CONTAMINADOS

Heloísa poetisa me fez refletir sobre tudo que estamos passando.

No ano de 2020 o mundo foi acometido por uma grave pandemia viral. As famílias ficaram mais unidas e aprenderam a se amarem e perceberam enfim a importância de um abraço, principalmente entre não familiares. Aprenderam dividir o pouco, o muito, a regrar, brincar, ouvir, a serem solidários ate com desconhecidos tornando-se mais humildes uns para com os outros. As datas festivas e as reuniões nos finais de semana com amigos ou familiares provaram o quanto essas reuniões fazem falta. Aprenderam o que é saudade. Aprenderam a usar um outro tipo de vestimenta; mascara sobre nariz e boca e luvas nas mãos.

Sentiram a perda de seus entes queridos e de amigos. Não foi morte súbita ou por bala perdida ou por perder lentamente por uma doença terminal e nem porque já eram idosos. Foi doença seguida de morte vindo de uma contaminação, tragava em poucos dias mesmo com todos os esforços dos Profissionais de saúde, Hospitais de campanha, distribuição gratuita de mascaras e testes feitos em todos os Postos de saúde e Hospitais. Contaminava crianças, adultos, idosos, independente da classe social, credo religioso, poder aquisitivo, nação ou gênero sexual.

As mamães de 2020 abraçavam seus bebezinhos. Mais muitas perderam suas vidas ou maridos e tantos familiares sem ter a oportunidade de abraçá-los naquele momento e ate para uma ultima despedida. Muitas crianças tornaram-se órfãs e os menorzinhos não entendiam por que só podiam ver o vôvô e a vóvó por vídeo. Pela maior permanência em casa de adultos sem comparecerem ao trabalho semanal, de crianças sem irem a Escola secular e sem atividades físicas ou recreativas com amigos; a obesidade, depressão, divórcios tiveram aumento considerável. Bem como a agressão as mulheres e abuso sexual de crianças e adolescentes.

Os cachorros de rua perambulavam desnorteados. Os restaurantes não abriram nos finais de semana os bares não funcionaram e as ruas ficaram vazias. A pandemia fechou as lojas por vários períodos, ocasionando demissões em massa e ao reabrirem suas portas, muitos enceram suas atividades comerciais sem condição financeira de prosseguir. A rede de entrega a domicilio, contratação de motoboy e o comercio virtual cresceu demasiadamente criando novas fontes de emprego.

Enquanto que as aulas seculares passaram a ser via redes sociais criando muita polemica entre as diferenças do poder aquisitivo das famílias das crianças ate mesmo da rede de ensino Particular; por outro lado serviram de sociabilidade, entretenimento e acessibilidade aos que não podiam sair de casa. Abrindo um leque de sugestão e interesse de gêneros como concertos musicais, sarais culturais, shows, reuniões, lives entre outros.

Todas as competições esportivas ficaram paralisadas. Ocasionando grandes prejuízos quando retornaram a competir principalmente sem a presença dos torcedores.

Casamentos foram só nos cartórios respeitando todos os cuidados de prevenção. Viagens e festas não aconteceram bem como datas comemorativas culturais, cívicas, festa de 15 anos, formatura e nem corpo para o velório… Não sabemos quando tudo isto vai acabar. Mudanças ocorrem todos os dias. Com as vacinas chegando muitas coisas melhoraram e teve uma luz no fim do túnel. Cada país está numa fase. Um dia este novo mundo surgirá onde muita coisa pode voltar enquanto outras serão muito diferentes.

SOU ASSIM…

Gosto deste texto de Angela Caboz, leia:

Não sou feita desse ferro que não se desgasta!
Não tenho as garras afiadas de uma fera, nem respiro fogo como um dragão.
Sou esta mulher que já engoliu muitos sapos e que tantas vezes virou as costas à realidade.
Sofri para não magoar, curei dores que não me pertenciam e esqueci-me tratar os meus males.
Cresci ao som das tristezas e os sonhos para mim foram companheiros de lágrimas, que me habituei a educar.
Fiz desse mar de lágrimas o mar revolto onde por vezes soube navegar!
A vida nem sempre me deu doces, mas demasiadas vezes me presenteou com limões amargos.
Por isso, eu aprendi a sofrer e fui bebendo desse veneno que não me conseguiu derrubar.
Não sou forte o tempo todo, sou mais frágil do que pensam.
Sou feitas de todas estas fragilidades, desses retalhos que fui costurando durante toda a vida, para resistir ao frio da tempestade que soprou, mas nem assim me derrotou.
Eu não sou forte, mas a fragilidade de existir fez de mim uma guerreira.”

OS VELHOS…

Gosto desta crônica de Carlos Drummond de Andrade. Leiam: Todos nasceram velhos, desconfio.

Em casas mais velhas que a velhice, em ruas que existiram sempre… sempre assim como estão hoje e não deixarão nunca de estar:

soturnas e paradas e indeléveis mesmo no desmoronar do Juízo Final.

Os mais velhos têm 100, 200 anos e lá se perde a conta.

Os mais novos dos novos, não menos de 50 — enorm’idade.

Nenhum olha para mim.

A velhice o proíbe. Quem autorizou existirem meninos neste largo municipal?

Quem infrigiu a lei da eternidade que não permite recomeçar a vida?

Ignoram-me. Não sou. Tenho vontade de ser também um velho desde sempre.

Assim conversarão comigo sobre coisas seladas em cofre de subentendidos a conversa infindável de monossílabos, resmungos, tosse conclusiva.

Nem me vêem passar. Não me dão confiança.

Confiança! Confiança!

Dádiva impensável

nos semblantes fechados,

nos felpudos redingotes,

nos chapéus autoritários,

nas barbas de milénios.

Sigo, seco e só, atravessando

a floresta de velhos.

Carlos Drummond de Andrade (in ‘Boitempo’, Ibira, Minhas Gerais 31/ outubro/ 1902 – Rio de Janeiro 17/agosto/ 1987 )

A VELHICE PEDE DESCULPAS…

Tão velho estou como árvore no inverno, vulcão sufocado, pássaro sonolento.

Tão velho estou, de pálpebras baixas, acostumado apenas ao som das músicas, à forma das letras.

Fere-me a luz das lâmpadas, o grito frenético dos provisórios dias do mundo:

Mas há um sol eterno, eterno e brando e uma voz que não me canso, muito longe, de ouvir.

Desculpai-me esta face, que se fez resignada: já não é a minha, mas a do tempo, com seus muitos episódios.

Desculpai-me não ser bem eu: mas um fantasma de tudo.

Recebereis em mim muitos mil anos, é certo, com suas sombras, porém, suas intermináveis sombras.

Desculpai-me viver ainda: que os destroços, mesmo os da maior glória, são na verdade só destroços, destroços.

Cecília Meireles ( Brasil – 7/ Nov/ 1901 – 9/ Nov/ 1964 Poeta/Escritora – Brisa e Ventania)

ANTIGAMENTE NA ESCOLA TINHA…

Recebi este texto (de autoria desconhecida) em um grupo que frequento da terceira idade. Me trouxe muitas reflexões, quis compartilhar pra vcs. Leiam:

Antigamente na escola
havia os: “burros”… “gordos”… “quatro olhos ou caixa de óculos”… “sem sal”… “pretos”… “japonêses”… “indianos”… “artolas”… “maricas”… etc.
Os “burros” chumbavam! Não se tornavam doutores como hoje em dia.
Mas a fasquia era definida pelo marrão da turma! Não era nivelada por baixo como agora. Somos todos iguais… diz-se! Antes não parecia que fossemos!
Mas o “gordo” também tinha notas brutais e ninguém sabia como! Talvez porque não jogasse à bola!
O “quatro olhos” tinha um sentido de humor inigualável, mas não fazia corridas pois tinha medo de cair!
O “preto” jogava à bola como ninguém e fazia uns dribles inimaginável! Tinha um físico fora do comum!
O “japonês” tinha vindo de outra escola, sabia muito o inglês e tinha histórias que não lembravam a de ninguém.
Cada um tinha um «defeito», até um apelido… uma alcunha! Mas tinha ou lutava por ter também outras qualidades.
Hoje não. Dizem que somos todos iguais.
Agora, tudo ou é bullying… ou racismo… ou xenofobia… ou opressão… ou assédio… ou violência!

Antigamente, quando se era mesmo racista, levava-se um “chapadão” na tromba e aprendia-se logo que o “preto” era como nós outros! Apenas tinha cor diferente.
E não era bullying!… Era “aprendizagem on job”.
Aprender assim era duro pois doía e não se esquecia mais. E às vezes em casa com os pais também, se “aprendia”… e como. O exemplo era seguido.
O menino ou menina “sem sal” passava despercebido(a) e sentia-se sozinho(a).
Ter uma “alcunha” (apelido) diferente era de praxe. Muito comum…
A diferença era vista com bons olhos.
E aprendia-se algumas coisas importantes: 🤔 Rirmos de nós próprios.
E não “chorarmos” porque alguém nos chamou isto ou aquilo. Assumia-se a gordura… o “esquelético”… o “quatro olhos”… e tudo o mais que viesse.
Mas quando não se estava bem, quando não se gostava do apelido, fazia-se uma coisa importante:

🤩 mudava-se, lutava-se por acabar com ela. Não se culpava os outros nem a sociedade.

🥺Não se faziam “queixinhas”!
E falhava-se … Muitas vezes! Mas cada vez que se falhava ficava-se mais forte.
E sabíamos que era assim. Que havia uns que conseguiam, outros ficavam para trás, que havia quem vencia e quem falhava.

Agora não… Todos somos iguais, há mesmo a chamada igualdade de gênero!
Todos somos bons… todos merecemos… todos temos as mesmas oportunidades… todos devemos até ganhar o mesmo… todos somos vítimas… todos somos oprimidos… e todos somos parvos… porque aceitamos este ambiente do “politicamente correcto” sem dizer nada….. e até devemos dizer que somos “normais”.

Segundo o novo paradigma social, devem ter muito cuidado comigo, porque:

🙄 Sou velho ou quase… tenho mais de 50 anos… e quando chegar à aposentadoria, se chegar a tê-la, o que vai fazer de mim um tolo… improdutivo… que gasta estupidamente os recursos do Estado;

🤔 Nasci branco, o que me torna um racista;

🤔 Não voto na esquerda radical, o que me torna fascista;

🤔 Sou hetero, o que me torna um homofóbico;

🤔 Possuo casa própria, o que me torna um proprietário rico (ou talvez mesmo um latifundiário);

🤔 Gosto de cordeiro de leite, … o que me torna um abusador de animais;

🤔 Sou cristão e, embora não praticante, sou um infiel aos olhos de milhões de muçulmanos;

🤔 Não concordo com tudo o que o Governo faz, o que me torna um reaccionário;

🤔 Gosto de ver mulheres bonitas bem vestidas (ou despidas), ou super decotadas, o que me torna um tipo capaz de assediar;

🤔 Valorizo a minha identidade brasileira, de descendência portuguesa e a minha cultura europeia e ocidental, o que me torna um xenófobo;

🤔 Gostaria de viver em segurança e ver os infractores na prisão, o que me torna um desrespeitador dos direitos “fundamentais” protegidos;

🤔 Conduzo um carro a gasolina, a diesel, o que me torna um poluidor, contribuindo para o aumento de CO2;

Apesar de estes defeitos todos, acho que ainda sou feliz… era mais antes da pandemia… mas mesmo assim… considero-me um gente boa e muito feliz.

Veja também: https://oterceiroato.com/2020/10/07/setenios-conheca-a-teoria-dos-setenios-de-7-em-7-anos-a-sua-vida-muda-completamente/

https://oterceiroato.com/2020/12/04/ela-era-bonita/

A SABEDORIA DA VELHICE.

Aquele que envelhece e que segue atentamente esse processo poderá observar como, apesar de as forças falharem e as potencialidades deixarem de ser as que eram, a vida pode, até bastante tarde, ano após ano e até ao fim, ainda ser capaz de aumentar e multiplicar a interminável rede das suas relações e interdependências e como, desde que a memória se mantenha desperta, nada daquilo que é transitório e já se passou se perde.

Hermann Hesse, in ‘Elogio da Velhice’ (Alemanha 2/ Jul/ 1877 – 9/ Ago/ 1962 )

CHEGUEI AQUI…

Para chegar onde cheguei, tive que ser forte, aliás tive que aprender a ser forte e para isso passei grandes tempestades, engoli muita coisa, esqueci outras, passei por cima de tantas e tantas outras. Em determinados momentos me vi obrigada a construir meu próprio muro e ser a minha própria muralha. Se não bastasse, fui obrigada a andar de salto alto com todas as pedras que tinham meu caminho e ainda a driblar todas as outras que me foram aremessadas. Ensinei meus ouvidos a ouvirem somente aquilo que interessava e que fosse útil, ensinei minha boca a falar somente o necessário e quando fosse realmente necessário, meus pensamentos? Guardei, ocultei e escondi em um compartimento onde só eu e Deus temos acesso. Por isso caro (a) amigo (a) não me julgue e nem aremesse pedras, você não viveu o que eu vivi, você não passou o que eu passei, você não sabe o quanto eu tive que combater para chegar até aqui e nem mesmo sentiu na pele o que eu senti. Antes de você falar de mim, volte no tempo e faça a mesma estrada que eu fiz, ai sim, você terá condições de dizer algo a meu respeito. A vida é assim. Está sempre em movimento ⭐️ Recentemente comemorei meu aniversário. Gosto muito de brindar 🙏🏻 🙌🏻 😉 🥂
By Priscilla Rodighiero
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A ARTE DE ENVELHECER!

Completar 60, 70, 80 anos de idade, ou mais, e poder comemorar com a família e os amigos é um privilégio, uma bênção. Mas é, também, um bom momento para fazer uma retrospectiva da nossa vida: as conquistas e os fracassos; os sonhos realizados e os que ficaram pelo caminho, enfim, um momento para rever o que carregamos em nossa bagagem, além da família, dos amigos, da fé em Deus, em nós e na vida; além da es- perança, do amor e do desejo permanente de ser feliz.

Mas eis que, sem surpresa, porém um tanto apreensivos, nos damos conta de que a velhice chegou e que estamos deixando para trás a primavera da nossa existência, para dar lugar ao outono. Sem dúvida, nos vemos diante de novos desafios e de uma nova realidade. As limitações vão surgindo, é verdade, mas sentimos um desejo enorme de continuar produzindo e sonhando com outras possibilidades, mesmo que a curto prazo.

Envelhecer é uma das etapas da vida, e cada um chega de um modo pró- prio, de acordo com própria história de vida. Uns com mais saúde, outros com menos; uns com mais conforto e quali- dade de vida, outros com menos. Mas, é com esse cenário que vamos lidar com a velhice, usando nossas experiências, nossa criatividade e nos reiventando a cada dia. E aí, percebemos que vamos precisar, mais do que nunca, da família, dos amigos e da sociedade. É importante aceitar a velhice. Afinal, ter chegado até aqui é uma vitória. E nada contra sentar-se na cadeira de balanço, com uma agulha de tricô ou crochê, com um charuto ou cachimbo, com um bom livro, ou diante da tv para assistir àquele programa favorito. Ou deitar- se numa rede para cutucar a memória e ativar as boas lembranças. Mas isso, só depois de uma caminhada, da aula de dança, de pintura, de música, de culinária ou de natação. Ou mesmo, depois de uma visita a um amigo ou uma amiga, ou alguém da família, para um gostoso cafezinho e um papo agradável.

Pensando bem, envelhecer é uma aventura. “Somente os idiotas se lamentam de envelhecer”, escreveu o filósofo Caio Túlio Cícero. Ele dizia que o importante é encontrar o prazer que todas as idades proporcionam, pois todas têm suas virtudes. A velhice, por si só, não muda o temperamento, o comportamento ou o caráter de alguém. Mas pode ser um gatilho para aqueles que desejam mudar para melhor, na reta final de sua existência. E aí é que nos damos conta de que a vida é curta demais. E para terminar, caros leitores, ve- lhos, idosos, da terceira idade, seja lá como queiram ser chamados, vamos em frente, sem medo, sem preconceito, sem pessimismo e sem pressa; com leveza, tolerância, paciência, paixão e sabedoria. Vamos levar apenas o essencial, aquilo que, realmente, vale a pena. Não é fácil, porque a vida não é nada fácil. Mas o importante é tentar, sempre. Vamos sorrir para a vida, porque ela continua sorrindo para nós.

Veja também: https://oterceiroato.com/2020/07/02/me-reinventando/

https://oterceiroato.com/2020/10/07/setenios-conheca-a-teoria-dos-setenios-de-7-em-7-anos-a-sua-vida-muda-completamente/

INFÂNCIA E TODAS IDADES.

Hoje completo 65 anos 🥂. Passou tudo tão rápido, num piscar de olhos. Esta carta de José Carlos fala sobre a Infância e todas as idades… “Divertida idade” é maravilhosa e me representa muito. Foi entregue a familiares dele quando ele completava 60 anos. Leiam:

A Divertida idade existe, ela acon- tece a partir do nascimento e recebe o nome de infância. O bebê ainda no ventre materno já tem percepções sobre o universo que o cerca e será cenário de sua existência. Os avós se fazem presentes e participam dessa aventura familiar com muita intensidade. Após o nascimento, começa a fase essencial para vivencias que vão permear a vida inteira do ser humano. É nessa etapa em que os sonhos devem ser possíveis e se constroem no imaginário ético e estético, através do despertar da curiosidade, contemplação, exercício da imaginação, fantasia, ludicidade, protagonismo e aprendizagem!

Com experiências significativas que possibilitem a criatividade na ação inter- geracional, e com ludicidade, as crianças interagem e brincam com seus avós, sábios e vividos, que marcam sua infância. A partir de contação de histórias, produção de brinquedos com materiais disponíveis e simples, brincadeiras de rodas e cantigas, manuseios de objetos e álbuns de fotografias da época em que foram crianças, memórias afetivas serão res- gatadas e compartilhadas com os pequenos, criarão repertório e enriquecerão a cultura, a história de vida dessas crianças que tem o privilégio de conviverem com seus avós, que trazem à elas a noção de sua primeira sociedade, no mundo em que atuarão como cidadãos.

Para desenvolvimento saudável dessa infância, o mundo precisa ser visto como Belo, avós podem estar por perto e junto aos pais revelarem aos netos esse mundo onde vale a pena viver. Dessa forma norteando a criação e educação do importante ser para que ele Seja!

Avós também podem colaborar na criação dos netos e exercer seu papel de forma significativa, atribuindo a uma educação humanizada, os pilares que sustentam relacionamentos sociais: tolerância, autonomia, amor e claro, criatividade para quando um desses três falta.

A infância é morada da criatividade! É nessa fase da vida, durante os dois primeiros setênios em que a fantasia e a descoberta se tornam naturalmente mais potentes; é quando o ser humano se constrói e modela sua moral, desperta para autonomia, percebe-se e protagoniza para toda sua existência. Valores éticos, estéticos e poéticos oferecidos nessa experiência concreta, promovem desenvolvimento sensível, evocando importantes pilares na formação da criança.

Avós podem colaborar na criação dos netos e exercer seu papel de forma significativa, atribuindo a uma educação humanizada, que sustentam relacionamentos sociais: tolerância, autonomia, amor e claro, criatividade para quando um desses três falta.

Todos os seres humanos recebem como dádiva uma porção de criatividade. Mas só isso não basta, é necessário desenvolvê-la. As crianças criativas são como crias em seus ninhos, que precisam apreender a voar… para isso deve haver espaço na “casinha de dentro e na de fora”, para desenvolvimento des- sa criatividade na infância, alçando vôs que cheguem perto dos horizontes, coloridos e cheinhos de propósito. Os pequenos criam, percebem, contemplam, sentem, ouvem, cheiram, tocam e pensam, fazem seus experimentos, pesquisam, constroem, vivem! Na condução de um avô como referência, participando dessa infância com ternura e afeto, é possível a construção da criatividade para arte do convívio intergeracional. Esse percurso não poderia ser iniciado em outro tempo, se não na infância! e que seja ela presente em todas as idades, com vozes, risos, versos, poesias e canções, para estar viva em todas as idades.

José Carlos – Uma carta escrita por ele e endereçada aos seus familiares e amigos, que participaram da comemoração dos seus 60 anos.

Veja também: https://oterceiroato.com/2020/11/13/quando-eu-envelheco/

https://oterceiroato.com/2020/10/09/adaptando-se-ao-envelhecimento/

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LAMBUZE – SE DE VIDA!

Não coma a vida com garfo e faca, lambuze-se.
Muita gente guarda a vida para o futuro.
Mesmo que a vida esteja na geladeira, se você não a viver, ela se deteriora.
É por isso que muitas pessoas se sentem emboloradas na meia-idade. Elas guardaram a vida, não se entregaram ao amor, ao trabalho, não ousaram, não foram em frente.
Depois chega um momento em que se conscientizam:
“Puxa, passei fome para guardar batatas e elas apodreceram”.
Hoje em dia as pessoas orientam sua vidas baseadas em idéias e métodos que já não tem
relação com a própria existência.
Elas não se alimentam corretamente porque sentem medo de tudo: de engordar, de emagrecer, dos agrotóxicos, da contaminação, dos malefícios para essa ou aquela doença.

Quando se sentam à mesa, afirmam que precisam comer carne porque contém proteína,
tomar leite porque contém cálcio. Elas precisam comer isso ou aquilo. Quase ninguém come sem culpa. Todo o mundo se alimenta seguindo alguma moda. O alimento deixou de ser comida e se transformou em medicamento.
Solte sua alma, seja você.
Tenha consciência de que, se estiver em paz consigo mesmo, você comerá carne quando tiver vontade e não porque alguém disse que é bom ou ruim. Você não come açúcar porque está satisfeito e não porque ele é tido como nocivo à saúde.
Mergulhe totalmente na vida. Chupe a laranja e tire todo o caldo. Quando a morte chegar encontrará somente o bagaço. Nada do que você deveria desfrutar estará contido
no bagaço, nada do que precisaria viver restará.

Não deixe sua vida ficar muito séria. Viva como se estivesse num jogo, saboreie tudo o que conseguir, as derrotas e as vitórias, a força do amanhecer e a poesia do anoitecer.
Brinque, mas brinque muito. A felicidade é feita de muitos sorvetes.
De Roberto Shinyashiki