“As mulheres costumam fazer muitas coisas juntas… Não é raro vê-las em pares ou em grupo no cinema…fazendo compras… viajando… olhando vitrines… andando no parque…indo a shows… a exposições… almoçando… e tudo isso sem parar de conversar (mulher fala, não?!😅)…
Romances… relacionamentos… rompimentos… perdas… filhos… profissão… roupas… menstruação… tpm… menopausa… exercícios… sexo etc… assunto é que não falta… Uma grande amiga minha chama de “sair para mulherar” essas tantas atividades que fazemos juntas enquanto… ao mesmo tempo… vamos falando da vida…
As mulheres trocam confidências… expõem aquilo que vivem e seus conflitos… bordam e tricotam (literal e metaforicamente)…brigam… acompanham e cuidam umas das outras… numa troca recíproca e coletiva… Nas muitas atividades em companhia das amigas… aparentemente tão triviais… fios da subjetividade de cada uma de nós se entretecem e nos ajudam a virar mulher… a ser mãe… a ser amiga… a casar…a ter filhos… a descasar… a trabalhar… a enfrentar a saída dos filhos de casa… a voltar a namorar… a passar pela menopausa… a envelhecer…a fazer os lutos e tantas outras coisas… A vida seria muito mais dura se não fossem pelas irmãs-amigas… amigas- irmãs… com as quais podemos falar e elaborar tanto as dores como as delícias que vamos experimentando ao longo da estrada…
“Mulherar” ajuda a fabricar tecido psíquico… um tecido que vai sendo bordado coletivamente… criando novos desenhos e novas formas de pensar e dar sentido às nossas vivências e à nossa história.”
Sentindo falta de “mulherar” 🥰”
By Helena Albuquerque, psicanalista, mestre da USP
Trechos do livro “O Arroz de Palma”, de Francisco Azevedo.
“Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema… Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir… Mas a vida… sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto; é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele, o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente… Já estão aí? Todos? Ótimo! Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza. Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturados com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar, tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa. Atenção, também, com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto: é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Às vezes, o ídolo da família, o bonzinho, o bola cheia que sempre ajudou, azedou a comida só porque meteu a colher. O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem! Tudo ilusão! Família é afinidade, é à Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito. Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada. Seria assim, um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir. Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete!
Família: Feliz quem tem, sabe curtir, aproveitar e valorizar!!!
“Gente feliz não se incomoda com o sucesso alheio, com a roupa que fulana vai vestir, com a última postagem de ciclano na rede social, com as escolhas da Maria, com as desistências do João, com a felicidade de quem quer que seja. Gente feliz vibra por você, e não torce o nariz quando te vê crescer”
Busque um tempo só para você. é uma questão de vida!
É preciso, é essencial na vida. É parte da existência. Sim o tempo nos espera para tê-lo só para nós. O tempo quer nos mostrar algumas coisas, que dar algumas respostas, mesmo que algumas não muito claras. Ele quer fazer perguntas. Ele quer ser amigo.
A vida se torna louca quando corremos contra o tempo. Quando precisamos pensar, agir, ir mais rápido, terminar, recomeçar.
O tempo cobra que a gente pare, que a gente respire um pouco mais devagar, que a gente esqueça todo o resto.
Como às vezes sentimos falta deste tempo. Só nosso, sem ninguém para nos cobrar nada, sem nos cobrarmos nada. Sem nos culparmos por não termos tempo para mais ninguém.
Durante o tempo em que ficamos dentro das nossas quatro paredes, observando nossos quadros mentais, revirando nossas coisas internas conseguimos avaliar a vida, organizar sentimentos, conseguimos aquietar o coração, chorar se for preciso, fazer planos deixados para trás, amar em silêncio.
Sem vozes alheias, sem opiniões, sem o barulho do que há lá fora. O tempo quer que estejamos de corpo e alma para nós. O tempo quer que descansamos, que nos aquietamos, que nenhuma voz além da que carregamos em nosso interior se manifeste.
O tempo quer que possamos assistir um filme qualquer sozinhos, que tomemos um banho de mar ou um drink sem ninguém por perto, que olhemos para o nada por certo período sem nenhuma interrupção.
Tão sutilmente em tantos breves anos foram se trocando sobre os muros mais que desigualdades, semelhanças, que aos poucos dois são um, sem que no entanto deixem de ser plurais: talvez as asas de um só anjo, inseparáveis. Presenças, solidões que vão tecendo a vida, o filho que se faz, uma árvore plantada, o tempo gotejando do telhado. Beleza perseguida a cada hora, para que não baixe o pó de um cotidiano desencanto.
Tão fielmente adaptam-se as almas destes corpos que uma em outra pode se trocar, sem que alguém de fora o percebesse nunca.
Dar limites a seu filho desde cedo não é ser “rígido”, é educá-lo para ser um bom ser humano!
Uma reflexão valiosa sobre o valor dos limites na educação dos filhos. Confira!
Das importantes lições que todos os pais devem ensinar aos seus filhos, uma das mais valiosas é a noção de que eles vivem em um mundo compartilhado e que precisam entender até onde podem ir em suas falas e atitudes.
Estabelecer limites nos pequenos, para que eles possam ser adultos conscientes, respeitosos e de bom caráter, é algo que os pais sabem que é extremamente necessário, especialmente em um mundo onde parece tão fácil se desviar do caminho certo.
Entretanto, para alguns deles, apesar de compreenderem a necessidade desses ensinamentos, na prática, pode ser muito difícil “podar” algumas coisas em seus filhos, e pecar pela permissividade.
Seja porque foram muito “controlados” durante a própria infância e querem que seus filhos cresçam mais livres e independentes, ou porque sentem certo receio de como o “não” impactará os pequenos, esses pais deixam de ensinar e corrigir os filhos em alguns dos momentos mais importantes de suas vidas.
Também por serem guiados pelas opiniões de outras pessoas que não vivem a sua realidade, esses pais começam a enxergar qualquer tipo de limite como uma “punição” e, como consequência, permitem que as crianças façam o que quiserem.
Essa é uma escolha muito arriscada, que não leva muito tempo até provar-se verdadeiramente equivocada.
Ensinar aos filhos que não podem ter e fazer tudo o que quiserem é uma obrigação dos pais, e faz parte de uma boa e saudável criação, que ajudará as crianças a, desde pequenas, conviverem em sociedade, onde suas vontades não serão sempre aceitas e compartilhadas.
Maturidade acalma. Traz sossego. Nos livra de melindres.
Gente madura olha nos olhos. Não faz chantagem emocional nem sufoca com suas carências. Gente madura compreende, não cria caso, não age pra atingir nem faz uso de indiretas. Aliás ser maduro é ser direto, objetivo. É respeitar a opinião alheia pois quer que a sua também seja respeitada. É aprender com os erros, ao invés de paralisar com eles. É ouvir mais do que fala e escutar com atenção, pois é assim que procede o aprendizado. Gente madura ri de si mesma pois sabe que o sorriso é a chave para muitas portas que a vida nos apresenta. Sabe que o bom humor é chique, que gente feliz brilha, sem precisar de Sol. E sabe também que alegria de verdade não se forja, se exercita com as próprias dificuldades da vida. Gente madura sabe o que é ser feliz. Anda devagar, por que já teve pressa e percebeu que ela não é só inimiga da perfeição. Gente madura sabe que a pressa faz passar despercebido o que realmente nos ilumina o coração.” Erick Tozzo sabe muito bem como gente madura é.
Adorei este texto que fala do envelhecer com um olhar sensível e verdadeiro de autoria de Marguerite Yourcenar, in ‘Memórias de Adriano’. Assim está sendo o caminhar de muitos de nós 🙏🏻. Vale a pena ler:
Tenho sessenta anos. Não te iludas: não estou ainda bastante fraco para ceder às imaginações do medo, quase tão absurdas como as da esperança e seguramente muito mais penosas. Se fosse preciso enganar-me a mim mesmo, preferia que fosse no sentido da confiança; não perderia mais com isso e sofreria menos. Este fim tão próximo não é necessariamente imediato; deito-me ainda, todas as noites, com a esperança de chegar à manhã seguinte. Adentro dos limites intransponíveis de que te falei há pouco, posso defender a minha posição passo a passo e recuperar mesmo algumas polegadas do terreno perdido. Não deixo por isso de ter chegado à idade em que a vida se torna, para cada homem, uma derrota aceite. Dizer que os meus dias estão contados não significa nada; sempre assim foi; é assim para todos nós. Mas a incerteza do lugar, do tempo e do modo, que nos impede de distinguir bem o fim para o qual avançamos sem cessar, diminui para mim à medida que a minha doença mortal progride. Qualquer pessoa pode morrer de um momento para o outro, mas o doente sabe que passados dez anos já não será vivo. A minha margem de hesitação já não se alonga em anos, mas em meses. As minhas probabilidades de acabar com uma punhalada no coração ou por uma queda de cavalo tornam-se cada vez menores; a peste parece improvável, a lepra ou o cancro afiguram-se definitivamente afastados. Já não corro o risco de cair nas fronteiras, atingido por um machado helénico ou trespassado por uma flecha parta; as tempestades não souberam aproveitar as ocasiões que se lhes ofereceram, e o feiticeiro que me predisse que eu não me afogaria parece ter acertado. Morrerei em Tíbure, em Roma ou em Nápoles quando muito, e uma crise de sufocação encarregar-se-á da tarefa. Serei levado pela décima ou pela centésima crise? É essa a única questão. Assim como o viajante que navega entre as ilhas do Arquipélago vê despontar, ao entardecer, uma espécie de névoa luminosa e descobre pouco a pouco a linha da costa, eu começo a avistar o perfil da minha morte. Certas fracções da minha vida assemelham-se já a salas desguarnecidas de um palácio demasiadamente vasto que um proprietário empobrecido renuncia a ocupar todo.
Para você ganhar um belíssimo Ano Novo 🌈 com a cor de arco-íris, ou da cor da sua paz…
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido (mal vivido ou talvez sem sentido). Para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha… Tenho aprendido que você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido pelas besteiras consumadas nem parvamente acreditar que por decreto da esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.
Feliz Ano Novo para todos vocês 🥂
Texto extraído do “Jornal do Brasil”, Dezembro/1997 – Carlos Drummond de Andrade
Entre a infância e a velhice há um instante chamado vida…
Muitas vezes nos esquecemos de viver o presente, deixando passar grande parte da vida.
Quando menos esperar, os momentos podem desaparecer, aquela presença importante pode não fazer mais parte da sua rotina, e o sentimento de desperdiçar o tempo passa a ser constante.
No frenesi dos hábitos de vida atuais, muitas são as pessoas que acabam se perdendo em seus instantes, invertendo valores. Com o mundo cada vez mais conectado, a sensação de urgência foi modificada completamente, fazendo com que passemos grande parte dos nossos dias na frente de pequenas e luminosas telas.
Enquanto rolamos o feed de notícias, passamos a remoer o passado e imaginar o futuro – não que isso não sejam comportamentos normais e aceitáveis, mas fazemos com tanta frequência que acabamos esquecendo de viver o presente. Deixamos minutos ou até mesmo horas preciosas do nosso dia simplesmente se esvaírem pelos nossos dedos, perdendo o efêmero sopro de vida que temos.
Quando somos crianças, sabemos exatamente como aproveitar o momento, e por mais que sonhos e a imaginação façam parte da realidade, sempre são dosadas em quantidades aceitáveis. Quando nos tornamos jovens, ao invés de apreciarmos uma das melhores e mais vigorosas fases das nossas vidas, acabamos presos em uma espécie de “limbo temporal”, em que passamos boa parte do tempo refletindo sobre o que poderíamos ter feito de diferente no passado e conjecturando o momento futuro.
Nunca podemos nos esquecer que são os instantes que fazem com que nossas vidas sejam verdadeiramente especiais, a troca de olhares e de experiências com os outros. O prazer de evoluir como ser humano, de conhecer novos lugares, de descobrir hobbies, de aprender novos idiomas, de crescer profissionalmente. Nada disso se faz preso no passado ou no futuro.
Ainda que nossas lembranças e nossos planejamentos sejam de suma importância, não é neles que devemos passar boa parte do nosso dia. A memória é importante para que realmente aprendamos com nossos erros; assim como a prospecção nos garante certo tipo de controle de nossas vidas. Mas nem um e nem outro podem ser modificados no presente momento.
O que mais vale é ter sabedoria o suficiente para amadurecer e planejar, ao mesmo tempo em que momentos verdadeiros são usufruídos com as pessoas que amamos. Porque é justamente essa passagem pela vida que torna cada pequena fração de segundos tão especial, e não o constante planejamento ou o constante arrependimento.
Se as coisas não saíram como queria, aprenda a se perdoar, porque o perdão não é algo que devemos dar apenas aos outros, mas também a nós mesmos. Aprenda a valorizar sua história, suas marcas de expressão, suas cicatrizes e suas rugas, cada pequena inscrição em seu corpo é um sinal da passagem do tempo e do acúmulo de sabedoria.
Seja bondoso com tudo aquilo que você se tornou, ainda que esteja distante do que tenha sonhado, porque esse corpo e essa existência são únicos. Não importa qual seja sua idade ou sua condição, cerque-se de pessoas e coisas que façam com que se sinta bem, porque a vida é curta demais para perdermos tempo tentando agradar quem mal conhecemos.
Suas origens e raízes precisam ser reconhecidas, valorizadas e enaltecidas, porque foram elas – em grande parte – que te transformaram no que é hoje. A genética é importante, assim como a presença dos nossos familiares, que estão sempre dispostos a nos ajudar em nossos processos de evolução pessoal. As pessoas valem mais que as coisas, e nunca podemos nos esquecer disso.
Pode ser que esses pensamentos só comecem a surgir em sua trajetória quando adquirir certo tipo de maturidade, ou essa busca pessoal pela completa evolução acabe provocando reflexões desse âmbito. Mas isso nunca deve ser visto como um problema, porque somos incomparáveis, somos únicos e cada um vai passar pela vida da forma e no tempo próprios.
Aprenda a viver seus dias de maneira regrada, em equilíbrio. Por mais que alguns excessos sejam necessários para o crescimento pessoal, é a busca pelo centro que nos faz melhores e mais capazes. A beleza da vida está em apreciar seus pequenos detalhes, ao lado de pessoas que nos querem bem, e que têm apreço pela natureza e pelos outros. Agradeça sua existência e não deixe o presente para depois.