PEDAÇOS DE MIM…

Gosto muito desta crônica de Ana Jácamo. E você o que acha? Leiam:

Eu conheço isso que você sente. Essa frequente falta de flor no território do sorriso. Esse cansaço todo que tem hora que bate sem trégua e parece existir pra sempre. Essa ausência da coragem justamente quando é mais necessária. Esse casulo que demora a dizer borboleta.

Eu conheço isso que você sente. Esse medo grande que escapa do controle. Essa tristeza que não melhora fácil nem com coral de passarinhos. Esses dias sem sol. Essa distância enorme entre o que se sente e o que se consegue explicar. Essa lente de aumento que consegue ver tudo muito pior.

Eu conheço isso que você sente. Por isso, sei que às vezes é preciso pedir ajuda e que não há problema algum em pedir.

SAUDADES…

Saudades… Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida. Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades…

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei… Sinto saudades dos que foram e de quem não me despedi direito ! Daqueles que não tiveram como me dizer adeus; sinto saudades das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curti na totalidade. Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que… Não sei onde… Para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi.

By Clarice Lispector…

LISTA DO QUE NÃO FAZER!

Todo início de ano em nossas resoluções de ano novo costumamos assumir compromissos internos e pessoais de coisas para fazer: Dieta, academia, aprender um instrumento, buscar novos ares, etc.

Eu estava viajando na mudança de ano e para fazer algo diferente, só me deixei levar. Não prometi nada a ninguém e tampouco a mim mesma. Só agradeci. Agradeci ao Universo por estar onde estávamos. Por estar com as pessoas que dividiam comigo aquele momento. Por aquele momento. Nada mais nada menos.

Fim de férias agora. Planejamento do ano – pessoal e profissional. Se não planejamento pelo menos organização. Assim como voltar de viagem nos exige o desfazer das malas, lavar roupas, organizar casa; o começo de um novo ciclo nos remete a este planejamento. Mas, diferente dos anos anteriores, cá estou eu, não planejando o que fazer neste ano, mas sim o que não fazer.

Temos tanto para conhecer, aprender e descobrir que, nos limitarmos dentro de um Quero fazer ou Vou fazer diminui nossas fronteiras, estrangula inúmeras possibilidades. Assim sendo, se considerarmos o que não gostamos e o que não aceitamos;  o que nos faz mal ou nos fere, preferível criar uma lista de NÃO FAZER.

A lista do NÃO FAZER, inicialmente mais simples, é muito mais profunda. Assumirmos o que não faremos mais ou o que não permitiremos que façamos ou que façam conosco, requer muito mais determinação e esforço pessoal. E, a partir daí, passa a ser uma resolução, uma determinação.

No momento em que nos damos o direito de não fazermos certas coisas ou de não tolerarmos mais certos comportamentos próprios ou de terceiros está plantada a semente da mudança. Passamos nós a ser a mudança, o agente realizador de nossas vontades. E então o universo se abrirá em novas possibilidades e experiências.

O não será assertivo se for usado a seu favor. Ao contrário de ser egoísta ele remete e resgata a autoestima. E será sempre uma excelente resolução.

Não nos permitamos ser magoados,  usados ou o que não somos. Não façamos o que os outros esperam de nós se isso nos prejudica ou nos faz mal. Não sejamos a melhor pessoa através da medida dos outros e sim através de nossa própria régua.  Sejamos! Sejamos autênticos, donos de nosso destino e por fim, assumamos nossas responsabilidades. Muitas vezes não sabemos detalhadamente o que queremos, mas certamente, em nosso íntimo, sabemos o que não.

Namastê!

* Publicado no site Osegredo.com.br em 18/01/2017 – minha lista do não fazer

ATIVANDO SUA ESSÊNCIA.

Sente-se num lugar calmo e iluminado. Pode ser dentro de casa, assim como no quintal, no parque, à beira mar.

Se estiver sentado em cadeira, busque uma posição confortável. Costas eretas, pés inteiros no chão. Se não houver cadeira, sente-se em posição de lótus ou o mais próximo dela. Coluna ereta. Em ambos os casos, deixe as mãos sobre as pernas, relaxadas.

Encontre um ponto à sua frente para fixar a visão e respire lentamente. Inspire e expire pelas narinas lentamente.

Agradeça ao seu Deus de devoção. Agradeça ao Universo. Agradeça a si mesmo. Sinta a presença divina ao seu redor e dentro de seu próprio coração.

Continue a respirar lentamente, mirando o ponto a sua frente.

Sinta a luz em movimento ao seu redor. Perceba a luz e as sombras. Agradeça a luz que te envolve. Reconheça que a sombra nem sempre é  escuridão. É apenas um obstáculo momentâneo à passagem direta da luz. Resgate a sensação interna da luz. Respire e agradeça a luz interna e externa e perceba ali a sua essência.

Busque dentro de si amorosidade e bondade. Em oração, deseje que estes sentimentos se espalhem pelo mundo. Luz, bondade, amorosidade.

Respirando lentamente, reconheça a sua força interior. Agradeça. Perceba quando da força, toda sua coragem. Sinta-se amparado pela força do Universo. Agradeça. Em oração, deseje que estes sentimentos se espalhem pelo mundo. Luz, bondade, amorosidade, força e coragem.

Ainda com os olhos fixos no ponto, sinta como o amor cresce dentro de você. Sinta a plenitude do amor universal dentro do seu coração e da sua mente consciente.

Agradeça. Perceba que amor atrai amor. Luz atrai mais luz. Harmonia atrai harmonia.

Perceba que com o coração leve de tanto amor; com a mente forte pelo reconhecimento de sua coragem, ainda que fatos negativos lhe atinjam, você estará pronto para enfrenta-los. Deixe o amor e paz universais fluírem dentro de você. Permita que eles transcendam seu interior.

Seja um farol de luz.

Seja fonte de força e coragem.

Seja a paz e o amor que tanto almeja.

Inspire e expire fundo ainda lentamente. Agradeça pelo que é.

Mais que tudo, permita-se ser.

*Publicado no site osegredo.com.br em 02.05.18 – Ativando sua essência – by Gicapinica

DESLIGAR PARA CONTINUAR LIGADA…

Há pouco recebi um e-mail de uma amiga, blogueira de viagens, avisando que estava seguindo para o Amazonas e que estaria desligada das redes sociais por alguns dias, por falta de sinal, mas também para se “reconectar, limpar, repensar, revisar, enxergar, escutar, observar, entender… simplesmente pensar ou simplesmente deixar de pensar!”

Ela está indo longe para isso. Faz parte da vida dela e do propósito que busca. Viajou para ganhar uma experiência de vida e na volta  dividir conosco o que viu e o que passou. Não que Amazonas seja tão distante assim, para quem, como ela, já viajou o mundo todo. Estar distante nesse caso é a separação física e mental que todos precisamos para, como ela mencionou, nos reconectarmos, repensarmos, observarmos e entendermos. E, este foi o mote para o texto de hoje.

Algumas pessoas se aproveitam do autoconhecimento. Reconhecem quando necessitam reformular suas rotas; redefinir seu rumo, seja por alterações bruscas ou tomada de decisões bem pensada, pesada e analisada.

Outras partem para este reencontro após uma crise grave. Crises de relacionamento, doença ou morte de alguém próximo mexem com o íntimo tão profundamente que é necessário chafurdar na lama por um período para então ressurgir como uma for de lótus. O luto da situação mesclado ao renascimento próprio.

Outras ainda são levadas pelo acaso, como se ao se olharem no espelho vissem refletido um nada – a não imagem, e a partir de então, percebem a necessidade de se reconstruírem.

Pontos em comum desta busca? Desligamento do corpo e da mente da superficialidade. Afastamento de energia negativa – seja de pessoas, objetos e pensamentos. Introspecção.

É uma tomada de decisão para uma longa e profunda viagem interna. Conhecer mais detalhadamente seu próprio pensamento; repensar suas ações/reações; revisar comportamentos; destruir crenças ou tomar decisões. Ter seu momento de epifania.

Qual é este tempo? Cada um determina o seu. Pode ser uma tarde sozinha em casa – sem televisão, internet, filhos, marido, cachorro e papagaio – apenas com foco: repensar a própria história, a própria vida. Rever os caminhos trilhados e traçar novas rotas. Mergulhar no mais fundo do próprio ser para se ‘re-conhecer’.

O importante, nesse momento, é não ter obrigação de atender quem quer que seja,  a não ser os próprios desejos. Não dar satisfação, atenção ou ouvir o que não seja seu próprio coração e sua intuição. Dar-se  o tempo necessário para observar o entorno com atenção, reconhecendo sinais, absorvendo seu sentido.

E se uma tarde não for o suficiente e não dispuser mais tempo deste afastamento, permitir-se um tempo diariamente para, em tranquilidade, fechar os olhos e respirar, lenta e pausadamente, em estado meditativo, com intenção e atenção voltadas apenas a si própria. E, a partir dai prestar atenção aos sinais do Universo.

Perceba-se. Reconstrua-se. Reaprenda. Permita-se desligar para continuar ligada.

*Publicado em 19.06.18 no site osegredo.com.br – Desligar para continuar ligada

ASSIM EU VEJO A VIDA…

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

By Cora Coralina

METAMORFOSE.

É que por enquanto a metarmofose de mim em mim mesma não faz sentido. É uma metamorfose em que eu perco tudo o que tinha, e o que sou. E agora o que sou? Sou: estar de pé diante de um susto. Sou: o que vi. Não entendo e tenho medo de entender, o material do mundo me assusta, com seus planetas e baratas.

By Clarice Lispector

SILENCIE…

Tire ao menos dez minutos de seu dia e silencie.

Sente-se comodamente e silencie suas mãos que vivem a tamborilar nos móveis, os braços das poltronas, a mesa durante a refeição. Coloque-as lentamente no colo, palmas tocando as pernas, esquecidas.

Silencie seus pés. Sossegue aquele balançar incessante de pés e pernas  que incomodam os que te rodeiam, como se a casa pulasse junto a cada movimento. Pouse os pés lentamente  no chão, sentindo a friagem do solo atravessar seu corpo. E assim permaneça.

Silencie seu pulmão. Pare de ofegar como quando  assiste à televisão; pare de suspirar como se carregasse o mundo nas costas. Acalme-se. Simplesmente respire. Respire pelo nariz silenciosamente, prestando atenção ao ar que entra e que sai em movimentos ritmados, leves e constantes.

Silencie seu coração. Desafogue as mágoas, as expectativas, o pulsar descompassado. Preste atenção ao tum tum contínuo e tranquilo. Sinta os batimentos, não apenas saber que o coração bate. Tenha consciência da velocidade de seu movimento. Apreenda este compasso.

Silencie sua garganta. Esqueça os pigarros, os ramrans barulhentos e incômodos. Permita que ela se acalme durante este tempo, para que o fluxo interno da respiração aconteça como em uma criança dormindo  suavemente.

Silencie sua língua, ferina ou não. Deixe-a dormente na boca. Deixe-a sem palavras.

Silencie seus ouvidos. Reconheça inicialmente  a hora do dia na cidade pelo ruído incessante dos motores, campainhas, conversas das pessoas ao seu redor.  Agora vá deixando essas sensações  distantes. Permita-se ouvir o som do silêncio e reconhecer  a natureza ao seu redor através do canto longínquo dos pássaros. Reconhecer as estações do ano pelo canto dos grilos, das cigarras ou dos sapos. Ou ainda, somente ouça o vento.

Silencie suas narinas. Descanse da respiração pesada do dia a adia. Deixe que elas sejam apenas o canal que leva e traz vida através da sua respiração. Silencie sua afobação.

Silencie seus olhos. Dê um descanso consciente a eles. Feche-os pelo espaço de tempo deste seu silêncio. E, permita que as percepções auditivas, sensoriais e emocionais aflorem neste instante. Silencie sua busca de foco de luz. Simplesmente olhe para o seu interior.

Por último silencie a mente. Deixe seus pensamentos livres para chegarem e passarem. Para não mais importunarem você. Não é parar de pensar, é simplesmente não se apegar a nenhum pensamento. Como folhas ao vento deixa-los chegar, passar e seguir sem destino certo.

E, com os olhos fechados, boca calada, respiração compassada, coração aquietado, membros acalmados e mente silente, perceba a explosão interna.

Perceba as respostas para todas suas buscas.  Perceba a paz do entendimento. Perceba a pequenez de suas vontades. Perceba a grandeza de sua existência.

Perceba a presença da energia cósmica dentro de você, e mais que isso, que a abundância desta sensação se dará sempre neste momento de introspecção e total silêncio.

*Publicado no site 0segredo.com.br em 31/01/2017 – silencie – by Gicapinica

VIVER SEM MEDO DE SER FELIZ…

Viver e não ter a vergonha de ser feliz/ Cantar e cantar e cantar / A beleza de ser
um eterno aprendiz…” Será que existe quem não cante junto quando escuta este “hino” do Gonzaguinha?

Eu não consigo e penso que se tal pessoa existe, no mínimo, os pés dela se movimentam no ritmo da música, escondidos embaixo da mesa.

O que é ser feliz? Talvez não consigamos definir o que é ‘ser feliz’. Felicidade e ser feliz são conceitos que mudam de pessoa para pessoa; variam no tempo, espaço, cultura e com a idade. Entretanto, em qualquer destas situações, sabemos diferenciar felicidade da infelicidade.

Penso que felicidade e ser/estar feliz são coisas distintas, mas resultantes da energia positiva interna de cada um. O externo contribui, mas não as determinam.

Aprendi com o tempo que cultivar alguns comportamentos auxilia a criar um entorno de energia positiva, e o resultado disso, felicidade interna. Não estou falando de dinheiro, riquezas e bens. A felicidade a que me refiro é de espírito, de alma, do coração.

Primeiro: deixar de ser urubu e ser águia. Não me alimentar de tristezas, carcaças e lixo alheio, ao contrário, voar alto e determinada. Buscar bons alimentos para o corpo e espírito. E sim, comer um x-tudo de vez em quando, pode ser a felicidade do dia – só para demonstrar o contexto.

Ser luz. Tentar perceber e me manter afastada de quem me suga energia, consome meu tempo e desrespeita meu dinheiro. Ao mesmo tempo, me exercitar para não ser eu quem suga energia, tempo e dinheiro alheios. Me permito sentir as dores e contragostos do dia-a-dia, mas não tolero permanecer a remoê-las e fazer disso objetivo de vida. Me proibi de escarafunchar notícias de desgraças que não me dizem respeito. Já dá muito trabalho cuidar da minha própria vida.

Procurar manter acesa a chama do amor-próprio como quando me preparei para meu primeiro encontro amoroso. Ver o meu melhor refletido no espelho. Ter o olhar confiante ainda que no rosto amarrotado, sem, no entanto, esquecer jamais do meu perfume.

Buscar respeitar a natureza e através dela perceber as estações e a normalidade do ciclo da vida – nascimento, florescimento, ressecamento, reflorescimento, assim sucessivamente até murchar e morrer. Ciclos contínuos ou descontinuados, porém naturais.

Tentar oferecer meu ombro, ouvidos, meu coração e principalmente – meu tempo – a quem precisa. Poucas palavras, muito abraço e aconchego. Menos juiz, mais abrigo.

Pus nesta minha cartilha o hábito de tentar criar boas lembranças para quem convive comigo. Distribuir sorrisos e elogios sinceros como se fossem flores de um jardim. Tomara que o vaso de cristal onde tais flores serão expostas seja a memória de quem as recebe.

Sei que tenho dias em que estou azeda, virada para o mundo. Assim como não gosto de rabugice, reclamações, baixa autoestima e baixo astral alheios, ninguém tem obrigação de aguentar a minha. Nestes momentos o recolhimento é impositivo, e,  no meu cantinho trabalhar para buscar o lado positivo das experiências, por mais dolorosas que sejam.

Com um pouco disso acredito poder continuar cantando ou balanço os pés, terminando os lindos versos:
“Eu sei, eu sei/ Que a vida devia ser bem melhor e será/ Mas isso não impede
Que eu repita: É bonita, é bonita e é bonita”.

*Publicado no site osgredo.com.br em 27.07.18 – Energia positiva de cada um