“Estamos envelhecendo, estamos envelhecendo”, só ouço isto. No táxi, no trânsito, no banco, só me chamam de senhora. E as amigas falam “estamos envelhecendo” como quem diz “estamos apodrecendo”. Não estou achando envelhecer esse horror todo. Até agora. Mas a pressão é grande. Então, outro dia, divertidamente, fiz uma analogia. O queijo Gorgonzola é um queijo que a maioria das pessoas que eu conheço gosta. Gosta na salada, no pão, com vinho tinto, vinho branco, é um queijo delicioso, de sabor e aroma peculiares, uma invenção italiana, tem status de iguaria com seu sabor sofisticadíssimo, incomparável, é caro …. e é podre. É um queijo contaminado por fungos, só fica bom depois que mofa. É um queijo podre de chique. Para ficar gostoso tem que estar no ponto certo da deterioração da matéria. O que me possibilita afirmar que não é pelo fato de estar envelhecendo que devo ser desvalorizada. Saibam: vou envelhecer até o ponto certo, como o Gorgonzola. Estou me tornando uma iguaria. Com vinho tinto, sou deliciosa. Aos 50, fui uma mulher para paladares variados, aos 70 sou uma mulher para paladares sofisticados. Não sou mais um queijo Minas Frescal, não sou mais uma Ricota, não sou um queijo amarelo qualquer para um lanche sem compromisso. Não sou para qualquer um, nem para qualquer um dou bola, agora tenho status, sou um queijo Gorgonzola.
Uma curiosidade saborosa que eu conheci aqui na França, apresentada pelo meu genro… o “café gourmand”, é o que eu sempre peço.
Acredito que acaba acalentando o coração dos que, assim como eu, acabam indecisos (com tantas gostosuras) na hora de escolher o que pedir após uma refeição.
Um item interessante é que não há um padrão a ser seguido para todos os restaurantes – cada restaurante terá sua própria definição sobre o que acompanhará o café ou chá e, nesse ponto há apenas o padrão da casa que dificilmente muda.
Posso perguntar ao atendente o que compõe o café gourmand da casa e ele lhe explicará quais seriam as pétit pâtisserie ou dessert (pequenas sobremesas), que virá no seu pedido, pois no cardápio, normalmente não vem detalhado a composição da sobremesa, apenas vem escrito café ou thé gourmand. Muitas vezes serão servidas com mini versões das sobremesas do restaurante com café ou chá.
Quando entregarem o seu café ou chá, virá acompanhado com 4 mini sobremesas – a quantidade varia entre 3 e 5. Dentre essas mini sobremesas temos: tiramisù, crème brûllée (um clássico), sorvete, crepe, gaufre (waffle), brownie, foundant au chocolate (um bolinho mais cremoso, conhecemos como petit gateau no Brasil), canelle (um bolo pequeno e com uma massa mais dura, parece um pudim de pão), profiterole (tipo a Carolina que temos no Brasil e são recheadas com doce de leite, aqui usam sorvete ou creme), mini tortas, enfim, são coisinhas apaixonantes e deliciosas.
Preço:
Não acho os valores altos. Os preços de um café ou thé gourmand, variam de € 4,50 a € 7,00 (de quatro e cinquenta a sete euros). Vale a pena experimentar… e compartilhar (se achar muito, rsrsrs).
História:
Sobre o “nascimento” do café gourmand e nem mesmo os restaurantes sabem dizer muitos detalhes, mas os textos que encontrei, remetem seu surgimento em meados dos anos 50, na cidade de Paris com a ideia de “suprir, concorrer ou ganhar” o público em relação ao famoso “chá da tarde inglês”. E, por aqui há duas versões da sobremesa, as mais comuns se assim posso dizer são: o café e o thé gourmand (café ou chá gourmand).
A tradução da palavra gourmand nada mais é do que guloso.
Entramos em contagem regressiva. Faltam dois dias para terminar o ano.
É tempo de balanço.Tempo de pensar nos projetos que deram certo. Naqueles que colocamos de lado, em banho maria. E nos que não sairam como planejamos. Mãos a obra 💪🏻
É tempo de (tentar) aceitar as perdas. E acolher os lutos. Pequenos ou grandes. Aqueles que ainda estamos passando e os que já estão resolvidos dentro de nós. Há lutos que levamos pendurados e precisam de um ponto final. Tudo tem o seu tempo, inclusive o luto. É preciso respeitar os tempos de cada pessoa, mas também é importante cuidar para não se perder no luto. Tudo passa! O tempo não volta, por mais que reverenciemos ficam apenas as boas lembranças. É preciso seguir em frente, por mais desafiador que possa parecer… aprender novas coisas, reinventar-se! E nos tornamos pessoas bem mais fortes e melhores, cheio de redescobertas boas.
É tempo de fazer projetos. Projetos de curto prazo. Projetos de um ano ou mais. Ou projetos que mudem radicalmente a vida. Esses próximos dias são um bom momento para sonhar e planejar projetos de todos os tipos. Aqueles que estão no campo da utopia e aqueles que podem ser construídos pouco a pouco. Redefinir metas e definir propósitos!
Nestes últimos dias do ano também gosto de estar em casa. De abrir gavetas, separar para doar roupas que não quero usar mais… e de ver fotos antigas e (re)descobrir o que tenho guardado. É tempo de avaliar o que está na hora de trocar ou jogar fora. Mudar algumas fotos de lugar, atualizar os meus porta retratos… Renovando tudo e melhorando a decoração geral dos ambientes da minha casa. Fazer a energia fluir melhor!
Um desses dois dias reservo um tempo para mexer nas plantas, colocar terra nova, adubar, podar, regar e colher alguns frutos.
Reservo tempo também para (re) encontrar as amigas. Tanto presencial como virtual. Para tomar café, contar histórias e sonhar juntas, apesar dos desafios do mundo do cuidado. É bom esquecer da hora enquanto conversamos e damos risada, mesmo que algumas delas vivam em diferentes locais do país.
E há uma noite para assistir um novo filme no cinema ainda em 2024…. ou maratonar em casa numa série na Netflix, com direito a pipoca, como um ritual. Algumas vezes com os netos pertinho.
Em tempos de final do ano também é essencial ter momentos para não fazer nada. Eu já comecei…
E você, já decidiu o que vai fazer por você neste final de ano?
By Cosette Castro acrescentando comentários Bia Perez
Gostei muito deste artigo de Júlia Pazzini, leiam:
Maturidade cerebral: nove passos para uma mente lúcida e ativa – Júlia Pazzini
Manter o cérebro ativo e saudável na maturidade é fundamental para preservar a cognição, a memória e a qualidade de vida.
À medida que envelhecemos, é natural que ocorram algumas mudanças no funcionamento cerebral, mas existem estratégias que podem ser adotadas para promover a saúde cerebral e manter a mente ágil e alerta:
1 – Exercícios físicos regulares. 2 – Alimentação saudável. 3 – Estimulação do cérebro com atividades cognitivas diferentes. 4 – Socialização. 5 – Sono de qualidade. 6 – Gerenciamento do estresse. 7 – Check-ups regulares. 8 – Aprendizado de coisas novas e desafiadoras. 9 – Redução de hábitos prejudiciais.
Como você tem cuidado do seu 🧠?
Acha importante cuidar do ser integral: corpo, mente, espírito?
São dicas da professora Dra. Thais Bento Lima da Silva , que aconteceu através do projeto Trabalho 60 + , então achei importante compartilhar esses pontos.
Como a Thais disse: “pequenas mudanças no estilo de vida podem fazer uma grande diferença na saúde cerebral a longo prazo”. Comece o quanto antes.
Então…..conte aqui como você mantém seu cérebro ativo e saudável, divida com a gente suas dicas.
Hoje fui passear em Londres, logo de manhã, estava um dia lindo. Onde fui?
Tower Bridge
A Tower Bridge é um dos cartões postais da Inglaterra, sendo um dos locais mais indispensáveis para conhecer no Reino Unido.
A Tower Bridge é uma ponte levadiça e suspensa que foi construída entre 1886 e 1894. Embora seja uma ponte funcional, é também uma atração turística que atrai mais de 500.000 visitantes a cada ano graças a sua arquitetura neogótica, bem como sua localização sobre o rio Tâmisa.
Há muito para ver dentro da Tower Bridge. Desde 1982, quando as passarelas reabriram após quase 72 anos de fechamento, encontram-se aqui uma série de exposições (que celebra toda a sua história); as passarelas de vidro no nível mais alto que ligam as duas torres (com as vistas mais icônicas de Londres) e as famosas Salas das Máquinas (mostrando as pessoas que trabalharam nos bastidores), tudo isto como parte da Exposição da Ponte da Torre.
Eu adoro passear por ela, atravessando e contemplando sua beleza e a vista durante toda a travessia…
Antes de chegar à “Torre de Londres”, ou mesmo depois do passeio pela fortaleza, é possível visitá-la caminhando, já que os dois pontos turísticos ficam bem pertinho um do outro.
Tower of London – A Torre de Londres
A Torre de Londres é um ponto turístico bastante visitado na maior cidade do Reino Unido, e é sempre um das primeiras referências que as pessoas lembram quando pensam na terra do rei – além, claro, de outros lugares igualmente icônicos, como o Big Ben, o Buckingham Palacee a London Eye.
O que poucos comentam é sobre o passado “sombrio” da torre, e sobre qual era sua função antigamente.
A Torre de Londres é um dos pontos turísticos mais legais e interessantes para visitar na Inglaterra, eu super recomendo.
História da Torre de Londres
Prisão e torturas
Na época do feudalismo, em 1066, foi construída uma fortaleza e um castelo para abrigar os monarcas às margens norte do rio Tâmisa. Ao longo dos séculos seguintes, diversas torres foram sendo construídas, a comando de reis ingleses nos terrenos de dentro da fortaleza.
Entre elas, a White Tower, ou Torre de Londres, construída a comando de Guilherme I, em 1078. Por 900 anos o castelo foi símbolo de prepotência, violência e abuso por parte do reinado dos monarcas em questão.
O castelo era utilizado como prisão, lugar de tortura e local onde muitas mortes aconteceram. Se naquela época alguém fosse preso na Tower of London, por desacato à família real ou por algum outro tipo de crime, muito raramente essa pessoa voltaria a ver a luz do dia.
Durante o passar do tempo já foi Zoológico (foi o primeiro zoológico oficial da cidade, criado por volta do século XIII); Casa da Moeda (Em 1800, a torre começou a ser usada como Casa da Moeda e, pouco tempo depois, passou por uma reforma que deixou para trás alguns grandes traços da arquitetura pós medieval); Durante a Primeira e Segunda Guerra Mundial, o local voltou a ser uma prisão. Foi cenário de algumas crueldades como tortura e assassinato de espiões.
Patrimônio Cultural da UNESCO
Atualmente, apesar do passado com uma carga obscura, a Torre de Londres é considerada patrimônio cultural pela UNESCO.
Ao invés de ser utilizada como residência real é abrigo e exposição para uma coleção de valor (tanto financeiro quanto histórico) inestimável das jóias da coroa inglesa.
São muitas peças incrustadas de diamantes, ouro e as mais finas pedras preciosas.
Muitas armaduras de séculos passados podem ser vistos em exposição também.
Um passeio bem interessante que eu já fiz e indico para você fazer.
Como chegar na Torre de Londres
O endereço da Torre de Londres é EC3N 4AB, entre Finsburry e Whitechapel. Mais especificamente em City of London. A forma mais fácil de chegar até lá é de metrô. A estação Tower Hill inclusive fica bem perto do ponto turístico e você pode chegar até ela pela linha Circle e District Line.
Como é a Torre
Restaurada no século XIX, A Torre de Londres exibe diversas características medievais. É uma grande fortaleza que circunda uma vasta área com diversas torres, construídas por diferentes monarcas no decorrer de seus reinados.
Para visitar a Torre de Londres, o mais interessante é fazer um passeio guiado. Este pode ser em inglês, com os próprios guias, ou você pode optar pela escuta traduzida, com fones especiais.
Se você arranhar no inglês, já vale a pena tentar entender o guia no idioma original, pois eles fazem algumas encenações e interagem com os visitantes em certos pontos dos passeios.
São muitos lugares, detalhes históricos e particularidades na arquitetura que facilmente fazem você gastar cerca de seis horas lá dentro.
White tower
A torre principal e primeira a ser construída, são quatro andares de pura história.
Exposição Fit for a King
Com armaduras reais usadas pelos reis e guardiões do passado. Esta exposição já acontece há 300 anos, imagine a idade das peças lá expostas. Por lá, estão as armadura dos séculos XVI e XVII usadas por Henrique VIII, Charles I, Príncipe Henry Stuart e James II.
Coleção de Joias da coroa
Essa é imperdível! As peças são principalmente ligadas às cerimônias religiosas de coroação dos monarcas. E melhor, algumas das joias expostas foram usadas em grandes eventos, pela rainha da Inglaterra, Elizabeth II.
Outros locais interessantes da Torre de Londres
• O local onde os Royal Beasts eram mantidos;
• O local das execuções que aconteceram no passado: Sim, é possível visitá-lo, inclusive agora existe um memorial dedicado às vítimas que foram decapitadas na torre, que incluem até mesmo a Ana Bolena, figura histórica da monarquia inglesa e segunda esposa de Henrique VIII, assassinada a mando do próprio marido por uma suposta traição com o irmão dela. Ou seja, ela foi acusada de traição e incesto;
• Os corvos de estimação da torre;
• A Capela de São Pedro, construída em 1520.
Algumas dicas: melhor ir com uma roupa e sapatos confortáveis, pois a andança é grande. Caso você queira ver só pontos específicos, como as joias da coroa e a White Tower, é possível também, mas o mais legal é que você veja tudo. Apesar de ser um pouco cansativo, o passeio que vale a pena e o ingresso não é dos mais baratos, então aproveite as oportunidades e veja todos os cantos e detalhes da torre.
Curiosidades sobre a Torre de Londres
1. Capela de São Pedro: A capela é linda, a arquitetura é super interessante e ela ainda funciona para missas, mas o que nem todos sabem é há restos mortais de pessoas decapitadas na Torre de Londres, no passado, ainda na capela.
2. Guardas: Os guardas da Torre são chamados oficialmente de Yaeomen Warders, ou “beefeaters” (comedores de carne, em livre tradução). Apesar do apelido estranho, uma das explicações é de que, em período de guerras e racionamento de comida, esses guardas recebiam uma maior quantidade de carne, já que eram importantes para a segurança do local.
3. Roubo: Em 2012, alguém conseguiu furtar a chave que dava acesso ao interior da torre, local que turistas não podem entrar. A pessoa nunca foi pega e o acesso foi trocado para que ninguém além da segurança pudesse entrar no local.
4. Moradores: existem, em média, 150 pessoas que moram na Torre de Londres. Mas não se preocupe, elas não estão aprisionadas. São pessoas que trabalham lá e fazem o serviço de manutenção, limpeza e segurança do lugar.
5. Sete corvos são mantidos dentro da Torre de Londres, têm nome e um criado cada um. O motivo? Conta a lenda que eles foram atraídos até ali pelo mau cheiro dos cadáveres. Carlos II, rei da Inglaterra no século XVII, queria que fossem mortos, mas ouviu que, se os corvos fossem mortos, a torre seria destruída e ele perderia o reinado. Então ordenou que os animais fossem mantidos no castelo, e até hoje sete são preservados por lá. Meio bizarra, não é mesmo?
Ingressos para a Torre de Londres
Esse passeio não é um dos pontos turísticos mais baratos em Londres. Ele custa aproximadamente 24 libras para os adultos, 10 libras para menores de 16 anos, 20 libras para idosos e para crianças com menos de 5 anos a entrada é gratuita. Mas uma coisa é certa, vale cada centavo.
Não deixe de ir! Você pode comprar os ingressos pelo site oficial da Tower of London.
Uma boa dica também é o London Pass, que funciona como um ticket online. Você paga determinado valor e tem acesso a vários pontos turísticos e passeios em Londres, incluindo a Torre de Londres.
Vale a pena caso você queira visitar muitos lugares e economizar uma grana. Você ainda tem a opção de escolher por quantos dias o London Pass vai funcionar, de acordo com o tamanho de sua viagem.
No verão o local fica aberto de terça a sábado, das 9h às 17h, e aos domingo e segundas das 10h às 17h30.
Já durante inverno (novembro a fevereiro) a torre funciona de terça a sábado das 9h às 16h30.
Borough Market
O Borough Market é um dos lugares mais deliciosos de Londres, e outra opção super próxima da Torre de Londres.
Vale a pena seguir direto até ele, após o dia explorando a região, para dar um jeito na fome que com certeza já vai ter aparecido. Por lá você vai encontrar frutas deliciosas, lanches de qualquer canto do mundo, além de restaurantes diversos.
Só mesmo o talento e a sensibilidade à flor da pele desse escritora Erma Bombeck, para produzir essa “jóia da literatura”. Me representou muito:
Aos 3 anos: Ela olha pra si mesma e vê uma rainha.
Aos 8 anos: Ela olha pra si e vê Cinderela.
Aos 15 anos: Ela olha pra si mesma, vê uma bruxa e diz: ‘Mãe, eu não posso ir pra escola deste jeito!’
Aos 20 anos: Ela olha pra si mesma e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, decide sair, mas vai sofrendo.
Aos 30 anos: Ela olha pra si mesma e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, mas decide que agora não tem tempo pra consertar; então vai sair assim mesmo.
Aos 40 anos: Ela olha pra si mesma e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, mas diz: pelo menos eu sou uma boa pessoa, e sai mesmo assim.
Aos 50 anos: Ela olha pra si mesma e se vê como é. Sai e vai pra onde ela bem entender.
Aos 60 anos: Ela se olha e lembra de todas as pessoas que não podem mais se olhar no espelho. Sai de casa e conquista o mundo.
Aos 70 anos: Ela olha pra si mesma e vê sabedoria, risos, habilidades. Sai para o mundo e aproveita a vida.
Aos 80 anos: Ela não se incomoda mais em se olhar.
Põe simplesmente um chapéu de flor e vai se divertir com o mundo.
Talvez devêssemos pôr aquele chapéu de flor mais cedo!
Um olhar poético e encantador sobre nós mulheres.
Fonte: De 1965 a 1996, Erma Bombeck escreveu mais de 4 000 colunas de jornal narrando a vida comum de uma dona de casa suburbana do meio-oeste, com ampla e, por vezes, eloquente humor. Na década de 1970, suas colunas foram lidas, duas vezes por semana, por 30 milhões de leitores de 900 jornais dos Estados Unidos e Canadá.
Gostei muito deste texto de Domingos Pellegrini, leiam:
Ele chegou à praça com uma marreta. Endireitou a estaca de uma muda de árvore e firmou batendo com a marreta. Amarrou a muda na estaca e se afastou como para olhar uma obra de arte.
Não resisti a puxar conversa:
O senhor é da prefeitura?
Não, sou da Alice, faz quarenta e dois anos. Minha mulher.
Ah… O senhor quem plantou essa muda?
Não, foi a prefeitura. Uma árvore velha caiu, plantaram essa nova de qualquer jeito, mas eu adubei, botei essa estaca aí. Olha que beleza, já está toda enfolhada. De tardezinha eu venho regar.
Então o senhor gosta de plantas.
De plantas, de bicho, até de gente eu gosto, filho.
Obrigado pela parte que me cabe…
Ele sorriu, tirou um tesourão da cinta e começou a podar um arbusto.
O senhor é aposentado?
Não, sou desaposentado. Foi podando e explicando: Quando me aposentei, já tinha visto muito colega aposentar e murchar, que nem árvore que você poda e rega com ácido de bateria… Sabia que tem comerciante que rega árvore com ácido de bateria pra matar, pra árvore não encobrir a fachada da loja? É… aí fica com a loja torrando no sol!
Picotou os galhos podados, formando um tapete de folhas em redor do arbusto.
É bom pra terra… tudo que sai da terra deve voltar pra terra… Mas então, eu já tinha visto muito colega aposentar e murchar. Botando bermuda e chinelo e ficando em casa diante da televisão. Ou indo ao boteco pra beber cerveja, depois dormindo de tarde. Bundando e engordando… Até que acabaram com derrame ou enfarte, de não fazer nada e ainda viver falando de doença.
Cortou umas flores, fez um ramalhete:
Pra minha menina. A Alice. Ela é um ano mais velha que eu, mas fica uma menina quando levo flor. Ela também é desaposentada. Ajuda na escola da nossa neta, ensinando a merendeira a fazer doce com pouco açúcar e salgados com os restos dos legumes que antes eram jogados fora. E ajuda na creche também, no hospital. Ihh… A Alice vive ajudando todo mundo, por isso não precisa de ajuda, nem tem tempo de pensar em doença.
Amarrou o ramalhete com um ramo de grama, depositou com cuidado sobre um banco.
Pra aguar as mudas eu tenho que trazer o balde com água lá de casa. Fui à prefeitura pedir pra botarem uma torneira aqui. Disseram que não, senão o povo ia beber água e deixar vazando. Falei pra botarem uma torneira com grade e cadeado que eu cuidaria. Falaram que não. Eu teria que ficar com o cadeado e então ia ser uma torneira pública com controle particular, e não pode. Sorriu, olhando a praça.
Aí falei: então posso cuidar da praça, mas não posso cuidar de uma torneira? Perguntaram, veja só, perguntaram se tenho autorização pra cuidar da praça!!! Nem falei mais nada. Vim embora antes que me proibissem de cuidar da praça… Ou antes que me fizessem preencher formulários em três vias com taxa e firma reconhecida, pra fazer o que faço aqui desde que desaposentei… Tá vendo aquele pinheiro fêmea ali? A Alice que plantou. Só tinha o pinheiro macho. Agora o macho vai polinizar a fêmea e ela vai dar pinhões.
Eu nem sabia que existe pinheiro macho e pinheiro fêmea.
Eu também não sabia, filho. Ihh… aprendi tanta coisa cuidando dessa praça! Hoje conheço os cantos dos passarinhos, as épocas de floração de cada planta, e vejo a passagem das estações como se fosse um filme!
Mas ela vai demorar pra dar pinhões, hein? – falei, olhando a pinheirinha ainda da nossa altura. Ele respondeu que não tinha pressa.
Nossa neta é criança e eu já falei pra ela que é ela quem vai colher os pinhões. Sem a prefeitura saber … e a Alice falou que, de cada pinha que ela colher, deve plantar pelo menos um pinhão em algum lugar. Assim , no fim da vida, ela vai ter plantado um pinheiral espalhado por aí. Sem a prefeitura saber, é claro, senão podem criar um imposto pra quem planta árvores…
É admirável ver alguém com tanta idade e tanta esperança!
Ele riu:
Se é admirável eu não sei, filho, sei que é gostoso. E agora, com licença, que eu preciso pegar a Alice pra gente caminhar. Vida de desaposentado é assim: o dinheiro é curto, mas o dia pode ser comprido, se a gente não perder tempo!
Parabéns Sr Hermes pelo corajoso e sincero depoimento. Um desabafo! Leiam:
“Carta aos futuristas da longevidade !
Cansei. Para ser bem específico? cansei de ler artigos sobre “como devo viver a velhice”; Quem os escreve não tem noção da realidade; se eu, leitor idoso, levar esta turma a sério, vou colocar nas minhas costas toneladas de culpa por não ser o que deveria ser – o que me nego a fazer.
Não viajo por falta de grana e de saúde. Não tenho forças para encarar um aeroporto. ou dez horas de ônibus. A falta de grana é autoexplicativa.
Não estudo/leio por causa de problemas na vista. Com uma lupa, consigo digerir uma cinco páginas por dia, e olhe lá.
Sou solitário, sim. Meus amigos de longa data, sem mesmo me mandar um Instagram avisando, partiram… antes de mim.
Nao dirijo mais, por respeito à vida alheia. Minhas fugas ao volante se restringem a 600 metros na rua onde moro.
Minha conta na farmácia é maior que a de supermercado. Várias partes do meu corpo excederam o prazo de garantia,
Dependo dos meus filhos para fechar as contas do mês. Eles são maravilhosos: além da ajuda, nos amam e não me cobram pelo fato de eu não ser um idoso ideal.
Contento-me com o pouco que é muito. A companhia da minha esposa. A presença de Deus. O carinho dos membros da minha igreja. O amor dos meus filhos. Poder servir a Deus, mesmo com todas as limitações.
Por favor, parem de escrever bobagens, generalizando as exceções. Parem de vender modelos/soluções paliativas para minha geração, já aprendi que o corpo envelhece o espírito cresce , a sabedoria nasce e sei muito bem onde as dores e a esperança se encontram ! E basta !!!”
Quando eu leio um depoimento sincero deste… simples, claro e objetivo 👀 sem meias palavras… tenho que tirar o chapéu e aplaudir de pé. Confesso 👀 que…
Sim, não podemos generalizar. Não deveriam existir regras e nem receitas iguais para todos. Em nenhum campo da Longevidade!!
Sr Hermes por exemplo, declarou ter o amor dos filhos, e inclusive “que não o cobram pelo fato dele não ser um idoso ideal” (fantástica definição); ele tem a companhia da esposa, o carinho dos amigos, e a presença de Deus em seu coração.
Que dádiva maravilhosa !! Que raro!! Quantas pessoas idosas que conhecemos podem afirmar o mesmo?
Ao mesmo tempo, admite numa boa, de forma muito bem humorada “que várias partes do meu corpo excederam o prazo de garantia”….. essa é a parte que provavelmente a maioria de nós já sente, ou começou a sentir; ou seja o “ônus” da Longevidade.
Tenho aprendido que somos diferentes, cheios de experiências vividas que nos fazem ser o que somos hoje. Muitas vezes não escolhemos, acontece conforme a vontade de Deus…
Cabe a nós envelhecer da melhor forma que podemos, aprendemos e queremos. Escolhas! Cada um vive a sua realidade e tenta ser feliz!Sem receitas… Hoje é o que mais vemos nas redes sociais.
Plantar amor 💚🩷❤️💙com os nossos filhos, família e amigos… ao longo da vida 😉 poderá nos fazer colher bons frutos.
Concluindo, é sempre bom a gente poder ler algo realmente autêntico, genuíno, e não extraído de algum manual marketeiro……
Achei muito interessante essa reportagem. Gosto de leituras que valorizam o envelhecimento. Vocês sabiam que o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e o Instituto Mauricio de Sousa acabam de firmar uma parceria que irá viabilizar a produção de uma revista com personagens da Turma da Mônica com o intuito de sensibilizar crianças e adolescentes sobre envelhecimento, inclusão e solidariedade?
Para saber mais detalhes sobre como esse projeto será conduzido, recomendamos a leitura do texto disponível no site do Portal do Envelhecimento e Longeviver, intitulado “Turma da Mônica sensibilizará crianças e adolescentes sobre envelhecimento”.