de depressão sazonal é aconselhável procurar ajuda terapêutica ou psiquiatra para uma avaliação detalhada e um diagnóstico correto.
O tratamento mais utilizado envolve exposição controlada à luz solar por meio de luzes artificiais. Além disso, o acompanhamento de profissionais da saúde tem o objetivo de verificar a evolução do cliente e a qualidade de vida emocional.
Efeitos do fuso horário a saúde mental
Outro desafio que pode dificultar a adaptação do imigrante é a mudança de fuso horário. A falta de sincronia entre o relógio biológico e o novo ambiente pode resultar na desregulação do sono. A longo prazo, isso pode aumentar o estresse e prejudicar a saúde mental.
Os distúrbios mais comuns incluem insônia, sonolência excessiva, terror noturno, bruxismo, sonambulismo, narcolepsia, apneia do sono, entre outros.
Isso ocorre porque os processos fisiológicos que regulam os padrões de sono podem ser perturbados pela mudança abrupta no fuso horário. Essa desregulação pode impactar o equilíbrio dos hormônios e dos neurotransmissores, contribuindo para o estresse e impactando o humor.
É natural que nos primeiros momentos em um novo país, o estrangeiro tenha mais dificuldade de se adaptar ao fuso horário, e espera-se que essa sensação se ajuste ao longo dos dias. No entanto, para algumas pessoas, isso pode ser extremamente desafiador e trazer consequências para sua rotina, como:
• Fadiga e sonolência durante o dia;
• Dificuldades de concentração devido ao cansaço;
• Maior probabilidade de desenvolver problemas da saúde mental, como ansiedade ou depressão;
• Prejudicar a performance ou desempenho no trabalho;
• Conflitos de relacionamentos devido às variações de humor;
• Irritabilidade e estresse.
Como se adaptar ao fuso horário?
Uma estratégia para enfrentar o estresse da adaptação em um novo país é manter uma conexão sólida com a família no Brasil.
No entanto, devido ao fuso horário, isso pode se tornar um desafio adicional. Portanto, é crucial estabelecer horários regulares para a comunicação ou explorar formas de interação que não exijam que as pessoas estejam online simultaneamente. Essa prática ajuda a manter laços fortes mesmo à distância, e proporcionando apoio emocional da família quando necessário.
Essa abordagem também pode ser utilizada para auxiliar aqueles imigrantes que trabalham no exterior. Nesses casos, encontrar um equilíbrio entre reconhecer os seus limites pessoais e suas obrigações profissionais é fundamental. A comunicação clara sobre as suas necessidades e flexibilidades ajuda a estabelecer uma vida pessoal e profissional saudável e em harmonia.
Tenha paciência com a adaptação
A adaptação a um novo fuso horário é uma questão de tempo, que exige paciência enquanto o corpo se ajusta gradualmente a novos hábitos.
Criar uma rotina consistente, com horários específicos para dormir, acordar, comer e trabalhar, facilita a regulação do relógio biológico. Evitar cochilos prolongados durante o dia e fazer atividades físicas regularmente contribuem para melhorar a qualidade do sono e reduzir o estresse diário.
No processo de adaptação, é fundamental reconhecer que leva tempo para resolver os desafios.
Permita-se tempo para as coisas se ajustarem. Além disso, não deixe de se expor à luz natural sempre que for possível.
Morar fora não é um conto de fadas,
mas estabelecer uma rede de apoio, incluindo amigos, familiares e profissionais da saúde mental, é essencial, especialmente em momentos mais difíceis. Buscar ajuda quando necessário pode fazer toda a diferença no processo de adaptação do imigrante.
PRECISO CORRER do assaltante, dos haters, dos ultraprocessados, do açúcar, do aspartame, do sódio, do caramelo IV, dos operadores de telemarketing, dos agrotóxicos, das sustâncias cancerígenas, da pessoa que tenta me vender assinatura de revistas no aeroporto.
PRECISO PARAR DE CORRER porque meu pai está envelhecendo rápido e todos os dias perco uma chance de tomar com ele uma garapa na feira e falar dos poucos pássaros que ainda vivem na selva de logomarcas em torno de nós.
PRECISO CORRER porque a meta da empresa e o crachá no meu peito e CEO na palestra e o salário na conta e o funcionário mais novo e com mais energia do que eu.
PRECISO PARAR DE CORRER do medo de ficar pobre, de ser uma profissional medíocre, de ser motivo de piada, de não ser lembrada nem nesta data querida.
PRECISO CORRER dos negacionistas, da reascensão do fascismo, dos ataques terroristas, dos ataques nas escolas, da misoginia, da xenofobia, da violência urbana, da truculência policial, dos monarquistas, da nova censura, dos ultraimbecis da extrema estupidez.
PRECISO PARAR DE CORRER mas o meu médico não deixa, o meu chefe não deixa, o meu personal não deixa, o meu gerente do banco não deixa, a desvalorização da moeda não deixa, a urgência climática não deixa.
PRECISO CORRER do cabeleireiro que quer pintar meus fios brancos, da depiladora que quer me deixar com vulva de Barbie, da vitrine que quer que eu use a última moda, da vendedora que quer que eu parcele em dez vezes, do dermatologista que não quer saber de pintas, só de Botox, da amiga que diz que isso só se resolve com lipo.
PRECISO PARAR DE CORRER porque o eclipse lunar, o orgasmo múltiplo, as estradas menos viajadas, a aurora boreal, a vontade de aprender piano.
PRECISO PARAR DE CORRER porque há muito não choro e até para poder chorar é preciso tempo.
PRECISO CORRER porque meus bíceps, meus tríceps, meu açúcar no sangue, minha perda de estrógeno, meus ossos com pouco cálcio, minha perda de memória, minha incapacidade de achar a próxima palavra.
PRECISO PARAR DE CORRER porque o poder do agora, a professora de ioga, o psicanalista, a psiquiatra, a massagista, a aula de meditação, o Feng Shui, o Reiki, o acupunturista, a cromoterapia.
PRECISO CORRER para pagar tudo isso.
PRECISO PARAR DE CORRER porque, enquanto dou likes para centenas de pessoas que nunca vi, minha filha cresce e a menina que foi nunca mais volta.
PRECISO CORRER porque a vizinha piscou de um jeito lascivo para o meu marido no elevador e meus glúteos já não são os mesmos e minha idade já não é a mesma e minha libido já não é a mesma e como tenho medo de envelhecer.
PRECISO PARAR DE CORRER porque te amo e faz tempo que não paro para te olhar direito e te dizer a única coisa que importa ser dita.
PRECISO CORRER porque sou uma mulher contemporânea e todos os dias tomo um expresso duplo para ficar bem acordada e produzir mais, apesar do meu corpo cansado, contra o meu corpo cansado, a despeito do meu coração que palpita.
PRECISO PARAR DE CORRER, do contrário só descansarei quando cair dentro de um caixão de mogno e finalmente poderei esticar as canelas e me corroer por tudo o que tão inutilmente sonhei.
PORQUE HÁ MUITO NÃO CHORO E ATÉ PARA PODER CHORAR É PRECISO TEMPO.
Gostei muito deste texto de Domingos Pellegrini, leiam:
Ele chegou à praça com uma marreta. Endireitou a estaca de uma muda de árvore e firmou batendo com a marreta. Amarrou a muda na estaca e se afastou como para olhar uma obra de arte.
Não resisti a puxar conversa:
O senhor é da prefeitura?
Não, sou da Alice, faz quarenta e dois anos. Minha mulher.
Ah… O senhor quem plantou essa muda?
Não, foi a prefeitura. Uma árvore velha caiu, plantaram essa nova de qualquer jeito, mas eu adubei, botei essa estaca aí. Olha que beleza, já está toda enfolhada. De tardezinha eu venho regar.
Então o senhor gosta de plantas.
De plantas, de bicho, até de gente eu gosto, filho.
Obrigado pela parte que me cabe…
Ele sorriu, tirou um tesourão da cinta e começou a podar um arbusto.
O senhor é aposentado?
Não, sou desaposentado. Foi podando e explicando: Quando me aposentei, já tinha visto muito colega aposentar e murchar, que nem árvore que você poda e rega com ácido de bateria… Sabia que tem comerciante que rega árvore com ácido de bateria pra matar, pra árvore não encobrir a fachada da loja? É… aí fica com a loja torrando no sol!
Picotou os galhos podados, formando um tapete de folhas em redor do arbusto.
É bom pra terra… tudo que sai da terra deve voltar pra terra… Mas então, eu já tinha visto muito colega aposentar e murchar. Botando bermuda e chinelo e ficando em casa diante da televisão. Ou indo ao boteco pra beber cerveja, depois dormindo de tarde. Bundando e engordando… Até que acabaram com derrame ou enfarte, de não fazer nada e ainda viver falando de doença.
Cortou umas flores, fez um ramalhete:
Pra minha menina. A Alice. Ela é um ano mais velha que eu, mas fica uma menina quando levo flor. Ela também é desaposentada. Ajuda na escola da nossa neta, ensinando a merendeira a fazer doce com pouco açúcar e salgados com os restos dos legumes que antes eram jogados fora. E ajuda na creche também, no hospital. Ihh… A Alice vive ajudando todo mundo, por isso não precisa de ajuda, nem tem tempo de pensar em doença.
Amarrou o ramalhete com um ramo de grama, depositou com cuidado sobre um banco.
Pra aguar as mudas eu tenho que trazer o balde com água lá de casa. Fui à prefeitura pedir pra botarem uma torneira aqui. Disseram que não, senão o povo ia beber água e deixar vazando. Falei pra botarem uma torneira com grade e cadeado que eu cuidaria. Falaram que não. Eu teria que ficar com o cadeado e então ia ser uma torneira pública com controle particular, e não pode. Sorriu, olhando a praça.
Aí falei: então posso cuidar da praça, mas não posso cuidar de uma torneira? Perguntaram, veja só, perguntaram se tenho autorização pra cuidar da praça!!! Nem falei mais nada. Vim embora antes que me proibissem de cuidar da praça… Ou antes que me fizessem preencher formulários em três vias com taxa e firma reconhecida, pra fazer o que faço aqui desde que desaposentei… Tá vendo aquele pinheiro fêmea ali? A Alice que plantou. Só tinha o pinheiro macho. Agora o macho vai polinizar a fêmea e ela vai dar pinhões.
Eu nem sabia que existe pinheiro macho e pinheiro fêmea.
Eu também não sabia, filho. Ihh… aprendi tanta coisa cuidando dessa praça! Hoje conheço os cantos dos passarinhos, as épocas de floração de cada planta, e vejo a passagem das estações como se fosse um filme!
Mas ela vai demorar pra dar pinhões, hein? – falei, olhando a pinheirinha ainda da nossa altura. Ele respondeu que não tinha pressa.
Nossa neta é criança e eu já falei pra ela que é ela quem vai colher os pinhões. Sem a prefeitura saber … e a Alice falou que, de cada pinha que ela colher, deve plantar pelo menos um pinhão em algum lugar. Assim , no fim da vida, ela vai ter plantado um pinheiral espalhado por aí. Sem a prefeitura saber, é claro, senão podem criar um imposto pra quem planta árvores…
É admirável ver alguém com tanta idade e tanta esperança!
Ele riu:
Se é admirável eu não sei, filho, sei que é gostoso. E agora, com licença, que eu preciso pegar a Alice pra gente caminhar. Vida de desaposentado é assim: o dinheiro é curto, mas o dia pode ser comprido, se a gente não perder tempo!