CANÇÃO NA PLENITUDE…



Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

Do livro “Secreta Mirada”, Editora Mandarim – São Paulo, 1997, pág. 151.Lya Luft

É MAIS DIFÍCIL FAXINAR A ALMA DO QUE A CASA!

O poema Cortar o Tempo, cuja autoria até hoje é discutida, singelamente profetiza

“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão;

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez

Com outro número e outra vontade de acreditar que daqui adiante vai ser diferente…”

As festas de fim de ano no mundo ocidental, não somente em sentido religioso, representam o encerramento de um ciclo e o início de outro. A cada 365 dias as promessas feitas meses atrás nem são mais lembradas. Por outro lado há sempre quem esteja estabelecendo outra lista de resoluções para serem concretizadas ou descumpridas.

Muita gente prepara a casa para os festejos natalinos. Limpa armários, separa roupas, brinquedos e apetrechos para doação. Outros aproveitam para mudar os móveis de lugar, trocar  enfeites, almofadas, quadros e vasos fazendo com que os ambientes pareçam remodelados.  Outros ainda aproveitam para faxinar geral – do porão ao sótão, passando pelo jardim. Redecoram  e pintam a casa, renovam o lar. E quando da noite de Natal, o nascimento deste novo ambiente se faz notar.

Entretanto, neste tempo de renovação de valores, o importante seria mesmo faxinar a alma.

Limpar, trocar, remodelar, pintar, redecorar é extremamente positivo. O externo, todavia, muitas vezes tão bem cuidado, não reflete verdadeiramente o estado da alma. Casa linda, alma pesada. E esta renovação deve ser trabalhada internamente dentro de cada um de nós para que se dê o verdadeiro despertar.

Erradicar os maus pensamentos e as mágoas. Colocá-los em um lixo profundo onde não pudessem contaminar nada e nem ninguém.

Trocar comportamentos destrutivos por outros que façam aflorar criatividade, musicalidade, e prosperidade.

Remodelar as lembranças dolorosas, aceitando-as como desencadeadoras de aprendizados  e lições que, apesar de doloridas, ensinaram ou marcaram profundamente a história de cada um.

Pintar a própria existência com as cores desejadas e não com cores sugeridas ou forçadas por terceiros, por obrigação do meio social.

Plantar a semente do bem nos vasinhos da fala, da escuta e da visão. Arrancando dali as ervas daninhas da fofoca; do preconceito e do pré-julgamento.

Uma faxina bem feita necessita de produtos de limpeza eficientes. O  autoconhecimento é o mais poderoso de todos e precisa ser trabalhado continuamente. A faxina precisa de conservação para manter corpo-mente-coração limpos.

A casa nem sempre reflete a alma. Algumas vezes reflete o gosto, as condições financeiras  do dono,  mas não a alma.  O coração, as palavras e os olhos sim. E coração limpo e sereno é como um sol brilhante. Onde quer que chegue ilumina e desperta quem se encontra ao redor.

Alma lavada. Alma faxinada. Bondade. Perfeição. Luz. Com certeza é mais fácil faxinar a casa toda do que a própria alma. By Gicapinica

Fonte: https://gicapinica.wordpress.com/2016/12/19/e-mais-dificil-faxinar-a-alma-que-a-casa-toda/

QUASE…

Esta cronica de Sara Westphal me fez pensar na importancia de ter atitudes em nossa vida. Eu nunca quis ter uma vida sem graça, morna…. embora as vezes refletisse muito antes de tomar uma atitude, quando escolhia meu caminho… não olhava muito para traz. As poucas vezes que me senti meio travada… foram importantes para superar os desafios que tive. Grandes aprendizagens vem de dentro para fora!

“Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.”

NÃO NASCI ONTEM. NASCI NO SÉCULO PASSADO.

Não nasci ontem. Nasci no século passado. Mais precisamente no ano que não terminou: 1968

Posso te garantir: na “minha época” não havia computador pessoal. O “Apple I” foi criado em 1976.

E vou te contar mais: na “minha época” existia um aparelho chamado telefone. Que virou “telefone fixo” e depois… simplesmente sumiu com o surgimento do primeiro celular. Isto ocorreu em 1983, quando o Motorola DynaTAC 8000X passou a ser comercializado. Ele foi criado por Martin Cooper, um engenheiro eletrotécnico norte-americano.

Na “minha época” também não havia a internet como a conhecemos hoje: o primeiro site do mundo foi lançado em 1991 por Tim Berners-Lee, físico do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear, responsável por inventar a World Wide Web (WWW).

Já o Google, também não é da “minha época”. Ele foi ao ar pela primeira vez em 1996. Inicialmente, apenas nos servidores da Universidade de Stanford.

Sim, houve um tempo em que eu vivia sem tudo isto.

Em compensação, vivenciei a queda do Muro de Berlim, o término da Guerra Fria, o fim do apartheid na África do Sul e acompanhei os atentados terroristas de 11 de setembro.

Na “minha época”, a inflação (IPCA/IBGE) do Brasil atingiu 2.477%/ano (1993).

É inacreditável, mas foram 7 tentativas de estabilização econômica apenas entre 1986 e 1993: Cruzado I e II (1986), Bresser (1987), Verão (1988), Collor 1 (1990) e II (1991) e Plano Real (1993).

Enfrentei o congelamento de salários e de preços. E o meu dinheiro foi confiscado de um dia para o outro da minha conta corrente. Conheci várias moedas: Cruzado, Cruzado Novo, Cruzeiro, Cruzeiro Real e Real.

Era uma época em que empresas globais deixavam seu nome na história. Lembra-se da Kodak, do Blockbuster e da Polaroid? Pois é, faliram.

No Brasil, tínhamos a Rede Manchete (eu trabalhei lá!), a Varig, a Vasp, os bancos Nacional e Bamerindus, as lojas Mappin, Arapuã, Sears e Mesbla e os refrescantes sorvetes da Yopa. Todos derreteram…

Naquela época, não falávamos de adaptabilidade. Mas quem não inovou, quebrou. Não havia o termo “aprendizado contínuo”. Mas quem não se reinventou, desapareceu.

Como dizia Aldous Huxley, autor de “O Admirável Mundo Novo”,

“Experiência não é o que te acontece; é o que você faz. com o que te acontece”. Nós, os 50+,

Erramos e aprendemos. Vivemos e sobrevivemos.

Tivemos filhos. O meu casal de gêmeos chegou no dia 22/11/00.

Vimos o conhecimento amadurecer e a experiência chegar.

já afirmava Albert Camus, “Prêmio Nobel de Literatura”:

“Não se pode criar experiência. É preciso passar por ela”, E agora?

Percebi que a “minha época” também é agora: quero continuar produzindo, criando, contribuindo e fazendo acontecer.

Não nasci ontem, mas aprendi a substituir…

A máquina de escrever pelo laptop.

O telefone fixo pelo Whatsapp.

O rádio pelo podcast.

A fita cassete pelo Spotify.

A fita de vídeo pelo streaming.

A TV pelo YouTube.

O livro pelo e-book.

Os anúncios impressos pelo e-commerce.

Os classificados pelo Linkedin (ops, me tornei “Top Voice”!).

As cartas e o fac-símile pelas mensagens virtuais.

Os congressos presenciais pelas lives.

A enciclopédia pelo Google Acadêmico.

O texto pelo post.

O conteúdo pelo… ah, este sempre será um diferencial!

Fui apresentado a terminologias como: algoritmo, startup, call, hackathon, webinar, spam, big data, emoji, backup, pixel, upload, hashtag, inbox e… cringe!

Descobri que “estar na nuvem” não significa apenas sonhar.

E que “viral” é mais do que um termo da medicina, ele também se aplica no marketing.

Passei a ouvir frases como:

“Você está me ouvindo?”, “Você está me vendo?”

“Na minha época”, estas questões eram restritas aos relacionamentos conjugais ou a consultórios psicológicos…

Hoje, estas são perguntas frequentes no mundo corporativo.

Dentro e fora da telinha, independente de onde cada um está.

Mas, enquanto alguns se restringem ao enquadramento padronizado, e ficam à mercê da imprevisível oscilação, outros buscam atualizar o hard e o soft, tornar a comunicação mais segura e implementar uma forte rede de conexões.

Lewis Carroll nos ensina:

“Se você não sabe onde quer ir, qualquer caminho serve”.

O mapa impresso e estático, “da minha época”, cedeu lugar ao palpiteiro GPS; mas sou eu quem continuo tendo a responsabilidade de traçar o caminho que quero seguir.

Posso (e devo) alterar a rota sempre que julgar conveniente.

Não nasci ontem.

Quero continuar me reinventando o tempo todo.

Quero continuar aprendendo e me adaptando.

Quero continuar sendo visto e ouvido.

Quero produzir erros novos e evitar os já cometidos.

Quero ter uma vida saudável, equilibrada e com propósito.

Quero comemorar minhas “Bodas de ouro” e curtir os meus gêmeos, que vão completar 21 anos no dia 22/11/2021.

Ontem, presenciei fatos marcantes da história.

Hoje, troco conhecimentos e experiências com as minhas eternas “crianças”.

Amanhã, espero que se orgulhem do legado que estamos construindo juntos.

Nasci no século passado, mas agora também é a “minha época”. Vivo intensamente cada ano. que também não terminou.

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Achei muito interessante este texto publicado na coluna de Mauro Wainstock na revista EXAME/Bússola

Mauro Wainstock possui 30 anos de experiência em Comunicação. É Linkedin Top Voice, colunista da revista EXAME/Bússola, atua como mentor de executivos sobre marca profissional e é sócio-fundador do HUB 40+, consultoria empresarial focada no público acima dos 40 anos.

A VELHICE PEDE DESCULPAS…

Tão velho estou como árvore no inverno, vulcão sufocado, pássaro sonolento.

Tão velho estou, de pálpebras baixas, acostumado apenas ao som das músicas, à forma das letras.

Fere-me a luz das lâmpadas, o grito frenético dos provisórios dias do mundo:

Mas há um sol eterno, eterno e brando e uma voz que não me canso, muito longe, de ouvir.

Desculpai-me esta face, que se fez resignada: já não é a minha, mas a do tempo, com seus muitos episódios.

Desculpai-me não ser bem eu: mas um fantasma de tudo.

Recebereis em mim muitos mil anos, é certo, com suas sombras, porém, suas intermináveis sombras.

Desculpai-me viver ainda: que os destroços, mesmo os da maior glória, são na verdade só destroços, destroços.

Cecília Meireles ( Brasil – 7/ Nov/ 1901 – 9/ Nov/ 1964 Poeta/Escritora – Brisa e Ventania)

ANTIGAMENTE NA ESCOLA TINHA…

Recebi este texto (de autoria desconhecida) em um grupo que frequento da terceira idade. Me trouxe muitas reflexões, quis compartilhar pra vcs. Leiam:

Antigamente na escola
havia os: “burros”… “gordos”… “quatro olhos ou caixa de óculos”… “sem sal”… “pretos”… “japonêses”… “indianos”… “artolas”… “maricas”… etc.
Os “burros” chumbavam! Não se tornavam doutores como hoje em dia.
Mas a fasquia era definida pelo marrão da turma! Não era nivelada por baixo como agora. Somos todos iguais… diz-se! Antes não parecia que fossemos!
Mas o “gordo” também tinha notas brutais e ninguém sabia como! Talvez porque não jogasse à bola!
O “quatro olhos” tinha um sentido de humor inigualável, mas não fazia corridas pois tinha medo de cair!
O “preto” jogava à bola como ninguém e fazia uns dribles inimaginável! Tinha um físico fora do comum!
O “japonês” tinha vindo de outra escola, sabia muito o inglês e tinha histórias que não lembravam a de ninguém.
Cada um tinha um «defeito», até um apelido… uma alcunha! Mas tinha ou lutava por ter também outras qualidades.
Hoje não. Dizem que somos todos iguais.
Agora, tudo ou é bullying… ou racismo… ou xenofobia… ou opressão… ou assédio… ou violência!

Antigamente, quando se era mesmo racista, levava-se um “chapadão” na tromba e aprendia-se logo que o “preto” era como nós outros! Apenas tinha cor diferente.
E não era bullying!… Era “aprendizagem on job”.
Aprender assim era duro pois doía e não se esquecia mais. E às vezes em casa com os pais também, se “aprendia”… e como. O exemplo era seguido.
O menino ou menina “sem sal” passava despercebido(a) e sentia-se sozinho(a).
Ter uma “alcunha” (apelido) diferente era de praxe. Muito comum…
A diferença era vista com bons olhos.
E aprendia-se algumas coisas importantes: 🤔 Rirmos de nós próprios.
E não “chorarmos” porque alguém nos chamou isto ou aquilo. Assumia-se a gordura… o “esquelético”… o “quatro olhos”… e tudo o mais que viesse.
Mas quando não se estava bem, quando não se gostava do apelido, fazia-se uma coisa importante:

🤩 mudava-se, lutava-se por acabar com ela. Não se culpava os outros nem a sociedade.

🥺Não se faziam “queixinhas”!
E falhava-se … Muitas vezes! Mas cada vez que se falhava ficava-se mais forte.
E sabíamos que era assim. Que havia uns que conseguiam, outros ficavam para trás, que havia quem vencia e quem falhava.

Agora não… Todos somos iguais, há mesmo a chamada igualdade de gênero!
Todos somos bons… todos merecemos… todos temos as mesmas oportunidades… todos devemos até ganhar o mesmo… todos somos vítimas… todos somos oprimidos… e todos somos parvos… porque aceitamos este ambiente do “politicamente correcto” sem dizer nada….. e até devemos dizer que somos “normais”.

Segundo o novo paradigma social, devem ter muito cuidado comigo, porque:

🙄 Sou velho ou quase… tenho mais de 50 anos… e quando chegar à aposentadoria, se chegar a tê-la, o que vai fazer de mim um tolo… improdutivo… que gasta estupidamente os recursos do Estado;

🤔 Nasci branco, o que me torna um racista;

🤔 Não voto na esquerda radical, o que me torna fascista;

🤔 Sou hetero, o que me torna um homofóbico;

🤔 Possuo casa própria, o que me torna um proprietário rico (ou talvez mesmo um latifundiário);

🤔 Gosto de cordeiro de leite, … o que me torna um abusador de animais;

🤔 Sou cristão e, embora não praticante, sou um infiel aos olhos de milhões de muçulmanos;

🤔 Não concordo com tudo o que o Governo faz, o que me torna um reaccionário;

🤔 Gosto de ver mulheres bonitas bem vestidas (ou despidas), ou super decotadas, o que me torna um tipo capaz de assediar;

🤔 Valorizo a minha identidade brasileira, de descendência portuguesa e a minha cultura europeia e ocidental, o que me torna um xenófobo;

🤔 Gostaria de viver em segurança e ver os infractores na prisão, o que me torna um desrespeitador dos direitos “fundamentais” protegidos;

🤔 Conduzo um carro a gasolina, a diesel, o que me torna um poluidor, contribuindo para o aumento de CO2;

Apesar de estes defeitos todos, acho que ainda sou feliz… era mais antes da pandemia… mas mesmo assim… considero-me um gente boa e muito feliz.

Veja também: https://oterceiroato.com/2020/10/07/setenios-conheca-a-teoria-dos-setenios-de-7-em-7-anos-a-sua-vida-muda-completamente/

https://oterceiroato.com/2020/12/04/ela-era-bonita/

CONFIANDO EM DEUS ⭐️

Eu sempre acreditei que em meio as guerras Deus nos prepara e ensina, e isso eu já pude comprovar em diversas situações da minha vida. Não nascemos prontos, essa é a verdade, e a medida que crescemos, os nossos sonhos crescem junto com a gente, e as nossas batalhas aumentam também. Ao mesmo tempo que a vida nos surpreende, ela assusta, e os nossos passos em direção a tudo que almejamos de bom se tornam perturbadores aos ouvidos dos nossos adversários.

Viver está além de um abrir dos olhos pela manhã e desejar um bom dia a alguém, porque ninguém sabe das nossas lutas particulares, dos nossos compromissos, das nossas contas vencidas, nem tampouco do nosso esforço em se manter sempre firme diante das circunstancias que vez ou outra tentam nos derrubar emocionalmente. Uma das maravilhas que Deus me disse por esses dias foi: Filha, podem puxar o seu tapete, mas o seu chão ninguém tira. Podem te arrancar a força, mas a fé é algo que foi construído entre mim e ti e nisso ninguém pode tocar. O que eu quero que você entenda é que nada que a gente conquista vem de mãos beijadas para nós. Há suor, há choro, há oração, há quedas, há feridas, há uma história que merece ser respeitada e que se ficarmos tão apegados às coisas ruins que tentam nos parar não desfrutaremos do melhor que conquistamos.

Se continuarmos morando no passado, remoendo o mal que o outro nos fez, ou aquilo que não deu certo para nós por um erro que cometemos não alcançaremos o melhor que tanto almejamos. Se desapega do que aprisiona a sua alma, e se dê uma nova oportunidade de ser feliz. Perdoe, se perdoe, e faça a sua vida valer a pena sem carregar pesos desnecessários. Há muito que se construir, há muito que se conquistar. Se levante, e se dê uma chance de recomeçar.

De Cecilia Sfalsin, eu gosto muito 😉

MEMÓRIA X RECORDAÇÕES – AS ARMAS DA JUVENTUDE e DA VELHICE.

Recordar-se não é o mesmo que lembrar-se; não são de maneira nenhuma idênticos. A gente pode muito bem lembrar-se de um evento, rememorá-lo com todos os pormenores, sem por isso dele ter a recordação. A memória não é mais do que uma condição transitória da recordação: ela permite ao vivido que se apresente para consagrar a recordação. Esta distinção torna-se manifesta ao exame das diversas idades da vida. O velho perde a memória, que geralmente é de todas as faculdades a primeira a desaparecer. No entanto, o velho tem algo de poeta; a imaginação popular vê no velho um profeta, animado pelo espírito divino. Mas a recordação é a sua melhor força, a consolação que os sustenta, porque lhe dá a visão distante, a visão de poeta. Ao invés, o moço possui a memória em alto grau, usa dela com facilidade, mas falta-lhe o mínimo dom de se recordar. Em vez de dizer: «aprendido na mocidade, conservado na velhice», poderíamos propor: «memória na mocidade, recordação na velhice». Os óculos dos velhos são graduados para ver ao perto; mas o moço que tem de usar óculos, usa-os para ver ao longe; porque lhe falta o poder da recordação, que tem por efeito afastar, distanciar.

A feliz recordação do velho é, como a feliz facilidade do moço, um gracioso dom da natureza, da natureza que protege com seus cuidados maternais as duas idades da vida que mais precisam de socorro, se bem que, em certo sentido, sejam também as mais favorecidas. Mas é por isso também que a recordação, tal como a memória, muitas vezes não passa de portadora dos dados mais acidentais.

Apesar de se distinguirem por grande diferença, a recordação e a memória são por vezes tomadas uma pela outra. A recordação é efectivamente idealidade, mas como tal, implica uma responsabilidade muito maior do que a memória, que é indiferente ao ideal.

A recordação tem por fim evitar as soluções de continuidade na vida humana e dar ao homem a certeza de que a sua passagem pela terra efectua uno tenore, num só traço, num soporo, e pode exprimir-se na unidade. Assim se liberta ela da necessidade em que a língua se encontra de repassar incessantemente pelas mesmas tagarelices, para reproduzir aquelas de que a vida se encontra repleta. A condição da imortalidade do homem é que a vida dele decorra uno tenore.

Soren Kierkegaard (in “O Banquete”, Dinamarca

5/ Mai/ 1813 – 11/ Nov/ 1855 –

Filósofo/Teólogo)

A ARTE DE ENVELHECER!

Completar 60, 70, 80 anos de idade, ou mais, e poder comemorar com a família e os amigos é um privilégio, uma bênção. Mas é, também, um bom momento para fazer uma retrospectiva da nossa vida: as conquistas e os fracassos; os sonhos realizados e os que ficaram pelo caminho, enfim, um momento para rever o que carregamos em nossa bagagem, além da família, dos amigos, da fé em Deus, em nós e na vida; além da es- perança, do amor e do desejo permanente de ser feliz.

Mas eis que, sem surpresa, porém um tanto apreensivos, nos damos conta de que a velhice chegou e que estamos deixando para trás a primavera da nossa existência, para dar lugar ao outono. Sem dúvida, nos vemos diante de novos desafios e de uma nova realidade. As limitações vão surgindo, é verdade, mas sentimos um desejo enorme de continuar produzindo e sonhando com outras possibilidades, mesmo que a curto prazo.

Envelhecer é uma das etapas da vida, e cada um chega de um modo pró- prio, de acordo com própria história de vida. Uns com mais saúde, outros com menos; uns com mais conforto e quali- dade de vida, outros com menos. Mas, é com esse cenário que vamos lidar com a velhice, usando nossas experiências, nossa criatividade e nos reiventando a cada dia. E aí, percebemos que vamos precisar, mais do que nunca, da família, dos amigos e da sociedade. É importante aceitar a velhice. Afinal, ter chegado até aqui é uma vitória. E nada contra sentar-se na cadeira de balanço, com uma agulha de tricô ou crochê, com um charuto ou cachimbo, com um bom livro, ou diante da tv para assistir àquele programa favorito. Ou deitar- se numa rede para cutucar a memória e ativar as boas lembranças. Mas isso, só depois de uma caminhada, da aula de dança, de pintura, de música, de culinária ou de natação. Ou mesmo, depois de uma visita a um amigo ou uma amiga, ou alguém da família, para um gostoso cafezinho e um papo agradável.

Pensando bem, envelhecer é uma aventura. “Somente os idiotas se lamentam de envelhecer”, escreveu o filósofo Caio Túlio Cícero. Ele dizia que o importante é encontrar o prazer que todas as idades proporcionam, pois todas têm suas virtudes. A velhice, por si só, não muda o temperamento, o comportamento ou o caráter de alguém. Mas pode ser um gatilho para aqueles que desejam mudar para melhor, na reta final de sua existência. E aí é que nos damos conta de que a vida é curta demais. E para terminar, caros leitores, ve- lhos, idosos, da terceira idade, seja lá como queiram ser chamados, vamos em frente, sem medo, sem preconceito, sem pessimismo e sem pressa; com leveza, tolerância, paciência, paixão e sabedoria. Vamos levar apenas o essencial, aquilo que, realmente, vale a pena. Não é fácil, porque a vida não é nada fácil. Mas o importante é tentar, sempre. Vamos sorrir para a vida, porque ela continua sorrindo para nós.

Veja também: https://oterceiroato.com/2020/07/02/me-reinventando/

https://oterceiroato.com/2020/10/07/setenios-conheca-a-teoria-dos-setenios-de-7-em-7-anos-a-sua-vida-muda-completamente/

PERCEPÇÃO DE SOLIDÃO…

Martha Medeiros sempre me faz refletir. Sobre solidão…

Uma mulher entra no cinema, sozinha. Acomoda-se na última fila. Desliga o celular e espera o início do filme. Enquanto isso, outra mulher entra na mesma sala e se acomoda na quinta fila, sozinha também. O filme começa. Charada: qual das duas está mais sozinha? Só uma delas está realmente sozinha: a que não tem um amor, a que não está com a vida preenchida de afetos. Já a outra foi ao cinema sozinha, mas não está só, mesmo numa situação idêntica a da outra mulher. Ela tem uma família, ela tem alguém, ela tem um álibi. Muitas mulheres já viveram isso – e homens também. Você viaja sozinha, almoça sozinha em restaurantes, mas não se sente só porque é apenas uma contingência do momento – há alguém a sua espera em casa. Esta retaguarda alivia a sensação de solidão. Você está sozinha, não é sozinha. Porque ninguém está, de fato, apontando para nenhuma das duas. Quem aponta somos nós mesmos, para nosso próprio umbigo. Somos nós que nos cobramos, somos nós que nos julgamos. Ninguém está sozinho quando curte a própria companhia, porém somos reféns das convenções, e quando estamos sós, nossa solidão parece piscar uma luz vermelha chamando a atenção de todos. Relaxe. A solidão é invisível. Só é percebida por dentro.
Então de repente você perde seu amor e sua sensação de solidão muda completamente. Você pode continuar fazendo tudo o que fazia antes – sozinha – mas agora a solidão pesará como nunca pesou. Agora ela não é mais uma opção, é um fardo. Isso não é nenhuma raridade, acontece às pencas. Nossa percepção de solidão infelizmente ainda depende do nosso status social. Se você tem alguém, você encara a vida sem preconceitos, você expõe-se sem se preocupar com o que pensam os outros, você lida com sua solidão com maturidade e bom humor. No entanto, se você carrega o estigma de solitária, sua solidão triplicará de tamanho, ela não será algo fácil de levar, como uma bolsa. Ela será uma cruz de chumbo. É como se todos pudessem enxergar as ausências que você carrega, como se todos apontassem em sua direção: ela está sozinha no cinema por falta de companhia! Por que ninguém aponta para a outra, que está igualmente sozinha?