NÃO ADIANTA FAZER BIRRA PARA CRESCER…

Às vezes, eu me sinto a própria menina mimada, sapateando porque as coisas não estão como quero. Às vezes, a birra é tanta que preciso que alguém coloque um espelho na minha frente pra me mostrar o quão infantil estou sendo.

O que fazer com essa menina? Pôr de castigo no cantinho do pensamento? Colocar no colo e dar o que ela quer pra ver se para de chorar? Mas e quando se trata de uma menina já crescida e formada? Não adianta mais tratá-la como criança.

Decido acolher sem julgamento as fragilidades dela como sendo minhas porque, de fato, são. Eu sou essa menina mimada que quer aprender o caminho sem engatinhar. Que quer desenvolver a paciência sem saber esperar.

Desgosto. Pode ser esse o motivo da birra. A menina anda desgostosa porque tem fome e quer madurar tudo às pressas. Quer adiantar um tempo que tem seu próprio tempo. Impaciente, bate o pé e chora pro mundo que só quer fazer o que gosta. Não quer perder tempo com o que desgosta, mas, ao tentar isso, perde-se de si também.

Aliás, eu vivo dizendo pra essa menina mimada que ela só vai de fato crescer quando aprender a dosar o quão doce ou quão amargo tudo que chega vai ser. Sem gostar demais ou desgostar de menos.

  • Não, garotinha, não digo que é pra vida ser insossa, mas pra ser degustada com tempo e temperança.

No que parece tão amargo, pode estar o meu aprendizado e, no doce demais, a fuga. Se obcecada pelo desejo do saboroso, perco o verdadeiro sabor.

  • Mas isso é muito difícil, não consigo!

Ninguém disse que seria fácil. Não adianta fazer birra pra crescer. E quer saber mesmo? Talvez você venha se dando importância demais.

Gostei muito deste texto de @tacianacollet … me representa algumas vezes. E você já se sentiu assim? Me conte.

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A VIDA NOS ENSINA…

O alemão Bert Hellinger tem hoje 93 anos. Já foi padre, largou a batina, casou-se e virou um dos mais respeitados psicoterapeutas e escritores europeus. Mas o cara é polêmico: reconhecido mundialmente pelas Constelações Familiares, ele não restringe seus mergulhos na alma por conta de mimimis. Por isso, às vezes enfrenta a rigidez de certas linhas filosóficas, demolindo-as com tiradas certeiras e desconcertantes.

No limiar de mais um ano, resolvi reproduzir aqui algumas delas, na certeza de que muitos leitores saberão entendê-lo e aplicar seus sábios conselhos. Com a palavra, herrBert Hellinger:

A vida decepciona-o pra você parar de viver com ilusões e ver a realidade.
A vida destrói todo o supérfluo até que reste somente o importante.
A vida não te deixa em paz, para que deixe de culpar-se e aceite tudo como “É”.
A vida vai retirar o que você tem, até você parar de reclamar e começar agradecer.
A vida envia pessoas conflitantes para te curar, pra você deixar de olhar para fora e começar a refletir o que você é por dentro.
A vida permite que você caia de novo e de novo, até que você decida aprender a lição.
A vida coloca seus inimigos na estrada, até que você pare de “reagir”.
A vida te assusta e assustará quantas vezes for necessário, até que você perca o medo e recupere sua fé.
A vida lhe distancia das pessoas que você ama, até entender que não somos esse corpo, mas a alma que ele contém.
A vida ri de você muitas e muitas vezes, até você parar de levar tudo tão a sério e rir de si mesmo.
A vida quebra você em tantas partes quantas forem necessárias para a luz penetrar em ti.
A vida confronta você com rebeldes, até que você pare de tentar controlar.
A vida repete a mesma mensagem, se for preciso com gritos e tapas, até você finalmente ouvir.
A vida envia raios e tempestades, para acordá-lo.
A vida o humilha e por vezes o derrota de novo e de novo até que você decida deixar seu ego morrer.
A vida lhe nega bens e grandeza até que pare de querer bens e grandeza e comece a servir.

A vida corta suas asas e poda suas raízes, até que não precise de asas nem raízes, mas apenas desapareça nas formas e seu ser voe.
A vida lhe nega milagres, até que entenda que tudo é um milagre.
A vida encurta seu tempo, para você se apressar em aprender a viver.
A vida não te dá o que você quer, mas o que você precisa para evoluir.
A vida te machuca e te atormenta até que você solte seus caprichos e birras e aprecie a respiração.
A vida te esconde tesouros até que você aprenda a sair para a vida e buscá-los.
A vida te nega Deus, até você vê-lo em todos e em tudo.
A vida te acorda, te poda, te quebra, te desaponta… Mas creia, isso é para que seu melhor se manifeste… até que só o AMOR permaneça em ti. Se lá vida 🤩

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EM – VÊ – LÊ – SER…

Meu amigo ESTEVAM, J.G. escreveu este lindo poema sobre envelhecer que eu adoro. Leiam:

Envelhecer é a arte de saber em-vê-lê-Ser…minha gratidão a Deus, por esta dádiva.

Envelhecer é saber viver…

Viver sem saber,

O que há de ser…

Quando o dia amanhecer,

Para outro dia anoitecer…

Envelhecer é saber ver…

Ver sem saber,

O que há de ser…

Quando é hora de aparecer,

Para noutra hora se esconder…

Envelhecer é saber ler…

Ler sem saber,

O que há de ser…

Quando o livro da vida escrever,

Para a vida não prescrever…

Envelhecer é saber perder…

Perder sem saber,

O que há de ser…

Quando com a derrota aprender,

Para na vida vencer…

Envelhecer é saber tecer…

Tecer sem saber,

O que há de ser,

Quando cada fio da vida entretecer,

Para em vida não morrer…

Envelhecer é saber colher…

Colher sem saber,

O que há de ser,

Quando a semente crescer,

Para a vida satisfazer…

Envelhecer é saber escolher…

Escolher sem saber,

O que há de ser,

Quando o tempo de vida fenecer,

Para na dor não padecer…

Envelhecer é saber Ser…

Ser sem aparecer,

Para não haver,

Quando a luz da vida escurecer,

Um velho que não soube viver…

APRENDI QUE…

Tenho aprendido tanto ao longo da vida, que nunca me canso de querer mais e mais… e sempre vem 🙌🏻. Sempre é bom. Aprendemos com nossos erros e acertos 👀.

Tenho sede de conhecimento. Assim como o ar que respiro. Leiam… Aprendi que eu não posso exigir o amor de ninguém.
Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e Ter paciência, para que a vida faça o resto.
Aprendi que não importa o quanto certas coisas sejam importantes para mim, tem gente que não dá a mínima e eu jamais conseguirei convencê-las.
Aprendi que posso passar anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos.
Que posso usar o meu charme por apenas 15 minutos, depois disso, preciso saber do que estou falando.
Eu aprendi…Que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por isso o resto da vida.
Que por mais que se corte uma pão em fatias, esse pão continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo o que cortamos em nosso caminho.
Aprendi… Que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser, e devo ter paciência.
Mas, aprendi também que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei.


Aprendi que preciso escolher entre controlar meus pensamentos ou ser controlado por eles.
Que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sente.
Aprendi que perdoar exige muita prática.
Que há muita gente que gosta de mim, mas não consegue expressar isso.
Aprendi… Que nos momentos mais difíceis, a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar as coisas.
Aprendi que posso ficar furiosa, tenho o direito de me irritar, mas não tenho o direito de ser cruel.
Que jamais posso dizer a uma criança que seus sonhos são impossíveis, pois seria uma tragédia para o mundo se eu conseguisse convencê-la disso.
Eu aprendi que meu melhor amigo vai me machucar de vez em quando, e que eu tenho que me acostumar com isso.
Que não é o bastante ser perdoado pelos outros, eu preciso me perdoar primeiro.

Aprendi que, não importa o quanto meu coração esteja sofrendo, o mundo não vai parar por causa disso.
Eu aprendi… Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis pelo que eu sou, mas não pelas escolhas que eu faço quando adulta;
Aprendi que numa briga preciso escolher de que lado eu estou, mesmo quando não quero me envolver.
Que, quando duas pessoas discutem, não significa que elas se odeiem; e quando duas pessoas não discutem não significa que elas se amem.
Aprendi que por mais que eu queira proteger minha filha, ela vai se machucar e eu também. Isso faz parte da vida.
Aprendi que a minha existência pode mudar para sempre, em poucas horas, por causa de gente que eu nunca vi antes.
Aprendi também que diplomas na parede não me fazem mais respeitável ou mais sábia.
Aprendi que as palavras de amor perdem o sentido, quando usadas sem critério.
E que amigos não são apenas para guardar no fundo do peito, mas para mostrar que são amigos.

Aprendi que certas pessoas vão embora da nossa vida de qualquer maneira, mesmo que desejemos retê-las para sempre.
Aprendi, afinal, que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que acredito. (Autoria desconhecida)

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AS MÃOS DE MINHA MÃE.

Tem texto que leio e que marcam, muitas vezes me identifico, assim como este. Leiam: O tempo insiste em ser verdadeiro no dorso das mãos. O rosto despista, atenua os anos corridos com corretivos simples e semblante suave, mas as pregas das mãos denunciam o tempo dos ganhos e das perdas, dos dias vividos e irremediavelmente vencidos.
O tecido que recobre suas mãos conta os anos de magistério com o giz em punho, a sensação de sentir-se segura no entrelaçamento de dedos com meu pai, o tempo de gerar e criar, o sol diário na despreocupação com o protetor solar, o carinho ao cair da noite, a firmeza ao volante, os gestos exagerados durante as costumeiras piadas, os movimentos contidos na desavença, o calor na menopausa, o frio na tristeza, o suor na espera, a suavidade resignada na prece e recomeço.

Sabe mãe, carrego alguma nostalgia da época em que suas mãos eram lisas e uniformes. Mas é no hoje, porém, que aprendi a respeitar o significado do desenho das veias que saltam através do tecido fino, e das manchas salpicadas como gotas de tinta decorando a fina estampa de sua superfície. Trazem mais história que ambição, exemplo de uma vida de coragem e superação.
Observo seu rosto mas a sinto em suas mãos. Sei que carregam o tempo e a vivência, o que deixou pra trás e o que tem guardado dentro de si. E admiro os sulcos que traduzem o amadurecimento e o olhar reciclado perante a vida; a sabedoria de entender-se completa, ainda que lhe faltem pedaços.

Talvez os sulcos sejam mais que deficiências cutâneas provocadas pelos raios de sol. Talvez sejam faltas que lhe acompanham e hoje fazem parte daquilo que se tornou.
Sinais de uma vida repleta de presença e ausência, orfandade e resiliência, alturas e tombos. Sei de seus voos, mãe, mas também acompanhei sua perda de altitude. Você, que sempre esteve no comando, teve que aprender a ser conduzida também. E isso lhe tornou uma pessoa melhor. Com mais marcas, mas melhor.
É por isso que admiro tanto suas mãos, mãe. Porque me mostram que você não é de ferro. Você é de verdade, assim como eu e meus irmãos. E descobri-la mais humana tem me ajudado a entender a vida também. Porque assim é mais fácil compreender que todos nós até você carregamos dúvidas, incertezas, desilusões. Mas tudo isso é superável também. Apesar dos cabelos brancos e das pintinhas coloridas, estamos diariamente tentando resistir. E você é dura na queda, mãe. Você é porreta. De uma fé e certeza tão grandes que a gente duvida se é feita do mesmo tecido. Mas então eu tenho as suas mãos. E elas dizem que sim, que você também enfrenta desafios, você também sente na carne cada uma de suas dores. A diferença é que aprendeu a lidar bem com elas, e não está nem aí se lhe causaram algum dano visível ou invisível. Você só quer saber do que virá depois.
Agora recordo uma história que aconteceu há aproximados dois anos. Fomos visitar minha amiga que tinha perdido a mãe no dia anterior. Eu perdi o apetite porque sentia a perda da mãe dela dentro de mim, como se fosse você que não estivesse mais ali. Mas você estava. E ao ser confrontada pela sobrinha da minha amiga, que não entendia o porquê do sofrimento e morte da avó, disse-lhe mais ou menos isso: “Você ainda não entende porque tem muito chão pela frente. Quando tiver a minha idade, vai aprender e conseguir aceitar também”. Acho que naquele momento, as mãos da menina começavam a rachar também, só que de um jeito imperceptível. Mas você soube apaziguar um pouco a dor. Vc Do alto de seus sessenta e poucos, soube colocar aquelas mãos tão jovens entre as suas e doar uma ponta de serenidade…
Minhas mãos começam a mudar também. Estão mais finas, e o esverdeado das veias faz contraste com o caramelo de minha pele. Meu filho chama atenção para elas. Diz que estão mais magras e entendo que o colágeno vai indo embora enquanto se aproximam outras noções acerca do meu tempo e espaço.
Aos poucos sigo seu caminho e desejo assemelhar-me a você. Nos gestos, nas andanças, na vontade de responder ao mundo como você tem respondido.

Mostrando ao Bernardo que, ainda que não haja remédio para a perda de gordura e saliência dos tendões, há delicadeza e poesia no tempo que chega de mansinho, de um jeito ou de outro, irremediavelmente.
Obrigada mãe, por não tentar esconder o traçado de suas mãos. Por não querer disfarçar os sinais de um tempo que se desenrolou cheio de promessas e desfechos nem sempre fiéis ao que se esperava deles. Por me mostrar que a vida nos aproximou como meninas crescidas, e hoje posso me preocupar com você tanto quanto você se preocupa comigo.
Obrigada por me ensinar a não censurar o que o tempo traz sem o nosso consentimento, perdoando as marcas que não podemos controlar, reagindo com alegria aos dias que nem sempre são só bons.
Acima de tudo, por me dar a mão e mostrar que nossos sinais são resquícios de uma vida que se viveu intensa e plenamente. Amo você ! Belíssimo texto de autoria desconhecida, com olhar poético sobre o envelhecimento de uma mãe 👀😍

“Só por hoje quero apenas um dia recheadinho de alegria, amor e paz com o perfume suave da compreensão, aceitação e gratidão”.(Sonia Peter)

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DEIXE-ME ENVELHECER!

Deixem-me envelhecer sem compromissos e cobranças,
Sem a obrigação de parecer jovem e ser bonita para alguém,
Quero ao meu lado quem me entenda e me ame como eu sou,
Um amor para dividirmos tropeços desta nossa última jornada,
Quero envelhecer com dignidade, com sabedoria e esperança,
Amar minha vida, agradecer pelos dias que ainda me restam,
Eu não quero perder meu tempo precioso com aventuras,
Paixões perniciosas que nada acrescentam e nada valem.
Deixem-me envelhecer com sanidade e discernimento,
Com a certeza que cumpri meus deveres e minha missão,
Quero aproveitar essa paz merecida para descansar e refletir,
Ter amigos para compartilharmos experiências, conhecimentos,
Quero envelhecer sem temer as rugas e meus cabelos brancos,
Sem frustrações, terminar a etapa final desta minha existência,
Não quero me deixar levar por aparências e vaidades bobas,
Nem me envolver com relações que vão me fazer infeliz.
Deixem-me envelhecer, aceitar a velhice com suas mazelas,
Ter a certeza que minha luta não foi em vão: teve um sentido,
Quero envelhecer sem temer a morte e ter medo da despedida,
Acreditar que a velhice é o retorno de uma viagem, não é o fim,
Não quero ser um exemplo, quero dar um sentido ao meu viver,
Ter serenidade, um sono tranquilo e andar de cabeça erguida,
Fazer somente o que eu gosto, com a sensação de liberdade,
Quero saber envelhecer, ser uma velha consciente e feliz!!!

Gosto muito deste texto se Concita Weber. Sempre me traz grandes reflexões.

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O BOLO DO CHOCOLATE DE AVÓ. 😍

Uma triste realidade de muitos avós e pais no envelhecer. Precisamos repensar 👀. Os anos se passam 😔 a vida transforma tudo. O corre corre do dia a dia acaba afastando as pessoas. Já não tem tanto tempo mais para dar tanto afeto que precisam… 😍 no entanto temos sede de amor e de conversar simplesmente como era antigamente. Adorei este texto de Sidney Gavin, da pra refletir bastante:

Um dia, você fica cansado da solidão, da falta de atenção, você começa a perceber que já não faz tanta falta…Os netos que ficavam dias na sua casa e que passavam as férias com você, viajando, indo a cinemas, lanchonetes, festas, brincando, rindo…Cresceram e você ficou lá atrás, na infância deles…

Quando vai visitá-los, eles preferem ficar em seus quartos com aparelhos eletrônicos do que a sua visita e seu abraço…Você e sua esposa ficam sentados num sofá na sala sozinhos e acabam indo embora e muitas vezes parece até que eles desejavam isso… Deduzem que porque somos idosos, não percebemos as coisas, não sentimos falta de carinho, talvez seja nessa fase da vida que necessitamos mais de um beijo, de um abraço… De atenção!

A gente só consegue matar a saudade dos filhos e netos se formos visitá-los num dia em que eles não estejam ocupados… Não te convidam para um almoço tranqüilo, para conversar sobre as crianças, as notas escolares, e outras amenidades do cotidiano…Enfim, para passarmos algumas horas juntos igual antes.

Outro dia você telefona porque a saudade voltou a judiar e sua esposa fez um bolo de chocolate para as crianças e vocês querem ir vê-los, mas não podem, porque eles vão ao Shopping, a casa de amigos, receber visitas ou qualquer outra coisa, não tem um tempinho para nós, não cancelam nada para ficarem um pouco ao nosso lado… Naquela tarde você e sua esposa comem no café da tarde o bolo de chocolate feito com tanto carinho e saudade…

Você sente a falta de um telefonema, assim: “Pai! fiz um almoço gostoso, vem almoçar com a gente e passar a tarde aqui para colocarmos a conversa em dia” ou “Mãe estamos indo ai almoçar com vocês, estamos levando o pudim de coco que o papai gosta!” ou ainda “Vô! como vocês estão? Vem me buscar, quero dormir ai, amo vocês!”

Nesse dia que cansou da solidão, você vende sua casa, onde viveu feliz por muitos anos, para onde foi com seu amor quando casaram, onde seus filhos nasceram, cresceram e um dia mais tarde seus netos correram atrás de você se atirando em seus braços te apertando e rindo, te fazendo de cavalinho e dizendo o tanto que gostavam de você…Escolhe uma Casa de Repouso bem distante, e vai morar lá até quando Deus quiser, junto a pessoas que tem empatia por você, os mesmos problemas e as mesmas dores.

No entardecer de um dia de verão, você e sua esposa estão no jardim da Casa, vendo fotos amareladas, relembrando momentos felizes e comendo o bolo de chocolate que sua esposa sempre faz, quando algumas sombras dançam sobre a mesa, vocês erguem os olhos e ali de pé ao lado de vocês estão seus filhos já grisalhos, os netos agora adultos e talvez algum bisneto que vieram vê-los… Mas agora já é tarde… Você já não lembra de tantas coisas… O silêncio se faz e lágrimas ralas e lentas escorrem pelo seu rosto molhando as fotos espalhadas na mesa, enquanto a tarde começa lentamente a definhar…


Antes que isto aconteça vamos mudar… ter mais encontros presenciais ou virtuais (on-line) da forma que der. Vale tudo. Sempre é tempo de começar… Ambos vão ter muito do que recordar… muito além do bolo de chocolate. Doces memórias carregadas de afeto e amor. Abraços e Paz!

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REFLEXÃO DE FINAL DE 2020.

Há um ano atrás, quando estávamos planejando as festas de final de ano, fizemos muitos planos para o futuro de 2020.
Reclamamos muito de 2019;
Reclamamos mais do que agradecemos, não é verdade?
Daí, chegou o tão esperado 2020!
Quantos sonhos e planos…
Quantos planejamentos e expectativas por um ano de número par… dois mil e vinte.
E 2020 foi um ano ímpar!
Diferente de tudo que já vivemos até hoje!
Famílias separadas,
Avós adoecendo sem ver os netos,
Netos sem afagos dos avós,
Pai e mãe longe de seus filhos,
Filhos longe de seus amigos;
Partidas sem despedidas!
Muito choro, sem entender porque tão rápido!
Sorrisos embaixo de máscaras,
Rostos cansados, com marcas de máscaras,
Mãos aflitas à procura de água, sabão e álcool gel;
Médicos e profissionais da saúde exaustos,
Cidades vazias, Hospitais cheios,
Cemitérios lotados de rico, pobre, velho, jovem, crianças, negros, brancos, artistas famosos, anônimos! gente dos quatro cantos do mundo indo para o mesmo lugar!
Um lugar sem volta!
Um vírus e milhões de sonhos cancelados;
Um vírus e milhões de famílias destruídas;
Um vírus e milhões de expectativas trancadas em casas;
E você, que lição tirou de tudo isso? !
Já agradeceu por ter chegado até aqui?
Você entendeu que os planos de Deus são diferentes dos nossos?
Você entendeu a importância do Agradecer?
Você entendeu a importância e a falta que um abraço faz?
Você entendeu que a sua família vale muito?
Você entendeu que a ganância por ganhar dinheiro não vale a pena?
Você entendeu que a cor da pele não faz diferença?
Você entendeu a importância de viver o hoje?
Você entendeu a importância de dizer “eu te amo” pra quem você ama agora?
Você entendeu a importância de pedir perdão a quem você ofendeu?
Você entendeu que bens materiais como: roupa de marca, o carro do ano e a mansão tão cobiçada, nada disso você leva quando vai embora?
Você entendeu a importância dos minutos com seus filhos?
Você sabia que muitas famílias não vão comemorar o Natal esse ano?
Você sabia que você é privilegiado em ter a sua família reunida neste Natal?
Você entendeu o que é gratidão?
Gratidão é agradecer a Deus por cada minuto vivido;
Gratidão é ter o aconchego da família;
É poder respirar e sorrir sem máscaras;
Gratidão é poder compartilhar um abraço entre pessoas;
Gratidão é viver o hoje intensamente;
Gratidão é viver em harmonia!
Agora eu te faço um convite:
Vamos orar e agradecer pelo ano de 2020 e planejar menos em 2021?
Vamos somente orar por dias melhores?
Vamos aproveitar mais cada minuto ao lado de quem a gente ama?
Vamos reclamar menos?
Vamos deixar Deus conduzir à maneira Dele?
Vamos refletir o que realmente importa?
Cada minuto vale muito, lembre-se disso!
Cada minuto importa!
Que Deus nos abençoe!
Amém!

Feliz 2021 para todos 💫🪅

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EU MUDEI…

Cecilia Sfalsin nos conta muito bem como enfrentar as perdas e seguir em frente de cabeça erguida e feliz. Pra quem precisar…

Eu mudei muito. Mudei mesmo. E não foi pelo tempo, nem pelas circunstãncias, foi pela necessidade do coração, pelas vezes que ele acreditou demais, pelas vezes que ele confiou demais, e pelas vezes que ele amou demais também. Essas mudanças não foram planejadas, aconteceram. E junto com elas fui disciplinando os meus sentimentos e a minha visão em relação a cada pessoa que entra e sai em minha vida. Esse ano de 2020 foi um treinamento pra mim. Aprendi de um jeito bem doloroso, que não é o tempo que nos apresenta o carater de uma pessoa, são suas atitudes, e que nem todos vão estar com a gente, nem todos vão nos defender ou ser ombro amigo, nem todos vão fazer pela gente o que você já fizemos por eles, nem todos serão leais e verdadeiros. Nem todos estarão do nosso lado por amor.
Aprendi também que não precisamos prejudicar ou provar nada para ninguém para nos sentimos fortes ou capazes, e que há três verdades que vão sempre incomodar a mente daqueles que não sabem respeitar sentimentos, a nossa, a dele, e a que Deus viu e ouviu, e sem dúvida alguma, a terceira opção que prevalecerá sempre. O ano ainda não acabou, há uns meses pelas frente ainda, mas algumas coisas eu já dei por encerrado. Estou em uma nova fase, vivendo momentos inesquecíveis, e abraçando novas oportunidades que a meu ver, vão muito além do que imagino ainda.
Meu telefone fica de canto, sem tempo pra quem nunca quis minha atenção, sem um toque especial pra quem sempre me deixou em segundo plano, sem pressa para atender quem pouco fez questão da minha presença. Cresci de uma tal maneira que abri uma lista para os “tanto faz” na minha agenda diária, e passei a priorizar o que realmente é importante pra mim. Hoje eu sei exatamente o que quero, e embora alguns contratempos afetivos que vez ou outra surgem, eu ainda me mantenho equilibrada diante dos tantos sonhos que pretendo realizar.
Sei quem é pra vida toda, sei quem me conforta a alma, e sei quem é de verdade do meu lado também. Enfim, estou mais madura, mais centrada na vontade de Deus, e menos preocupada com tudo que não vale o meu tempo, o meu pensamento, nem a minha atenção. Que o mundo dê as suas voltas.
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https://oterceiroato.com/2020/07/01/aconteca-o-que-acontecer-na-sua-vida-encontre-a-sua-paz-interior/

CONCERTOS DOMÉSTICO QUARENTÊNICOS.

Acho bem divertido este texto do meu amigo Laerte Temple, quem já não passou por algo deste tipo, ou quase…

Cansado de procurar o que fazer, resolvi organizar meus livros, CDs e DVDs. Achei raridades que nem lembrava que ainda tinha. Poe, Saramago, Assis, Camus, Drummond, LPs do Trio Los Panchos, Connie Francis, Ataulfo Alves, Vinicius, Elis, DVDs históricos de Elvis, Beatles, Sinatra, Charles Aznavour, Buena Vista Social Club e outros mais. Entendem agora por que é difícil para mim curtir Jojô Todinho ou Pablo Vittar?

Liguei a TV e o portentoso “Tudo em um”, aparelho chinês compacto que reúne rádio AM/FM, CD, DVD, Blue Ray, Home Theater etc. Só falta lavar e secar. Mas aí o DVD de Simon & Garfunkel no Central Park engasgou. Liguei para a assistência e ninguém atendeu. Devem estar em quarentena. Como sou alfabetizado e curioso, consultei o manual de instruções.

Alguém com mais de sessenta já tentou ler um manual instruções de eletrônicos made in China? Uma folha A 3 semitransparente, dobrada inúmeras vezes até ficar do tamanho de um maço de cigarros sem filtro, dividida em blocos com oito idiomas, todos mal traduzidos, repleto de siglas e termos de física quântica e impresso com letras iguais às bulas de remédio para disfunção erétil. Nem com microscópio eletrônico!

Peguei óculos de leitura, lente de aumento e comecei a pesquisar. Depois de vinte minutos lendo, conectei o plug HDMI à porta 3, liguei o cabo coaxial no receiver, encaixei as tomadas USB, cliquei na tecla Function, selecionei DVD, apertei Play e esperei inicializar.

O DVD não destravou e o painel mostrou “Erro 49”.

Consultei o manual. Eu não tinha desativado e função multiplex nem conectado a entrada RGB. Desliguei tudo, contei dez segundos e reinicializei no modo Beta. Nada. Repeti o procedimento três vezes. Nada.

Consultei a lista de defeitos e soluções.

Tinha perguntas geniais como: Você tirou o aparelho da caixa? Conectou à rede elétrica? Pressionou a tecla Liga?

Como essas soluções não me atendiam, radicalizei. Peguei a chave Philips na caixa de ferramentas, desmontei a disqueteira e desencavalei o DVD. Montei tudo novamente com maior eficiência, pois sobraram umas peças, provavelmente desnecessárias, só para aumentar o preço. Liguei na tomada e pressionei a tecla ON.

Não inicializou e várias luzes azuis e vermelhas piscaram no painel. Parecia viatura da blitz da Lei Seca. O micro ondas apitou e a máquina de lavar, vazia, começou a centrifugar. Da TV e do “Tudo em um” chinês surgiu densa fumaça branca igual ao “Habemus Papam”. Arranquei tudo da tomada, porém tarde demais.

Os disjuntores chamuscaram e todas as luzes se apagaram. Curto circuito geral, no apartamento e no prédio inteiro.

Resolvi ler um livro na varanda prá disfarçar.

No dia seguinte desci nove andares para comprar pão. Tinha um pessoal no poste trocando um transformador.

O síndico me viu e disse que algum FDP deve ter feito gambiarra. Respondi “vai saber, tem muito doido metido a eletricista”.

Maldita quarentena!