O PESO DE VIVER MUITO. JÁ FEZ O SEU DEVER?

Eu estarei completando 70 anos em Setembro/26 e á muitos anos tenho pensado em “como eu quero envelhecer”, “onde desejo estar”, “como superar os desafios a medida que a idade avança”, “o que preciso fazer ainda, pra melhorar minha condição”… Encarando tudo de frente e assim venho me preparando desde já, pensando em ter para uma boa qualidade de vida, a a medida que minha idade vá avançando.

Mas sem romantizar! Na realidade estou refletindo sobre vários aspectos importantes. As redes sociais só mostram a parte boa “do estar envelhecendo”, sem considerar que temos diferentes envelheceres, de acordo com a nossa condição de vida. Cada qual no seu quadrado.

Adorei esse artigo de Kika Gama Lobo, me identifico com as suas reflexões e quis compartilhar com vocês. Leiam:

Estamos comemorando a longevidade sem perguntar quem vai pagar a conta dela.

Há uma nova religião circulando por aí: a longevidade.

Vivemos fascinados pela ideia de chegar aos 90, aos 100, aos 110. Celebramos a nova régua do tempo como quem descobre uma terra prometida. Nas redes sociais, envelhecer virou quase um privilégio estético: cabelos brancos charmosos, corpos sarados, viagens, vinhos, sexo, pilates, skincare, trilhas, empreendedorismo depois dos 60 e aquela frase perigosíssima: a idade está apenas na cabeça.
Não. A idade também está na conta bancária. No plano de saúde. Na solidão de uma terça-feira à noite. Na memória que falha. Na filha que mora em outro país. No filho que trabalha 12 horas por dia e não consegue cuidar de ninguém. No cuidador que custa uma fortuna. No aluguel que sobe. No remédio que não cabe no orçamento.
Precisamos falar do peso de viver muito.
Porque viver muito é uma conquista extraordinária — mas pode também ser uma operação logística, financeira, emocional e familiar de proporções gigantescas.
A medicina ampliou o prazo de validade. A sociedade, porém, ainda não aprendeu a financiar, cuidar e acolher esse novo tempo.

Estamos comemorando a longevidade sem perguntar quem vai pagar a conta
dela.

E não estou falando apenas de dinheiro.
Estou falando de planejamento.

Quem pretende viver até os 90 precisa começar a pensar nisso muito antes dos 70. Precisa construir patrimônio, cuidar do corpo, cuidar da cabeça, cultivar amizades, aprender a pedir ajuda, organizar documentos, discutir herança, pensar em moradia, entender como funcionará seu cuidado futuro e, sobretudo, construir uma rede.

Porque ninguém envelhece sozinho.

Mesmo quando mora sozinho.

A grande mentira contemporânea é essa fantasia de independência absoluta. Como se envelhecer bem significasse não precisar de ninguém. Como se pedir ajuda fosse fracasso.
Como se uma mulher de 82 anos pudesse resolver tudo pelo celular, marcar consulta pelo aplicativo, autorizar procedimento por biometria, conversar com robô de atendimento e ainda sorrir para a câmera dizendo que está “vivendo sua melhor fase”.

Estamos criando uma geração de longevos sem rede.
Filhos moram longe. Famílias diminuíram. Casamentos terminam. Amigos morrem. As pessoas mudam de cidade, de país, de continente. A vida profissional exige mobilidade. A economia exige produtividade. E o cuidado — esse trabalho invisível que durante séculos foi empurrado para as mulheres da família — ficou caro.

Muito caro.

A chamada economia do cuidado está se transformando em um dos grandes
desafios deste século. Cuidador, enfermagem, residência assistida, fisioterapia, acompanhamento médico, alimentação adequada, transporte, adaptação da casa. Tudo custa dinheiro.
E quem não tem?

Quem não construiu uma reserva?

Quem depende exclusivamente de um benefício previdenciário?

Quem pagou plano de saúde durante décadas e agora descobre que o preço ficou quase incompatível com sua renda?

Quem tem 78 anos e uma filha em Lisboa?

Quem tem 91 e nenhum filho?

A longevidade não é democrática.

E essa talvez seja uma das frases mais importantes que precisamos dizer neste momento.

Não existe um único envelhecimento.

Existe o envelhecimento de quem tem dinheiro e o de quem não tem. O de quem mora perto dos filhos e o de quem mora sozinho. O de quem tem plano de saúde e o de quem depende exclusivamente do SUS. O de quem envelhece com amigos, amor e propósito e o de quem envelhece empilhando perdas.

Na internet, entretanto, parece que todos envelhecemos iguais.

Uma espécie de Disney grisalha.

Todo mundo ativo. Todo mundo desejável. Todo mundo viajando. Todo mundo fazendo musculação. Todo mundo começando uma segunda carreira. Todo mundo sexualmente potente, emocionalmente resolvido e financeiramente organizado.

É bonito.

É inspirador.

E é profundamente insuficiente.

Porque existe uma indústria poderosa vendendo a ideia de que envelhecer bem é uma questão de atitude. Tome colágeno. Faça exercício. Medite. Coma proteína. Tenha propósito. Faça terapia. Viaje. Ame. Dance.

Ótimo.

Mas quem paga?

Quem prepara a comida?
Quem leva ao hospital?

Quem fica quando a autonomia começa a escorrer pelas frestas?

A romantização da velhice pode ser tão cruel quanto o próprio preconceito contra os velhos.
Porque ela transforma uma questão coletiva em responsabilidade individual.

Se você envelhecer mal, a culpa será sua.

Não se cuidou.

Não guardou dinheiro.

Não fez terapia.

Não se exercitou.
Não teve propósito.

Ora, façam-me o favor.

É claro que escolhas individuais importam. Autocuidado importa. Saúde mental importa. Educação financeira importa. Resiliência importa.

Mas sorte também importa.

Genética importa.

Classe social importa.

Acesso à saúde importa.

Políticas públicas importam.

O problema é que não estamos preparados para essa vida.

Precisamos urgentemente de uma nova cartilha do bem viver. E ela deveria começar na adolescência.

Não para ensinar adolescentes a “envelhecer”, mas para ensinar que o tempo tem consequências.

Educação financeira deveria falar de longevidade.

Educação emocional deveria falar de perdas, solidão e dependência.

A escola deveria discutir cuidado.

A sociedade deveria discutir moradia para idosos.

As cidades deveriam ser pensadas para quem tem mobilidade reduzida.

O mercado de trabalho deveria considerar carreiras mais longas.

O sistema de saúde deveria se preparar para uma população que viverá décadas depois da aposentadoria.

E as famílias deveriam conversar sobre dinheiro, cuidado, herança, moradia e decisões de fim de vida antes da emergência.

A pergunta, portanto, não deveria ser apenas: “Como viver mais?”

Essa pergunta já está velha.

A pergunta que precisamos fazer agora é:

“Como vamos sustentar os anos que conquistamos?”

Porque chegar aos 100 pode ser maravilhoso.

Mas chegar aos 100 sem dinheiro, sem vínculos, sem assistência, sem saúde mental e sem uma rede de cuidado pode transformar o tão celebrado presente da longevidade em uma longa travessia de abandono.

Não quero uma sociedade obcecada por acrescentar anos à vida.

Quero uma sociedade preparada para sustentar a vida que esses anos acrescentaram.

Até quando vamos romantizar envelhecer sem discutir o preço de continuar vivo?

Porque viver muito é maravilhoso.

Desde que a gente consiga viver — e não apenas durar.

Artigo que me trouxe muitas reflexões Por Kika Gama Lobo/ Veja Rio/ 18/8/26

Kika Gama Lobo é jornalista, escritora, palestrante e influenciadora da maturidade, conhecida por tratar de envelhecimento com humor ácido, franqueza e uma postura ativista do movimento ageless. Ativista da maturidade. Criadora das hashtags e plataformas #Atitude50 e Kikando

Ela é colunista da VEJA Rio, onde escreve sobre velhice, cotidiano e os desafios da vida madura.  (Fonte:LinkedIn Brasil)

SOBRE AS GERAÇÕES.

As principais gerações e seus períodos:
Baby Boomers (nascidos entre 1946 e 1964):
Cresceram no pós-Segunda Guerra Mundial, uma época de prosperidade econômica e grandes transformações sociais.
Valorizam a estabilidade, o trabalho duro e a construção de uma carreira sólida.
Frequentemente são vistos como dedicados e focados em construir famílias tradicionais.
Geração X (nascidos entre 1965 e 1980):
Vivenciaram a transição entre o analógico e o digital.
São mais independentes e empreendedores, buscando autonomia e desafios profissionais.
Presenciaram a ascensão da tecnologia e se adaptaram a ela.
Millennials ou Geração Y (nascidos entre 1981 e 1996):
São a primeira geração que cresceu com an internet e a tecnologia digital.
Valorizam propósito, crescimento contínuo, flexibilidade no trabalho e buscam um equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Lidam com dívidas estudantis e um mercado de trabalho competitivo.
Geração Z (nascidos entre 1997 e 2010):
São os “nativos digitais”, cresceram em um mundo totalmente conectado.
Altamente conectados, utilizam an internet como ferramenta essencial para adquirir conhecimento.
Valorizam a diversidade, inovação e esperam integração digital em todos os aspectos da vida.
Preocupam-se com a saúde mental e as pressões das mídias sociais.
Geração Alpha (nascidos a partir de 2010):
Filhos dos Millennials, estão crescendo em um mundo de inteligência artificial, realidade virtual e tecnologias cada vez mais avançadas.
Serão a geração mais integrada digitalmente até agora, com a tecnologia permeando todas as suas interações.

DELÍCIAS MADURAS…

Maturidade acalma. Traz sossego. Nos livra de melindres. Gente madura olha nos olhos. Não faz chantagem emocional nem sufoca com suas carências. Gente madura compreende, não cria caso, não age pra atingir nem faz uso de indiretas. Aliás ser maduro é ser direto, objetivo. É respeitar a opinião alheia pois quer que a sua também seja respeitada. É aprender com os erros, ao invés de paralisar com eles.
É ouvir mais do que fala e escutar com atenção, pois é assim que procede o aprendizado. Gente madura ri de si mesma pois sabe que o sorriso é a chave para muitas portas que a vida nos apresenta. Sabe que o bom humor é chique, que gente feliz brilha, sem precisar de Sol. E sabe também que alegria de verdade não se forja, se exercita com as próprias dificuldades da vida.
Gente madura sabe o que é ser feliz. Anda devagar, por que já teve pressa e percebeu que ela não é só inimiga da perfeição. Gente madura sabe que a pressa faz passar despercebido o que realmente nos ilumina o coração.

By Erick Tozzo

ORAÇÃO CELTA

Que jamais, em tempo algum,o teu coração acalente ódio.

Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.

Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.

Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida.

Que a musica seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.

Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.

Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer.

Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.

Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração.

Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins.

Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.

Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno.

Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver. Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!

Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e a tua passagem pela vida, sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome.

Aquele amor que não se explica, só se sente.

Que esse amor seja o teu acalento secreto, viajando eternamente no centro do teu ser.

Que a estrada se abra à sua frente.

Que o vento sopre levemente às suas costas.

Que o sol brilhe morno e suave em sua face.

Que respondas ao chamado do teu Dom e encontre a coragem para seguir-lhe o caminho.

Que a chama da raiva te liberte da falsidade.

Que o ardor do coração mantenha a tua presença flamejante e que a ansiedade jamais te ronde.

Que a tua dignidade exterior reflita uma dignidade interior da alma.

Que tenhas vagar para celebrar os milagres silenciosos que não buscam atenção.

Que sejas consolado na simetria secreta da tua alma.

Que sintas cada dia como uma dádiva sagrada tecida em torno do cerne do assombro.

Que a chuva caía de mansinho em seus campos…

E, até que nos encontremos de novo…

Que os Deuses lhe guardem na palma de Suas mãos.

Que despertes para o mistério de estar aqui e compreendas a silenciosa imensidão da tua presença.

Que tenhas alegria e paz no templo dos teus sentidos.

Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora…

Que jamais, em tempo algum, tu esqueças da Presença que está em ti e em todos os seres.

Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz!

A DELICADA ARTE DE VIVER MUITO!

Adorei este texto de Mário Donato D’Angelo, um olhar sensível e com leveza sobre o envelhecimento.

Viver muito sempre foi, por séculos, uma raridade quase mítica. Era coisa de avó centenária que conhecia a cura das doenças no cheiro do mato, ou de personagem de romance russo, desses que morriam em São Petersburgo, sob a neve, citando Aristóteles em voz embargada. Longevidade era exceção. Agora virou estatística.
Vivemos mais. Isso é fato. A medicina avançou, os antibióticos viraram gente da casa, o colesterol passou a ser vigiado como se fosse um criminoso reincidente. A expectativa de vida subiu, e com ela a ideia, quase ingênua, de que bastaria durar para que tudo desse certo. Mas viver muito não é a mesma coisa que viver bem. E é aí que começa a grande arte.
Porque a verdade é que a longevidade chegou antes do manual de instruções. Achávamos que envelhecer seria como alcançar um mirante: olhar para trás com serenidade, cruzar os braços sobre o próprio legado, saborear os frutos de uma vida bem vivida. Mas a velhice, como a infância, exige cuidados diários, e também alguma poesia.
O corpo, esse velho cúmplice, começa a dar sinais de que o tempo passou. As juntas rangem como portas de armário antigo, os reflexos hesitam, os músculos se retraem. Mas não é só o corpo que envelhece: às vezes o mundo ao redor também se torna estranho, distante. Os amigos partem, os filhos se dispersam, as calçadas ganham degraus invisíveis. E de repente, o que mais dói não é o quadril, é o silêncio.

E então vem ela: a queda.
Não só a queda literal, essa que acontece no banheiro, no degrau da padaria, na pressa inocente de atravessar a rua. Mas a queda simbólica: do entusiasmo, da autonomia, da autoconfiança. A queda de uma imagem de si mesmo que antes era firme, decidida, ágil. A queda de um modo de viver que não se encaixa mais no corpo que agora abriga a alma com mais cuidado.
A Organização Mundial da Saúde diz que um terço dos idosos sofre uma queda por ano. E essa queda pode ser o primeiro passo de uma jornada difícil: fraturas, cirurgias, internações, perdas, de mobilidade, de independência, de ânimo. Mas veja bem: não se trata de um alerta sombrio. Trata-se, aqui, de um chamado amoroso à reinvenção.
Porque o envelhecimento também pode ser reinício. E preparar-se para ele é como preparar um jardim: exige tempo, presença, escolhas. É preciso cultivar força, sim, não para carregar sacos de cimento, mas para levantar-se da cadeira com leveza e poder abraçar um neto sem receio de tombar. É preciso elasticidade, não só nos músculos, mas nas ideias. E é preciso algo ainda mais raro: gentileza consigo mesmo.
Não se trata de negar a velhice. Ela chega, queira-se ou não, com suas rugas e suas lentidões, com seus esquecimentos charmosos e suas manias de repetir histórias. Mas há velhices e velhices. E há aquelas que florescem, porque foram cuidadas, porque tiveram sol e sombra, porque foram vividas com afeto, com liberdade, com algum humor.
Sim, o humor. Ele é, talvez, o músculo mais importante a ser mantido. Porque rir de si mesmo, das gafes, das perdas de memória, do tropeço nas palavras, é um jeito de desarmar o tempo. O velho ranzinza é um clichê injusto, há velhos encantadores, que dançam bolero na sala com o ventilador ligado e o cachorro olhando desconfiado. Que tomam vinho com moderação e sorvete sem culpa. Que, aos oitenta, aprendem a usar o celular, e ainda erram, mas riem do erro.
A longevidade, quando bem-vivida, é como uma tarde longa e luminosa. Daquelas em que o sol demora a ir embora e o tempo parece suspenso entre uma lembrança e outra. Não é preciso correr. Nem competir. Basta estar inteiro: corpo e alma em compasso.
É isso que propomos aqui: um olhar amoroso para o futuro que já chegou. A velhice não precisa ser sinônimo de decadência. Pode ser plenitude.
E envelhecer bem não é luxo, nem sorte, é construção diária. Com passos firmes, com gestos suaves, com a força das pernas e o riso no rosto. Com o cuidado do corpo, sim, mas também com a ternura da memória.
Porque o segredo não é apenas viver muito.
É fazer da longevidade uma arte íntima, uma coordenação delicada entre o tempo e o desejo.
E que, ao final, quando chegar a noite, a gente possa dizer, com lucidez e com alegria — “Foi bom ter vivido tanto. Mas foi melhor ainda ter vivido bem.”

NEXO…

Olhando daqui, percebo que pessoas e circunstâncias tiveram um propósito maior na minha vida do que muitas vezes eu soube, pude, aceitei, ler. Parece-me, agora, que cada uma, no seu próprio tempo, do seu próprio modo, veio somar para que eu chegasse até aqui, embora algumas vezes, no calor da emoção da vez, eu tenha me rendido à enganosa impressão de que veio subtrair. A vida tem uma sabedoria que nem sempre alcanço, mas que eu tenho aprendido a respeitar, cada vez com mais fé e liberdade.

O tempo, de vento em vento, desmanchou o penteado arrumadinho de várias certezas que eu tinha, e algumas vezes descabelou completamente a minha alma. Mesmo que isso tenha me assustado muito aqui e ali, no somatório de tudo, foi graça, alívio e abertura. A gente não precisa de certezas estáticas. A gente precisa é aprender a manha de saber se reinventar. De se tornar manhã novíssima depois de cada longa noite escura. De duvidar até acreditar com o coração isento das crenças alheias. A gente precisa é saber criar espaço, não importa o tamanho dos apertos. A gente precisa é de um olhar fresco, que não envelhece, apesar de tudo o que já viu. É de um amor que não enruga, apesar das memórias todas na pele da alma. A gente precisa é deixar de ser sobrevivente para, finalmente, viver. A gente precisa mesmo é aprender a ser feliz a partir do único lugar onde a felicidade pode começar, florir, esparramar seus ramos, compartilhar seus frutos.

Tudo o que eu vivi me trouxe até aqui e sou grata a tudo, invariavelmente. Curvo meu coração em reverência a todos os mestres, espalhados pelos meus caminhos todos, vestidos de tantos jeitos, algumas vezes disfarçados de dor.

Eu mudei muito nos últimos anos, mais até do que já consigo notar, mas ainda não passei a acreditar em acaso.

DEPOIS DOS 60 ANOS…

Coisas que percebi…

Depois dos 60 anos percebi e aprendi que:
Não sou “Atlas”. O mundo não repousa sobre meus ombros.
Aprendi a corrigir menos as pessoas, mesmo quando sei que estão erradas. Afinal, a responsabilidade de tornar todos perfeitos não é minha. A paz é mais preciosa do que a perfeição.
(Se a pessoa vive numa bolha, deixa… não arrebente a bolha).
Dou elogios de forma livre e generosa. Afinal, melhora o humor não só do destinatário, mas também de mim mesmo.
Aprendi a não ser incomodado por alguma mancha na minha camisa. Afinal, a personalidade fala mais alto do que as aparências.
Eu fico longe de pessoas que não me valorizam. Afinal, eles podem não saber meu valor, mas eu sei.
Estou aprendendo a não ter vergonha de minhas emoções.
Afinal, são minhas emoções que me tornam humano.
Aprendi que é melhor abandonar o ego do que romper um relacionamento. Afinal, meu ego vai me manter distante, enquanto com relacionamentos eu nunca estarei sozinho.
Aprendi a viver cada dia como se fosse o último.
Afinal, pode ser o último.

EROTICA É A ALMA.

Adoro compartilhar crônicas que me encantam e me fazem bem. Está da Adélia Prado eu adoro e me representa muito. Leiam:

Todos vamos envelhecer… Querendo ou não, iremos todos envelhecer. As pernas irão pesar, a coluna doer, o colesterol aumentar. A imagem no espelho irá alterar-se gradualmente e perderemos estatura, lábios e cabelos. A boa notícia é que a alma pode permanecer com o humor dos dez, a força dos vinte e o erotismo dos trinta anos.

O segredo não é reformar por fora. É, acima de tudo, renovar a mobília interior: tirar o pó, dar brilho, trocar os estofos, abrir as janelas, arejar o ambiente. Porque o tempo, invariavelmente, irá corroer o exterior. E, quando ocorrer, o alicerce precisa estar forte para suportar. Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua história.

Que usa a espontaneidade para ser sensual, que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafetos. Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios. Erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo.

Erótica é an alma que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores. Lembre-se: nenhum bisturi vai tratar do buraco de uma alma negligenciada anos a fio.

By Adélia Prado, in “Poesia Reunida”.

BATOM… FIME SOBRE ALZHEIMER

BATOM o emocionante filme do ator, diretor e roteirista Fernando Possani é uma obra linda e sensível, com um jeito lúdico de mostrar o Alzheimer com Walderez de Barros e Maju Lima – @walderezdebarros @majulima08 @fernandopossani_ 

Perto de fazer 70 anos, me emocionei e me fez refletir sobre o nosso envelhecimento e a importância dos cuidados com a saúde mental. A mente é intrigante, fértil para doenças de difíceis diagnósticos. Todo cuidado é necessário e merece a nossa atenção. 

Acredito que a minha geração, que tem mudado muita coisa e aberto novos caminhos para as outras gerações é percurssora nesta questão. Temos hoje a preocupação em planejar “como gostaríamos de envelhecer daqui a 10/15/20 anos”… em muitos casos procurando soluções e escolhendo as melhores formas de “como e onde” queremos estar. 

Somos conscientes de que muitos filhos atualmente, com a vida tão frenética, corrida e muitas vezes a distância global, não conseguirão cuidar de nós assim como fizemos com nossos pais e/ ou como gostariam. 

Me lembrei do livro “Eu me lembro” de Selton Mello: “A memória é como um filme em que somos tanto os atores quanto os espectadores. Cada cena, cada lembrança, é uma parte de nós que nunca se apaga”.

E você já pensou sobre isto? 

ESTOU ENVELHECENDO, E AGORA?

Texto do meu amigo Mauro Wainstock, leiam:

Ainda bem que estou envelhecendo. Em 2024 fiquei um ano mais velho e isto também aconteceu desde o meu nascimento, meses antes do Homem pisar na lua.

Cresci utilizando o telefone fixo com disco e a máquina de escrever manual. Era uma época analógica e com mapas da vida previamente formatados: educação, emprego, aposentadoria. O tempo para viver muitas vezes ficava para depois…

Agora pertenço ao universo das siglas: GPS, GPT, IA… Uma realidade programável, algoritmizada e, mesmo assim, imprevisível. O tempo para viver é cada vez mais acelerado.

Estou me adaptando.

Ao me abrir para a curiosidade e o desconhecido, interajo em mundos inovadores, de mudanças repentinas, labirintos instigantes e descobertas inimagináveis.

O desafio daqui para frente é: o que farei?

Ao longo do tempo aprendi que a vida é formada por momentos únicos e ao vivo. Ocasiões maravilhosas e outras nem tanto.

Entendi que o significado de viver é justamente a soma destes acontecimentos. E que a felicidade diária é resultado da postura que temos diante destes fatos.

Busco propósitos estimulantes. Não quero apenas fazer; preciso transformar. Não quero apenas participar, preciso impactar. Não quero apenas planejar; preciso que as coisas aconteçam. Não quero apenas produzir, preciso deixar um legado.

Estou envelhecendo.

Quero mais conexões genuínas, reais e agregadoras.

Sinto falta dos amigos da infância, com quem eu me divertia durante as peladas nas ruas esburacadas.

Quero menos avatares, mais espontaneidade e muito mais emoção.

Não vejo graça em competir com games quase reais que vibram artificialmente através de emojis repetitivos.

Preciso de menos fakes e mais verdades.
• De menos teclado e mais conversas inspiradoras.
• De menos abreviações e mais interrogações.

Estou envelhecendo

Tenho mergulhado em autoconhecimento, participado de experiências memoráveis e me aventurado em roteiros improvisados, tentando me desafiar o tempo todo.
• Sou proativo: assumo a responsabilidade pelas minhas ações.
• Sou ambidestro: vivo intensamente o hoje e, ao mesmo tempo, crio meus futuros.
• Sou ambicioso: o meu “eu” de amanhã precisa ser melhor do que o de ontem.
• Sou utópico: almejo a inteligência de uma sociedade mais humanizada e positiva.
• Busco um cotidiano mais gratificante e sustentável.
• Mais inclusivo e menos superficial.
• Menos midiático e mais sincero.

Estou envelhecendo

Ganhei maturidade e experiência, equilíbrio e resiliência.
• Entendi que não tenho o controle de tudo.
• E que não devo julgar e nem comentar sobre os outros.
• Prefiro agir para que meus sonhos sejam concretizados.
• Quero vivenciar e curtir as minhas próprias histórias.

Estou envelhecendo

Aprendi que vivo aprendendo a viver.

E que a minha principal certeza é que quero continuar envelhecendo.

Com tempo, saúde, sorrisos, amizades e sabedoria.

Bora ser feliz em 2025, que será um ano inesquecível.