EU, MODO DE USAR:

meditacao-696x347

“Não gosto da vida em banho-maria, gosto de fogo, pimenta, alho, ervas. Por um triz não sou uma bruxa”. Martha Medeiros

Uma das coisas que mais gosto nos textos de Martha Medeiros é o despojamento, a inquietude e a espontaneidade. O que precisa ser dito, é dito sempre, sem meias palavras. Nada é calado. Temos muito em comum… Leiam:
Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor, mas… permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza.
Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. (Então fique comigo quando eu chorar, combinado?).
Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem… gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar às vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.
Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca… Goste de música e de sexo. Goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua família… isso a gente vê depois… se calhar… deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos… me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar… EXPERIMENTE ME AMAR!

Anúncios

HORA DA REVISÃO…

Bia brinde Reins 2015-06-02 14.25.58

“Iniciando 2019… melhor hora para refletirmos..”

Tire um tempo para fazer uma pausa e avaliar os diferentes aspectos da vida, seus projetos e objetivos como a paciência, compreensão e aplicação prática. Tudo isso irá mostrar-lhe a melhor maneira de proceder. Gerencie suas habilidades, sabiamente lembre-se de que você tem trabalhado muito duro para trazer-se a este lugar em sua vida. Atingir um equilíbrio é sempre o melhor caminho a percorrer e lá dentro você saber o que fazer. Você sabe o que é certo e melhor para si.

Mudanças positivas estão a caminho! Certifique-se de manter seus pensamentos sobre o resultado desejado e não necessariamente no que é no tempo presente, estes tempos de crescimento muitas vezes podem ser cansativos, no entanto oferecem-lhe a capacidade de tornar a vida mais grandiosa. Receba essa energia com os braços abertos e confiar que, no final, você vai ver as suas intenções manifestadas e tome decisões justas ao longo do caminho. O que você procura é seu, você só precisa ser um pouco mais paciente.

O Mantra para hoje é: “Eu analiso cuidadosamente os aspectos da minha vida e faço as melhores escolhas para mim e para o meu crescimento, enquanto realizo meus sonhos.”

E assim seja. Feliz Ano Novo!

EU SEI QUE A GENTE SE ACOSTUMA… MAS NÃO DEVIA…

Por incrível que pareça a gente se acostuma com tanta coisa… nos acomodamos e vamos levando a vida, mas não devia! Gosto muito desta crônica de Marina Colasanti, traz uma boa reflexão. Leiam:

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

(O texto acima foi extraído do livro “Eu sei, mas não devia”, Editora Rocco – Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.)

SE EU FOSSE VOCÊ… SÓ QUE NÃO!

E por falar em escutar… Rubem Alves nos ensina:

O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “Se eu fosse você”.

A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina.

Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção.”

 

DEFICIÊNCIAS – POR MARIO QUINTANA…

mario quintana

“A verdadeira deficiência é aquela que prende o ser humano por dentro e não por fora, pois até os incapacitados de andar podem ser livres para voar”. Thaís Moraes

Neste texto, Mario Quintana discorre de como podemos ser deficientes perigosos para nós mesmos e para aqueles que nos cercam. E alerta que deficiências éticas e comportamentais são mais destruidoras dos que as deficiências físicas, já que essas são, na maioria das vezes, imperceptíveis a olho nu. Leiam:

deficiencia

“DEFICIENTE” é aquele que não consegue modificar a vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade e que vive, sem ter consciência de que é dono de seu destino.

“LOUCO” é quem não procura ser feliz com o que possui.

“CEGO” é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

“SURDO” é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e querer garantir seus tostões no fim do mês.

“MUDO” é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

“PARALÍTICO” é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.

“DIABÉTICO” é quem não consegue ser doce.

“ANÃO” é quem não sabe deixar o amor crescer.

E finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:

“MISERÁVEIS” são todos que não conseguem falar com Deus.

deficiencia.1 jpg  deficiencia. 2 jpg.jpg

APRENDA A DIZER ADEUS AO QUE FOI IMPORTANTE, MAS NÃO CABE MAIS.

Aprenda-a-dizer-adeus-ao-que-foi-importante-mas-não-cabe-mais.-830x450

“Não aprendi dizer “adeus”.

Ju Farias (o segredo) nos fala sobre as chegadas (e despedidas). Aprender a dizer adeus ao que foi importante é tão difícil, mas necessário… Aceite quando for a hora de deixar para lá e receba com esperança os tijolos novos para a sua construção. Estou aprendendo… Leia:

Despedidas são sempre dolorosas, ainda que necessárias para o seguimento da vida. Alguns ciclos nascem e terminam para que possamos começar tudo outra vez. Não é que não machuque, pois, todo fim é doído, incerto, afiado, mas também é transformador.

O segredo não é carregar a cruz da saudade do que já foi como uma punição do universo, mas não levar nas costas mais do que o peso da cruz. Ainda que pareça caro demais, pagar o preço da metamorfose é sempre a melhor decisão.

Não há como viver a metamorfose se não abrirmos mão das nossas fases de lagartas, já escrevi sobre isso. A despedida do que já cumpriu seu papel faz parte da transformação essencial nas nossas vidas. É assim que seremos melhores do que fomos ontem.

Quando nos despedimos de alguns amores até parece que vamos morrer aos poucos. O coração fica pequenino, apertado, angustiado. É ou, não é? Mas, e acontece sempre assim, em algum tempo não previsto, em um amanhecer qualquer de domingo, nos apaixonamos de novo.

E a vida ganhar cor, nós ficamos mais bonitos, o céu fica mais azul e a vida toda parece que só fizemos esperar por essa pessoa. E quando o ciclo fecha, se for necessário que aconteça, lá vamos nós começar tudo outra vez.

É assim também quando os amigos tomam outro caminho, navegando por mares que não conheciam, morando em países que nunca imaginaram, casando, sonhando, partindo. Parece que nunca mais conseguiremos sorrir, nos divertir ou chorar em outro ombro.

Mas aí, quando a gente menos espera, a saudade vira uma linda recordação do que se viveu. Nosso coração se abre para novos horizontes, novas conversas, novos abraços. É que as coisas se ajeitam sempre e para tudo há uma razão nesse mundo.

Chegadas e partidas nos fazem mais fortes quando assumimos nossa responsabilidade pelo caminho que traçamos. A vida é doce, ainda que pareça amarga vez ou outra. Quando aproveitamos a doçura do destino para lambuzar tudo sem medo de sujar a roupa, aprendemos que no momento presente é onde tudo acontece.

Se o momento é onde tudo acontece, o que resta para todos nós? Apenas duas coisas. Primeira coisa: aceitar que as despedidas acontecem para que possamos receber outras chegadas.

Segunda coisa: ser feliz no ciclo que acontece nesse minuto sem pensar no que foi embora e sem querer adivinhar se haverá um novo fim. Do amanhã? Só sabemos o nome do dia. Do ontem? Seremos sábios quando o usarmos com alegria.

Aprenda a dizer adeus ao que foi importante, mas não cabe mais. Não se diminua para que as coisas continuem se encaixando.

Aceite quando for a hora de deixar para lá e receba com esperança os tijolos novos para a sua construção.

Nada é para sempre, exceto o aprendizado que temos aqui e que levaremos para outras dimensões. Bom, nem sei se você acredita nisso, também não é o mais importante.

Quero apenas desejar boa sorte nessa caminhada, resiliência nas partidas e muita, mas muita gratidão pelas suas chegadas.

OS AVÓS NUNCA MORREM, APENAS FICAM INVISÍVEIS!

avo-02

“A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração”. Fênix Faustine

Os avós nunca morrem, tornam-se invisíveis e dormem para sempre nas profundezas do nosso coração.

Ainda hoje sentimos a falta deles e daríamos qualquer coisa para voltar a escutar as suas histórias, sentir as suas carícias e aqueles olhares cheios de ternura infinita.

Sabemos que é a lei da vida, enquanto os avós têm o privilégio de nos ver nascer e crescer, nós temos que testemunhar o envelhecimento deles e o adeus deles ao mundo. A perda deles é quase sempre a nossa primeira despedida, e normalmente durante a nossa infância. 

Os avós que participam na infância dos seus netos deixam vestígios da sua alma, legados que irão acompanhá-los durante a vida como sementes de amor eterno para esses dias em que eles se tornam invisíveis.

Hoje em dia é muito comum ver os avôs e as avós envolvidos nas tarefas de criança com os seus netos. Eles são uma rede de apoio inestimável nas famílias atuais. Não obstante, o seu papel não é o mesmo que o de um pai ou de uma mãe, e isso é algo que as crianças percebem desde bem cedo.

O vínculo dos avós com os netos é criado a partir de uma cumplicidade muito mais íntima e profunda, por isso, a sua perda pode ser algo muito delicado na mente de uma criança ou adolescente. Convidamos você a refletir sobre esse tema conosco.

O adeus dos avós: a primeira experiência com a perda

Muitas pessoas têm o privilégio de ter ao seu lado algum dos seus avós até ter chegado à idade adulta. Outros, pelo contrário, tiveram que enfrentar a morte deles ainda na primeira infância, naquela idade em que ainda não se entende a perda de uma forma verdadeiramente real, e onde os adultos, em certas situações, a explicam mal na tentativa de suavizar a morte ou fazer de conta que é algo que não faz sofrer.

avo-04 (1)

A maioria dos psicopedagogos diz de forma bem clara: devemos dizer sempre a verdade a uma criança. É preciso adaptar a mensagem à sua idade, sobre isso não há dúvidas, mas um erro que muitos pais cometem é evitar, por exemplo, uma última despedida entre a criança e o avô enquanto este está no hospital ou quando fazem uso de metáforas como “o avô está em uma estrela ou a avó está dormindo no céu “. É bom saber:

  • É preciso explicar a morte às crianças de forma simples e sem metáforaspara que elas não criem ideias erradas. Se dissermos a elas que o avô foi embora, o mais provável é a criança perguntar quando é que ele vai voltar.
  • Se explicarmos a morte à criança a partir de uma visão religiosa, é necessárioincidir no fato de que ele “não vai regressar”. Uma criança pequena consegue absorver apenas quantidades limitadas de informação, dessa forma, as explicações devem ser breves e simples.
  • As crianças irão nos fazer muitas perguntas que precisam das melhores e mais pacientes respostas. A perda dos avós na infância ou na adolescência é sempre algo complexo, por isso é necessário atravessar essa luta em família sendo bastante intuitivos perante qualquer necessidade dos nossos filhos.

§  Embora já não estejam entre nós, eles continuam muito presentes

  • Os avós, embora já não estejam entre nós, continuam muito presentes nas nossas vidas, nesses cenários comuns que compartilhamos com a nossa famíliae também nesse legado verbal que oferecemos às novas gerações e aos novos netos e bisnetos que não tiveram a oportunidade de conhecer o avô ou a avó.
  • Os avós seguraram as nossas mãos durante um tempo, enquanto isso nos ensinaram a andar, mas depois, o que seguraram para sempre foram os nossos corações, onde eles descansam eternamente nos oferecendo a sua luz, a sua memória.

É também importante ter em conta que a morte não é um tabu e que as lágrimas dos adultos não têm que ficar ocultas perante o olhar das crianças. Todos sofremos com a perda de um ente querido e é necessário falar sobre isso e desabafar. As crianças vão fazer isso no seu tempo e no momento certo, por isso, temos que facilitar este processo.

A presença deles ainda mora nessas fotografias amareladas que são guardadas nos porta-retratos e não na memória de um celular. O avô está naquela árvore que plantou com as suas próprias mãos, e a avó no vestido que nos costurou e que ainda hoje temos.

Estão no cheiro daqueles doces que habitam a nossa memória emocional. A sua lembrança está também em cada um dos conselhos que nos deram, nas histórias que nos contaram, na forma como amarramos os sapatos e até na covinha do nosso queixo que herdamos deles.

avo-03

Os avós não morrem porque ficam gravados nas nossas emoções de um modo mais delicado e profundo do que a simples genética. Eles nos ensinaram a ir um pouco mais devagar e ao ritmo deles, a saborear uma tarde no campo, a descobrir que os bons livros têm um cheiro especial e que existe uma linguagem que vai muito mais além das palavras. É a linguagem de um abraço, de uma carícia, de um sorriso cúmplice e de um passeio no meio da tarde compartilhando silêncios enquanto vemos o pôr do sol. Tudo isso perdurará para sempre, e é aí onde acontece a verdadeira eternidade das pessoas.

No legado afetivo de quem nos ama de verdade e que nos honra ao recordar-nos a cada dia.

Fonte: Valéria Amado (o segredo)

O ASILO DOS MEUS SONHOS!

Déa Januzzi, nos presenteando com mais uma bela crônica, leia:

Um dia, ainda vou construir um asilo para velhos. Mas a primeira medida que vou tomar será achar um outro nome para asilo, que não lembre morredouro, como proclamou Simone Beauvoir, no livro Envelhecer, para definir um lugar onde os velhos são depositados para morrer. Não vou mudar só o nome, mas também a filosofia. Vou pintar as paredes do asilo com as cores do arco-íris, abusar dos amarelos, laranjas e vermelhos. Vou abolir os azulejos brancos, insípidos, frios como lápides. Colocar girassóis nas janelas. Vou plantar grama por toda a parte interna da casa, para que os velhos andem descalços e sintam a relva roçar os pés como cócegas.

No asilo que vou construir haverá quintal, jardins e árvores por todos os lados. As janelas estarão sempre abertas para o vento que vai entrar pelos cômodos, passear pelos cabelos dos idosos, levantar as saias e os chapéus, arejar os corações com o aroma das manhãs. Colocarei uma fonte luminosa em cada corredor. Nada de bingo e orações em excesso. Os idosos da minha comunidade vão pintar sóis ao despertar de cada dia, com os próprios pés, que serão mergulhados em baldes de tinta. O ritual será como um escalda-pés de cores. Vou ungir os velhos com a minha fé num mundo novo. No meu asilo, que definitivamente não terá esse nome, não permitirei capelas por todos os lados, como se os idosos já estivessem à beira da morte. Nada de missa demais, cânticos de qualquer igreja, com honrosa exceção para o canto gregoriano dos monges beneditinos, pois os idosos precisam de bancos ao ar livre e não de sepulcros.

Vou pintar o teto de azul e colocar estrelas fosforescentes, para que eles durmam com os olhos nas constelações. Não haverá escuridão nem gritos depois que as luzes se apagarem, mas o brilho das estrelas do teto, sob o ruído suave e persistente das fontes. Todos os idosos poderão ter um animal de estimação, um pássaro, uma tartaruga, um cão, um gato. Mesmo que de pelúcia. Todos poderão verter lágrimas. O choro será livre, em nome dos filhos que os abandonaram sem deixar endereço. Haverá o dia de chorar pelos filhos que enterraram os pais vivos nos asilos. Neste dia, todos os idosos poderão xingar, gritar, deixar toda a raiva sair para fora, como um mar de ondas revoltas.

Os almoços serão sempre festivos e a comida terá um sabor especial, com temperos suaves. Não dispensarei alho, cebola, manjericão, alecrim, sálvia, salsinha, cebolinha. Com gosto de viver, para que o paladar se torne cada vez mais apurado. Nada de pratos de alumínio ou de plásticos. Os idosos vão comer em pratos que escolherão. Haverá o dia da sobremesa que tem gosto de infância, como ambrosia, arroz doce, bala delícia, brigadeiro, amor em pedaços.

O café da manhã será uma celebração. Amanhecer na velhice é mais do que um privilégio, é festejar mais um dia de vida, mais uma dádiva, que será posta na mesa junto com o café com leite, pães feitos por Magui, no Sítio Sertãozinho, com ervas e boas intenções, além de iogurte, cereais, mel e frutas. O café da manhã vai durar uma eternidade. Será uma espécie de ritual, com músicas da nova era para despertar os sentidos. Depois, haverá aulas de alongamento e todos irão para o jardim, tomar sol e brincar. Haverá até um quarto de brinquedos, pois os velhos se tornam crianças. É a idade do desconhecimento, de falar e de fazer o que tiver vontade. Que o diga dona Conceição, de 75 anos, que vive num asilo da capital. Ela não se desgruda de uma enorme boneca de borracha. Ela só encontrou a paz da velhice, depois que teve uma boneca entre os braços, para cuidar, proteger, ser útil. A boca entreaberta da boneca revela que Conceição não a deixa com fome. Pedacinhos de pão escorregam pela boca da bonequinha.

No meu asilo, que não terá esse nome definitivamente, não será pecado envelhecer, ter rugas e cabelos brancos. Para isso, vou pedir ajuda aos contadores de história, aos Doutores da Alegria, aos Anjos da Dança, aos terapeutas de Alexandria e holísticos, aos tanatologistas, aos psicólogos das oficinas da memória, aos mágicos, palhaços, aos artistas, para que se revezem no ofício de transmutar a vida. No meu asilo, que não terá esse nome definitivamente, os velhos vão poder namorar, casar, separar, porque o sexo não é coisa de jovem. O desejo não envelhece nunca.nem morre. Haverá bangalôs para os casais enamorados, a praça do footing, da pipoca e do algodão-doce e até um parque de diversões, com lago e patos. Haverá saraus de poesia, com declamação de poemas longos, infindáveis.

Os jovens farão de seus braços bengalas para os velhos. Juntos, eles caminharão pelas alamedas, serão companheiros nessa viagem pelo tempo de viver. O passado e o futuro, sem confronto, porque o respeito será traduzido em abraços, rodas de conversas, música, malabarismo e até fogueiras nas noites de inverno, com canjica, quentão e quadrilha. E, quem sabe, um copo de vinho tinto. Haverá óleos essenciais para massagens curativas. Os corpos dos velhos exalarão o doce perfume de sândalo.

Eles poderão rabiscar as paredes. Cada morador dessa comunidade poderá levar para o seu quarto, lembranças de antigas casas: panelas, porta-retratos, quadros, cadeiras de balanços, xícaras de porcelana, cristais, álbuns de fotos, linhas, baús, xales, tudo o que levar ao aconchego, todas as recordações afetivas. Ninguém poderá destituir os mais velhos de seus pertences e recordações. Nessa comunidade, com certeza, eu levaria até a minha mãe, para morar no andar debaixo do meu sótão, bem junto de mim. Quando eu estiver lá em cima, escutarei o barulho da cadeira de balanço a ranger ternura, exalar história e sabedoria por todas as frestas desse asukim que não terá esse nome nem cheiro de solidão.

Esta crônica foi publicada originalmente no jornal Estado de Minas.

UM BRINDE Á NÓS!

Bia Barco Bus Paris 2015-06-09 19.42.13

“A vida é tão perfeita que nos dá a chance de recomeçar a todo instante”. Andreza Filizzola

 “Gostaria de te desejar muitas coisas. Mas nada seria suficiente. Então, desejo apenas que vocês tenham muitos desejos… Desejos grandes! E que eles possam te mover a cada minuto, ao rumo de sua felicidade!” (Drummond). 

Hoje é o aniversário do nosso casamento, 15 anos juntos…. com meu amor, amigo e companheiro… da pessoa mais importante que preenche minha vida, meu coração e minha alma! Parabéns maridinho. Parabéns família! Sabe preciso contar algumas coisas pra você (s)…

Valeu a pena conhecer você… Valeu a pena ter deixado o destino nos fazer encontrar, na hora certa… um momento único! Valeu a pena ter correspondido ao primeiro impulso… Valeu a pena ter ultrapassado barreiras… Valeu a pena acreditar que podia dar certo e ter seguido em frente… Valeu a pena ter tido paciência… e esperança! Valeu a pena ter tido compreensão… ter recebido e dado tanto amor… Valeu a pena ter feito amor… e ter me doado completamente a você e aos seus filhos… Valeu a pena ter cuidado dos meus filhos… dos seus filhos… dos nossos filhos!

Valeu a pena ter dado uma chance ao destino de nos conhecermos melhor… e nos entregarmos de corpo e alma… Valeu a pena juntos termos reconstruído nossas famílias… Valeu a pena ter escolhido você pra caminhar comigo… seguir a vida… construir uma nova história… a nossa história!

Valeu a pena superarmos os problemas juntos… tentar e tentar… Valeu a pena cada um dos desafios enfrentados… desafios que nos fortaleceram… e juntos tentamos supera-los… erramos e acertamos tantas vezes… E foram (que são) tantas!!!! Insistimos e superamos todos juntos… e os desafios nos levaram longe… ainda estamos adquirindo nossas aprendizagens! Refizemos e construímos uma nova família, a nossa família… linda, pulsante, viva, intensa…  com toda a imperfeiçoes que a vida nos proporciona … mas tudo baseada no amor e na compreensão. Continuamos aprendendo ainda todos… dia a dia!

Valeu a pena tudo! Tudo isso mesmo… valeu a pena!!!

Quero que saiba meu amor (e todos da nossa família) que valeu e vale muito a pena sim estar compartilhando minha vida com você (s)… Vale a pena tudo que somos, quando estamos juntos! Somos todos loucos… uns pelos outros!

Vale a pena amadurecer e envelhecer junto com você… é uma benção, só tenho o que agradecer. Vale muito a pena, tudo mesmo!

1

Com vocês, nossos filhos adorados nos completando ainda mais: Bruno, Michelle, Ca e André.

Amo muito a nossa família, que agora vem crescendo… com os netinhos chegando João PedroEva e Noah… lindos e maravilhosos, nos completando ainda mais, alegrando mais ainda tudo o que já tínhamos… Tudo floresce da melhor maneira que poderíamos ter e ser… é a vida que se transforma e renova.

Vale muito a pena, tudo mesmo!

Com vocês sempre junto conosco, e vem completando e aumentando com suas famílias… Bruno e Vanessa; Michelle e Fabio; Cá e Renaud… só tenho a agradecer.

Vale a pena brindar a vida com você… Nossa vida esta perfeita do jeitinho que é! Confesso que faria tudo novamente, igualzinho!!!

Te amo muito viu Zé?

E vocês nossos meninos! As suas famílias… aos nossos queridos netinhos… Um brinde a todos nós!

 

 

SEMPRE É TEMPO!

“Para realizar grandes conquistas, devemos não apenas agir, mas também sonhar; não apenas planejar, mas também acreditar.” Anatole France

Este é o depoimento sincero de minha amiga, Shirley Furlan que é uma empresária, com mais de 50 anos que decidiu buscar um antigo sonho e realizá-lo. Penso que… Sonhar e realizar são nossas vitórias… ir vencendo cada desafio, passo a passo, são nossas grandes aprendizagens na vida. Vivendo e aprendendo.

Sonhar, amar e aprender não tem idade, depende apenas de nossas escolhas, ações e acima de tudo de acreditar em si mesmo. Ter fé, otimismo, cumplicidade e entusiamo… fazem toda a diferença… sonhar e continuar sonhando sempre. Agora basta fazer acontecer! Leia:

Quando se gosta infinitamente de algo tem-se que buscar isto! E foi assim que pensei….depois de uma carreira de mais de 25 anos como empresária na área de eventos corporativos, fundei a primeira agencia de palestrantes do país, por 1996. a Includere(hoje conhecida como Futurus – Palestras e Palestrantes – http://www.Futurus.com.br ), buscar uma nova carreira, uma outra formação parecia loucura.

E realmente muitos disseram que eu estava ficando louca….aos 55 anos entrar novamente na Faculdade e só se formar após cinco anos, parecia mesmo uma loucura.

Mas pensei… se amo tanto fazer tudo isto, se posso me desdobrar procurando uma nova carreira, porque não?

Lá fui eu para um novo vestibular, e não é que passei!

As aulas pra mim já começaram mais tarde, pois entrei depois de um mês do início do ano letivo das aulas. Fui recebida por poucos e excluída pela maioria, já que era diferente, tinha cara de professora e não de aluna…..

Este foi o meu primeiro teste de volta para a Faculdade – eu só pensava no que tinha que enfrentar, já que estava firmemente decidida e fazer o curso. Era meu sonho de adolescente e não conseguia entender porque não tinha feito isto antes. Mas já que estava alí iria enfrentar tudo e todos!

E quem disse que bulling é só para as crianças ou outras situações – o incrível é sofrer bulling na Faculdade só porque você é mais velha – porque tem cara de mãe e não de aluna – porque você talvez tenha um pouco mais de experiência dos que muitos dos que estão ali…..mas enfim o bulling existe mesmo e eu pude comprovar isto ao longo dos 5 anos de curso.

“Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.” Sarah Westphal

Mas isto também serviu para eu me impor, mostrar que independentemente de tudo e de todos podemos concluir o curso e se sair muito melhor que muitos jovens que lá estavam.

E assim aconteceu, passei por diversas adversidades ao longo deste período, aprendi a lidar com as situações que me deixavam constrangida e negligenciada e ao final já havia um respeito velado por mim e por tudo o que fazia e mostrava ao grupo.

A conclusão do curso foi o ápice da realização de mais este sonho, saber que a idade não importa, o tempo não conta, as pessoas que torcem pra que você não tenha força… não importa. O que importa mesmo são as poucas pessoas que ficam ao seu lado, que te “suportam” por este longo período de 5 anos…. Isto sim conta e é por isto que quero compartilhar com todos vocês esta grande experiência.

A vida pra mim recomeçou aos 60 anos….então é verdadeiro quando podemos dizer que sempre é tempo de fazer, de recomeçar, de expandir nossos horizontes.

Convido todos a recomeçar comigo esta grande jornada de ser uma Arquiteta. e acima de tudo lembrar aque enquanto ha vida e esperança, é possivel se dedicar para tranformar sonhos em realidade!

Fonte: https://www.administradores.com.br/mobile/artigos/carreira/sempre-e-tempo/110431/