​QUARENTA… CINQUENTA… SESSENTA ANOS!

Tem gente que começa aos quarenta, outros assim como eu, só perto dos sessenta anos.

A nossa percepção sobre o mundo e nós mesmos vai mudando… vamos ficando mais calmos… leves e felizes. Queremos a simplicidade em cada gesto… em cada atitude… e mudamos em tantas coisas que a nossa companhia conosco mesmo torna- se um prazer absoluto. Somos mais seletivos em todas as nossas escolhas assim como Fabrício Carpinejar descreve neste texto. Leiam:

Gostar da própria solidão é a manifestação mais clara de que chegou aos 40 anos.

Não precisa mais sair de casa para ser feliz, não é mais tributário do barulho e da multidão para se ver acompanhado.

Gosta do silêncio e de não fazer nada demais. Gosta do espaço vazio e da liberdade de não ter a agenda cheia.

Passa a filtrar os convites, a peneirar as festas, a abrir a porta para a rua somente quando realmente é indispensável.

Não sofre mais em dizer não. Prefere receber os amigos em casa, em pequenos e semelhantes grupos, a virar a madrugada em baladas com estranhos.

Dispensou o bordel dentro de si. Tem como princípio sexo com qualidade, não mais pela quantidade. Não está mais desesperado para transar toda noite, toda semana. Busca criar um clima para o clímax, acima de tudo. A música de qualidade e a conversa inteligente são preliminares indispensáveis antes de qualquer amasso.

Perdeu também a ganância de enriquecer, o olho de águia do sucesso, opta por ganhar menos e se incomodar menos.

Mudou a sua concepção de prosperidade, paz é prosperidade.

O que fazia quando estava gripado, de permanecer na cama lendo um livro ou emendando episódios de uma série, agora ocupa a maior parte de seus dias sadios. Preocupa-se em aguar as plantinhas, em aprender idiomas, em comprar verduras sem agrotóxico nas feirinhas de bairro.

Nem para tomar vinho acredita que depende de companhia. As quatro décadas revelam a satisfação de um cálice sentado na varanda, sem ninguém para apressar os goles. Finalmente está solto no seu mundo de pensamentos para degustar a safra e descobrir os taninos.

Sei que meus amigos sopraram as quarenta velinhas quando decidem se dedicar a cerveja artesanal. Largam os botecos e a zona de desconforto da boemia pela produção caseira de sua bebida. Ostentam experimentos e guardam as provas para limitados convidados. São cientistas do isolamento, explicando, depois de cumprida a missão, o passo-a-passo de sua incubadora com ostensivo orgulho.

Alguns encontram tempo para maturar queijos, outros se aventuram a assar pães ou pizzas, com sacerdócio de mestre-cucas. Se antes reclamavam da submissão doméstica das mães e avós, que colocavam tortas a esfriar nas janelas, agora não acham nem um pouco inconveniente o hábito de cozinhar, ainda que seja para o seu consumo.

Aliás, é simbólico nesta faixa etária querer produzir a sua própria comida. A cozinha torna-se a parte mais importante da residência, com aquisição de fornos potentes e panelas inquebrantáveis.

O discernimento da meia-idade surge com a renúncia. Entende-se que perder a agitação é ganhar autoconhecimento. A experiência traz a clareza do que é bom e do que é ruim, de que não vale realizar coisa alguma na contrariedade, de que nada mais será feito para agradar o outro.

Gostar-se é o início de uma nova vida. Longeva vida, com a adrenalina da simplicidade. 💙🙏🏻

8 comentários sobre “​QUARENTA… CINQUENTA… SESSENTA ANOS!

  1. ´É interessante ao ler seu texto, descobrir a citação feita a Fabrício Carpinejar. O conheci há dois anos. Até final do ano passado fui professor e coordenador do filho dele (recém aprovado no curso de Relações Internacionais na UFRGS). É impressionante o quanto a ‘sensação de calmaria’ que ele transmite em seus textos, não reflete em seu comportamento. O cara é uma pilha ligada no 320..
    Seus textos são muito bons e ele é uma pessoa que demonstra a seu modo gratidão a todos que o rodeiam…

    Curtido por 1 pessoa

    • Não imaginei um Fabrício ligado nos 320, muito pelo contrário… Este mundo é pequeno mesmo, não é? Você Estevam coordenando o filho dele. Adoro seus textos. Que prazer em conhecê-lo pessoalmente. O engraçado é que vivo hoje num dançar entre a calmaria e a agitação, sem saber bem pra que lado vou seguir. Momento de minha reconstrução neste envelhecer que é meu terceiro ato de vida. Inquieta andei conhecendo muitos movimentos, muito interessantes sobre a Longevidade. Com tantas coisas boas… fica difícil é escolher qual vou seguir. As vezes quero abraçar todos, impossível. Tudo ao seu tempo. Abraços

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s