SER SENSÍVEL!

Bom pra refletir by Ana Jácomo

“Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Todo dia. Esse jeito de ouvir além dos olhos, de ver além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio tão clara no próprio coração e tantas vezes até doer ou sorrir junto com toda sinceridade. Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada. Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com a indelicadeza. Esse cuidado espontâneo com os outros. Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada. Essa saudade, que às vezes faz a alma marejar, de um lugar que não se sabe onde é, mas que existe, é claro que existe. Essa vontade de espalhar buquês de sorrisos por aí, porque os sensíveis, por mais que chorem de vez em quando, não deixam adormecer a idéia de um mundo que possa acordar sorrindo. Pra toda gente. Pra todo ser. Pra toda vida. Eu até já tentei ser diferente, por medo de doer, mas não tem jeito: só consigo ser igual à mim.”

APRENDI…

Aprendi que o amor chega na hora exata. Que a maturidade vem aos poucos. Que a infantilidade só vale a pena se for pra fazer a gente rir. Que família é tudo. Que amigos bons e sinceros são poucos. Que cuidar da minha vida é sempre a melhor opção. Que dias melhores sempre virão. Que, na vida, tudo vale a pena. E principalmente que minha felicidade depende muito das escolhas que eu faço! Continuo aprendendo dia a dia…

A VIDA É AQUI E AGORA.

“Esta vida vai passar rápido, não brigue com as pessoas, não critique tanto seu corpo. Não reclame tanto. Não perca o sono pelas contas. Não deixe de beijar seus amores. Não se preocupe tanto em deixar a casa impecável. Bens e patrimônios devem ser conquistados por cada um, não se dedique a acumular herança. Deixe os cachorros mais por perto. Não fique guardando as taças. Use os talheres novos. Não economize seu perfume predileto, use-o para passear com você mesmo. Gaste seu tênis predileto, repita suas roupas prediletas, e daí? Se não é errado, por que não ser agora? Por que não dar uma fugida? Por que não orar agora ao invés de esperar para orar antes de dormir? Por que não ligar agora? Por que não perdoar agora? Espera-se muito o Natal, a sexta-feira, o outro ano, quando tiver dinheiro, quando o amor chegar, quando tudo for perfeito… Olha, não existe o tudo perfeito. O ser humano não consegue atingir isso porque simplesmente não foi feito para se completar aqui. Aqui é uma oportunidade de aprendizado. Então, aproveite este ensaio de vida e faça o agora…

Ame mais, perdoe mais, abrace mais, viva mais intensamente e deixe o resto nas mãos de Deus.”
(Texto de Marcela Taís)

RESPIRE…

Fiz minhas escolhas…

Abri mão de outras…

Superei fases ruins…

Parei de me expor, de dizer o que penso…

Pessoas contorcem sentimentos, mudam frases, aumentam palavras, não percebem a angústia ou o alívio de um coração que não é infeliz…

É que já faz tempo que parei de me revelar demais, parei de dar passagem pra quem não sabe embarcar em viagens emocionais intensas…

Fecho os olhos, me retiro, sinto meus livramentos…

Alguns solavancos ainda me tiram do eixo…

Não sou perfeita; mas dentro do meu jeito próprio de dançar conforme a esperança sinto que mereço de verdade a paz que anuncia novos amores, novos sonhos, novos desejos…

O respiro, agora, é de missão cumprida…

Fiz o que pude…

Fiz pela necessidade de aprendizado e humanização…

Não espero nada de ninguém… Não exijam muito de mim…

Gosto desta reflexão de Sil Guidorizzi

CONTAMINADOS

Heloísa poetisa me fez refletir sobre tudo que estamos passando.

No ano de 2020 o mundo foi acometido por uma grave pandemia viral. As famílias ficaram mais unidas e aprenderam a se amarem e perceberam enfim a importância de um abraço, principalmente entre não familiares. Aprenderam dividir o pouco, o muito, a regrar, brincar, ouvir, a serem solidários ate com desconhecidos tornando-se mais humildes uns para com os outros. As datas festivas e as reuniões nos finais de semana com amigos ou familiares provaram o quanto essas reuniões fazem falta. Aprenderam o que é saudade. Aprenderam a usar um outro tipo de vestimenta; mascara sobre nariz e boca e luvas nas mãos.

Sentiram a perda de seus entes queridos e de amigos. Não foi morte súbita ou por bala perdida ou por perder lentamente por uma doença terminal e nem porque já eram idosos. Foi doença seguida de morte vindo de uma contaminação, tragava em poucos dias mesmo com todos os esforços dos Profissionais de saúde, Hospitais de campanha, distribuição gratuita de mascaras e testes feitos em todos os Postos de saúde e Hospitais. Contaminava crianças, adultos, idosos, independente da classe social, credo religioso, poder aquisitivo, nação ou gênero sexual.

As mamães de 2020 abraçavam seus bebezinhos. Mais muitas perderam suas vidas ou maridos e tantos familiares sem ter a oportunidade de abraçá-los naquele momento e ate para uma ultima despedida. Muitas crianças tornaram-se órfãs e os menorzinhos não entendiam por que só podiam ver o vôvô e a vóvó por vídeo. Pela maior permanência em casa de adultos sem comparecerem ao trabalho semanal, de crianças sem irem a Escola secular e sem atividades físicas ou recreativas com amigos; a obesidade, depressão, divórcios tiveram aumento considerável. Bem como a agressão as mulheres e abuso sexual de crianças e adolescentes.

Os cachorros de rua perambulavam desnorteados. Os restaurantes não abriram nos finais de semana os bares não funcionaram e as ruas ficaram vazias. A pandemia fechou as lojas por vários períodos, ocasionando demissões em massa e ao reabrirem suas portas, muitos enceram suas atividades comerciais sem condição financeira de prosseguir. A rede de entrega a domicilio, contratação de motoboy e o comercio virtual cresceu demasiadamente criando novas fontes de emprego.

Enquanto que as aulas seculares passaram a ser via redes sociais criando muita polemica entre as diferenças do poder aquisitivo das famílias das crianças ate mesmo da rede de ensino Particular; por outro lado serviram de sociabilidade, entretenimento e acessibilidade aos que não podiam sair de casa. Abrindo um leque de sugestão e interesse de gêneros como concertos musicais, sarais culturais, shows, reuniões, lives entre outros.

Todas as competições esportivas ficaram paralisadas. Ocasionando grandes prejuízos quando retornaram a competir principalmente sem a presença dos torcedores.

Casamentos foram só nos cartórios respeitando todos os cuidados de prevenção. Viagens e festas não aconteceram bem como datas comemorativas culturais, cívicas, festa de 15 anos, formatura e nem corpo para o velório… Não sabemos quando tudo isto vai acabar. Mudanças ocorrem todos os dias. Com as vacinas chegando muitas coisas melhoraram e teve uma luz no fim do túnel. Cada país está numa fase. Um dia este novo mundo surgirá onde muita coisa pode voltar enquanto outras serão muito diferentes.

INFÂNCIA E TODAS IDADES.

Hoje completo 65 anos 🥂. Passou tudo tão rápido, num piscar de olhos. Esta carta de José Carlos fala sobre a Infância e todas as idades… “Divertida idade” é maravilhosa e me representa muito. Foi entregue a familiares dele quando ele completava 60 anos. Leiam:

A Divertida idade existe, ela acon- tece a partir do nascimento e recebe o nome de infância. O bebê ainda no ventre materno já tem percepções sobre o universo que o cerca e será cenário de sua existência. Os avós se fazem presentes e participam dessa aventura familiar com muita intensidade. Após o nascimento, começa a fase essencial para vivencias que vão permear a vida inteira do ser humano. É nessa etapa em que os sonhos devem ser possíveis e se constroem no imaginário ético e estético, através do despertar da curiosidade, contemplação, exercício da imaginação, fantasia, ludicidade, protagonismo e aprendizagem!

Com experiências significativas que possibilitem a criatividade na ação inter- geracional, e com ludicidade, as crianças interagem e brincam com seus avós, sábios e vividos, que marcam sua infância. A partir de contação de histórias, produção de brinquedos com materiais disponíveis e simples, brincadeiras de rodas e cantigas, manuseios de objetos e álbuns de fotografias da época em que foram crianças, memórias afetivas serão res- gatadas e compartilhadas com os pequenos, criarão repertório e enriquecerão a cultura, a história de vida dessas crianças que tem o privilégio de conviverem com seus avós, que trazem à elas a noção de sua primeira sociedade, no mundo em que atuarão como cidadãos.

Para desenvolvimento saudável dessa infância, o mundo precisa ser visto como Belo, avós podem estar por perto e junto aos pais revelarem aos netos esse mundo onde vale a pena viver. Dessa forma norteando a criação e educação do importante ser para que ele Seja!

Avós também podem colaborar na criação dos netos e exercer seu papel de forma significativa, atribuindo a uma educação humanizada, os pilares que sustentam relacionamentos sociais: tolerância, autonomia, amor e claro, criatividade para quando um desses três falta.

A infância é morada da criatividade! É nessa fase da vida, durante os dois primeiros setênios em que a fantasia e a descoberta se tornam naturalmente mais potentes; é quando o ser humano se constrói e modela sua moral, desperta para autonomia, percebe-se e protagoniza para toda sua existência. Valores éticos, estéticos e poéticos oferecidos nessa experiência concreta, promovem desenvolvimento sensível, evocando importantes pilares na formação da criança.

Avós podem colaborar na criação dos netos e exercer seu papel de forma significativa, atribuindo a uma educação humanizada, que sustentam relacionamentos sociais: tolerância, autonomia, amor e claro, criatividade para quando um desses três falta.

Todos os seres humanos recebem como dádiva uma porção de criatividade. Mas só isso não basta, é necessário desenvolvê-la. As crianças criativas são como crias em seus ninhos, que precisam apreender a voar… para isso deve haver espaço na “casinha de dentro e na de fora”, para desenvolvimento des- sa criatividade na infância, alçando vôs que cheguem perto dos horizontes, coloridos e cheinhos de propósito. Os pequenos criam, percebem, contemplam, sentem, ouvem, cheiram, tocam e pensam, fazem seus experimentos, pesquisam, constroem, vivem! Na condução de um avô como referência, participando dessa infância com ternura e afeto, é possível a construção da criatividade para arte do convívio intergeracional. Esse percurso não poderia ser iniciado em outro tempo, se não na infância! e que seja ela presente em todas as idades, com vozes, risos, versos, poesias e canções, para estar viva em todas as idades.

José Carlos – Uma carta escrita por ele e endereçada aos seus familiares e amigos, que participaram da comemoração dos seus 60 anos.

Veja também: https://oterceiroato.com/2020/11/13/quando-eu-envelheco/

https://oterceiroato.com/2020/10/09/adaptando-se-ao-envelhecimento/

https://oterceiroato.com/2020/10/07/setenios-conheca-a-teoria-dos-setenios-de-7-em-7-anos-a-sua-vida-muda-completamente/

PERCEPÇÃO DE SOLIDÃO…

Martha Medeiros sempre me faz refletir. Sobre solidão…

Uma mulher entra no cinema, sozinha. Acomoda-se na última fila. Desliga o celular e espera o início do filme. Enquanto isso, outra mulher entra na mesma sala e se acomoda na quinta fila, sozinha também. O filme começa. Charada: qual das duas está mais sozinha? Só uma delas está realmente sozinha: a que não tem um amor, a que não está com a vida preenchida de afetos. Já a outra foi ao cinema sozinha, mas não está só, mesmo numa situação idêntica a da outra mulher. Ela tem uma família, ela tem alguém, ela tem um álibi. Muitas mulheres já viveram isso – e homens também. Você viaja sozinha, almoça sozinha em restaurantes, mas não se sente só porque é apenas uma contingência do momento – há alguém a sua espera em casa. Esta retaguarda alivia a sensação de solidão. Você está sozinha, não é sozinha. Porque ninguém está, de fato, apontando para nenhuma das duas. Quem aponta somos nós mesmos, para nosso próprio umbigo. Somos nós que nos cobramos, somos nós que nos julgamos. Ninguém está sozinho quando curte a própria companhia, porém somos reféns das convenções, e quando estamos sós, nossa solidão parece piscar uma luz vermelha chamando a atenção de todos. Relaxe. A solidão é invisível. Só é percebida por dentro.
Então de repente você perde seu amor e sua sensação de solidão muda completamente. Você pode continuar fazendo tudo o que fazia antes – sozinha – mas agora a solidão pesará como nunca pesou. Agora ela não é mais uma opção, é um fardo. Isso não é nenhuma raridade, acontece às pencas. Nossa percepção de solidão infelizmente ainda depende do nosso status social. Se você tem alguém, você encara a vida sem preconceitos, você expõe-se sem se preocupar com o que pensam os outros, você lida com sua solidão com maturidade e bom humor. No entanto, se você carrega o estigma de solitária, sua solidão triplicará de tamanho, ela não será algo fácil de levar, como uma bolsa. Ela será uma cruz de chumbo. É como se todos pudessem enxergar as ausências que você carrega, como se todos apontassem em sua direção: ela está sozinha no cinema por falta de companhia! Por que ninguém aponta para a outra, que está igualmente sozinha?

LAMBUZE – SE DE VIDA!

Não coma a vida com garfo e faca, lambuze-se.
Muita gente guarda a vida para o futuro.
Mesmo que a vida esteja na geladeira, se você não a viver, ela se deteriora.
É por isso que muitas pessoas se sentem emboloradas na meia-idade. Elas guardaram a vida, não se entregaram ao amor, ao trabalho, não ousaram, não foram em frente.
Depois chega um momento em que se conscientizam:
“Puxa, passei fome para guardar batatas e elas apodreceram”.
Hoje em dia as pessoas orientam sua vidas baseadas em idéias e métodos que já não tem
relação com a própria existência.
Elas não se alimentam corretamente porque sentem medo de tudo: de engordar, de emagrecer, dos agrotóxicos, da contaminação, dos malefícios para essa ou aquela doença.

Quando se sentam à mesa, afirmam que precisam comer carne porque contém proteína,
tomar leite porque contém cálcio. Elas precisam comer isso ou aquilo. Quase ninguém come sem culpa. Todo o mundo se alimenta seguindo alguma moda. O alimento deixou de ser comida e se transformou em medicamento.
Solte sua alma, seja você.
Tenha consciência de que, se estiver em paz consigo mesmo, você comerá carne quando tiver vontade e não porque alguém disse que é bom ou ruim. Você não come açúcar porque está satisfeito e não porque ele é tido como nocivo à saúde.
Mergulhe totalmente na vida. Chupe a laranja e tire todo o caldo. Quando a morte chegar encontrará somente o bagaço. Nada do que você deveria desfrutar estará contido
no bagaço, nada do que precisaria viver restará.

Não deixe sua vida ficar muito séria. Viva como se estivesse num jogo, saboreie tudo o que conseguir, as derrotas e as vitórias, a força do amanhecer e a poesia do anoitecer.
Brinque, mas brinque muito. A felicidade é feita de muitos sorvetes.
De Roberto Shinyashiki


COISAS BOAS… OLHAR PRA TRÁS E SENTIR LEVEZA!

Gosto do que Ana Jácomo, diz sobre olhar para trás… tantas coisas 👀

Coisa boa olhar pra trás e sentir que a gente conseguiu sair dos lugares onde não tinha luz. Desapertar apertos enquanto colocava os pés no caminho. Desmanchar nuvens pesadas de tristeza com autoescuta e paciência.

Coisa boa olhar pra trás e sentir que agora a gente ama um pouquinho melhor. Que nossa bondade esticou os seus braços. Que tem joaninha pousada na nossa memória. Que, depois da ausência de nós mesmos, nosso amor hoje nos inclui.

Coisa boa olhar pra trás e sentir que pode ser mais simples. Que a gente não abre mais tanto espaço para complicação. Que ainda tem uma criança que brinca de roda com nossa alegria. Que tem passarinho no nosso sorriso. Que no nosso olhar ainda tem flor.

Coisa boa olhar pra trás e sentir ainda mais gratidão pela família da gente. Perceber que certas tempestades incrivelmente nos transformaram de um jeito bem bonito. Saber que, apesar de tanto, nosso coração ainda é bom. Saber que, apesar de tudo, o que prevalece é o amor.

ENVELHECER DE BEM COM A VIDA…

“Envelhecer é o único meio de viver muito tempo.
A idade madura é aquela na qual ainda se é jovem, porém com muito mais esforço.
O que mais me atormenta em relação às tolices de minha juventude não é havê-las cometido…
E sim não poder voltar a cometê-las.
Envelhecer é passar da paixão para a compaixão.
Muitas pessoas não chegam aos oitenta porque perdem muito tempo tentando ficar nos quarenta.
Aos vinte anos reina o desejo, aos trinta reina a razão, aos quarenta o juízo.
O que não é belo aos vinte, forte aos trinta, rico aos quarenta, nem sábio aos cinquenta, nunca será nem belo, nem forte, nem rico, nem sábio…
Quando se passa dos sessenta, são poucas as coisas que nos parecem absurdas.
Os jovens pensam que os velhos são bobos; os velhos sabem que os jovens o são.
A maturidade do homem é voltar a encontrar a serenidade como aquela que se usufruía quando se era menino.
Nada passa mais depressa que os anos.
Quando era jovem dizia:
“Verás quando tiver cinquenta anos”.
Tenho cinquenta anos e não estou vendo nada.
Nos olhos dos jovens arde a chama, nos olhos dos velhos brilha a luz.
A iniciativa da juventude vale tanto a experiência dos velhos.
Sempre há um menino em todos os homens.
A cada idade lhe cai bem uma conduta diferente.
Os jovens andam em grupo, os adultos em pares e os velhos andam sós.
Feliz é quem foi jovem em sua juventude e feliz é quem foi sábio em sua velhice.
Todos desejamos chegar à velhice e todos negamos que tenhamos chegado.
Não entendo isso dos anos: que, todavia, é bom vivê-los, mas não tê-los.
Adoro este texto de Albert Camus, tem muito do encantamento que os avós vivem com os netos. Sei bem disto