A ARTE DE IR EMBORA.

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“Difícil não é lutar por aquilo que se quer, e sim desistir daquilo que se mais ama. Eu desisti! Mas não pense que foi por não ter coragem de lutar, e sim por não ter mais condições de sofrer”. Bob Marley.

Gosto muito deste texto de Mariana Caramori. Atual e ajuda as pessoas a entenderem melhor quando e como é necessário partir de um relacionamento que já se encerrou. Muitas já passaram por isso e entendem o quão difícil e delicado é este momento, esta fase da vida… mas sabem também que vivido o luto, novos caminhos se abrem e construímos uma nova história muito melhor e mais feliz com o tempo. é só acreditar e se abrir para novas possibilidades. Leiam:

É estranho como, às vezes, mesmo contra nossa vontade temos que partir. Seja de um lugar, seja de uma situação, seja de dentro de alguém… percebi então, de quantas coisas, lugares e situações eu tive que ir embora mesmo sem querer.

Seja porque era hora, seja porque existia um motivo relevante ou mesmo não tendo motivo algum aparente. É quando se tem a sensação de que é hora e não da mais pra ficar ali, mesmo querendo. É quando a gente quer ficar, mas o cansaço nos impulsiona a seguir novos rumos e alçar novos voos.

Só quem já passou por situações semelhantes sabe do que estou falando: a arte de ir embora quando se quer ficar, de abrir mão quando se quer muito ainda, de deixar pra lá quando insiste em estar bem aqui. E quando eu digo arte é bem no sentido literal da palavra mesmo. Porque nem sempre as pessoas entendem quando você se vai. Aliás, elas quase nunca entendem…  Não é qualquer um que é artista. E por isso, fica difícil explicar.

É difícil fazer as pessoas entenderem que nem sempre quando se quer é a hora certa. É difícil elas entenderem que a gente tira o time de campo, mas o pensamento ainda joga o tempo todo. E que, lidar com essa ambiguidade é também muito difícil. É difícil pra elas entenderem que a gente segue a vida porque a vida também sempre segue, mesmo que a gente não queira.

Mas isso pouco importa. Eu só vim mesmo aqui pra te dizer que eu não queria ter ido, mas fui. Pra te fazer entender que eu teria escolhido ficar se você tivesse me dado essa opção. Pra te contar que eu só fui, porque você me permitiu ir embora. A gente sempre vai embora não é?

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Encerrando ciclos.

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos – não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, apaixonados que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração – e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Então encerrar o ciclo… seguir em frente… sem olhar para traz.. se faz necessário.

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Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quemé.  ir-ambora 7

Como saber a hora de partir?

Chega um instante em que você tem que decidir o seu destino. Permaneço no meu querido sofá rasgado que já tem a forma do meu corpo? Ou pego a mochila, umas mudas de roupa, e saio de fininho antes do amanhecer? Todos passam por momentos de decisão onde um passo pode levar tanto para a glória, quanto para a beira de um abismo.

A sensação que tenho é que quanto mais amadurecemos, mais precisamos tomar as rédeas da nossa vida. Quando somos crianças sempre existe alguém que decide por nós; o que vamos comer, aonde ir, o que vestir… Com o passar do tempo o fato de ser pessoa começa a nos cobrar decisões. Vem bem de mansinho e sem que a gente se dê conta passamos a decidir com quem nos relacionar, que profissão escolher, fazer um plano de carreira.

Vamos pouco a pouco tomando o controle da nossa existência, conduzindo nossos caminhos, até que, num piscar de olhos, somos pilotos de Fórmula 1 disparados na carreira da vida, entre ultrapassagens e colisões lutando para chegar ao pódio. Você é o piloto, o condutor, quem tem a posse da direção.

A vida é representada pelo carro. Os seus adversários e companheiros de equipe são as pessoas que você interage. Todos buscam a vitória. A vitória afetiva, a vitória profissional, o reconhecimento, a recompensa. Mas cuidado, porque o percurso é escorregadio, chuvas torrenciais surgem sem trovoadas. Preste atenção quando houver neblina e tente não se dispersar com a paisagem.

Na vida a gente só muda diante do novo. Livros já lidos, músicas que a letra se sabe de cor, receitas que não precisamos mais espiar… Isso faz parte da nossa essência, do que construímos, são parte de nós e da nossa estrutura como indivíduo. No passado nós já arriscamos ao ler aquele livro, escutar aquela canção e preparar aquela receita.

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Na maioria das vezes o que nos mantém em pé diante das dificuldades não é o que temos, mas sim, o que queremos ter. Temos quem nos ama, temos amigos. Essas pessoas são pivôs na nossa existência, pilastras que nos ancoram e nos escoram. Gratidão a parte, mas para exercer o ofício do novo é fundamental arriscar. O que nos faz sair do lugar é exatamente a busca pelo desconhecido, perseguir a melhoria, vislumbrar a mudança. É sonhar.

Como saber que é hora de mudar?

Pergunta difícil, cheia de possibilidades. Ir ou ficar? Se ir, para onde? Esquerda, direita, em frente? Ficar é mais fácil porque não exige nada de nós. Entretanto é provável que, mais adiante, você terá que conviver com as dores do reumatismo por ter ficado tanto tempo no sofá da vida.

Eu costumo dizer que a hora de soltar as correntes e dar o primeiro passo é justamente quando se sentir incomodado. Atenção à luz amarela do semáforo. Quando ela começar a piscar e você se descobrir enfadado, molestado na situação na qual vive é hora de mudar o trajeto. O incômodo gera infelicidade, frustração, te sucumbe à sensação de incapacidade. Ele é como a febre que denuncia quando algo vai mal no organismo. É o pisca-alerta da vida.

Esse peso faz enxergar que aquilo que andava bem e te fazia feliz, já não te completa mais. O que era bom transformou-se em algo penoso, enfadonho, inoportuno. Chegou a hora de botar mais combustível, trocar o óleo, calibrar os pneus, ou talvez só mudar o trajeto para evitar um acidente de percurso lá na frente.

Portanto, segure firme o volante. Derrape, mas ultrapasse lá na frente. Esbarre, mas faça a curva com segurança. Tenha precaução em tempos de chuva, mas acelere nas retas quando o sol brilhar!

“Perdoa-me, folha seca… não posso cuidar de ti… Tu és folha de outono voante pelo jardim… Deixo-te a minha saudade: – a melhor parte de mim”. Cecília Meireles

Fonte: http://www.contioutra.com/a-arte-de-ir-embora/

PAZ … ACHO QUE ME VICIEI EM FICAR E SOZINHO!

arco iris 3“Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo”. Buda

Acredito que a harmonia é o ponto da paz em minha alma… é estar bem comigo mesma. Assim como Marcel Camargo, do Blog Resiliência Mag, ando apreciando e muito a minha companhia. Aprendi isso com o tempo. e você, como anda? Leiam:

Ultimamente, estou tentando depender menos dos outros, pois ficar contando muito com as pessoas acaba trazendo decepções demais. Não perco mais tempo correndo atrás de ninguém e, se necessário, vou a todos os lugares sozinho, sem implorar para alguém me acompanhar.

Por muito tempo, eu valorizei a companhia das pessoas, a ponto de procurar sempre estar acompanhado, querendo sair toda vez que tivesse oportunidade, achando que ficar em casa seria coisa para quem fosse idoso ou doente. Por conta disso, não me permitia ficar em casa aos finais de semana, nos feriados, prolongados ou não, pois não queria perder tempo.

Por muito tempo, eu achei que diversão significava ir a bares, baladas, festas, para me encontrar com a galera. Ansiava por conhecer cada vez mais pessoas, por visitar lugares variados, correndo atrás mais de quantidade do que de qualidade. Ficar em casa, podendo viajar ou sair, soava como sacrilégio, disparate, afinal, precisava aproveitar o tempo junto com pessoas, fora de casa. Quanta bobagem já pensei… rsrsrs…

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Sem perceber, acabei aceitando amizades que não eram verdadeiras, aproximando-me de pessoas que nem curtiam a minha companhia, até mesmo mendigava atenção, correndo atrás de quem estava muito bem sem mim. Fui a lugares que nada tinham a ver comigo, com gente que não pensava como eu, participando de programas lotados de pessoas e vazios de sentimentos. Perdi sim foi muito tempo!

Com o tempo, percebi que, mesmo conhecendo muita gente ou saindo para vários lugares, ainda assim eu poderia me sentir sozinho, porque o que nos preenche afetivamente é aquilo que toca os nossos corações com verdade e reciprocidade. E eu, muitas vezes, sentia solidão bem ali no meio de tantas pessoas, de tanta música, de tantas festas e sorrisos. Parei e notei o quanto eu cobrava dos outros aquilo que deveria vir naturalmente, aquilo que eu poderia, inclusive, encontrar dentro de mim.

Já a algum tempo, estou tentando depender menos dos outros. Não perco mais tempo correndo atrás de ninguém e, se necessário, vou a todos os lugares sozinho, sem precisar pedir para alguém me acompanhar. E, melhor ainda, aprendi a curtir meus espaços, minha casa, em frente à televisão, lendo um bom livro, passeando ou viajando sozinha… apreciando tudo o que sou e tenho. Tenho gostado muito da minha companhia!

Aliás, estou me viciando em ficar em paz, sozinho, comigo mesmo, porque é chato demais pedir ou dar uma forçadinha para as pessoas nos acompanhar. Convido-as apenas e se quiserem vir comigo, muito bem; se não quiserem, ótimo também. Quando a gente aprende a gostar da própria companhia, a gente se basta e vive feliz onde estiver, com alguém ou sem ninguém. Simples assim.

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DIRETIVA ANTECIPADA DE VONTADE DOS PACIENTES – VOCÊ SABE O QUE É ISSO?

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“Parei de implorar companhia dos outros… se quiser ficar fica… se não quiser, adeus.” Clarice Lispector.

Acho um assunto muito importante para refletirmos, pouco conhecido e pouco discutido entre as pessoas. Hoje com o aumento da expectativa de vida, temos que pensar sobre o que queremos para nós no futuro quando estivermos fragilizados e muito doentes. No dia 09/8/2012, a Resolução 1995/2012, o Conselho Federal de Medicina (CFM), regulamentou a utilização das Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV), também conhecidas como testamentos vitais, completa agora seis anos. Este documento permite que as pessoas, antecipadamente, expressem suas escolhas quanto às diretrizes de um tratamento médico futuro, caso fiquem impossibilitadas de manifestar a vontade em virtude de acidente ou doença grave.

“A regulamentação ajudou a impulsionar e disseminar a lavratura de testamentos vitais em todo o País. Qualquer pessoa plenamente capaz pode fazer seu testamento vital perante um tabelião de notas. Basta apresentar seus documentos pessoais e declarar que tipo de cláusulas deseja incluir. A escritura será apresentada posteriormente aos médicos pelos familiares ou por quem o declarante indicar caso futuramente ele seja acometido por uma doença grave ou fique impossibilitado de manifestar sua vontade em decorrência de algum acidente“, detalhou o presidente do Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo, Andrey Guimarães Duarte.

No testamento vital não se pode prever a eutanásia – procedimento proibido no Brasil e que ocorre quando o médico induz a morte do paciente. Na verdade, o testamento vital não se trata verdadeiramente de um testamento, mas de uma escritura pública que produzirá efeitos enquanto o testador ainda estiver vivo, com a finalidade de garantir a dignidade do tratamento do paciente.

“Na escritura, a pessoa determina o tipo de tratamento que quer ser submetida. Além disso, é possível designar um ou mais representantes, que tomem decisões sobre tratamentos em nome dela quando já não estiver mais consciente”, explica Andrey Guimarães Duarte, presidente da seção São Paulo do CNB. A Diretiva Antecipada de Vontade (DAV) permite que o paciente escolha previamente a que tipo de tratamento médico deseja ou não ser submetido, preservando o direito à vida e morte dignas.

10 Motivos pra fazer o Testamento Vital:

1. Dignidade. A Diretiva Antecipada de Vontade (DAV) permite que o paciente escolha previamente a que tipo de tratamento médico deseja ou não ser submetido, preservando o direito à vida e morte dignas.

2. Tranquilidade. A DAV não antecipa a morte do paciente (eutanásia), apenas garante que ela ocorra de modo natural ou permite o seu retardamento, conforme a vontade do paciente.

3.  Respeito. A DAV feita por escritura pública gera tranquilidade ao paciente de que a sua vontade será respeitada quando ele não puder mais se manifestar.

4. Paz. A DAV proporciona maior conforto e menos sofrimento para a família do paciente no momento de dor.

5. Segurança. A escritura pública oferece maior segurança para o médico cumprir integralmente os desejos do paciente, resguardando-o contra eventuais pressões de seus familiares.

6. Autonomia. A DAV pode ser feita por qualquer pessoa, a qualquer tempo, desde que ela esteja lúcida e consiga expressar a sua vontade quanto ao destino de seu próprio corpo.

7. Lealdade. Pela DAV é possível nomear um procurador para ficar responsável por apresentar aos médicos e à família do paciente, os desejos e escolhas antecipadamente feitas por ele.

8. Revogabilidade. A DAV pode ser alterada ou revogada a qualquer tempo, desde que o paciente esteja lúcido.

9. Perpetuidade. A DAV fica eternamente arquivada em cartório, possibilitando a obtenção de segunda via (certidão) do ato a qualquer tempo.

10. Liberdade. É livre a escolha do tabelião de notas qualquer que seja o domicílio.

Conheça um pouco o que dispõe a: Diretiva antecipada de vontade de pacientes – RESOLVE:

Art. 1o Definir diretivas antecipadas de vontade como o conjunto de desejos, prévia e expressamente manifestados pelo paciente, sobre cuidados e tratamentos que quer, ou não, receber no momento em que estiver incapacitado de expressar, livre e autonomamente, sua vontade.

Art. 2o Nas decisões sobre cuidados e tratamentos de pacientes que se encontram incapazes de comunicar-se, ou de expressar de maneira livre e independente suas vontades, o médico levará em consideração suas diretivas antecipadas de vontade.

§ 1o Caso o paciente tenha designado um representante para tal fim, suas informações serão levadas em consideração pelo médico (respeitando-se as disposições do Código de Ética Médica).

Fonte: http://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI257492,51045-As+diretivas+antecipadas+de+vontade+na+jurisprudencia+brasileira

SE…

“Sabemos o que somos, mas não sabemos o que poderemos ser”. Willian Shakespeare

Uma das mais lindas poesias que já conheci, que te dá uma força incrível pra lutar… principalmente nos momentos mais difíceis de nossa vida e continuarmos caminhando, resilientes… sem dúvida pra mim é está de Rudyard Kipling. Lembro- me que me foi oferecida por meu pai quando me casei. Sábio era meu paí. Várias vezes releio, ainda preciso ouvi-la, (quando passo por momentos difíceis)… confesso que encontro um certo alívio e não me sinto tão só. Quero compartilhar com vocês agora. Leia:

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Se és capaz de manter tua calma, quando,

todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.

De crer em ti quando estão todos duvidando,

e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,

ou, enganado, não mentir ao mentiroso,

Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,

e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar – sem que a isso só te atires,

de sonhar – sem fazer dos sonhos teus senhores.

Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,

tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,

em armadilhas as verdades que disseste

E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,

e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada,

tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.

E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,

resignado, tornar ao ponto de partida.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,

a dar seja o que for que neles ainda existe.

E a persistir assim quando, exausto, contudo,

resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,

e, entre Reis, não perder a naturalidade.

E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,

se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,

ao minuto fatal todo valor e brilho.

Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,

e – o que ainda é muito mais – és um Homem, meu filho!

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Espero que ajude!

Xiii… EU ENVELHECI!

“Viver é envelhecer, nada mais”. Simone de Beauvoir.

Quando li esta crônica me identifiquei completamente. Libertei-me! Sim… penso que envelheci e “eu sou agora, provavelmente pela primeira vez na vida, a pessoa que sempre quis ser”. Não mudaria simplesmente nada! Construiria a mesma história pra mim. E você? Mudaria alguma coisa?

De tudo que acontece em nossa vida, muitas vezes custamos a entender e aceitar alguns fatos… mas quando você vê mais à frente… é capaz de compreender tudo. Nada é por acaso. Leia:

Um dia desses uma jovem me perguntou como eu me sentia sobre ser velha. Levei um susto, porque eu não me vejo como uma velha. Ao notar minha reação, a garota ficou embaraçada, mas eu expliquei que era uma pergunta interessante, que pensaria a respeito e depois voltaria a falar com ela. Pensei e concluí: a velhice é um presente. Eu sou agora, provavelmente pela primeira vez na vida, a pessoa que sempre quis ser.

Oh, não meu corpo! Fico incrédula muitas vezes ao me examinar, ver as rugas, a flacidez da pele, os pneus rodeando o meu abdome, através das grossas lentes dos meus óculos, o traseiro rotundo e os seios já caídos. E constantemente examino essa pessoa velha que vive em meu espelho (e que se parece demais com minha mãe), mas não sofro muito com isso.

Não trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, e o carinho de minha família por menos cabelo branco , uma barriga mais lisa ou um bumbum mais durinho.

Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais condescendente comigo mesma, menos crítica das minhas atitudes. Tornei-me amiga de mim mesma. Não fico me censurando se quero comer um bolinho-de-chuva a mais, ou se tenho preguiça de arrumar minha cama, ou se compro um anãozinho de cimento que não necessito, mas que ficou tão lindo no meu jardim. Conquistei o direito de matar minhas vontades, de ser bagunceira, de ser extravagante.

Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento. Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar paciência no computador até às 4 da manhã e depois só acordar ao meio-dia?

Dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos das décadas de 50, 60, 70 e se, de repente, chorar lembrando de alguma paixão daquela época, posso chorar mesmo!

Andarei pela praia em um maiô excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulharei nas ondas e darei pulinhos se quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros. Eles, também, se conseguirem, envelhecerão.

Sei que ando esquecendo muita coisa, o que é bom para se poder perdoar. Mas, pensando bem, há muitos fatos na vida que merecem ser esquecidos. E das coisas importantes, eu me recordo freqüentemente. Certo, ao longo dos anos meu coração sofreu muito.

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Como não sofrer se você perde um grande amor, ou quando uma criança sofre, ou quando um animal de estimação é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão a força, a compreensão e nos ensinam a compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser forte, apesar de imperfeito.

Sou abençoada por ter vivido o suficiente para ver meu cabelo embranquecer e ainda querer tingi-los a meu bel prazer, e por ter os risos da juventude e da maturidade gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto. Muitos nunca riram, muitos morreram antes que seus cabelos pudessem ficar prateados.

Conforme envelhecemos, fica mais fácil ser positivo. E ligar menos para o que os outros pensam. Eu não me questiono mais. Conquistei o direito de estar errada e não ter que dar explicações.

Assim, respondendo à pergunta daquela jovem graciosa, posso afirmar: “Eu gosto de ser velha”. Libertei-me! (Autoria Desconhecida).

QUAL É O SENTIDO DE SER AVÓ? MONJA COEN.

“Avós são mágicos, em qualquer tempo eles trazem de volta os sabores da infância. Amo ser avó”. Raquel Piffer

Como uma “vovó coruja e assumida” que sou… agora quase chegando mais dois netinhos… muito queridos (serão três) e com a proximidade do dia dos avós, encontrei este post que adorei. Repasso agora para vocês esta entrevista exclusiva do portal avŏsidade (realizada por Elisabete Junqueira e Jorge Luiz de Souza) onde Monja Coen compartilha conosco partes especialmente selecionadas da enorme sabedoria que acumulou depois que deixou o Brasil e junto a sua profissão de jornalista para viver em um mosteiro budista no Japão. É… “Avós nos tempos modernos continuam deseducando um pouco, mas com um brincar que inclui ensinamento”. Assim define a Monja Coen, cujo nome civil é Cláudia Dias Baptista de Souza, mãe da Fábia, avó da Rafaela e bisavó do Mahao.

 “Existe um papel de avô e avó, que é o de contradizer um pouco os filhos com relação aos netos”, diz ela. E explica que a função dos avós em relação aos pais é isto, de questioná-los: “vocês têm certeza de que esta é a melhor maneira de educar seu filho?”

Ainda definindo o sentido de ser avó, cita um monge vietnamita que diz: “a maior dádiva para alguém é a sua presença, é estar presente pro outro”. E a presença é mesmo para influir na educação das novas gerações. “As crianças vão receber influências de toda parte. E os pais quererem negar a influência dos avós é um absurdo. Que bom que seja influenciado pelos avós.”

Mudar a rotina.

Com sua experiência, Monja Coen traz para a entrevista alguns ensinamentos bem precisos para aprimorar o relacionamento entre as gerações dentro de uma família. Um deles é permitir o convívio em lugares neutros, que não pertençam a um ou outro membro do grupo.

Outra dica: evitar as discussões familiares nas refeições. “A gente, pra conversar, não precisa convencer o outro do nosso ponto de vista, mas ouvir, ouvir pra entender.”

Os mais velhos podem apontar caminhos, mas os mais jovens têm de viver suas próprias experiências – é outra sabedoria que ela compartilha. Mas às vezes é bem incisiva: “Ser boazinha é um crime, ninguém tem de ser bonzinho nesse mundo, tem que ser correto”.

Ela também conta histórias de sua vida familiar, como o parto do bisneto, que foi feito em casa. E ela, mesmo apreensiva com os riscos, foi a pessoa da família que mais participou.

A entrevista… 

Eis os principais trechos da entrevista:

Ser avó em tempos modernos.

Avós continuam deseducando um pouco, mas com um brincar que inclui ensinamento.

“Eu acho que hoje as avós são mais jovens e muitas delas estão ainda em áreas de trabalho, não estão aposentadas. Antigamente, avó era geralmente uma pessoa que já tinha se aposentado. Então, ela tinha muita disponibilidade de estar com os netos, de cuidar, de dar suporte. Houve uma época em que as famílias moravam juntas, que é uma coisa que ainda se faz no Japão, a vovó e o vovô moram com o filho mais velho ou com a filha mais velha. Então, podem dar esse apoio familiar. E hoje é um pouco raro. Então, houve realmente uma mudança no papel do avô e da avó, que brincam um pouco mais, continuam brincando, continuam deseducando um pouco mais também, permitindo…

…aquilo que os pais tão jovens não permitem. E a gente vai lembrando que quando a gente era jovem, era mais rígida, não é? Exigia mais, ‘não pode ser assim…’, ‘eu tenho certeza, né? E por isso tenho de fazer tudo certinho’. Eu acredito que a idade, a experiência, nos faz ver que as pessoas crescem e se desenvolvem melhor com brincadeira, com carinho, do que com rigidez. Mas tem que ter uma certa rigidez. Então, avô ou avó não são apenas aqueles que brincam, porque esse brincar inclui um ensinamento”

Competição entre pais e avós?

Um papel de avô e avó é contradizer um pouco os filhos, sim.

Tem o medo da competição, de que a criança vai gostar mais do vovô e da vovó do que da mamãe e do papai, que vai pedir colo do vovô e vovó, que vai ser contrariado pelo vovô e vovó e não vai fazer o que o papai ou a mamãe quer. Então, nisso a gente precisa de muito diálogo, de fazê-los entender que ninguém está tirando o papel do pai e da mãe. Pelo contrário, existe um papel de avô e avó e o papel de avô e avó é este. É de contradizer um pouco os filhos, sim. De pensar nesses netos que já se vê com um olhar…

…diferente, e que eles têm que saber que isso faz parte do crescimento de uma criança. Que ela precisa de ter pontos de vista diferentes e olhares diferentes. Que não é só quem concorda conosco que é bom. Quem discorda de nós é muito bom porque nos provoca a encontrar meios e expedientes de defender o nosso ponto de vista. Então, a função dos avós em relação aos pais é isto, de questioná-los: ‘vocês têm certeza de que esta é a melhor maneira de educar seu filho?’”

Uma nova relação com a criança.

Pelo menos uma hora por dia deixar o celular no mudo e brincar.

Uma coisa importante é partilhar com a criança. Chegar em casa e perguntar ‘o que você tem pra me ensinar hoje?’ Não é ‘o que você aprendeu?’, é ‘o que você tem pra me ensinar, me ensina uma coisa’. Mudar um pouco o papel e ser mais lúdico. Ter encontros. Uma coisa que afasta… tem até as brincadeiras que se faz com as pessoas que ficam tanto tempo nos celulares. E que não olham mais para a cara dos filhos, da criança, da esposa ou do marido, cada um envolvido no seu mundo individual. E a gente poder ter pelo menos uma vez por dia uma reunião familiar, que pode ser um café da manhã, um almoço, jantar ou lanchinho à noite, mas que possam estar juntos por alguns momentos, partilhando o que fizemos hoje, o que foi bom…

…em outros projetos, sociais, voluntários, seja o que for, e também envolvidos no celular. Então, não participa com a criança, né? Fica com a criança, mas está no celular como o pai e a mãe estão. Então, o personagem do avô e da avó que seria aquele que pode brincar junto, fazer bobagem junto, errar junto, de repente não está mais lá, porque está no celular. Então, a gente tem que pelo menos uma hora por dia deixar o celular no ladinho, põe ele no mudo e vai brincar com a criança, vai estar presente. Há um monge vietnamita que diz isso: ‘a maior dádiva para alguém é a sua presença, é estar presente pro outro’. Imagine se nós estamos presentes se eu falo com você e pensando ali… Não existe isso, mas fazemos isso com as crianças, fazemos com adolescentes, permitimos que os adolescentes façam isso…”

Leia também: https://oterceiroato.com/2016/06/01/avos-e-netos-beneficios-desta-relacao/

Mude a rotina.

Sugestão: encontrar lugares neutros, de as famílias irem viajar com todos juntos.

Eu acho que a gente podia encontrar lugares neutros, de as famílias irem viajar com todos juntos. O sogro da minha neta faz isso uma vez por ano. Ele tem dois filhos, os dois casados e com filhos. Uma vez por ano ele junta a família toda para fazer um passeio, umas férias juntas. Então, ele vai com os dois filhos, com as duas noras, com as crianças, e ele e a esposa. Então, ele consegue, porque você não está na casa. É uma coisa muito hábil, muito inteligente. Foram fazer um passeio de barco, foram a Disneyworld. Pode ir pra São José, não precisa ser lugares no exterior que sejam caro, pode ir para um hotel fazenda, vai para um sitiozinho…

…de um amigo, mas não na sua casa. Porque a sua casa é um pouco o seu reino. E aí a outra pessoa acha que está entrando no reino do outro. Então, o homem não é o rei lá, o sogro é que é o rei. A menina não é rainha da casa, porque a rainha é a sogra. Então, imagine que é um lugar neutro. E aí sim eu acho que vai funcionar bonito. Porque vamos estar todos juntos num lugar que é desconhecido para nós. Vamos descobrir juntos. E vamos deixar as crianças correrem para cá e para lá, pro lado dos vovôs, das vovós, e não ficarem só com os pais.”

Quem não dança, segura a criança.

Avô e avó formaram seus filhos e são, de certa forma, pessoas de confiança.

“Pai e mãe gostam muito de avô e avó quando querem ficar sozinhos. Quando eles têm um evento, uma coisa pra sair. Então, vovô e vovó são a solução. Ainda bem, ainda bem, porque é mais importante deixar com os avós do que com pessoas desconhecidas, que podem ensinar coisas muito erradas. Eu sempre digo, quando eu faço palestras, que a gente tinha que pagar muito bem as pessoas que ficam com as crianças, porque elas têm que ser muito capacitadas. Nós estamos deixando seres humanos frágeis, que estão captando tudo que está no ar, com pessoas que não estão preparadas. Então, tanto professores do ensino básico, infantil, pré-escola…

…como início de escolaridade, como quem vai à nossa casa ficaria, por exemplo, eu tenho que trabalhar, meu marido vai trabalhar, com quem vai ficar a criança? Ah, vou chamar aquela moça ali, aquela mocinha, porque é barato e eu posso pagar. Ela está capacitada? O que ela vai ensinar para essas crianças, que atitude ela tem em relação ao mundo? Como ela se comporta em frente ao mundo? Porque, se a pessoa não tem capacidade, ela vai influenciar de forma negativa. Por isso avô e avó são importantes nessa hora. Porque eles formaram esses pais. Então, eles são, de certa forma, pessoas de confiança.”

Até onde vai o limite do controle?

Saber que, como avós, até onde eu posso interferir e onde eu paro.

“As crianças vão receber influências de toda parte. E os pais quererem negar a influência dos avós é um absurdo. Que bom que seja influenciado pelos avós. Eu conheço uma senhora, por exemplo, que ela é avó, o filho dela se casou, e ele é ateu e a nora é ateia, e ela cisma que as criancinhas precisam ir à igreja. Então, eu não sei o quanto isso afeta a nora e o filho, ou não. Ela diz: pelo menos uma vez por mês eu vou levar as crianças à igreja. Até hoje ela não levou. Mas ela ensina para as crianças cantigas católicas e fica muito alegrinha, achando que ela está fazendo uma coisa boa. Mas se os pais não estão de acordo, isso pode virar um atrito, não é verdade? Isso pode ser uma fonte de desafeto, depois dizer: eu não quero que você venha influenciar as…

…bom na sua infância. E ela é contrária. Então, a gente tem agora essas discórdias de gerações e de maneira de pensar, tem jovens muito radicais, de ser vegano, e nada disso pode. E nós, pessoas de uma geração anterior, ficamos olhando e falando: ‘Nós queremos saúde, nós não queremos um modismo, mas o que é saudável para um ser humano num processo de crescimento’. E que depois faça sua escolha. A escolha vai ser da própria pessoa em fase adulta. Mas numa fase de crescimento, se a gente puder oferecer aquilo que vai permitir um estado saudável… E aí que vem a questão: o que é saudável? Tive uma prima que se tornou vegetariana e então as filhas eram vegetarianas. Mas quando chegavam na casa a avó, a primeira coisa era pedir: vovó, faz um bifinho?”

Tolerância e respeito.

No mosteiro, durante a refeição quem fala, e é mais saudável.

Reuniões de família eram uma coisa muito gostosa. Não era como esses almoços e jantares que agora existem, em alguns domingos, que sentam na mesa e brigam. Era outra coisa. Era reunir pra cantar, pra dançar, pra declamar, pra mostrar uma coisa nova. Não se ficava pegando nas coisas pequenas. Mas no dia a dia, e nos jantares e almoços mais íntimos nossos, a coisa pegava. Eu brigava com minha irmã e meu avô dizia assim: ‘na minha infância, ninguém falava na mesa, a mesa é pra comer, não é pra conversar”. Vou para o mosteiro, e no mosteiro é assim. Durante a refeição quem fala. E eu percebo que é mais saudável. Eu não consigo fazer isso aqui na casa. Faço durante retiros, mas no dia a dia, não. Mas é muito mais saudável se a gente pudesse, quando sentar na mesa, fazer uma prece, um agradecimento, …

…por que estamos tão radicalizados, extremistas? ‘Eu penso isso e se você não pensa como eu você é louca, você não presta e eu não falo mais com você!’ O que é isso, gente? Isto teve, eu acho, uma influência muito grande da mídia. Nós tivemos uma mídia e estamos tendo, e é internacional, não é só nacional, mas também a internacional, que é bem assim: ‘ou você é a meu favor ou você é contra, eu quero destruir você, você tem que pensar como eu penso’. Não é assim. Nem todos pensamos do mesmo jeito. Os nossos olhares são diferentes, por ângulos diferentes e experiências diferentes. E a gente, pra conversar, não precisa convencer o outro do nosso ponto de vista, mas ouvir. Ouvir pra entender.”

Um parto diferente.

Como foi a história da chegada de um bebê em casa.

Ela resolveu que ia ter o bebê em casa e começou a me passar filmes pra que eu me educasse, pra que eu pudesse aceitar que o bebê nascesse aqui. Porque ela mora em um apartamento pequenininho e não caberia. Ela queria nascer numa banheira… o bebê. E aqui no banheiro antigo da casa cabia a tal da banheira pro bebê nascer. E a coisa foi comigo. Não foi com a avó, não. As avós não estavam querendo, não estavam muito a favor. E a minha irmã, que é médica, estava furiosa. Se a medicina cresceu tanto, temos a capacidade de não ter mortalidade infantil, de as mulheres terem partos saudáveis. Se tiver algum problema, num hospital, num minuto salva. Em casa, num minuto morre. Ou pode ter uma coisa gravíssima. É a visão médica. E ela me explicando que não, não é assim, veja…

…comecei a rezar tudo que eu sabia. E eu sempre digo que foi a reza mais forte que eu já fiz até hoje. Na hora em que eu vi a linguinha da minha neta ficar roxinha, porque tinha que fazer esforço, quando aquela língua ficou roxa eu falei: ‘agora não pode mais, agora tem que sair.’ Eu pequei todas as rezas que eu tenho, todos os livros de reza que eu tenho, bem forte, e o bebê nasceu. Ai, que bom! Que susto! Porque fica uma responsabilidade de uma coisa que é nova, de uma coisa que não tem assistência médica, embora essa enfermeira tenha uma experiência de 30 anos como obstetra, ela acabar até ensinando as próprias médicas como fazer alguns partos, mas sempre uma responsabilidade. Fui eu que assumi, né? O resto da família não estava aí. Estava só eu.”

Ser boazinha é um crime.

Avós têm que ter meios hábeis porque têm mais idade, mais experiência.

Ser boazinha é um crime. Ninguém tem de ser bonzinho nesse mundo, tem que ser correto e adequado. Para isso tem que ter sensibilidade pra perceber. Se eu falar agora, vai ser bom? Se eu interferir neste momento, vai ser adequado? Se não é, eu não interfiro agora. Mas eu percebo o momento certo de falar. E as vezes, falar com um… Pra mim, funciona mais falar com o marido da minha neta do que com ela. Quando a coisa está mais assim eu chamo ele do lado sem ela ouvir. E aí funciona. Porque ele não tem essa intimidade…

…que ela tem comigo. Dizer que ‘não vou ouvir, vovô, você é de outra geração”. Ele me ouve. Então, a gente tem que ter meios hábeis. Pra isso temos mais idade, pra isso temos mais experiência. Não pra competir com nossos filhos. Não pra competir com uma nova maneira de ser no mundo, que já não é mais a nossa. Embora a gente esteja, a gente já viveu num outro momento, então não por que interferir tanto, mas estar presente. Dar a eles essa sensação de, se precisar, estou aqui.”

A vida é para ser vivida.

Avós não têm pressa, a avosidade lhes permite perceber como tudo passa.

Na maior parte da vida a gente não usa a experiência do outro. A gente tem que passar. A gente gostaria que nossos filhos e netos pulassem etapas. Usa minha experiência, eu estou te dizendo… Mas não adianta. Algumas coisas, sim; mas a maioria, não. Eles têm que passar. E a gente apenas observa e lembra: eu também fui assim, olha o que eu fazia, também fiz arte, também não ouvi, não ouvi minha vovó, meu papai. Então a gente…

…se lembra de que passamos por essas etapas. Por isso é mais bonito. A gente não tem pressa, não tem angústia, não tem ansiedade… ‘Ai, precisa fazer!’ Não! A vida por si mesma vai fazendo com que aconteça. Eu posso apenas apontar. Apontar caminhos é isso. Dizer: ‘se você subir essa ladeira, você vai dar numa avenida tal; se você descer a ladeira, vai dar em outra avenida. Você quer ir pra que lado? Eu acho que a avosidade nos permite perceber como tudo passa.”

Espero que traga reflexões sobre o assunto na família. O dialogo e o respeito são muito importante para uma boa convivência entre as diferentes gerações da família.

Leia também:

https://oterceiroato.com/2015/10/29/eu-vou-ser-avo-pela-primeira-vez-que-felicidade/

https://oterceiroato.com/2016/08/31/eu-vou-ser-vovo-pela-primeira-vez-a-distancia/

O QUE É ENVELHECER PARA VOCÊ?

“Quando se passa dos sessenta, são poucas as coisas que nos parecem absurdas.” Alberto Camus. 

Este texto me chamou a atenção, ele ficou em quinto lugar em um concurso organizado por um site com o tema “O que é envelhecer para você?”. No caso desse que você vai ler agora, o que chama a atenção é que a autora deste texto, Ada Pedreira Silva, de Salvador – Bahia, tem apenas 34 anos de vida. Sensacional isso!

Para ela, “começamos a envelhecer quando percebemos que o tempo não espera, que os anos passam depressa e os dias passam como passavam as horas quando éramos crianças!”… Ah! se eu tivesse esta visão dimensionada sobre envelhecer na idade dela, na idade dela, teria aproveitado melhor algumas poucas coisas… rsrsrs. Não que não tenha feito muitas coisas, pelo contrário, sou da turma dos que não querem chegar no momento final e dizer “se eu tivesse mais tempo…”.

O meu tempo é hoje aqui e agora. Desperdiçar isso seria luxo ou idiotice minha! Temos que viver plenamente, mas com responsabilidade… estar sempre em paz, de espírito leve… e de bem conosco mesmo … com a vida mesmo. Mas, teria visto mais amanheceres (já que sou dorminhoca) e apreciado mais entardeceres… com lindo pôr de sol em montanhas, nas alturas… Leiam:

Sou fisioterapeuta e uma vez estava no trabalho atendendo um adolescente e fiz uma pergunta rotineira acerca de traumas anteriores, indagando se ele já havia fraturado alguma parte do corpo ou feito algum tipo de cirurgia. O adolescente me respondeu que sim, mas tinha “muuuuuuuito tempo! Uns oito meses, doutora…”

A partir daquela resposta, percebi que aos 25 anos já estava envelhecendo! Isto, pois o tempo não passava para mim como passava para aquela criança-adolescente, para mim oito meses era um tempo recente, assim como um ou dois anos passados. E, a partir daí, modifiquei a pergunta na consulta para: “Tem muito ou pouco tempo que já realizou cirurgias ou teve alguma fratura?”

Com as respostas que obtive, percebi que a forma de sentir o tempo é um marco referencial, pois quanto mais idade a pessoa tem mais longo é o tempo chamado presente e vice-versa! Assim, envelhecer é um estado natural de qualquer ser, mas para nós seres humanos, seres racionais e emocionais, o processo fisiológico de envelhecimento só é percebido quando nos damos conta do tempo!

Começamos a envelhecer quando percebemos que o tempo não espera, que os anos passam depressa e os dias passam como passavam as horas quando éramos crianças!

Começamos a envelhecer quando, pelos dias passarem tão depressa, não conseguimos fazer tudo o que queremos no mês, no ano, muitas vezes numa década ou por toda a vida…

Começamos a envelhecer quando percebemos que existe um tempo para trás, e que nele ficam coisas, e pessoas, importantes e que não vêm com a gente para o tempo presente e futuro.

Começamos a envelhecer quando percebemos que o tempo passou tão depressa que não sentimos as estações mudarem, as crianças crescerem, os amigos amadurecerem e até irem embora…

Começamos a envelhecer na primeira perda de um ente querido e ao sentirmos saudades do que nunca vivemos. Crianças e jovens não têm sentimento de perda, de saudosismo, de frustração. São plenas. E a certeza do envelhecimento acontece quando o tempo do pensamento se torna diferente do tempo dos comandos do corpo. Queremos caminhar mais pelas ruas ou numa viagem, dançar mais rápido ou por mais tempo, mas o corpo não permite… Envelhecemos então.

Hoje, quase dez anos depois de minha constatação, luto para prolongar o começar a envelhecer: me movimento mais, me alimento melhor, respiro melhor e, principalmente, não perco o meu valioso TEMPO com o que não vale a pena.

O tempo é o meu bem mais precioso que nenhum dinheiro pode comprar. Valorizo o tempo com minha família, meus amigos, meu trabalho, meu lazer, meu descanso. Busco distribuí-los de maneira sábia, pois temos que ser tudo ao mesmo tempo. Como já disse um grande poeta: “O tempo não pára!”. E o tempo não vai esperar eu ser este mês esposa, mês que vem profissional e ano que vem mãe, ou daqui a dois anos amiga. Somos tudo ao mesmo t-e-m-p-o!

Como já disse, o envelhecer é um estado natural do ser humano, mas como administramos o nosso tempo na nossa trajetória de vida nos torna mais cedo ou um pouco mais tarde velhos.

Já existem velhos de 30 anos como existem jovens de 70 anos! Ser velho com 30 ou jovem com 70 é escolha de vida. E, tudo bem se alguém questionar que o de 70 também é velho, principalmente fisicamente, mas a vital diferença é que este é um velho pleno. Aprendeu, assim como uma criança, a não brigar com o tempo, e sim a vivê-lo! Bom sobre os quatro primeiros lugares ficaram com homens e mulheres que já passaram dos 55 anos. Ou seja, escreveram com base em sua experiência pessoal. O que também são bem interessantes.

Gostaram? E vocês o que pensam sobre isso?

Me diga… O que é envelhecer pra você?

ENVELHECER!!! É ÚNICO…

“Envelhecer é o único meio de viver muito tempo”. Alberto Camus. 

Enquanto vamos envelhecendo… andamos mais devagar e continuamos construindo novas histórias. Histórias estas cheias de vida e emoções, prefiro assim. Quem me conhece diz que eu teria que escrever um livro… tenho tantas “histórias com momentos” tão engraçados (já que sou a pessoa mais atrapalhada e alegre da família)… que às vezes acho que eles têm razão, mas preferi fazer um Blog rsrsrs. Um dia destes começo a contar algumas pra vocês, algumas experiências de vida já contei ok.

E vocês, me contem o que pensam sobre o envelhecer? Gostei muito desta crônica de Albert Campos que nos diz nesta crônica, sobre envelhecer, leiam:

A idade madura é aquela na qual ainda se é jovem, porém com muito mais esforço.

O que mais me atormenta em relação às tolices de minha juventude, não é havê-las cometido…é sim não poder voltar a cometê-las. Envelhecer é passar da paixão para a compaixão.

Muitas pessoas não chegam aos oitenta porque perdem muito tempo tentando ficar nos quarenta.

Aos vinte anos reina o desejo, aos trinta reina a razão, aos quarenta o juízo.

O que não é belo aos vinte, forte aos trinta, rico aos quarenta, nem sábio aos cinquenta, nunca será nem belo, nem forte, nem rico, nem sábio…

Quando se passa dos sessenta, são poucas as coisas que nos parecem absurdas.

Os jovens pensam que os velhos são bobos; os velhos sabem que os jovens o são.

A maturidade do homem é voltar a encontrar a serenidade como aquela que se usufruía quando se era menino.

Mais-velha

Nada passa mais depressa que os anos. Quando era jovem dizia:…”verás quando tiver cinqüenta anos”. Tenho cinqüenta anos e não estou vendo nada.

Nos olhos dos jovens arde a chama, nos olhos dos velhos brilha a luz. A iniciativa da juventude vale tanto a experiência dos velhos. Sempre há um menino em todos os homens.

A cada idade lhe cai bem uma conduta diferente.

Os jovens andam em grupo, os adultos em pares e os velhos andam sós. Feliz é quem foi jovem em sua juventude e feliz é quem foi sábio em sua velhice.

Todos desejamos chegar à velhice e todos negamos que tenhamos chegado.

Não entendo isso dos anos: …”que, todavia, é bom vivê-los, mas não tê-los.”

Muito bom esta crônica, não acham?

 

SABEDORIA NÃO É DOM NATO – EXIGE ESFORÇO E DISPONIBILIDADE.

“A dúvida é o princípio da sabedoria”. Aristoteles.

Se tem uma coisa que aprendi (já a algum tempo) na minha vida, com a chegada da maturidade, foi que preciso de tempo e paciência para refletir sobre “minha vida”:  – O quero pra mim? – Quais são meus sonhos e desejos? – Como quero envelhecer? … e principalmente sobre as minhas “atitudes”: – Como vou fazer? – O que preciso mudar? Preciso de “sabedoria” nestas minhas decisões o que fará diferença em tudo… e isso é aprendido.!

Confesso que já mudei varias vezes meus caminhos durante a vida e nem sempre foram fáceis tomar certas decisões. Mas foram estas “mudanças” meus maiores aprendizados, disso tenho certeza! Sempre tive positividade e esperança que as coisas iriam ser melhores (por piores que parecessem inicialmente)… e foi assim que me aconteceu. Sempre, sempre mesmo melhoraram, acreditem. Durante a minha vida tornei-me uma pessoa mais forte, mais segura, mais completa, mais serena, mais sábia… e mais feliz!

Às vezes a vida nos obriga a sair da zona de conforto… isso dá medo, mas sempre quis olhar pra frente, ver as possibilidades do que me surgiria á frente… e assim me faziam seguir… sem nunca olhar pra trás. Nunca me arrependi das minhas escolhas! Com minhas experiências e vivências… minhas maneiras de ser e agir fui construindo a minha sabedoria… as minhas verdades!  Adorei este texto de Maria Aparecida Costa, dá no que pensar sobre tudo isso, leiam…

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Há momentos que ficam arquivados em nossa memória e a imagem permanece nítida – não importa o tempo transcorrido.  Momentos simples, que deixam um registro mais fiel que qualquer fotografia amarelada pelo tempo.

Lembro-me com clareza do semblante do Prof. Gilberto, na quinta série, quando tentava nos ensinar valores para além da aula de matemática. Mantinha a voz doce e o olhar terno quando dizia:

“Ignorantes são as pessoa que insistem no próprio erro;

Inteligentes são os que os reconhecem e procuram mudar a partir das próprias experiências;

Sábios são os que aprendem observando e refletindo as experiências dos outros.

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Essa reflexão me acompanhou durante a vida, tornando-se um objetivo buscar sabedoria nas minhas decisões, tentando não cometer os mesmos erros que outras pessoas e optando pelo certo e não pelo mais fácil, pessoal e profissionalmente.

Compreendi que sabedoria não é um dom nato. É mito pensar que a sabedoria se adquire com a idade ou com o conhecimento. Nem todo velho é sábio e nem toda cultura e conhecimento trazem sensibilidade e abertura para o aprendizado e evolução pessoal.

A experiência de viver mais de 50 anos ensina que “desenvolver sabedoria” não é tarefa fácil. É necessário libertar-se do jeito automático de dirigir a vida e não estacionar em “reclamômetros“. Significa despir-se da roupa confortável de “ter sempre razão” e encontrar coragem para superar limites e dificuldades pessoais.

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É buscar equilíbrio, serenidade para acolher a si próprio e a partir daí poder estender esse acolhimento à outros humanos.

É saber o que busca, o que precisa. É cuidar de si, do corpo e da mente. É aprender a impermeabilizar a alma  e saber que a responsabilidade pelo nosso bem estar é só nossa. É não misturar nossos sentimentos com os de outras pessoas. É tornar-se gigante na compreensão e na possibilidade de colocar-se no lugar do outro, tentando ver o mundo com seu olhar e suas escolhas.

É ler, estudar, refletir e compreender. Buscar evolução mental e espiritual e ter consciência de sua completude. Ninguém e nada pode desequilibrar sua harmonia a menos que você permita.

É buscar maturidade e compreender que há momentos difíceis, há momentos de dor e perda e que a medida que vivemos ser sábio é ser resiliente, é e aprender a lidar com as perdas, os lutos e as profundas mudanças que o envelhecimento exige.

E é sobretudo unir-se a outras pessoas com a mesma idade e mesma expectativa na busca de bem estar pessoal e social, como por exemplo, a luta pela preservação de direitos aos idosos.

Fonte: http://viverdepoisdos50.com/2018/02/sabedoria-nao-e-dom-nato-exige-esforco-e-disponibilidade/.

HÁ UMA SENSAÇÃO DE QUE IGNORAMOS – O ENVELHECIMENTO.

Tom kAMBER“Aí eu me deparo que eu amadureci, que eu não percebi eu crescendo, eu não percebi como eu mudei, meu jeito de falar, meus pensamentos, minhas ideias para o futuro, eu mudei sem perceber!” Laura Pacheco

Penso que a maioria de nós tem um certo medo de envelhecer, principalmente quando “não cuidamos devidamente da saúde”. Sempre há tempo de melhorar isso e “mudar” muitos de nosso hábitos pouco saudáveis, correndo atrás dos prejuízos, eu diria.  Envelhecer é a nossa melhor opção rsrsr… já dizem, concordo.

Eu acredito que temos que ter esta consciência, aceitação e respeito sobre a nossa condição o que fará toda a diferença em nossa vida daqui por diante.  A idade esta na alma sim, mas no corpo também…  temos que aproveitar bem tudo que ela nos permite, como ela permitir. Por mais que vamos envelhecendo temos que melhorar tudo na maneira de viver a vida. Vamos continuar a caminhar contrariando os velhos estereótipos.

Leiam esta entrevista, dada a Augusto Decker (O Globo), Tom Kamber, 49, fundador da OATS, ONG que ajuda a conectar idosos ao mundo digital, fala dos preconceitos que sofrem as pessoas com idade acima dos 60 anos. Estes preconceitos, segundo ele, estão diretamente relacionados ao nosso medo do envelhecimento e consequente fim. Leia:

Conte algo que não sei.

Como sociedade, temos medo de envelhecer. Temos estereótipos negativos sobre isso, e há tanto medo de envelhecer que transformamos isso numa espécie de muro, em que pessoas não querem confrontar os próprios medos, não querem conviver com quem está onde elas temem chegar. Há uma sensação de que nós ignoramos o envelhecimento, e que não ficamos próximos de idosos porque eles nos lembram do que queremos nos manter distantes.

Tom-Kamber-OATS-portraitQuais são os estereótipos sobre os idosos?

Pensam que eles são muito doentes, muito enfermos, muito dependentes, o que é um exagero. Não é que nenhum deles seja assim, mas, quando se pensa em idoso, se pensa em decrépito, gasto, incapaz — física e mentalmente. Nos EUA, apenas 3% dos idosos vivem em asilos. Então, mais de 90% deles têm algum grau de independência, e a grande maioria que entrevistamos em NY adora viver na cidade, porque pode sair, ir a shows, shoppings, falar com amigos. Há, também, uma percepção errada sobre a imagem corporal. Pensam que idoso significa feio — o que também é uma construção social.

Eles sofrem preconceito no mercado de trabalho?

Sim. Na minha ONG trabalhamos muito com pessoas que procuram empregos, e as histórias são extremamente comoventes. Eles mandavam currículos, depois recebiam ligações em que diziam “você não é o tipo de pessoa que estamos procurando”. Tiramos a idade do currículo, e eles começaram a receber mais retornos. Só que, na entrevista, a primeira coisa que lhes perguntavam era a idade. O fato é que as gerações têm características diferentes. Os mais velhos poderiam ajudar a neutralizar alguns traços ruins dos jovens. Os “mileniunss” são muito ativos e têm ótimas habilidades técnicas, mas são um pouco arrogantes e passam tempo demais no Facebook. Então, é útil ter alguém de 70 anos que chega às 8h30m para um trabalho que começa às 9h, que sabe ler e escrever bem, e que pode participar de um encontro sem olhar para o telefone.

Quais são os problemas na tecnologia que os idosos podem ajudar a corrigir?

Se um produto tiver o design ruim, um jovem vai tentar aprender, apertar todos os botões etc. Uma pessoa de 70 anos dirá: “Eu não faço ideia de como usar isso.” E deixará o produto de lado. Todos querem um design “elegante”. A mágica do iPod é que você pode entregá-lo para qualquer pessoa e rapidamente ela vai aprender a usá-lo. Idosos são um bom público para se testar um bom design.

A internet é um veículo bom para idosos conhecerem pessoas?

Com certeza. Idosos precisam de contato pessoal, e a internet não pode substituir isso, mas, quando envelhecemos, nossa rede de amigos naturalmente diminui. Os idosos vão ficando cada vez mais isolados. Então, para ter engajamento social, é preciso trabalhar isso. A tecnologia pode ser uma grande aliada. Segundo uma pesquisa, jovens que passam muito tempo na internet ficam mais em casa, mas os idosos conectados saem mais. Se você pensar no idoso isolado típico, parte do isolamento é por falta de conhecimento do que está acontecendo ao redor dele.

Você tem 49 anos. Já sofreu alguma discriminação?

Um pouco, mas não da forma que idosos de verdade sentem. Recebo mais reações estranhas por ser amigo de alguns idosos. Nada sério.

Interessante este visão de Tom Kamber, me trouxe boas reflexões.

Espero que gostem.