Para você ganhar um belíssimo Ano Novo 🌈 com a cor de arco-íris, ou da cor da sua paz…
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido (mal vivido ou talvez sem sentido). Para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha… Tenho aprendido que você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido pelas besteiras consumadas nem parvamente acreditar que por decreto da esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.
Feliz Ano Novo para todos vocês 🥂
Texto extraído do “Jornal do Brasil”, Dezembro/1997 – Carlos Drummond de Andrade
Os sonhos não determinam o lugar onde vocês vão chegar, mas produzem a força necessária para tirá-los do lugar em que vocês estão. Sonhem com as estrelas para que vocês possam pisar pelo menos na Lua. Sonhem com a Lua para que vocês possam pisar pelo menos nos altos montes. Sonhem com os altos montes para que vocês possam ter dignidade quando atravessarem os vales das perdas e das frustrações. Bons alunos aprendem a matemática numérica, alunos fascinantes vão além, aprendem a matemática da emoção, que não tem conta exata e que rompe a regra da lógica. Nessa matemática você só aprende a multiplicar quando aprende a dividir, só consegue ganhar quando aprende a perder, só consegue receber, quando aprende a se doar.
Há um tempo participei de um chá de neném onde as convidadas também ganhavam presentes desde que vencendo de certas disputas em jogos ligados ao mundo infantil. Em um dos jogos devíamos responder “O que tem em um quarto de criança começando com a letra F”. As respostas mais comuns foram: fraldas, fitas, fronha, figuras (ilustrações), fechadura. Num primeiro momento também pensei em fraldas e fitas, mas como queria ganhar o prêmio, resolvi ser um pouco ousada e respondi: família, festa, firulas e felicidade. Resultado, saí de lá com o presente.
Mas, o que tem isso a ver com o tema de hoje? Tudo, acredito eu. Ganhei o prêmio, como muitos disseram, por ter pensado “fora da caixa”. Entretanto, embora tenha sido uma resposta original, a meu ver, respondi totalmente “dentro da caixa”.
Não usei ferramentas/fórmulas inovadoras para pensar a resposta, simplesmente deixei a imaginação fluir. Se sair do óbvio é pensar “fora da caixa”, sim eu pulei para fora dela. Entretanto, muitas das nossas situações cotidianas são resolvidas por atitudes completamente “fora da caixa” sem que nos demos conta disso. No momento em que precisamos improvisar para consertar algo, pensamos “fora da caixa”, tentando solucionar o problema de forma eficiente e definitiva. Por exemplo, quando no meio de uma receita culinária percebemos que nos falta farinha de trigo e, sabiamente, sem desespero, completamos com fécula de milho, batata, farinha de arroz, com igual resultado. É totalmente diferente de pedirmos emprestado no vizinho ou sairmos correndo ao supermercado. Salvamos o prato e nosso dia.
Quem já fez barra de calça com durex, grampeador ou mesmo cola branca, sabe o que estou falando. De novo, se isso é pensar “fora da caixa”, estivemos sim do lado de lá da caixa!
Há quem diga não ter imaginação e sem perceber compõe canções de ninar para o filho, contando coisas do cotidiano. Outros decoram mesas ou organizam gavetas ou ambientes com um preciosismo impressionante, ainda que busquem inspiração em fotos nas redes sociais. Algumas pessoas criam novos pratos culinários deliciosos aproveitando as sobras na geladeira; outras criam métodos infalíveis de conferência de dados no ambiente de trabalho, aprimorando programas de computador comprados a preço de ouro pela empresa. O que normalmente não percebem é que, nesse momento, estão usando a criatividade em cada uma dessas atividades. São tarefas diárias, onde a criatividade (imaginação) aparece sem o glamour de obras de arte.
Adoro receitas, métodos, organização. Porém, mais que tudo isso, tenho necessidade de deixar um espaço livre para a imaginação. Aquele momento ‘pitadinha de cada um de nós’ no que estou fazendo. Colocar minha assinatura no que estou desenvolvendo, você não?
Muitas vezes, por questões de cobranças profissionais principalmente, começamos a teorizar nossas atividades cotidianas. Não sou a primeira e nem serei a última a não concordar com conceitos simples dos ditos novos métodos comportamentais empresariais e o vocabulário inovador. São vestimentas modernas para velhos corpos.
Algumas situações não permitem tal arroubo, devemos seguir o método e pronto. De forma imperativa, sem assinatura, sem reconhecimento, sem palmas, mas ainda assim, com o tempo, podem ser melhoradas. Por outro lado, o universo exige ainda que pensemos – dentro ou fora da caixa – que deixemos espaço para a criatividade. E, mais que deixar espaço, que tenhamos a possibilidade infinita e por vezes cósmica de usarmos a imaginação/criatividade. Nesse instante, por ser algo tão íntimo e próprio, estaremos assinando – dentro ou fora da caixa, tanto faz – a nossa obra.
É que por enquanto a metarmofose de mim em mim mesma não faz sentido. É uma metamorfose em que eu perco tudo o que tinha, e o que sou. E agora o que sou? Sou: estar de pé diante de um susto. Sou: o que vi. Não entendo e tenho medo de entender, o material do mundo me assusta, com seus planetas e baratas.
Sempre me encanto com os textos de Lya Luft, leiam: Não tenho mais os olhos de menina nem corpo adolescente, e a pele translúcida há muito se manchou. Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura agradada pelos anos e o peso dos fardos bons ou ruins. (Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.) O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: dou-te os meus ganhos. A maturidade que consegue rir quando em outros tempos choraria, busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada. Posso dar-te muito mais do que beleza e juventude agora: esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, com mais paciência e não menos ardor, a entender-te se precisas, a aguardar-te quando vais, a dar-te regaço de amante e colo de amiga, e sobretudo força — que vem do aprendizado. Isso posso te dar: um mar antigo e confiável cujas marés — mesmo se fogem — retornam, cujas correntes ocultas não levam destroços mas o sonho interminável das sereias.
Do livro “Secreta Mirada”, Editora Mandarim – São Paulo, 1997, pág. 151.
Deixem-me envelhecer sem compromissos e cobranças, Sem a obrigação de parecer jovem e ser bonita para alguém, Quero ao meu lado quem me entenda e me ame como eu sou, Um amor para dividirmos tropeços desta nossa última jornada, Quero envelhecer com dignidade, com sabedoria e esperança, Amar minha vida, agradecer pelos dias que ainda me restam, Eu não quero perder meu tempo precioso com aventuras, Paixões perniciosas que nada acrescentam e nada valem. Deixem-me envelhecer com sanidade e discernimento, Com a certeza que cumpri meus deveres e minha missão, Quero aproveitar essa paz merecida para descansar e refletir, Ter amigos para compartilharmos experiências, conhecimentos, Quero envelhecer sem temer as rugas e meus cabelos brancos, Sem frustrações, terminar a etapa final desta minha existência, Não quero me deixar levar por aparências e vaidades bobas, Nem me envolver com relações que vão me fazer infeliz. Deixem-me envelhecer, aceitar a velhice com suas mazelas, Ter a certeza que minha luta não foi em vão: teve um sentido, Quero envelhecer sem temer a morte e ter medo da despedida, Acreditar que a velhice é o retorno de uma viagem, não é o fim, Não quero ser um exemplo, quero dar um sentido ao meu viver, Ter serenidade, um sono tranquilo e andar de cabeça erguida, Fazer somente o que eu gosto, com a sensação de liberdade, Quero saber envelhecer, ser uma velha consciente e feliz!!!
Andei pensando… enquanto aguardo chegar lá 👀 Se eu fugisse de casa aos 70 e tantos sem lenço nem documentos sem bagagem e sem pranto e pegasse uma carona num pé de vento ou talvez no patinete do garoto desatento muitos achariam loucura outros chamariam aventura alguns , de certo, doença baseados na crença que depois do 70 a vida segue serena entre as rezas e a espera da morte- essa sim a viagem ideal a quem já viveu muito e coisa e tal… Talvez se eu fugisse de casa parasse nalguma praça embaixo da estátua do general para um rápido descanso bem largada num banco onde namorados desenharam corações então eu lembraria de alguns divertidos dia de assustadas emoções. Mas seu fugisse de casa aos 70 e tantos meus filhos gritariam de espanto os netos achariam o máximo [o Victor rindo com os olhos colocaria no Instagran que sua avó sumiu como o gato.] o marido suspiraria resignado a mais uma das minhas temeridades às quais já estava acostumado. O que ninguém imaginaria é que foi um velho desejo da menina que só fugia até a esquina e depois dos 70 e tantos resolveu ganhar o mundo o vasto desconhecido mundo e nessa realização tardia pôs todo mundo tonto Mas deixou o almoço pronto… By Marisa Schmidt
”Construa seu mundo com aquilo que ele te oferece, colocando você mesmo as cores que quiser. Não dependa dos outros para ser feliz ou infeliz, mas viva a sua vida como verdadeiro dono dela.
O poder de ser feliz ou infeliz está nas suas próprias mãos. Cabe a você saber com que intensidade vai viver isso.” (By Letícia Thompson)
O tempo passou. Não sei dizer se lenta ou apressadamente. Ou se simplesmente ao seu tempo.
Olhando para trás há tantas memórias, histórias, realizações. Meio século e pouco na medida comum de tempo.
Fiz muito neste tempo. Deixei de fazer zilhões também. Perdi tempo com muitos medos, mas economizei tempo com as certezas. Perdi tempo em muitos vazios. Ganhei tempo com filhos. Gastei tempo trabalhando. Entretanto, ganhei tempo experimentando.
Fui consumida com o tempo de reuniões infindáveis, fui recompensada neste tempo conhecendo gente interessante. Passei muito tempo chorando por amores não correspondidos e ao fim economizei tempo conhecendo aprendendo a reconhecer o caráter das pessoas. Briguei com o tempo para cumprir prazos. Fui premiada com tempo livre ao terminar antecipadamente algumas obrigações.
Com tudo isso, o tempo se incumbiu, ele mesmo, de ditar seu ritmo. Muitas vezes o minuto levava horas. Outras tantas, as horas passavam num piscar de olhos. O que é o tempo, nem sei dizer, mas sei que ele passou. Sinto que sim, confirmo na pele, no espelho e nas fotos. Entretanto, o aguardo incessantemente.
Nesse tempo futuro ainda busco outros tantos tempos. Desejo ter tempo para novas experiências em assuntos nunca antes aventurados, ou naqueles que me justificava em não fazer, argumentando prontamente a falta de tempo.
Quero outro tanto de tempo para descobrir o mundo fora da minha caixa de certezas. Tempo para conhecer novas culturas, pontos de vista originais e diferentes realidades. Tempo para digerir estes novos aprendizados e tempo para florescer internamente com o aprendido.
Tempo para reconhecer tempo ocorrido. Tempo para reconhecer a finitude do meu próprio tempo neste plano.
Este tempo medido em tique-taques é completamente diferente do tempo medido em ritmo cardíaco ou respiradas conscientes. Preciso de algum tempo para definir a medida de tempo que me é mais apropriada.
O tempo do tique-taque é contínuo, igual. Não apressa. Não atrasa. O tempo das batidas do coração é comandado por sentimentos, sustos, incertezas e alegrias. Pode ser louco, desconcertante; e em outras situações, tranquilo e relaxante. Descompassado, dançante. Apaixonado, inebriante. Seu bater inconstante é divertido e assustador. Pode ser visto por todos. Por fadiga, na respiração pesada e no rubor.
Preciso de mais tempo pra conhecer novas pessoas e para manter as queridas até agora. Preciso de tempo para o mar e para amar. Para calmamente olhar para o céu, e, sem pudor dançar na chuva, descalça, rodopiando.
Nesse tempo futuro aproveitar o agora. O presente. Cada tiquinho de tempo como se fosse o último. E, lá na frente, na despedida poder escrever: Sim, meu tempo foi perfeito.
*Publicado em 18/09/2017 no site osegredo.com.br – o tempo passou
“Esta vida vai passar rápido, não brigue com as pessoas, não critique tanto seu corpo. Não reclame tanto. Não perca o sono pelas contas. Não deixe de beijar seus amores. Não se preocupe tanto em deixar a casa impecável. Bens e patrimônios devem ser conquistados por cada um, não se dedique a acumular herança. Deixe os cachorros mais por perto. Não fique guardando as taças. Use os talheres novos. Não economize seu perfume predileto, use-o para passear com você mesmo. Gaste seu tênis predileto, repita suas roupas prediletas, e daí? Se não é errado, por que não ser agora? Por que não dar uma fugida? Por que não orar agora ao invés de esperar para orar antes de dormir? Por que não ligar agora? Por que não perdoar agora? Espera-se muito o Natal, a sexta-feira, o outro ano, quando tiver dinheiro, quando o amor chegar, quando tudo for perfeito… Olha, não existe o tudo perfeito. O ser humano não consegue atingir isso porque simplesmente não foi feito para se completar aqui. Aqui é uma oportunidade de aprendizado. Então, aproveite este ensaio de vida e faça o agora…
Ame mais, perdoe mais, abrace mais, viva mais intensamente e deixe o resto nas mãos de Deus.” (Texto de Marcela Taís)