MUDAR PARA PORTUGAL COM MAIS DE 50 ANOS. EXPERIÊNCIA DE MARCOS FREIRE.

Durante este meu período de planejamento para me mudar para Portugal, depois dos 60 anos… pesquisei sobre vários assuntos. Sobre o custo de vida, considerando desde onde iria morar, suas despesas gerais até sobre a minha formação, me informando como fazer para revalidar meu diploma. Confesso que aposentada, não tinha certeza se gostaria de trabalhar ainda por lá ou estudar. Mas queria deixar tudo organizado para poder fazer minhas escolhas com mais autonomia e segurança.

Acompanho muito o site da Eurodicas, e compartilho com vocês algumas reportagens, como está agora 👀 de Marcos Freire. Muito bom. Importante saber que eu quero estar aberta para novas experiências, fazer muitas descobertas com uma melhor qualidade de vida. Mas, com atenção a como são as coisas por lá. Estou atualmente organizando minha papelada escolar, muitas empoeiradas, até esquecidas… se tornando vivas novamente. Me reiventando dia a dia, ousando me mudar depois dos 65 anos, bem planejado… tudo isto para ficar mais perto de meus filhos que moram na Europa: Paris e Londres.

Leiam: Quem já leu meus outros artigos, (especialmente o primeiro deles, onde conto um pouco sobre o nosso processo de mudança para Portugal) sabe que quando cheguei aqui na terrinha já tinha mais de 50 anos de idade e era (e ainda sou) totalmente ativo profissionalmente. Ou seja, não viemos como aposentados (ou reformados, como dizem por aqui). Ao contrário, queria muito trabalhar, tanto por prazer pessoal quanto por necessidade mesmo. Aliás, não dizem que os 50 são os novos 30 ou 40 anos?

Então, os “cinquentões” ainda tem muito a produzir, a criar, a ensinar e a aprender no mercado de trabalho. Mas, é fácil se inserir no mercado de trabalho partindo praticamente do zero? Não, não é. Quem sabe minha trajetória profissional (e a de outros imigrantes com quem eu convivo e que estão na mesma faixa etária) possam ajudar ou dar alguns caminhos para aqueles que também querem emigrar com mais de 50 anos de idade.

Saiba como foi mudar para Portugal com mais de 50 anos

Claro que vale repetir: minhas escolhas talvez não façam sentido para todos. Meus receios podem não ser os mesmos de outras pessoas. Os sapos que decidi engolir podem não passar por outras gargantas. Minhas alegrias igualmente podem não fazer nem cócegas em outros corações.

Mas a mensagem é a seguinte: sempre é tempo para reescrever uma nova história de vida e não há receita única. E Portugal pode realmente ser um lindo cenário para as novas experiências.

Portugal tem uma grande população acima de 50 anos de idade

Ninguém precisa se sentir deslocado por ter 50 anos ou mais quando chega em Portugal. O país já é um dos que tem a idade média mais alta de toda a comunidade europeia. Dados oficiais mostram que 22,1% da população portuguesa tem mais de 65 anos de idade, praticamente empatado com Grécia e Finlândia (ambos com 22,3%), todos os três perdendo apenas para a Itália (23,2%).

Há 20 anos, esta faixa etária da população portuguesa ficava em torno de 16% do total, o que mostra como o envelhecimento tem sido muito maior do que o número de nascimentos.

Se considerar a faixa etária a partir dos 50 anos, este grupo populacional representa mais de 40% de todas as pessoas que vivem no país.

Neste ritmo, a projeção é que Portugal passe a ser o país mais “envelhecido” da Europa por volta de 2050, praticamente empatado com Grécia e Itália, todos com quase 34% da população passando dos 65 anos de idade.

Muita gente acima de 50 anos no mercado de trabalho

Logo que chegamos, fiquei encantado com a quantidade de pessoas mais velhas trabalhando. Via isso sob a ótica de que era positivo existir um mercado de trabalho aberto a essa faixa etária.

Professores e professoras do meu filho eram mais velhos, funcionárias da escola eram mais velhas, motoristas de táxi eram mais velhos.

Senhoras vendendo peixe nas suas barracas na calçada, outras tantas no mercado municipal, alguns varrendo a rua, caixas de supermercado, balconistas nos cafés, garçons nos restaurantes e por aí vai.

Não deixa de ser positivo, mas hoje já vejo que tinha uma certa miopia e muito romantismo nesse meu deslumbramento.

Trabalhar é importante, sem dúvida, mas muitos daqueles que estavam ainda pegando pesado em trabalhos bem operacionais preferiam estar com a vida mais tranquila.

Talvez cuidando dos netos, da horta, passeando ou até mesmo viajando. Ou seja, não trabalhavam porque queriam, mas porque ainda precisavam, mesmo já tendo dedicado algumas décadas da vida ao trabalho.

Idade para aposentadoria em Portugal

Hoje, a idade normal para pedir a reforma é aos 66 anos e 6 meses de vida.

A idade é ajustada a cada ano  (dependendo de variações, por exemplo, na expectativa de vida da população) e ao menos 15 anos de contribuição para a  Seguranca Social. Mas quem não conseguiu guardar regularmente algum dinheiro ao longo da vida de trabalho terá certa dificuldade com os valores baixos, na média, pagos aos reformados.

Para os brasileiros, os acordos entre os dois países permitem que o tempo de trabalho e de contribuição no Brasil possam ser considerados no cálculo em Portugal , seguindo alguns critérios. As vantagens (ou não) para quem quiser seguir por este caminho precisam ser bem avaliadas, mas é sempre bom contar com esta alternativa.

Oportunidades para quem passa dos 50 anos

Acompanho com frequência as postagens no LinkedIn, a rede de contatos profissionais, e vejo muitas discussões sobre a dificuldade de os profissionais com mais de 50 anos se recolocarem nas grandes empresas do Brasil, mesmo tendo ótimos currículos.

E o olha que nosso país é sede de muitos e imensos grupos empresariais, além de ter também inúmeras médias e pequenas empresas.

Quando olhamos para Portugal, vemos que o mercado de trabalho é o realmente muito menor, até mesmo pelo tamanho do país e da população. Além disso, algumas das multinacionais que atuam na Península Ibérica tem seus maiores escritórios cruzando a fronteira, na Espanha, de onde gerem os negócios. Muitas mantém escritórios ou representações menores em Portugal.

Mas, claro, há também grandes grupos empresariais portugueses, grandes profissionais e um mercado dinâmico. E uma grande vantagem: enquanto o desemprego no Brasil gira em torno de 14%, em Portugal fica mais ou menos na metade disso.

Também existem dificuldades no mercado de trabalho português

Mas a dificuldade não é apenas por já termos 50 anos ou mais. Há algo que funciona por aqui exatamente como no Brasil: rede de relacionamento!

E isso, para quem está chegando em um país novo, é uma grande desvantagem. Mesmo que alguns contatos já tenham sido feitos quando ainda estavam no Brasil, os brasileiros que chegam aqui em busca de alguma oportunidade vão sentir bem o peso de ter que começar uma nova rede de contatos no campo profissional.

Por aqui, ter uma boa “cunha” (o que para nós é aquele amigo ou conhecido que pode abrir algumas portas ou dar aquele “empurrãozinho”) ajuda bastante.

Por mais que as empresas estejam abertas a receber os currículos por email ou pelo website, quando a indicação vem de alguém conhecido o peso é realmente muito maior. E quando se tratam de empresas menores, muitas delas familiares, ter alguém que indique faz toda a diferença.

Ter uma rede de contatos facilita a busca

Na prática, nada de ficar em casa mandando o CV pela internet a espera de algum retorno. Até pode ser que funcione, mas o negócio é mostrar a cara, literalmente.

Tanto vale deixar o CV pessoalmente em locais onde se pretende buscar uma oportunidade. Pode ser no hotel em que acha que pode ter uma vaga, na fábrica, no restaurante, no café, no bar, na loja. Puxar conversa com as pessoas e mostrar que tem interesse em trabalhar ajuda bastante no primeiro momento.

Nas cidades menores o processo pode ser mais fácil

Em uma cidade pequena, a estratégia funciona ainda mais. Todos costumam ser bem receptivos, pois sabem a importância do trabalho.

O motorista de táxi pode dar dicas, a caixa do supermercado talvez saiba onde estão precisando de gente, e assim por diante. Uma boa caminhada pela cidade, mesmo nas grandes, pode oferecer um mundo de oportunidades. Mantenha os olhos abertos para ver nas montras (as nossas vitrines) os cartazes pedindo colaboradores.

Claro que as grandes empresas ou multinacionais não vão contratar gerentes ou diretores com cartazetes na porta, mas para elas também vale a rede de relacionamento.

Falo com experiência de quem, por via das dúvidas, já mandou currículos para praticamente todos os grandes grupos portugueses, simplesmente utilizando a tradicional aba “Trabalhe conosco” dos sites, sem receber, na maioria dos casos, qualquer retorno.

Ou, apenas aquele retorno do tipo “Obrigado, mas seu perfil não se encaixa nas oportunidades que temos”. E tudo bem, isso também faz parte do jogo.

Equivalência do diploma em Portugal

Quando decidimos mudar de país, veio conosco o desejo de também buscar coisas novas no campo profissional. Talvez por justamente já ter mais de 50 anos e ter me sentido realizado profissionalmente em vários momentos ao longo da carreira, não me preocupei muito em continuar apenas na mesma trajetória, na mesma área, fazendo as mesmas coisas.

Claro que isso é um sentimento muito particular e entendo perfeitamente aqueles que chegam como engenheiros ou advogados por exemplo, e buscam seguir avançando aqui exclusivamente na mesma carreira.

Talvez por esse meu “desapego” profissional, deixei de fazer algo que pode tornar a vida um pouco mais difícil: pedir a equivalência do diploma universitário. Ou seja, meus diplomas de Jornalismo pela PUC-SP, de Administração pela FGV-SP, e de MBA pela Fundação Dom Cabral pouco valem por aqui.

Mas nunca deixei de trabalhar por causa disso. Porém, claro, foram em áreas e circunstâncias em que os diplomas não foram necessários.

Validar seu diploma é fundamental

Uma vez, pouco depois de ter chegado por aqui, estive no Centro de Emprego e Formação Profissional, uma instituição que apoia os desempregados, dá orientação sobre o mercado de trabalho, oferece cursos de formação e aperfeiçoamento.

Queria entender melhor esse novo ambiente em que eu estava chegando e me cadastrar. Quando preenchi meu cadastro, pediram minha formação e eu, todo orgulhoso, soltei tudo o que tinha feito.

Aí veio a pergunta: “você validou ou pediu equivalência destes diplomas aqui em Portugal?”. Não, respondi. “Então vou ter que colocar aqui que você sabe ler e escrever, pois não tenho nem como dizer que você terminou o ensino médio”. E assim está.

Para eles, sei ler e escrever (pensei em dizer que também era bom de tabuada, mas achei que não ia ajudar). Não posso criticar, pois eu não fiz – ainda – a minha “lição de casa”.

Muita atenção ao reunir a documentação necessária

Por isso, dependendo do que pretende fazer profissionalmente em Portugal, lembre de colocar na bagagem toda a documentação necessária para acertar os seus diplomas, o que inclui até mesmo o seu histórico escolar do ensino médio, aquele que você, se já tiver passado dos cinquenta anos de idade, terminou há mais de 30 anos. E “apostilar”, para ter validade lá.

Vale lembrar também que há uma série de profissões em que há acordos com as entidades que representam as categorias profissionais (como OAB e CREA), o que pode tornar tudo mais fácil. Embora esteja ocorrendo algumas mudanças, importante se informar sobre a situação atualizada lá no país. Tudo deve ser apostilado.

Podemos mais do que imaginamos

Darwin já dizia que sobrevivem aqueles com maior capacidade de adaptação, não obrigatoriamente os mais fortes.

Chegar em um novo país e seguir firme nesta nova vida é realmente um grande experimento “darwinista”. Já cruzei com gente muito confiante, forte, mas cheia de restrições do tipo “isso eu não faço” ou “só trabalho na minha área”.

E esses tendem a ser os primeiros a desistir da ideia de uma vida realmente nova. Tirando, naturalmente, coisas que vão de encontro aos nossos princípios morais e éticos, estar aberto ao novo (principalmente para quem tem mais de 50 anos) pode ser a linha que separa o sucesso do fracasso nesta empreitada.

O lado bom de encarar os novos desafios e apostar na resiliência: descobrimos que somos bons em muita mais coisas do que imaginávamos e que também gostamos e nos divertimos com atividades que até então pareciam nem passar por perto do nosso repertório. É quase como aquele prato que não gostamos de comer, sem nunca ter experimentado. Um dia, na casa de alguém, com certa cerimônia, acabamos comendo e até gostando.

Ou quando a fome aperta e a gente descobre que está num pequeno restaurante de estrada, no meio da noite, e que provavelmente não terá nada aberto até o dia seguinte. Comemos e ainda fica aquela sensação de que “até não é tão ruim assim”.

Encarando novas experiências

Desde que cheguei, vim disposto a abrir meu leque de opções profissionais. Descobri a hotelaria, trabalhei em café e em fábrica.

Confesso que me diverti muito em todas essas experiências. Serão novas carreiras? Vou crescer do ponto de vista de cargos? Provalvelmente não. Mas, como disse, não é isso que me move hoje.

Simplesmente fui me adaptando e encaixando o que eu já tinha de habilidades às novas demandas que foram surgindo. E tudo isso sem “trair” meu amor pela comunicação, pois continuo a escrever (você está lendo esse artigo, não?), criando conteúdos para redes sociais, colaborando pontualmente com agências de comunicação no Brasil.

E assim como eu, há outros brazucas “cinquentões” (ou até mesmo na casa dos 60, 70 anos) que se reinventam, decidem empreender. Há lojas de roupas e pratas, cafés, um variado comércio (virtual ou físico) de coxinhas, pão de queijo, pizza, feijoada, produtos brasileiros em geral. Todos com nossos conterrâneos, tanto no atendimento quanto na gestão.

Os que vão para as fábricas, dirigem caminhões (os “pesados”, como se diz por aqui), e que vão ter contato direto com o público nos cafés e nos restaurantes (diga-se de passagem que o jeito mais expansivo do brasileiro casa muito bem com os cafés e restaurantes), vão vender imóveis. São diversas as possibilidades!

“Ah, mas eu sou engenheiro formado pelo ITA e quero uma oportunidade na minha área”. Ok, vale tentar sim. Mas não deixe de olhar para tantas portas que se abrem e que podem parecer tão “nada a ver” e que, no final, nos realizam tão ou mais do que o modelo ao qual estávamos acostumados.

Nem tudo é trabalho

Claro que trabalhar é importante, principalmente se você não tem uma fonte de renda no Brasil que, dividida por mais de seis, possa te dar o conforto que você quer aqui na Europa. Nunca é demais lembrar que aqui gastamos em euros. Mas nem tudo gira em torno do trabalho, felizmente.

E para nós, os 50+, Portugal tem muito a oferecer. Nem vou falar sobre segurança, tranquilidade, porque teria pouco a acrescentar a tudo que é falado em todos os sites e portais, por exemplo. Mas a tranquilidade e a segurança fazem realmente a diferença para que tenhamos vontade de fazer uma série de coisas que, por receio ou medo, fomos deixando de lado no Brasil.

Posso falar com conhecimento de causa sobre andar de bicicleta, por exemplo. Eu já estou mais para os sessenta do que para os cinquenta e adoto a bicicleta para praticamente tudo o que faço. Do trabalho ao supermercado, dos passeios pela cidade até às pedaladas mais longa para conhecer o país. Já pedalava no Brasil, é verdade, mas aqui a sensação de segurança é muito superior. Vivo numa cidade pequena, o que ajuda.

Talvez, para a turma de Lisboa e do Porto, os cuidados tenham que ser maiores, mas os riscos estão bem longe daqueles de São Paulo. Aos finais de semana, principalmente, cruzo com pelotões de ciclistas na beira da estrada, grande parte deles já com cabelos brancos.

Os cafés na praia do Furadouro, perto de casa, ficam cheios de bikers. Vez ou outra ponho a magrela no comboio e vou até o Porto, para depois voltar pedalando para casa, sempre cruzando com “velhinhos” sobre duas rodas.

Qualidade de vida no dia a dia

No dia a dia é a mesma coisa: senhoras de bicicleta indo trabalhar no hotel, outras indo ao mercado, muitos avós e avôs indo buscar os netos na escola na companhia da bicicleta. Sem contar os mais aventureiros que viajam de bike.

Há pequenos grupos de holandeses, alemães, espanhóis e mesmo de portugueses (todos com mais de 50 ou 60 anos) que costumam pernoitar no centro da cidade como parte do roteiro que se inicia no Porto e, para os mais corajosos, pode terminar em Lisboa.

Ah, para quem não se sente seguro para se equilibrar nas magrelas, há um projeto muito interessante em algumas cidades de Portugal, o “Pedalar sem idade“.

E não é só pedalando que a gente se diverte por aqui. Caminhar é outra daquelas atividades que fazemos em Portugal com muito mais leveza e tranquilidade.

Ninguém vai pular no seu pescoço para roubar seu celular, por exemplo. Conhecer Portugal andando é um grande prazer. E nós, os velhinhos, estamos por todos os lados. E não falo apenas dos turistas. Os compromissos da rotina diária, principalmente nas cidades menores, podem ser encarados sem necessidade do carro. As distâncias são menores, é tudo perto.

Sem contar que eu não me canso de olhar encantado para a cidade onde moro, mantendo aquela sensação de quem está vendo pela primeira vez aquelas casas com fachadas azulejadas.

E no Porto, então? Quem desce lá da Universidade do Porto, passando pela livraria Lello, se deslumbrando com a estação São Bento, caminhando pela rua das Flores (com direito a um café com pastéis de nata), se perdendo nas vielas até chegar à ribeira do Douro vai cruzar pelo caminho com muita gente mais velha, andando sem preocupação com segurança, desfrutando as belezas da cidade (e pra descer, todo santo ajuda…).

É possível aproveitar Portugal de diversas formas

Portugal tem isso de bom. É tudo muito perto, o que também favorece as viagens curtas, muitas vezes de bate-e-volta no mesmo dia. Esses pequenos passeios fazem parte da nossa rotina e sempre vejo pessoas mais velhas nos parques que conheço, nos novos restaurantes que vou experimentar, nos centros históricos, nos museus.

Vale ressaltar que o preço dos combustíveis e dos pedágios (portagem, como fala-se aqui) não é dos mais baixos, o que também torna as viagens curtas mais vantajosas.

Cultura acessível por toda parte

Do ponto de vista cultural, as atrações são inversamente proporcionais ao tamanho do país. É incrível a quantidade de coisas que se pode fazer por aqui. E a maior parte das atividades tem preços reduzidos ou são gratuitas para os que tem pelo menos mais de 60 anos. Cidades como Lisboa e Porto reúnem os principais equipamentos culturais, é verdade, mas mesmo os concelhos menores possuem seus teatros, museus e centros de cultura.

Quem vem de uma cidade como São Paulo, como eu, sente um certo baque inicial. Mas aos poucos vai descobrindo todas as possibilidades que a cidade oferece. Os grandes shows e espetáculos não estarão, de modo geral, nos menores municípios. Mas nada que um passeio de comboio não resolva. Falo da minha própria experiência: já pegamos o trem para assistir a um concerto que queríamos muito em Lisboa e foi divertidíssimo.

Mas para não dizer que tudo é perfeito para nós, os mais velhos, outro dia resolvi que queria ser bombeiro voluntário. Fazia parte daquela ideia de abrir horizontes, de ter novas experiências. E sempre achei a profissão de bombeiro muito linda. Mas não deu. A idade máxima é de 45 anos.

Então, se pretende emigrar com mais de 50 anos, venha. Vai conseguir trabalhar, se divertir e ter uma vida mais segura e mais calma. Pode se divertir muito. Só não vai conseguir é ser bombeiro.

By Marcos Freireé jornalista e vive com a família em Ovar há 5 anos.

Fonte: Site Eurodicas

PARIS AQUI VOU EU: PASSEANDO PELA TORRE EIFFEL / CHAMPS-ÉLYSÉES E ARCO DO TRIUNFO.

Começamos nosso passeio pela manhã por Trocadéro. O Trocadero engloba vários jardins e prédios construídos durante a Exposição Universal de 1937, situados no 16º bairro de Paris, igualmente perto da Torre Eiffel e pairando sobre o Rio Sena. Seguimos para a Torre Eiffel pelos jardins.

A vista da “torre” chegando por Trocadero eu considero a melhor vista, impactante para a minha chegada e para começar o tour do dia.

Torre Eiffel

Passeamos pela “Torre Eiffel”, símbolo de Paris e da França, que é o monumento imperdível a visitar quando se está na Cidade da Luz. Eu sempre venho aqui, quando estou em Paris.

Com uma altura de 330 metros, a Torre Eiffel tem uma história fascinante que remonta ao final do século XIX.  Seu arquiteto, o engenheiro Gustave Eiffel, já era renomado por suas realizações em pontes, viadutos e estruturas metálicas antes de construir esta emblemática estrutura de ferro.

A Torre foi originalmente concebida como uma instalação temporária para a Exposição Universal de Paris em 1889, para celebrar o centenário da Revolução Francesa. E permanece até hoje, tamanha a sua beleza. Virou símbolo de Paris.

A Torre Eiffel recebe o público todos os dias, das 9h30 às 23h45 (das 9h às 0h45 em julho e agosto).

Para visitar os pisos da Torre Eiffel – há 3 níveis: 1.º piso, 2.º piso e cobertura final – os visitantes podem comprar bilhetes antecipadamente em nossa bilheteria online oficial (melhor opção, tornará mais rápido a sua visita), ou comprar bilhetes no local no dia da visita (com filas muito grandes), nas bilheteiras localizadas no pátio sob a Torre Eiffel.

Subir ao topo da Torre Eiffel (como fizemos), é ter uma visão panorâmica de Paris lá de cima, sempre é uma experiência única e impactante. No por do sol é muito concorrido e é imperdível!

Para aqueles que desejam apenas passear sob a Torre, no pátio e nos jardins internos que circulam a torre, o acesso é gratuito e livre. Basta usar uma das duas entradas principais (com controle de segurança) do monumento.

A Torre Eiffel oferece bilhetes de visita, que vão até o cume, ou até o 2.º piso, você opta na compra dos bilhetes. A visita sempre inclui os níveis inferiores.

São também propostas exclusivamente na bilheteria online da Torre Eiffel ofertas de visitas guiadas, assim como ofertas que combinam visitas com taça de champanhe ou visitas com brunch. É possível chegar até lá de metrô.

Neste momento devido as Olimpíadas (2024) em Paris, ela se encontra cheia de obras para o evento, mas consegue-se acessa-lá sem maiores problemas.

Fonte: http://www.toureiffel.paris

@toureiffelofficielle – Redes Sociais: Instagram/ Facebook

La tour Eiffel, Site OFFICIEL : billets, infos, actualité….

A Torre Eiffel, sítio Web OFICIAL : ingressos, informações, notícias….


Atravessando a ponte, caminhando pelo Rio Sena…

Avenida Champs-Élysées

A tarde caminhando atravessando a ponte, chega-se na avenida Champs-Élysées, que é a principal avenida de Paris (fica no oitavo arrondissement da cidade).

São quase 2 km de extensão com muitas lojas de luxo, com vitrines belíssimas, algumas fast fashion, restaurantes charmosos – que traduzem toda a atmosfera romântica de Paris-, além de cafés, bares e cinemas. Muito bom ficar um pouco sentada nestes locais apreciando calmamente suas gostosuras e a beleza e magnitude desta avenida.

A avenida se estende da Praça Charles de Gaulle (onde fica o Arco do Triunfo) até a Praça da Concórdia (ou Place de la Concorde) . É possível chegar até lá de metrô.

Arco do Triunfo

Ao final da Av. Champs-Élysées, fomos ao “Arco do Triunfo”. Um monumento maravilhoso e cheio de história, que eu adoro visitar.

Em 1836, em meio an Era Napoleônica, o Arco do Triunfo foi inaugurado em Paris. O motivo da construção foi exaltar Napoleão Bonaparte pela expansão territorial.

No monumento há inscrições dos nomes de batalhas e nomes de militares que participaram das expedições comandadas pelo imperador.

Dentro do Arco existe um Museu sobre a construção do ponto turístico e um Monumento de 1921 que se chama Mausoléu do Soldado Desconhecido, uma homenagem aos militares franceses que morreram na Primeira Guerra Mundial e não tiveram suas identidades reconhecidas.

O ingresso para subir ao terraço do Arco do Triunfo, que tem 50 metros de altura, custa, em média, 12 euros. O monumento está localizada na Praça Charles de Gaulle.

Horário de funcionamento: O horário de funcionamento do Arco do Triunfo também varia de acordo com as épocas do ano:

>Janeiro a março: aberto das 10h às 22h30

>Abril a Setembro: das 10h às 23h

>Outubro a Dezembro: das 10h às 22h30h

Hora de voltar para casa, ao entardecer.

Como dica, você poderá chegar a qualquer lugar destes de metrô ou RER.

A CASA DOS SONHOS… DOS MEUS PAIS…

“Meus pais pediam insistentemente, para eu levá-los de volta para casa.
Papai nunca saiu de sua casa, mas a casa saiu dele.
Mamãe morava comigo, mas nunca saiu daquela casa, que ela sonhava retornar.
Aos poucos eu fui entendendo o que significava “voltar para casa”. Eles querem resgatar a casa que um dia abrigou Felicidade, na verdade eles queriam voltar para aquela Felicidade.
Não era a casa de tijolos e portas, janelas e piso rangendo. Era a casa que abrigava o barulho das crianças brincando, o cheiro de café e o gosto de bolo de fubá; o perfume do travesseiro que guardava seus segredos; o cheiro do bife que só mamãe sabia preparar; o perfume do dia de limpeza e o cheiro da pipoca.
A casa era a maçaneta da porta rangendo, quando papai voltava do trabalho; ou o pano de chão sobre o tapete, que mamãe insistia em colocar para manter o tapete limpo.
A casa para onde eles querem voltar é feita dos detalhes da torneira pingando, que papai adorava consertar; do batente arranhado pelas escaladas das crianças inquietas; é a casa que abrigou o sonho de família, de felicidade, de prosperidade; a casa paga em muitas prestações, e cada uma delas tinha um gosto de vitória…
Eles querem morar naquela felicidade, e eu também.”


Quando leio um texto deste, me emociono… perdi as contas de quantas vezes eu também quis voltar pra casa. Aquela casa!!! A casa da minha infância.., a casa da minha adolescência… a casa de quando me casei… a casa que construí e passei bons momentos da infância de meus filhos, onde vi eles crescerem, se formarem, se casarem, criarem asas e bater longe, indo para outras culturas, outros mundos 🌎. A casa do meu segundo casamento… das nossas reconstruções de família e vida.Tempo bom! Tempo que não volta mais, resta agora so as lembranças e a saudade, mas uma saudade alegre e recheada de amor de afeto. Por isso senti cada pedacinho da casa em cada momento de minha vida. Ao envelhecermos isto tudo aflora e se torna mais vivo. Boas lembranças que preenchem minha alma de histórias de vida!”

By Míriam Morata – autora de Alzheimer diário do esquecimento, Alzheimer recolhendo os pedaços e Alzheimer Assombro e Cura do Cuidador.

REENCONTRO!

Eu vim aqui me buscar. E aqui parecia ser longe, muito longe do lugar onde eu estava, o medo costuma ver as distâncias com lente de aumento.

Vim aqui me buscar porque a insatisfação me perguntava incontáveis vezes o que eu iria fazer para transformá-la e chegou um momento em que eu não consegui mais lhe dizer simplesmente que eu não sabia.

Vim aqui me buscar porque cansei de fazer de conta que eu não tinha nenhuma responsabilidade com relação ao padrão repetitivo da maioria das circunstâncias difíceis que eu vivenciava.

Vim aqui me buscar porque a vida se tornou tediosa demais. Opaca demais. Cansativa demais. Encolhida.

Vim aqui me buscar porque, para onde quer que eu olhasse, eu não me encontrava. Porque sentia uma saudade tão grande que chegava a doer e, embora persistisse em acreditar que ela reclamava de outras ausências, a verdade é que o tempo inteirinho ela falava da minha falta de mim.

Vim aqui me buscar porque percebi que estava muito distante e que a prioridade era eu me trazer de volta. Isso, se quisesse experimentar contentamento. Se quisesse criar espaço, depois de tanto aperto. Se quisesse sentir o conforto bom da leveza, depois de tanto peso suportado. Se quisesse crescer no amor.

Vim aqui me buscar, com medo e coragem. Com toda a entrega que me era possível. Com a humildade de quem descobre se conhecer menos do que supunha e com o claro propósito de se conhecer mais. Vim aqui me buscar para varrer entulhos. Passar a limpo alguns rascunhos. Resgatar o viço do olhar. Trocar de bem com a vida. Rir com Deus, outra vez.

Vim aqui me buscar para não me contentar com a mesmice. Para dizer minhas flores. Para não me surpreender ao me flagrar feliz. Para ser parecida comigo. Para me sentir em casa, de novo.

Vim aqui me buscar. Aqui, no meu coração.

Adoro este texto de Ana Jácomo.

VIDA…

A vida gosta de sutilezas e fala nas entrelinhas. As respostas que buscamos podem estar diante de nossos olhos e não percebemos, ocupados que estamos com nossos egos, dores, buscas, anseios, decepções. Enquanto choramos no chão do banheiro por um amor perdido, alguém pode estar nos identificando em meio à multidão.

Não sei se existe destino ou é a ocasião que nos presenteia de vez em quando. Mas a vida tem dessas coisas, espera estarmos maduros, calejados e sofridos o bastante para reconhecermos o amor…

By Fabiola Simões

APRENDENDO COM O TEMPO… A RIQUEZA E AS DIFERENÇAS DA CONVIVÊNCIA FAMILIAR

Se eu pudesse dar só um conselho 😉 nesta vida✨🧐… com certeza seria 🤩 👀 aproveitem sempre, todos os momentos 🙌🏻 para criarem vínculos afetivos com seus familiares… sempre que puderem!!!

Criem histórias, façam memórias, que serão lembradas, sempre quando a saudade bater na sua porta. 🧐 Que elas sejam intensas 👀 enquanto viverem 🙏🏻🙌🏻 💓cheias de amor… recheadas de afeto, carinho, atenção, muito respeito 👀 e paciência… muita paciência, 🙏🏻 pois com às diferentes idades e gerações nesta convivência familiar… cada um está num time diferente 🧐.

Isso não importara muito, quando temos amor ❤️🩷🩵💙💚suficiente em nossos corações e que possamos perdoar e ser perdoados todas as vezes em que seja necessárias, 🙏🏻 senão hoje… algum dia! Lembre-se que todas as histórias, sempre tem dois lados 👀, e cada um enxerga de um lado só 🧐

Cuidado com as “palavras”, elas podem ferir mais do que muitas atitudes, e sempre marcam, dificilmente serão esquecidas 👀. Sempre marcam!!!

Mas não demore muito para entender tudo isto… para não perder muito tempo. Tempo que é uma preciosidade… onde só entendemos melhor a medida que envelhecemos.

O tempo ameniza as feridas e constrói novas pontes, capazes de superar tudo e (re) construir novos caminhos. Isto nos fará mais leve e mais felizes. Tenham certeza disto!!!

Há de se compreender isto e buscar ter menos ansiedade, ter mais paciência e sabedoria para caminharem todos juntos e buscarem a felicidade 🙏🏻 e a união da família ❤️🩷🩵💙💚.

Levamos a vida inteira para entender que viver em família não é fácil, mas é a melhor coisa do mundo e é o nosso bem mais precioso. São nossas raizes. Seguimos… Aprendendo sempre!!! O tempo passa!!! Voa, eu diria.

Gosto de reviver meus bons momentos quando estou com meu marido, meus filhos, nora, genros… meus queridos netinhos. Assim como com meus irmãos e a família que eles construíram 😉. Gratidão 🙏🏻💐

DE OLHOS ENCANTADOS…

Que nada me tire o olhar que vê miudeza. Repara na folha caindo. Nota desenho de nuvem. Sorri pra céu azulzinho. Flagra borboleta abraçando flor.

Que nada me tire os olhos demorados em olhos amados. Isso que me faz perceber mudança de Lua. Procurar estrelas na noite. Ter vontade de molhar a vida no mar. Sentir prazer com os pés descalços na areia. Experimentar gratidão por tanto. Por tudo.

Que nada me tire a lembrança de que joaninha existe. O ouvido bom pra encontrar passarinho. A mão que sente textura de árvore. A reverência pelo canto do vento. A espera pelo pôr do sol. O cheiro de terra molhada que anuncia chuva.

Que nada me tire a alegria pela canção bonita. O encanto pela delicadeza. A tristeza pelo que machuca. O interesse por gente. O coração tocado pela amizade do animal. Os olhos marejados pela história de amor.

Que nada me tire a sensibilidade. A admiração. A surpresa. A capacidade de sentimento. Os olhos macios. Eu não suportaria esta passagem pelo mundo com apatia.

By Ana Jacome

CONFORTÁVEL!

Depois de tantas buscas, encontros, desencontros, acho que a minha mais sincera intenção é me sentir confortável, o máximo que eu puder, estando na minha própria pele. É me sentir confortável, mesmo acessando, vez ou outra, lugares da memória que eu adoraria inacessíveis, tristezas que não cicatrizaram, padrões que eu ainda não soube transformar, embora continue me empenhando para conseguir.

By Ana Jácomo