Achei a minha cara!! Leia que faz bem!!! O texto é leve. Gostoso de ler…
Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa. Enquanto fui envelhecendo tornei-me mais amável para mim e menos crítico de mim mesmo. Eu me tornei meu próprio amigo…
Eu não me censuro por comer biscoito extra, ou por não fazer a minha cama, ou pela compra de algo bobo que eu não precisava. Eu tenho o direito de ser desarrumado, de ser extravagante.
Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.
Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até às quatro horas e dormir até meio-dia? Quem irá me tirar o prazer de ficar na cama ou na frente da televisão o tempo que eu quiser? Eu dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 70 e 80 e se eu, ao mesmo tempo, desejar chorar por um amor perdido… Eu vou.
Se eu quiser, vou andar na praia em um short excessivamente esticado sobre um corpo decadente e mergulhar nas ondas com abandono, apesar dos olhares penalizados dos outros no “jet set”. Eles também vão envelhecer.
Eu sei que sou às vezes esquecido, mas há algumas coisas na vida que devem mesmo ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes. Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado. Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril, e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.
Sou abençoado por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto. Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata. Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais.
Eu ganhei o direito de estar errado. Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser velho. Eu gosto da pessoa que me tornei.
Não vou viver para sempre, mas enquanto ainda estou aqui, não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será. E, se me apetecer, vou comer sobremesa todos os dias.
Eu estarei completando 70 anos em Setembro/26 e á muitos anos tenho pensado em “como eu quero envelhecer”, “onde desejo estar”, “como superar os desafios a medida que a idade avança”, “o que preciso fazer ainda, pra melhorar minha condição”… Encarando tudo de frente e assim venho me preparando desde já, pensando em ter para uma boa qualidade de vida, a a medida que minha idade vá avançando.
Mas sem romantizar! Na realidade estou refletindo sobre vários aspectos importantes. As redes sociais só mostram a parte boa “do estar envelhecendo”, sem considerar que temos diferentes envelheceres, de acordo com a nossa condição de vida. Cada qual no seu quadrado.
Adorei esse artigo de Kika Gama Lobo, me identifico com as suas reflexões e quis compartilhar com vocês. Leiam:
Estamos comemorando a longevidade sem perguntar quem vai pagar a conta dela.
Há uma nova religião circulando por aí: a longevidade.
Vivemos fascinados pela ideia de chegar aos 90, aos 100, aos 110. Celebramos a nova régua do tempo como quem descobre uma terra prometida. Nas redes sociais, envelhecer virou quase um privilégio estético: cabelos brancos charmosos, corpos sarados, viagens, vinhos, sexo, pilates, skincare, trilhas, empreendedorismo depois dos 60 e aquela frase perigosíssima: a idade está apenas na cabeça. Não. A idade também está na conta bancária. No plano de saúde. Na solidão de uma terça-feira à noite. Na memória que falha. Na filha que mora em outro país. No filho que trabalha 12 horas por dia e não consegue cuidar de ninguém. No cuidador que custa uma fortuna. No aluguel que sobe. No remédio que não cabe no orçamento. Precisamos falar do peso de viver muito. Porque viver muito é uma conquista extraordinária — mas pode também ser uma operação logística, financeira, emocional e familiar de proporções gigantescas. A medicina ampliou o prazo de validade. A sociedade, porém, ainda não aprendeu a financiar, cuidar e acolher esse novo tempo.
Estamos comemorando a longevidade sem perguntar quem vai pagar a conta dela.
E não estou falando apenas de dinheiro. Estou falando de planejamento.
Quem pretende viver até os 90 precisa começar a pensar nisso muito antes dos 70. Precisa construir patrimônio, cuidar do corpo, cuidar da cabeça, cultivar amizades, aprender a pedir ajuda, organizar documentos, discutir herança, pensar em moradia, entender como funcionará seu cuidado futuro e, sobretudo, construir uma rede.
Porque ninguém envelhece sozinho.
Mesmo quando mora sozinho.
A grande mentira contemporânea é essa fantasia de independência absoluta. Como se envelhecer bem significasse não precisar de ninguém. Como se pedir ajuda fosse fracasso. Como se uma mulher de 82 anos pudesse resolver tudo pelo celular, marcar consulta pelo aplicativo, autorizar procedimento por biometria, conversar com robô de atendimento e ainda sorrir para a câmera dizendo que está “vivendo sua melhor fase”.
Estamos criando uma geração de longevos sem rede. Filhos moram longe. Famílias diminuíram. Casamentos terminam. Amigos morrem. As pessoas mudam de cidade, de país, de continente. A vida profissional exige mobilidade. A economia exige produtividade. E o cuidado — esse trabalho invisível que durante séculos foi empurrado para as mulheres da família — ficou caro.
Muito caro.
A chamada economia do cuidado está se transformando em um dos grandes desafios deste século. Cuidador, enfermagem, residência assistida, fisioterapia, acompanhamento médico, alimentação adequada, transporte, adaptação da casa. Tudo custa dinheiro. E quem não tem?
Quem não construiu uma reserva?
Quem depende exclusivamente de um benefício previdenciário?
Quem pagou plano de saúde durante décadas e agora descobre que o preço ficou quase incompatível com sua renda?
Quem tem 78 anos e uma filha em Lisboa?
Quem tem 91 e nenhum filho?
A longevidade não é democrática.
E essa talvez seja uma das frases mais importantes que precisamos dizer neste momento.
Não existe um único envelhecimento.
Existe o envelhecimento de quem tem dinheiro e o de quem não tem. O de quem mora perto dos filhos e o de quem mora sozinho. O de quem tem plano de saúde e o de quem depende exclusivamente do SUS. O de quem envelhece com amigos, amor e propósito e o de quem envelhece empilhando perdas.
Na internet, entretanto, parece que todos envelhecemos iguais.
Uma espécie de Disney grisalha.
Todo mundo ativo. Todo mundo desejável. Todo mundo viajando. Todo mundo fazendo musculação. Todo mundo começando uma segunda carreira. Todo mundo sexualmente potente, emocionalmente resolvido e financeiramente organizado.
É bonito.
É inspirador.
E é profundamente insuficiente.
Porque existe uma indústria poderosa vendendo a ideia de que envelhecer bem é uma questão de atitude. Tome colágeno. Faça exercício. Medite. Coma proteína. Tenha propósito. Faça terapia. Viaje. Ame. Dance.
Ótimo.
Mas quem paga?
Quem prepara a comida? Quem leva ao hospital?
Quem fica quando a autonomia começa a escorrer pelas frestas?
A romantização da velhice pode ser tão cruel quanto o próprio preconceito contra os velhos. Porque ela transforma uma questão coletiva em responsabilidade individual.
Se você envelhecer mal, a culpa será sua.
Não se cuidou.
Não guardou dinheiro.
Não fez terapia.
Não se exercitou. Não teve propósito.
Ora, façam-me o favor.
É claro que escolhas individuais importam. Autocuidado importa. Saúde mental importa. Educação financeira importa. Resiliência importa.
Mas sorte também importa.
Genética importa.
Classe social importa.
Acesso à saúde importa.
Políticas públicas importam.
O problema é que não estamos preparados para essa vida.
Precisamos urgentemente de uma nova cartilha do bem viver. E ela deveria começar na adolescência.
Não para ensinar adolescentes a “envelhecer”, mas para ensinar que o tempo tem consequências.
Educação financeira deveria falar de longevidade.
Educação emocional deveria falar de perdas, solidão e dependência.
A escola deveria discutir cuidado.
A sociedade deveria discutir moradia para idosos.
As cidades deveriam ser pensadas para quem tem mobilidade reduzida.
O mercado de trabalho deveria considerar carreiras mais longas.
O sistema de saúde deveria se preparar para uma população que viverá décadas depois da aposentadoria.
E as famílias deveriam conversar sobre dinheiro, cuidado, herança, moradia e decisões de fim de vida antes da emergência.
A pergunta, portanto, não deveria ser apenas: “Como viver mais?”
Essa pergunta já está velha.
A pergunta que precisamos fazer agora é:
“Como vamos sustentar os anos que conquistamos?”
Porque chegar aos 100 pode ser maravilhoso.
Mas chegar aos 100 sem dinheiro, sem vínculos, sem assistência, sem saúde mental e sem uma rede de cuidado pode transformar o tão celebrado presente da longevidade em uma longa travessia de abandono.
Não quero uma sociedade obcecada por acrescentar anos à vida.
Quero uma sociedade preparada para sustentar a vida que esses anos acrescentaram.
Até quando vamos romantizar envelhecer sem discutir o preço de continuar vivo?
Porque viver muito é maravilhoso.
Desde que a gente consiga viver — e não apenas durar.
Artigo que me trouxe muitas reflexões Por Kika Gama Lobo/ Veja Rio/ 18/8/26
Kika Gama Lobo é jornalista, escritora, palestrante e influenciadora da maturidade, conhecida por tratar de envelhecimento com humor ácido, franqueza e uma postura ativista do movimento ageless. Ativista da maturidade. Criadora das hashtags e plataformas #Atitude50 e Kikando
Ela é colunista da VEJA Rio, onde escreve sobre velhice, cotidiano e os desafios da vida madura. (Fonte:LinkedIn Brasil)
À medida que a população envelhece e a longevidade se torna uma conquista civilizatória, cresce também a dificuldade social de falar sobre a velhice de forma direta. Surgem novos termos, siglas e rótulos para evitar dizer “pessoa idosa”.
A tentativa de “rebatizar” a velhice revela, portanto, uma dificuldade cultural de reconhecer o envelhecimento como parte constitutiva da vida social. Celebramos a longevidade, mas rejeitamos a identidade que ela implica.
A tarefa do nosso tempo não é inventar um nome mais confortável para a velhice. É transformar as condições sociais para que envelhecer seja uma experiência possível, segura e digna para todos e todas. Porque a alternativa a envelhecer não é permanecer jovem para sempre… é simplesmente não chegar lá.
O psicólogo Hideki Wada publicou um livro intitulado “A parede dos 80 anos”. Assim que foi lançado, o livro superou as 500.000 cópias vendidas, tornando-se o livro mais vendido do momento. Se essa tendência continuar, as vendas devem ultrapassar 1 milhão de cópias, tornando-se o livro do ano no Japão.
O Dr. Wada, de 61 anos, é médico especializado em doenças mentais em idosos. Ele condensou os segredos de uma vida “afortunada” para os jovens de 80 anos em 44 frases, listadas abaixo:
Continue caminhando.
Quando estiver com raiva, respire profundamente.
Faça exercícios suficientes para que seu corpo não endureça.
Beba mais água ao usar ar-condicionado no verão.
Fraldas são úteis para aumentar a mobilidade.
Quanto mais você mastiga, mais ativos ficam seu cérebro e seu corpo.
A perda de memória não é por causa da idade, mas da falta de uso do cérebro.
Não há necessidade de tomar remédio demais.
Não é necessário reduzir excessivamente a pressão arterial e o açúcar.
Estar sozinho não é solidão; é passar o tempo em paz.
A preguiça não é motivo de vergonha.
Não é preciso gastar dinheiro com carteira de motorista (há uma campanha no Japão para que idosos devolvam suas habilitações).
Faça o que quiser; não faça o que não gosta.
Os desejos naturais permanecem mesmo na velhice.
Em qualquer caso, não fique sentado em casa o tempo todo.
Coma o que quiser; um pouco de sobrepeso é melhor.
Faça tudo com cuidado.
Não se envolva com pessoas de quem não gosta.
Não assista à televisão o tempo todo.
Em vez de lutar contra a doença, aprenda a conviver com ela.
“Quando o carro chega à montanha, o caminho aparece”: esta é a frase mágica da felicidade para os idosos.
Coma frutas e saladas frescas.
O tempo de banho não deve ultrapassar 10 minutos.
Se não conseguir dormir, não se force.
Atividades que trazem alegria aumentam a atividade cerebral.
Diga o que sente; não pense demais.
Encontre um “médico de família” o quanto antes.
Não seja paciente ou rígido demais; ser um “idoso ousado” também não é ruim.
Às vezes, mudar de opinião está tudo bem.
Na fase final da vida, a demência é um presente de Deus.
Se parar de aprender, você envelhece.
Não deseje fama; o que você tem já é suficiente.
A inocência pertence aos idosos.
Quanto mais difícil algo for, mais interessante se torna.
Tomar sol traz felicidade.
Faça coisas que beneficiem os outros.
Gaste o dia de hoje com tranquilidade.
O desejo é a chave para a longevidade.
Viva com alegria.
Respire com leveza.
Os princípios da vida estão em suas próprias mãos.
Aceite tudo em paz.
Pessoas alegres são amadas por todos.
Um sorriso traz boa sorte.
“Envelhecer não é uma limitação, é um presente.” Com a perspectiva certa e hábitos diários saudáveis, os anos após os 60 podem ser os mais gratificantes da vida. Vamos aceitar o envelhecimento sem medo, mas com graça, gratidão e a sabedoria que o Dr. Wada compartilha com tanta generosidade. Gostei muito destas dicas.
Gostei muito deste texto… me trouxe algumas reflexões. Leia:
Viver muito sempre foi, por séculos, uma raridade quase mítica. Era coisa de avó centenária que conhecia a cura das doenças no cheiro do mato, ou de personagem de romance russo, desses que morriam em São Petersburgo, sob a neve, citando Aristóteles em voz embargada. Longevidade era exceção. Agora virou estatística. Vivemos mais. Isso é fato. A medicina avançou, os antibióticos viraram gente da casa, o colesterol passou a ser vigiado como se fosse um criminoso reincidente. A expectativa de vida subiu, e com ela a ideia, quase ingênua, de que bastaria durar para que tudo desse certo. Mas viver muito não é a mesma coisa que viver bem. E é aí que começa a grande arte. Porque a verdade é que a longevidade chegou antes do manual de instruções. Achávamos que envelhecer seria como alcançar um mirante: olhar para trás com serenidade, cruzar os braços sobre o próprio legado, saborear os frutos de uma vida bem vivida. Mas a velhice, como a infância, exige cuidados diários, e também alguma poesia. O corpo, esse velho cúmplice, começa a dar sinais de que o tempo passou. As juntas rangem como portas de armário antigo, os reflexos hesitam, os músculos se retraem. Mas não é só o corpo que envelhece: às vezes o mundo ao redor também se torna estranho, distante. Os amigos partem, os filhos se dispersam, as calçadas ganham degraus invisíveis. E de repente, o que mais dói não é o quadril, é o silêncio.
E então vem ela: a queda. Não só a queda literal, essa que acontece no banheiro, no degrau da padaria, na pressa inocente de atravessar a rua. Mas a queda simbólica: do entusiasmo, da autonomia, da autoconfiança. A queda de uma imagem de si mesmo que antes era firme, decidida, ágil. A queda de um modo de viver que não se encaixa mais no corpo que agora abriga a alma com mais cuidado. A Organização Mundial da Saúde diz que um terço dos idosos sofre uma queda por ano. E essa queda pode ser o primeiro passo de uma jornada difícil: fraturas, cirurgias, internações, perdas, de mobilidade, de independência, de ânimo. Mas veja bem: não se trata de um alerta sombrio. Trata-se, aqui, de um chamado amoroso à reinvenção. Porque o envelhecimento também pode ser reinício. E preparar-se para ele é como preparar um jardim: exige tempo, presença, escolhas. É preciso cultivar força, sim, não para carregar sacos de cimento, mas para levantar-se da cadeira com leveza e poder abraçar um neto sem receio de tombar. É preciso elasticidade, não só nos músculos, mas nas ideias. E é preciso algo ainda mais raro: gentileza consigo mesmo. Não se trata de negar a velhice. Ela chega, queira-se ou não, com suas rugas e suas lentidões, com seus esquecimentos charmosos e suas manias de repetir histórias. Mas há velhices e velhices. E há aquelas que florescem, porque foram cuidadas, porque tiveram sol e sombra, porque foram vividas com afeto, com liberdade, com algum humor. Sim, o humor. Ele é, talvez, o músculo mais importante a ser mantido. Porque rir de si mesmo, das gafes, das perdas de memória, do tropeço nas palavras, é um jeito de desarmar o tempo. O velho ranzinza é um clichê injusto, há velhos encantadores, que dançam bolero na sala com o ventilador ligado e o cachorro olhando desconfiado. Que tomam vinho com moderação e sorvete sem culpa. Que, aos oitenta, aprendem a usar o celular, e ainda erram, mas riem do erro. A longevidade, quando bem-vivida, é como uma tarde longa e luminosa. Daquelas em que o sol demora a ir embora e o tempo parece suspenso entre uma lembrança e outra. Não é preciso correr. Nem competir. Basta estar inteiro: corpo e alma em compasso. É isso que propomos aqui: um olhar amoroso para o futuro que já chegou. A velhice não precisa ser sinônimo de decadência. Pode ser plenitude. E envelhecer bem não é luxo, nem sorte, é construção diária. Com passos firmes, com gestos suaves, com a força das pernas e o riso no rosto. Com o cuidado do corpo, sim, mas também com a ternura da memória. Porque o segredo não é apenas viver muito. É fazer da longevidade uma arte íntima, uma coordenação delicada entre o tempo e o desejo. E que, ao final, quando chegar a noite, a gente possa dizer, com lucidez e com alegria
— “Foi bom ter vivido tanto. Mas foi melhor ainda ter vivido bem.”🙏♥️☀️🙌🏼
A minha forma favorita de ir de Londres 🇬🇧 a Paris 🇫🇷, é o trem de alta velocidade Eurostar, que é também a maneira mais rápida e barata… Atualmente vou da estação 🇬🇧 St. Pancras à estação 🇫🇷 Gare du Nord em 2 horas e 15 minutos, viajando a velocidades de até 300 quilômetros por hora… e/ ou vice-versa.
Quando você considera as viagens de ir para o aeroporto, procedimentos de segurança complexos e tempo de espera até a decolagem, voar entre as estas duas capitais não é necessariamente mais rápido, nem mais barato… muito pelo contrário.
Já os trens da Eurostar partem e chegam bem no centros das cidades, tornando muito mais fácil deslocar-se e iniciar a nossa aventura urbana!
Dicas:
Como chegar e embarcar de Londres:
♥ O Eurostar sai da estação Internacional St. Pancras, que fica no centro de Londres, e chega na Gare du Nord, no norte de Paris.
♥ O check-in para o Eurostar é feito com 90 minutos de antecedência e a viagem leva 2 horas e 15 minutos. Você deve chegar com antecedência para fazer os procedimentos da imigração e segurança tranquilamente.
Importante: sobre o controle de passaporte:
🌐 Como o Reino Unido não faz mais parte da Unidão Européia, você terá de fazer os procedimentos de imigração para entrar na França. Mas, ao contrário do que acontece quando a viagem é de avião, a imigração é feita antes do embarque, já na estação St. Pancras. Portanto chegando em Paris 🇫🇷, é só desembarcar e sair da estação, sem burocracias.
🌐 Da mesma forma, para voltar para Londres é na estação Gare du Nord que é feita a imigração para entrada no Reino Unido. Por isso, tenha em mãos todos aqueles documentos necessários para imigração, mesmo que você tenha ido passar só um dia em Paris e tenha deixado sua bagagem em Londres.
♥ No trem Eurostar, as passagens custam a partir de £52 por trecho para a classe Standard, desde que adquiridas com antecedência. O esquema de preços de passagens é similar ao das empresas aéreas: é alocada uma certa quantidade de passagens mais baratas e à medida que vão sendo vendidas, os preços vão aumentando.
♥ No Eurotrem, cada adulto pode levar – sem pagar nada a mais por isso – 2 volumes com até 85 cm de comprimento e sem limite de peso (desde que você consiga carregar está OK) e ainda 1 bagagem de mão.
♥ As passagens do Eurostar de Londres para Paris são vendidas com até 190 dias de antecedência, então se você se planejar, terá grandes chances de conseguir um bom preço.
O Eurostar oferece três classes de passagem: Standard, Standard Premier e Business Premier.
Os trens circulam de 5:40 às 20:30, com uma ou duas saídas por hora.
♥ Para o Check- in: O código de barras impresso abrirá a catraca de acesso à sala de embarque, semelhante à do metrô, que é o check-in do Eurostar. É só passar o código de barras na leitora.
♥ Embarque: Aproximadamente 20 minutos antes da hora da partida, é feito o anúncio do embarque indicando sua plataforma. Como a sala de embarque fica embaixo das plataformas você sobe por meio de esteiras rolantes, diretamente para a plataforma em que o trem está estacionado.
♥ Bagagens: Nas extremidades dos vagões há lugares especiais para malas grandes ou, para quem viaja light, a bagagem pode ser acomodada no guarda-volumes em cima das poltronas, ou próximas a você, se o trem não estiver cheio.
♥ Pra comprar o que comer: Há duas lanchonetes em vagões (8 e 9) do trem. Você pode também levar sua comida ou bebida, não há restrições quanto a isto.
♥ Como é atravessar o Eurotúnel? São em média 35 minutos de travessia dentro do túnel, sendo bem rápido este trecho do túnel 😳. O restante da viagem tera paisagens belíssimas da área rural e um pouco das cidades. O Channel Tunnel (ou “Chunnel” como é carinhosamente conhecido) é um túnel que liga Folkestone na Inglaterra a Calais, na França. O túnel é o maior túnel submerso do mundo, com 50,45 km de extensão total, dos quais quase 38 km sob a água. No ponto mais profundo, o eurotúnel está a 75 metros, do fundo do mar.
🌐 Estação St Pancras, em Londres
Inaugurada em 1868, a estação St Pancras em Londres é considerada uma das mais belas estações ferroviárias do mundo. É um exemplar singular da arquitetura Gótica Vitoriana na Inglaterra e foi em parte projetado pelo famoso arquiteto britânico Sir George Gilbert Scott. À maravilha da arquitetura, junta-se a ousadia da engenharia inglesa. A enorme cobertura dos trilhos ferroviários, feita em ferro fundido e vidro, é considerada uma conquista da engenharia da época em que foi construída.
Atualmente, quatro companhias ferroviárias operam em St Pancras: East Midlands, Southeastern, ThamesLink e o trem super rápido que conecta a Inglaterra a Europa por meio do Eurotúnel, o Eurostar. Por este motivo, desde 2007, quando o Eurostar começou a operar na estação, ela é chamada de St Pancras International.
A estação tem dois andares e duas plataformas subterrâneas. No andar térreo, se encontram as lojas, restaurantes, guichês de vendas de passagens e outras facilidades
Adorei este texto de Mário Donato D’Angelo, um olhar sensível e com leveza sobre o envelhecimento.
Viver muito sempre foi, por séculos, uma raridade quase mítica. Era coisa de avó centenária que conhecia a cura das doenças no cheiro do mato, ou de personagem de romance russo, desses que morriam em São Petersburgo, sob a neve, citando Aristóteles em voz embargada. Longevidade era exceção. Agora virou estatística. Vivemos mais. Isso é fato. A medicina avançou, os antibióticos viraram gente da casa, o colesterol passou a ser vigiado como se fosse um criminoso reincidente. A expectativa de vida subiu, e com ela a ideia, quase ingênua, de que bastaria durar para que tudo desse certo. Mas viver muito não é a mesma coisa que viver bem. E é aí que começa a grande arte. Porque a verdade é que a longevidade chegou antes do manual de instruções. Achávamos que envelhecer seria como alcançar um mirante: olhar para trás com serenidade, cruzar os braços sobre o próprio legado, saborear os frutos de uma vida bem vivida. Mas a velhice, como a infância, exige cuidados diários, e também alguma poesia. O corpo, esse velho cúmplice, começa a dar sinais de que o tempo passou. As juntas rangem como portas de armário antigo, os reflexos hesitam, os músculos se retraem. Mas não é só o corpo que envelhece: às vezes o mundo ao redor também se torna estranho, distante. Os amigos partem, os filhos se dispersam, as calçadas ganham degraus invisíveis. E de repente, o que mais dói não é o quadril, é o silêncio.
E então vem ela: a queda. Não só a queda literal, essa que acontece no banheiro, no degrau da padaria, na pressa inocente de atravessar a rua. Mas a queda simbólica: do entusiasmo, da autonomia, da autoconfiança. A queda de uma imagem de si mesmo que antes era firme, decidida, ágil. A queda de um modo de viver que não se encaixa mais no corpo que agora abriga a alma com mais cuidado. A Organização Mundial da Saúde diz que um terço dos idosos sofre uma queda por ano. E essa queda pode ser o primeiro passo de uma jornada difícil: fraturas, cirurgias, internações, perdas, de mobilidade, de independência, de ânimo. Mas veja bem: não se trata de um alerta sombrio. Trata-se, aqui, de um chamado amoroso à reinvenção. Porque o envelhecimento também pode ser reinício. E preparar-se para ele é como preparar um jardim: exige tempo, presença, escolhas. É preciso cultivar força, sim, não para carregar sacos de cimento, mas para levantar-se da cadeira com leveza e poder abraçar um neto sem receio de tombar. É preciso elasticidade, não só nos músculos, mas nas ideias. E é preciso algo ainda mais raro: gentileza consigo mesmo. Não se trata de negar a velhice. Ela chega, queira-se ou não, com suas rugas e suas lentidões, com seus esquecimentos charmosos e suas manias de repetir histórias. Mas há velhices e velhices. E há aquelas que florescem, porque foram cuidadas, porque tiveram sol e sombra, porque foram vividas com afeto, com liberdade, com algum humor. Sim, o humor. Ele é, talvez, o músculo mais importante a ser mantido. Porque rir de si mesmo, das gafes, das perdas de memória, do tropeço nas palavras, é um jeito de desarmar o tempo. O velho ranzinza é um clichê injusto, há velhos encantadores, que dançam bolero na sala com o ventilador ligado e o cachorro olhando desconfiado. Que tomam vinho com moderação e sorvete sem culpa. Que, aos oitenta, aprendem a usar o celular, e ainda erram, mas riem do erro. A longevidade, quando bem-vivida, é como uma tarde longa e luminosa. Daquelas em que o sol demora a ir embora e o tempo parece suspenso entre uma lembrança e outra. Não é preciso correr. Nem competir. Basta estar inteiro: corpo e alma em compasso. É isso que propomos aqui: um olhar amoroso para o futuro que já chegou. A velhice não precisa ser sinônimo de decadência. Pode ser plenitude. E envelhecer bem não é luxo, nem sorte, é construção diária. Com passos firmes, com gestos suaves, com a força das pernas e o riso no rosto. Com o cuidado do corpo, sim, mas também com a ternura da memória. Porque o segredo não é apenas viver muito. É fazer da longevidade uma arte íntima, uma coordenação delicada entre o tempo e o desejo. E que, ao final, quando chegar a noite, a gente possa dizer, com lucidez e com alegria — “Foi bom ter vivido tanto. Mas foi melhor ainda ter vivido bem.”
“Um dia sentiremos falta de tudo que não vivemos! Do amor, do abraço, da casa, da porta aberta, de um dia especial. Somos feitos de retalhos e vamos costurando nossa história entre lágrimas e sorrisos. Pedaços que ficam e vão embora, de chegadas e partidas.”
“Aprendi que todas às vezes que aceito aquilo que não posso controlar, cresço um pouco mais. Aprendi que as coisas mais incríveis da vida, acontecem fora da zona de conforto. Aprendi que antes de desejar acrescentar dias a minha vida, preciso começar a acrescentar vida, aos meus dias. É a qualidade que faz a diferença, nunca a quantidade. Aprendi que fico mais bonita, quando me escolho, me aceito, me amo, e me visto de mim. Aprendi que a melhor proteção contra energias ruins, é cuidar, para que a minha energia seja sempre boa. Aprendi que Deus não castiga, não pune, não condena, ele apenas nos protege, e nos prepara para aquilo que pedimos, mas não temos paciência para saber a hora certa de receber. Aprendi que melhor do que tentar ver o lado bom da vida, é tentar ser o lado bom das coisas!” Wandy Luz
Há um silêncio que chega com os anos, e ele não é feito apenas da ausência de ruídos, mas da transição suave entre o que éramos e o que nos tornamos. Aos 60, você começa a sentir a sutileza do distanciamento. A sala que antes pulsava com suas ideias agora parece cheia de vozes que não pedem mais sua opinião. Não é uma rejeição, é o ritmo da vida. É quando aprendemos que nossa contribuição não está no presente imediato, mas nos rastros que deixamos nos corações e mentes ao longo do caminho.
Aos 65, você percebe que o mundo corporativo, outrora tão vital, é um fluxo incessante. Ele segue, indiferente ao que você fez ou deixou de fazer. Não é uma derrota, é a libertação. Esse é o momento de olhar para si mesmo, despir-se do ego e vestir a serenidade. Não se trata mais de provar, mas de ensinar, de compartilhar, de ser mentor. A verdadeira realização não é a que se exibe, mas a que inspira.
Aos 70, a sociedade parece lhe esquecer, mas será mesmo? Talvez seja apenas um convite para reavaliar o que realmente importa. Os jovens não o reconhecerão pelo que você foi, e isso é uma bênção disfarçada: você pode agora ser apenas quem você é. Sem máscaras, sem títulos, apenas a essência. Os velhos amigos, aqueles que não perguntam “quem você era”, mas “como você está”, tornam-se joias preciosas, diamantes que brilham no crepúsculo da vida.
E então, aos 80 ou 90, é a família que, na sua correria, se afasta um pouco mais. Mas é aí que a sabedoria nos abraça com força. Entendemos que amor não é posse; é liberdade. Seus filhos, seus netos, seguem suas vidas, como você seguiu a sua. A distância física não diminui o afeto, mas ensina que o amor verdadeiro é generoso, não exigente.
Quando a Terra finalmente chamar por você, não há motivo para medo. É a última dança de um ciclo natural, o encerramento de um capítulo escrito com suor, lágrimas, risos e memórias. Mas o que fica, o que realmente nunca será eliminado, são as marcas que deixamos nas almas que tocamos.
Portanto, enquanto há fôlego, energia, enquanto o coração bate firme, viva intensamente. Abrace os encontros, ria alto, desfrute os prazeres simples e complexos da vida. Cultive suas amizades como quem cuida de um jardim. Porque, no final, o que resta não são as conquistas, nem os títulos, nem os aplausos. O que resta são os laços, os momentos partilhados, a luz que espalhamos.
Seja luz, seja presença, e você será eterno.
Dedico a todos que entendem que o tempo não apaga, mas apenas transforma.